<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5559236354249669679</id><updated>2011-11-29T20:07:55.025-03:00</updated><title type='text'>Prof. Biu Vicente</title><subtitle type='html'>Espaço para dar publicidade aos trabalhos dos alunos das diversas disciplinas que leciono, na UFPE, como também de pessoas que procurem a minha orientação.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://profbiuvicente.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5559236354249669679/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://profbiuvicente.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Biu Vicente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16556163874053147345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>50</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5559236354249669679.post-4417873638777446123</id><published>2009-12-15T22:23:00.003-03:00</published><updated>2009-12-15T22:28:29.400-03:00</updated><title type='text'>15 de dezembro de 1815 - Reino do Brasil unido a Portugal e Algarves</title><content type='html'>HOJE NA HISTÓRIA:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16 de Dezembro de 1815:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ELEVAÇÃO DO BRASIL A REINO UNIDO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                              &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                                                     Aline De Biase&lt;br /&gt;aluna do 4º período de História&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            A chegada da família real portuguesa ao Brasil, em 1808, conseqüência da política napoleônica na Europa, representou o início das mudanças que levaram a colônia à emancipação. Com a transferência da corte para o Rio de Janeiro foram lançadas as bases da autonomia administrativa colonial, formalizada, em 1815 com a elevação do Brasil a Reino Unido ao Reino de Portugal e Algarves.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Com o fim do Império Napoleônico, houve uma articulação através do Congresso de Viena, a fim de reestruturar e legitimar as monarquias européias, desestabilizadas pelo imperador francês. Para validar a situação da dinastia de Bragança, já que o Congresso de Viena só reconhecia Portugal como sede do reino, João, o príncipe regente de Portugal – durante o final do reinado da sua mãe D. Maria I –, elevou o Brasil de colônia a Reino, a 16 de dezembro de 1815 e legitimou a permanência da Corte no Brasil. Ao designar as três coroas de Algarves, Portugal e Brasil, de Reino Unido, João estabeleceu um sistema jurídico semelhante ao atual reino unido da Grã-Bretanha e Irlanda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves só teve dois reis: D. Maria I e D. João I do Brasil, que também foi rei de Portugal com o título de Dom João VI. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao fazer o Brasil sair da situação de colônia, com a elevação, D. João I desagradou os comerciantes portugueses. A insatisfação portuguesa acarretou na Revolta do Porto de 1820, que forçou o retorno de D. João I a Portugal em 1821, abrindo as veredas para a Independência do Brasil em 1822, que pôs fim à Reino Unido Brasil, Portugal e Algarves.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao proclamar-se Imperador do Brasil, o príncipe Pedro de Alcântara, – D. Pedro I do Brasil, que também foi D. Pedro IV de Portugal – não chegou a ostentar o título de rei do Reino Unido de Portugal, Brasil, e Algarves.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; texto produzido para o programa Que História é Essa, do dia 16 de dezembro de 2009. Rádio Universitária AM 820khz&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5559236354249669679-4417873638777446123?l=profbiuvicente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://profbiuvicente.blogspot.com/feeds/4417873638777446123/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5559236354249669679&amp;postID=4417873638777446123' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5559236354249669679/posts/default/4417873638777446123'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5559236354249669679/posts/default/4417873638777446123'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://profbiuvicente.blogspot.com/2009/12/15-de-dezembro-de-1815-reino-do-brasil.html' title='15 de dezembro de 1815 - Reino do Brasil unido a Portugal e Algarves'/><author><name>Biu Vicente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16556163874053147345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5559236354249669679.post-8740914585822198964</id><published>2009-11-11T16:05:00.002-03:00</published><updated>2009-11-11T16:07:04.508-03:00</updated><title type='text'>11 de novembro de 1975 - Independência de Angola</title><content type='html'>HOJE NA HISTÓRIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A meia-noite do dia 11 de novembro de 1975, a última colônia portuguesa, Angola, torna-se independente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ghita Almeida Galvão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Severino Vicente da Silva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os primeiros europeus a chegarem ao Reino do Congo foram Portugueses que, liderados pelo navegador Diogo Cão, no século XV aportaram na foz do Rio Congo ou Zaire que fica na, ainda hoje existente, cidade de Mbanza. Além desse reino havia outros menores como Mulilu, Musuru e Ndongo, este ultimo veio a formar o que chamamos de Angola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rei do Congo recebeu muito bem os portugueses, se converteu ao cristianismo e foi batizado como Afonso I. Como era costume na época, os habitantes dos territórios governados por ele também se converteram a esta religião, que até hoje é sua majoritária. Portugal realizava o que chamamos de Grandes Navegações em direção do Oriente. Uma das conseqüências da presença portuguesa foi o estabelecimento do comércio de escravos, atividade geradora de muitos lucros, direta e indiretamente – já que tanto sua exportação quanto sua utilização em outras atividades era fator de muitos ganhos, para europeus e congoleses – este comércio no ponto de vista de Afonso I, como foi dito por Elikia M’Bokolo no livro África Negra: história e civilizações; “deveria ser bem organizado, respeitador das regras e das hierarquias (sociais), pois só assim, seria lucrativo para todos Portugueses e Congos”. Até meados do século XIX, quando foi extinta a escravidão, comerciantes de escravos transformaram Angola na “mina da escravaria”. O Marquês de Pombal, ainda no século XVIII tentou explorar as riquezas naturais do lugar, tornando a colônia, até 1970, uma economia agrária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, Angola sempre foi muito rica em minerais, tem inclusive o minério de ferro, o cobre, o ouro, entre outros. Atualmente o país é o segundo maior produtor de petróleo e exportador diamante da África Subsaariana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Segunda Guerra mundial provocou o declínio dos impérios coloniais que os europeus haviam formado na Ásia e África. O processo de descolonização também atingiu as colônias portuguesas. Nesse quadro internacional, marcado também pela Guerra Fria, ou seja, o confronto entre as duas potências vencedoras da Guerra terminada em 1945.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; As lutas angolanas pela libertação e independência ocorreram entre 1961 e 1974, e foram marcadas pela concorrência de três grupos: o Movimento Popular pela Libertação de Angola (MPLA), a Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) e a União Nacional pela Libertação Total de Angola (UNITA). Destes, só o Movimento Popular pela Libertação de Angola - MPLA foi considerado legítimo pela Organização da Unidade Africana (OUA), para o combate contra a metrópole e também para governar o país, posteriormente. Agostinho Neto, do MPLA, declarou a independência de Angola em 11 de novembro de 1975 e assumiu a presidência do país, legitimado pela Organização da Unidade Africana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, os conflitos não param por aí, depois deste episódio, começaram, propriamente, as guerras civis que duraram, efetivamente, até 2002. Elas se iniciaram já com a luta dos partidos, pela independência de Angola, estes entram em conflito pelo poder do país. Vários países, interessados nas riquezas do solo angola intervieram no conflito angolano: Cuba apoiou o MPLA; a África do Sul e os Estados Unidos apoiaram a UNITA; o Zaire, a China, Portugal, a Inglaterra e ainda os Estados Unidos apoiaram a FNLA. Vários acordos foram feitos ao longo dos anos, porém a guerra só acabou em 2002 com a morte do líder da Unita, Jonas Savimbi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ação imperialista na maioria das vezes, em conjunto com o próprio governo local, deixou muitas marcas no país, como por exemplo, a pobreza de grande parte da população e a morte de outras tantas pessoas. Porém, o Estado angolano está aos poucos se erguendo. Aposta-se que até o ano de 2010, o Produto Interno Bruto de Angola alcance 100 bilhões de dólares. Angola está recebendo investimentos de muitos países, inclusive do Brasil, com quem está trocando mão-de-obra, trocas que simbolizam, agora um novo rumo nas relações com o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ps. texto escrito para o programa Que História é Essa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5559236354249669679-8740914585822198964?l=profbiuvicente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://profbiuvicente.blogspot.com/feeds/8740914585822198964/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5559236354249669679&amp;postID=8740914585822198964' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5559236354249669679/posts/default/8740914585822198964'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5559236354249669679/posts/default/8740914585822198964'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://profbiuvicente.blogspot.com/2009/11/11-de-novembro-de-1975-independencia-de.html' title='11 de novembro de 1975 - Independência de Angola'/><author><name>Biu Vicente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16556163874053147345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5559236354249669679.post-3735526618056196927</id><published>2009-10-21T11:36:00.001-03:00</published><updated>2009-10-21T11:40:21.285-03:00</updated><title type='text'>21 de outubro de 1967 - manifestação pela paz no Vietnã</title><content type='html'>21 de outubro de 1967 - Manifestação pela Paz no Vietnã &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ghita Almeida Galvão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Severino Vicente da Silva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia 21 de outubro de 1967, na frente do Pentágono em Washington, Estados Unidos, mais de 50.000 jovens protestavam contra a guerra do Vietnã. É quando foi feita a foto “Flower Power” do fotógrafo Marc Riboud, na qual um jovem está colocando flores nas armas de soldados. Na época o movimento hippie estava no auge e no ano seguinte aconteceu Woodstock, visando também, além de muitos outros motivos, o fim da guerra do Vietnã. A guerra do Vietnã durou 16 anos, de 1959 a 1975, foi travada entre a República democrática do Vietnã – o Vietnã do Norte e seus aliados comunistas contra a República do Vietnã – o Vietnã do Sul, com o apoio dos Estados Unidos entre outros países. Mas essa história é mais longa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A França invadiu a região e a tornou colônia desde 1885 até a ocupação japonesa, ocorrida entre 1941-45, país aliado dos nazistas. Ao término da Segunda Guerra Mundial a França tentou recolonizar a Indochina. Durante essa tentativa de recolonização que ficou conhecida Guerra da Indochina (1946-1954), o Vietnã tinha sido dividido, transformado em uma zona intermediária entre a Índia e a China da qual ele fazia parte, depois da segunda guerra mundial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os países comunistas, notadamente a China, apoiaram a o Vietnã do Norte na guerra pela independência na luta contra a França. Os Franceses foram derrotados e saíram do Vietnã em 1954, tendo sido estabelecido que haveria uma eleição para a escolha do regime a ser seguido. O temor de que o Vietnã do Norte, de orientação comunista, dominasse o Vietnã do Sul, de tendência democrático-capitalista, fez com que os Estados Unidos da América do Norte estabeleceram bases militares e enviaram milhares de soldados. Começava a Segunda Guerra da Indochina. Ao longo dos anos sessenta esse número foi crescendo, mas os vietnamitas do norte utilizavam técnicas de guerrilha e o conhecimento territorial, lhes dava muita vantagem na luta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os protestos, como os do dia 21 de outubro de 1967 foram muitos para que os Estados Unidos retirassem suas tropas do conflito; os meios de comunicação mostravam à população tudo, ou quase tudo, ao vivo, que estava acontecendo. Assim, aos poucos os governos perdem o apoio popular, e centenas de jovens fogem do alistamento militar. O Vietnã do Norte vence depois de um cessar-fogo, os norte-americanos, aceitam o Acordo de Paz de Paris, retiraram seus soldados país deixando a vitória mais acessível eles, que posteriormente reunificaram o país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As consequências foram extravagantes mais de 1 milhão de mortos e 2 milhões de feridos, além de prejuízos econômicos para os dois lados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse conflito é, nos dias mais atuais, comparado a guerra do Iraque, também com a participação dos estaduninenses e com motivos pouco convincentes. Esse conflito também gerou em muitos protestos e prejuízos e, como o anterior, levou mais de 50.000 pessoas para as ruas de Washington. É visível como para muitos de nada serve sua história.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5559236354249669679-3735526618056196927?l=profbiuvicente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://profbiuvicente.blogspot.com/feeds/3735526618056196927/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5559236354249669679&amp;postID=3735526618056196927' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5559236354249669679/posts/default/3735526618056196927'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5559236354249669679/posts/default/3735526618056196927'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://profbiuvicente.blogspot.com/2009/10/21-de-outubro-de-1967-manifestacao-pela.html' title='21 de outubro de 1967 - manifestação pela paz no Vietnã'/><author><name>Biu Vicente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16556163874053147345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5559236354249669679.post-7170181892675459000</id><published>2009-10-14T15:54:00.001-03:00</published><updated>2009-10-14T15:55:19.653-03:00</updated><title type='text'>ALEMANHA NAZISTA DEIXA A LIGA DAS NAÇÕES</title><content type='html'>HOJE NA HISTÓRIA&lt;br /&gt;14 de outubro - 1933&lt;br /&gt;ALEMANHA NAZISTA DEIXA A LIGA DAS NAÇÕES&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ghita Almeida Galvão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para se chegar ao fim da Primeira Guerra Mundial, tentou-se firmar muitos acordos. Vendo a impossibilidade de uma vitória, o Chanceler alemão propôs um acordo de paz ao então, presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson que desejava uma paz sem anexações nem indenizações. Este acordo poderia ser baseado nos quatorze pontos criados por Wilson para a reconstrução européia, dos quais o décimo quarto falava da criação de uma Liga das Nações ou Sociedade das Nações. A Liga tinha por objetivo a paz mundial, mas tendo fracassado, foi posteriormente dissolvida.&lt;br /&gt;Com o interesse de fundá-la e cumprir com todas as quatorze propostas, foi feita a Conferência de Paris. Dela participaram trinta países, a Alemanha não estava entre estes e as decisões eram tomadas pelas grandes potências (Estados Unidos, França e Inglaterra) e os seus interesses iam contra os alemães e transgrediam as regras dos quatorze pontos, que previa não existirem mais expansões territoriais. Sendo assim, quando a Alemanha viu as disposições do Tratado (conhecido como o Tratado de Versalhes) se opôs, porém ele lhe foi imposto à força. Pelo que havia sido acordado a Alemanha perderia um sétimo de seu território e um décimo de sua população, além de ter uma redução no exército, de soldados e armamentos, além de um elevado pagamento em dinheiro por ter causado a guerra.&lt;br /&gt;Com todos esses fatores a Alemanha cria em si um sentimento de revanchismo muito forte e evidencia isso com o Nazismo. Em 14 de outubro de 1933, a Alemanha anunciou sua retirada da Liga das Nações e sua não participação da Conferência de Desarmamento de Genebra. No início da conferência os ingleses propuseram a aceitação de um exercito alemão forte, mas a França conseguiu adiar a decisão por mais quatro anos. Para Hitler, então Chanceler alemão, não seria ruim essa aprovação, mas com o veto francês e sua não disposição a um desarmamento alemão, tomou uma atitude esperada. &lt;br /&gt;A Sociedade das Nações finda aos poucos devido as muitas concessões e as saídas de diversos membros, acabando e dando lugar a ONU  após a Segunda Guerra Mundial.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5559236354249669679-7170181892675459000?l=profbiuvicente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://profbiuvicente.blogspot.com/feeds/7170181892675459000/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5559236354249669679&amp;postID=7170181892675459000' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5559236354249669679/posts/default/7170181892675459000'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5559236354249669679/posts/default/7170181892675459000'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://profbiuvicente.blogspot.com/2009/10/alemanha-nazista-deixa-liga-das-nacoes.html' title='ALEMANHA NAZISTA DEIXA A LIGA DAS NAÇÕES'/><author><name>Biu Vicente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16556163874053147345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5559236354249669679.post-8123953906944952886</id><published>2009-06-19T09:13:00.006-03:00</published><updated>2009-06-19T09:29:29.649-03:00</updated><title type='text'>A Criança e sua Educação no Período Moderno</title><content type='html'>UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO&lt;br /&gt;CENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS&lt;br /&gt;GRADUAÇAO EM HISTORIA&lt;br /&gt;HISTÓRIA MODERNA II&lt;br /&gt;PROF º: SEVERINO VICENTE DA SILVA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Texto produzido e apresentado por: &lt;br /&gt;Daiana do Nascimento Santos&lt;br /&gt;Kilda Karulina Araujo de Oliveira&lt;br /&gt;Melanny Stephanny Maia B. De Vasconcelos&lt;br /&gt;Suzani Santos da Silva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;do 5º Período&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A CRIANÇA E SUA EDUCAÇÃO NO PERÍODO MODERNO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para abordar a vida escolar infantil no período estudado é necessária a compreensão de como se formou o sentimento de “ser criança” ao longo da História e, para atingir tal intento utilizamos o livro História Social da Criança e da Família de Philippe Ariès que possui rico material acerca do tema, utilizando vasta interpretação iconográfica para mostrar a evolução do sentimento de infância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No período medieval, por volta do século XII, a infância não possuía lugar na sociedade ainda não existia a consciência das particularidades infantis, a criança era considerada um adulto de proporções reduzidas que não possuía personalidade nem alma. Quando a criança já possuía condições de ser minimamente autônoma ela ingressava no mundo dos adultos. Nesse período a morte prematura era muito comum, a criança era de certa forma ignorada, pois se sabia que iriam nascer muitas para apenas algumas poucas vingarem. As pessoas não se apegavam muitos as crianças devido a essa ameaça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As inúmeras pinturas medievais que representam crianças às retratam como pequenos adultos, apresentando muitas vezes musculatura de um homem feito, “numa miniatura francesa do fim do século XI, as três crianças que São Nicolau ressuscita estão representadas numa escala mais reduzida que os adultos, sem nenhuma diferença de expressão ou de traços”. (ARIÈS, 1981, p.51). Essa incoerência entre a criança pintada e a criança real mostra a falta de atenção que era dispensada à infância, esse período era considerado uma fase muito breve que logo seria esquecido, era portando sem muita importância. Segundo Ariès, a recusa de representar a criança de um modo mais fidedigno é encontrada na maioria das culturas arcaicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por volta do século XIII iniciou-se uma mudança no modo de ver e consequentemente representar, a criança. Segundo Ariès, devido a três modelos difundidos nessa época: Jesus e Maria em suas sagradas infâncias, o anjo que se parecia com crianças pequenas e com outras mal saídas da infância, e a criança nua ou putto, sendo esta uma manifestação do século XVI.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tema das infâncias sagradas começou com Maria e Jesus e depois se estendeu a muitos outros santos, nessas representações há a presença de inúmeros aspectos observáveis das crianças. Os santos infantes eram pintados com suas mães, sozinhos ou com outros santos na mesma idade.&lt;br /&gt;No século XIV começa a aparecer na arte a vontade de exprimir a personalidade e as particularidades de cada criança. A graciosidade, e a diversão que a criança proporcionava aos adultos fez surgir o sentimento que Ariès chama de “paparicação’, ou seja, o prazer em cuidar da criança de brincar e de mimá-la. Esse sentimento já existia anteriormente entre as mães e amas, que tinham um contato mais direto com os infantes, mas não eram demonstrados. A partir desse século as pessoas passaram a admitir que gostavam de ficar com as crianças. Entretanto, esse sentimento não era unânime, muitas pessoas condenavam a “paparicação”, havia a coexistência da indiferença medieval com a nova vontade de mimar as crianças.&lt;br /&gt;O putto reapareceu no século XVI como o renascimento do Eros helenístico, essa cultura possuía uma representação muito fiel das crianças e quando a cultura romana passou a predominar as pinturas infantis perderam muito, a veracidade. As crianças representadas nuas nesse período nunca existiram na realidade, eram mitológicas, até então era muito raro uma criança histórica ser retratada nua.  O primeiro uso do putto foi como decoração, ornando aposentos inteiros com tapeçarias das criançinhas nuas. Elas eram quase sempre representadas brincando. As pinturas sacras também foram invadidas por esse tipo de representação, onde o artista muitas vezes evitava a nudez completa cobrindo as crianças com um tecido fino. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No século XVI e XVII começam a aparecer, ainda que raras imagens de crianças históricas nuas. Tornando-se a partir dessa época comum a representação de criancinhas nuas até os dias atuais.&lt;br /&gt; “Não havia uma criança cuja imagem não fosse conservada em sua nudez, diretamente herdada dos putti do Renascimento: singular persistência do gosto coletivo, tanto burguês como popular, de um tema que originalmente foi decorativo. O Eros antigo, redescoberto no século XV, continuou a servir de modelo para os ‘retratos artísticos’ dos séculos XIX e XX. (ARIÈS, 1981, p. 65)&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O século XVII foi de importância decisiva para a afirmação da infância e de seu papel de destaque na pintura e na sociedade, agora são inúmeros os exemplos de retratos com crianças representadas sozinhas, como centro do quadro. Nesse período surgiu entre moralistas e estudiosos uma nova visão da infância, acreditava-se que as crianças eram “testemunhas da inocência batismal, semelhantes aos anjos e próximas de Cristo, que as havia amado” (ARIÈS, 1981, p.163). Assim haveria a necessidade de educar essas crianças para que crescessem e se tornassem adultos probos. Nasceu a vontade de entender o universo infantil para poder instruí-las melhor. Segundo Ariès, foi nesse século que surgiu uma verdadeira percepção da criança. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No século XVIII coexiste no seio familiar o sentimento de “paparicação” e o de bem educar as crianças e de zelar por sua saúde física e sua higiene, ou seja, havia uma atenção especial a tudo que dizia respeito à criança. Foi a partir desse século que a criança passou a ser o centro da família. A evolução da descoberta do sentimento de infância iniciou-se por volta do século XIII, mas seus sinais só foram mais agudos entre os séculos XVII e XVIII.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Antes de passar ao tema da educação infantil propriamente dito, achamos necessário ressaltar o pensamento educacional nos períodos do Renascimento, do Humanismo, na Reforma e Contra-Reforma que levaram ao nosso período em estudo, o Iluminismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RENASCIMETO E O HUMANISMO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro movimento na educação moderna foi o Renascimento. A Renascença foi um movimento intelectual, estético e social, responsável por alterações em todas as fases do pensamento e da prática educativa. O sistema do período anterior, a Idade Média, não permitia nenhuma mudança, nem progresso, neste sistema não havia lugar para o indivíduo. Já no Renascimento a essência era individualismo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O humanismo nasce aristocrático, e, embora nenhum outro movimento cultural tenha dedicado maior atenção aos problemas do homem e da sua educação, todavia o renovado contato com os clássicos gera nos novos intelectuais uma aversão não somente pela cultura medieval, mas também pela sua forma tradicional de transmissão, a escola. (MANACORDA, 1996, p. 175)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo Paul Monroe, o Renascimento teve três grandes interesses que eram desconhecidos durante a Idade Média: o primeiro foi a vinda do passado, (os gregos e romanos tiveram interesses mais variados e conhecimento mais extenso da vida e de suas possibilidades do que a humanidade na Idade Média); o segundo, foi o mundo subjetivo das emoções, da alegria de viver dos prazeres satisfações contemplativas desta vida e da apreciação do belo, o objetivo de tal atitude era o cultivo no aperfeiçoamento do Espírito e, o resultado, a literatura e a arte; o pensamento medieval ignorava completamente este mundo. O terceiro ponto é da natureza física, este mundo não só era desconhecido dos povos medievais, como estudá-lo era uma atitude humilhante na influência sobre o homem. O primeiro destes pontos levou ao estudo mais amplo e intensivo das línguas latina e grega e ao entusiasmo pela literatura clássica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguindo as convicções e métodos dos gregos os estudiosos do Renascimento dedicaram-se a observação e a experimentação dos fenômenos da natureza, o que levou aos descobrimentos geográficos, a exploração por terra e por mar e às descobertas astronômicas que se tornaram a base do pensamento científico moderno.&lt;br /&gt;A transição entre a velha cultura e a nova não ocorreu de repente, mas essa mudança não envolveu o desaparecimento do velho espírito. Os velhos métodos de pensamento, as velhas idéias e ideologias continuaram ativos por muitos séculos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O estudo da literatura clássica se tornou a principal manifestação do Renascimento e proporcionou os meios para o desenvolvimento de uma nova vida. Embora o Renascimento não tenha sido uma tentativa direta para a restauração das idéias e da vida dos antigos, em muitos aspectos tornou-se imitação. Uma das mais importantes fases do Renascimento foi a restauração do conceito de educação formulado pelos gregos e adaptado pelos romanos. Do ponto de vista educacional o Renascimento parece frequentemente ter sido apenas uma exaltação do estudo dos clássicos de literários precedidos do necessário estudo lingüístico.  "O grande anelo era por uma vida nova, e consequentemente, uma nova educação hostil ao velho e pedante esquema da escolástica. Este ideal de Nova vida aparecia na educação liberal, como fora formulado pelos antigos". (MONROE, 1977, p. 153)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A finalidade da educação era concebida como a de formar o homem capaz de participar das atividades e das instituições sociais dominantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um aspecto muito importante da educação do Renascimento foi a inclusão no ideal e prática da educação de elementos comuns ao período clássico excluídos da educação medieval, com exceção da cavalaria. O primeiro destes elementos é o físico e junto a ele a formação do caráter. Por este lado a educação do Renascimento representou a fusão da educação na cavalaria e da educação literária. Esta fusão juntamente com a idéia de que a preparação literária não deveria ser de caráter contemplativo, revela o conteúdo cívico do pensamento educacional do Renascimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por mais literária que fosse a nova educação, um de seus principais objetivos era de formar um senso prático agudo no que se referia à vida cotidiana. Decorreu daí uma reconstrução moral da educação, que no espírito medieval estiveram limitadas à formulação religiosa e teológica. (MONROE, 1977, p. 154)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro elemento característico da nova educação foi o estético. Eliminado da educação medieval, tornou-se novo movimento a sua mais profunda inspiração. Constituiu o traço mais característico da mudança da velha para nova educação, encontrou sua expressão principal no estudo da literatura e penetrou na escola sobre o título de gramática e retórica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O conteúdo desta nova educação, tendo consistência nas línguas e literaturas clássicas dos gregos e romanos, foi designado pelo termo humanidades.  A finalidade da educação passou a ser considerada em termos de língua e de literatura e não de vida, a ação educativa foi orientada para o domínio dessa literatura. Dava-se maior importância ao aspecto dessas literaturas do que a seu próprio conteúdo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na educação humanista estreita a familiaridade com a literatura clássica ou com a arte considerada superior do ponto de vista retórico e o conhecimento do latim escrito e falado constituíam o único alvo da educação. (MONROE, 1977, p. 157)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O conteúdo da educação e as matérias eram repassados em longos exercícios de gramática latina, no minucioso estudo gramático e retórico de antologias latinas. Segundo Monroe, este domínio do latim era aperfeiçoado por meio de freqüentes exercícios de declamação e representação das comédias de Plauto e Terêncio. Essa educação era completada com um pouco de grego e às vezes com as matemáticas elementares. O coroamento final da obra era um treino de oratória. A oratória significava o saber falar latim sob forma tão clássica quanto possível.&lt;br /&gt;Esse método não é diferenciado para as crianças. "A criança era encarada como um adulto em miniatura, cujos interesses e poder mental diferiam dos adultos apenas em grau, mais não em qualidade”. (MONROE, 1977, p. 158)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A criança ao chegar à escola tinha a tarefa de adquirir uma língua estrangeira geralmente antes de adquirir a capacidade de ler ou escrever a sua própria. Isto era obtido através do estudo formal da gramática e da retórica, estudo que se fazia quase sempre até o fim do século XVII por meio de livros didáticos escritos no mesmo idioma estrangeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tema da criança era muito presente nas questões dos humanistas, entre outros temas podem ser citados:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A leitura direta dos textos, inclusive os da literatura grega até então ignorada; o amor pela poesia; uma vida em comum entre mestre e discípulo, na qual os estudos e as disputas doutas são acompanhadas de passeios agrestes, diversões, jogos e brincadeiras; uma disciplina baseada no respeito pelos adolescentes, que exclui as tradicionais punições corporais; uma ampla série de aprendizagem que vai do estudo sobre os livros à música , as artes e até aos exercícios físicos próprios da tradição cavaleiresca". (MANACORDA, 1996, p. 180  )&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre as escolas humanistas têm-se as universidades, as escolas da corte e da nobreza e o ginásio. A vitória das idéias humanistas em educação ascendeu em primeiro lugar nas instituições educativas existentes principalmente nas universidades e nas escolas municipais recentemente fundadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas universidades as velhas tradições resistiram por muitos anos. As modificações mais importantes foram uma expansão do critério de autoridade que dominava os estudos, a modificação do conteúdo feita pelo acréscimo das matérias literárias e lingüísticas, com destaque para o grego, e a substituição do latim eclesiástico pelo clássico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A resistência das universidades da Igreja e das escolas monásticas pelo novo saber levou à fundação de muitas escolas inspiradas no novo modelo sob o patrocínio dos monarcas e da nobreza, fora as escolas de corte e da nobreza. Isto aconteceu, sobretudo em muitos dos pequenos estados italianos onde a corte se sentia muito envaidecida com essas novas fundações culturais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A função que estas escolas exerciam na educação das crianças da corte determinou um relevo dos elementos físicos e sociais da educação, bem como dos literários, e resultou numa fusão das idéias da cavalaria com as humanistas. (MONROE, 1977, p. 167).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ginásio era a escola humanista típica dos países teutôticos e ficou até os tempos modernos como o tipo mais perfeito das escolas secundárias daqueles países. Essas escolas vieram da transformação das escolas superiores municipais ou das escolas eclesiásticas existentes, pela substituição do latim medieval pelo latim clássico, da velha retórica formal pelo estudo da literatura, da dialética pelas matemáticas, e pelo acréscimo do grego e muitos casos do hebraico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é de se considerar que tudo não se renovou de repente na prática educativa e nos instrumentos didáticos dos mestres do humanismo. Muitos aspectos medievais permaneceram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A REFORMA E A CONTRA-REFORMA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outros movimentos que possibilitaram mudanças na prática educativa foram a Reforma e a Contra-Reforma. A Reforma foi um movimento que pretendia que cada um pudesse ler e interpretar pessoalmente a Bíblia sem a mediação do clero. Tinha como missão orientar a sociedade e a igreja. No que diz respeito ao conteúdo os educadores da Reforma aceitaram o currículo humanista, embora o utilizassem com uma finalidade diferente. Esta aceitação resultou da conexão entre os dois movimentos e do fato de o domínio das línguas clássicas serem essencial ao estudo das escrituras. Consequentemente este estudo tornou-se o propósito imediato da educação protestante vindo a ser largamente desenvolvido em suas escolas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O currículo foi renovado por um profundo espírito religioso. decorava-se os catecismos, credos e cerimônias da igreja  . as escrituras passaram a ser o livro didático. O trabalho inteiro da escola se resumia na exposição da literatura e da doutrina cristas e no desenvolvimento das habilidades exegética e de polemica. (MONROE, 1977, p. 176)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra grande influência educativa da Reforma foi com o estabelecimento de sistemas escolares baseados na idéia de educação comum para todos. O desenvolvimento de sistemas de escolas públicas do estado aguardou a evolução da idéia política de que o bem-estar do estado dependia da educação individual do cidadão. Mas a origem encontra-se na doutrina da Reforma de que o bem-estar eterno de cada indivíduo dependia da aplicação da sua própria razão à revelação contida nas escrituras. Por conseqüência, a capacidade de ler as Escrituras, a vantagem de lê-las no original e a necessidade do treino das faculdades do raciocínio apresentaram novas tarefas à escola e exigiram a educação universal e até mesmo obrigatória das crianças de todas as classes e ambos os sexos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre os tipos de escolas religiosas têm-se as universidades e as escolas secundarias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história das universidades dos estados alemães durante os séculos XVI e XVII foi determinada pelo progresso da religião protestante e é quase idêntica a do desenvolvimento da teologia protestante. As universidades foram-se excluindo da obediência ao papa e abrigando-se junto aos príncipes.  Passando a ser mantidas por estes governos e não pelos antigos recursos eclesiásticos, o controle exercido pelos príncipes tornou-se o principal. Novas fontes de renda derivaram-se, em grande parte, da dissolução das velhas fundações monásticas e eclesiásticas. Marburgo, fundada em 1527, foi a primeira dessas universidades protestantes. Neste mesmo período fundaram sete universidades católicas romanas dentro dos limites dos estados alemães, diversos ginásios se transformaram em universidades. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Inglaterra as relações entre a Reforma e as universidades seguiram um rumo semelhante à Alemanha. Houve compensação gradual pela fundação de novos colégios com os despojos destas instituições e pelo estabelecimento de cátedras regias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O movimento para a secularização das escolas de latim começado no século XV completou-se pelo movimento da Reforma no século XVI. Esta secularização referia-se ao controle das escolas e não ao objetivo e caráter do estudo. Mesmo sob o controle do estado era ainda o espírito religioso dominante. "Os reitores destas escolas, assim como muitos de seus professores eram líderes ou ministros protestantes. A influência dominante nos conselhos administrativos de inspeção era a do representante da igreja." (MONROE, 1977, p. 182).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em relação ao conteúdo, um pouco de grego e algo de matemática foram acrescentados ao currículo latim. Nenhuma atenção ao idioma vernáculo. Uma modificação que teve destaque foi a organização destas escolas em sistemas, graças à cooperação do estado com as municipalidades. O primeiro ginásio caracteristicamente protestante foi o de Magdeburgo fundado em 1524 pela fusão das velhas escolas paroquiais desta cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O principal resultado prático da Reforma foi o estabelecimento de sistemas de escolas controladas e parcialmente mantidas pelo estado, fundadas no princípio de que era dever da família, da igreja e principalmente do estado velar para que todas as crianças freqüentassem as escolas e recebessem pelo menos uma educação elementar.&lt;br /&gt;À Reforma, portanto deve-se a idéia de educação elementar e universal e a primeira realização desta idéia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como resposta por parte da igreja à Reforma a houve a Contra-Reforma, cuja orientação educativa da igreja católica como resposta ao protestantismo foi fixada no Concilio de Trento (1545-1564). Neste Concilio a igreja julgava ser a única capaz de possibilitar a impressão de livros, e ninguém tinha o direito de imprimir ou mandar imprimir algum livro ou qualquer outro escrito sem que antes tivesse sido cuidadosamente examinado e aprovado pelo vigário ou por um bispo, caso contrário alguém não obedecesse corria o risco de ser excomungado. O Concilio condenou várias espécies de livros e estabeleceu que fossem totalmente proibidos os livros heréticos, entre estes os de Lutero, principal representante da Reforma.  Segundo Manacorda: “O Index librorum proibitorum cortava na raiz qualquer possibilidade de escândalo, impedindo qualquer possibilidade de serem impressos”. (MANACORDA, 1996, p. 201)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Concilio de Trento providenciou a reorganização das escolas católicas, tomando por base as antigas tradições. Reorganizou as escolas das igrejas metropolitanas e as mais pobres, dos mosteiros e conventos, regulamentou o ensino da gramática, das Sagradas Escrituras e da teologia e introduziu o estudo das teologias também nos ginásios submetendo tudo ao controle do bispo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ILUMINISMO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A época das Luzes foi uma reação contra o formalismo existente no pensamento e na crença, e contra o absolutismo da igreja. Rebelou-se contra a hierarquia e o despotismo na igreja, no estado e na sociedade contra a superstição e a ignorância no pensamento, contra a hipocrisia na moral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estabeleceu como princípio fundamental a completa confiança no entendimento e na razão humana. "O movimento no início opôs-se a todos os abusos antigos, incluindo nisso todas as formas de tirania, quer nas idéias ou no governo ou na moral”. (MONROE, 1977, p. 250)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atacou os fundamentos de todas as instituições especialmente os do estado e da igreja, fundamentos que serviam de base às suas autoridades. A partir disto só a razão humana ditaria os verdadeiros méritos da nova vida e dirigiria a conquista da felicidade humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Iluminismo tinha como objetivo libertar o pensamento do domínio do terrorismo sobrenatural; estabelecer a personalidade moral do indivíduo, independente das formas eclesiásticas e sociais; demonstrar liberdade intelectual e a independência do homem; destruir o terror que pairava sobre os sentimentos; aniquilar o absolutismo no pensamento, a tirania na ação, exercidos especialmente pela igreja, e, como complemento da igreja, pela monarquia. “O iluminismo fundava-se numa fé suprema na razão do indivíduo, na justiça do estado, na tolerância das crenças religiosas, na liberdade da ação política, e nos direitos do homem”. (MONROE, 1977, p. 250)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O movimento de idéias do início do século foi aristocrático por que era racionalista. Tinha como propósito assegurar a cultura de uma elite, destruir a tradição estreita e o dogmatismo nas existências dos que dirigiam a sociedade e estabelecer o domínio da razão entre os cultos. Queria substituir por uma nova aristocracia de inteligência e riqueza a velha aristocracia de família, de posição e da igreja. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até meados do século XVIII a filosofia e a razão concentraram na igreja a maior parte dos seus ataques. Passado o meio século, a critica se dirigiu para os males da organização da vida social e política. O objetivo no primeiro caso era destruir os abusos existentes; no segundo, pretendia-se a construção de uma sociedade ideal.&lt;br /&gt;A tarefa da segunda parte do século sob a liderança de Rousseau, foi a de desenvolver uma nova fé no homem, traçar um novo ideal na vida, infundir novo espírito na sociedade, e restabelecer na natureza do homem uma base para a religião. Rousseau foi o primeiro a pregar o evangelho do homem comum e dar-lhe a educação como um direito de nascimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Rousseau a educação é um processo natural e não artificial. É um desenvolvimento interno e não um acréscimo exterior. Vem por meio da ação dos instintos e interesses naturais, e não por imposição de uma força externa.&lt;br /&gt;Rousseau revolucionou totalmente o campo da pedagogia privilegiando o sujeito, a criança, o homem e dando um golpe feroz na abordagem epistemológica centrada na classificação do saber e na sua transmissão à criança como um todo já pronto.  "Pela primeira vez, ele enfrenta com clareza o problema focalizando-o ‘do lado da criança’, considerada não somente como homem in fiori, mais propriamente como criança, ser perfeito em si" (MANACORDA, 1996, p. 242)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ANTES DE ROUSSEAU A CRIANÇA ERA VISTA COMO UM ADULTO EM MINIATURA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falava como um adulto, pensava como adulto, agia como um adulto. Do ponto de vista educacional, estudava as mesmas matérias que o adulto - especialmente as línguas; enfrentava-as do mesmo ponto de vista lógico, por meio da gramática formal; dominava-as pelo puro esforço de memória, fazia o mesmo uso formal delas, na mesma vida artificialmente organizada. (MONROE, 1977, p. 265) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Rousseau, pela primeira vez a educação encontrou a sua finalidade, o seu processo e seus meios totalmente dentro da vida e da experiência da criança. O desenvolvimento adequado da infância era o objetivo de cada estádio particular da educação; a natureza da criança e seu crescimento determinam o processo; a experiência da criança proporciona os meios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A educação não deveria ter por alvo instruir, mas, simplesmente permitir que as tendências naturais chegassem a seus resultados naturalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ESCOLAS, COLÉGIOS E A NOÇÃO DE IDADE E INFÂNCIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A escola e o colégio na Idade Média eram reservados a um pequeno número de clérigos e não distinguiam idade. Tornaram-se inicio da modernidade um meio de isolar ainda mais as crianças, durante o período de formação moral e intelectual.&lt;br /&gt;O período moderno foi marcado pela multiplicação das escolas particulares e a conseqüente ameaça ao monopólio da “escola da catedral”. Em reação a esse crescimento os cônegos tentaram impor limites, proibindo às escolas particulares, todo ensino mais avançado do que o Donat, sinônimo de gramática rudimentar.&lt;br /&gt;Os textos medievais e os contratos de pensão, espécie de contrato de aprendizagem através do qual as famílias negociavam ou fixavam a pensão escolar do seu filho, raramente faziam referências à idade dos alunos. A idade era um ponto que não interessava à Idade Média, as crianças quando ingressavam na escola eram inseridas imediatamente no mundo dos adultos. Não havia diferenciação ou gradação nos currículos crianças e adultos compartilhavam o mesmo espaço de aprendizagem.&lt;br /&gt;Os espaços de aprendizagem, as escolas, eram precários e rústicos muitos funcionavam em salas alugadas, schola, pelo mestre sem nenhuma estrutura. Somente a partir do século XIV passou-se a utilizar bancos, anteriormente os alunos sentavam sobre tapetes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Controlar os alunos era algo que fugia ao mestre em virtude dos inúmeros alunos e das relações oriundas da mistura entre jovens e adultos e a própria situação a que os alunos estavam submetidos, muitos deles moravam com o próprio mestre ou na casa de um padre ou cônego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa indiferença em relação à idade ou mesmo à própria idéia do que seria idade, constituía um dos traços característicos da educação do Antigo Regime e que foi modificando-se em fins da Idade Média.&lt;br /&gt;A evolução da escola medieval, uma simples sala de aulas, levou ao surgimento de uma nova instituição, o colégio. Os colégios no século XIII funcionavam como asilos para estudantes pobres, bolsistas, fundados por doadores. A partir do Século XV, os colégios tornaram-se instituições de ensino, que vieram a fornecer o modelo das grandes instituições escolares do século XV ao XVII, como por exemplo, o colégio dos Jesuítas demonstrando o caráter complexo dessas instituições que não apenas ensinavam, mas também vigiavam e enquadravam a juventude.&lt;br /&gt;Essa evolução da instituição escolar está ligada a uma evolução do sentido e da percepção das idades e da infância, evolução essa que despertou os olhares a cerca das misturas das idades nas escolas e colégios. A partir daí iniciou-se uma distinção em fase inicial com os alunos de gramática e com o passar do tempo se estendeu aos maiores e a outros campos do conhecimento. No entanto, essa diferenciação não se deu no tocante ao conhecimento e desenvolvimento da infância, mas sim da vida escolar dos estudantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No século XIV a juventude escolar foi separada do restante da sociedade, onde a mistura das idades continuava. O colégio a partir do século XV e principalmente No século XVII tornou-se uma instituição essencial à sociedade, que possuía uma postura rigorosa, disciplinante e formadora guiada por educadores, religiosos e magistrados.&lt;br /&gt;Ao longo do processo evolutivo das escolas e colégios se fez necessária uma divisão da população escolar em grupos de mesma capacidade de aprendizagem, iniciada ainda no século XV.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa iniciativa de separação das classes escolares foi tomada a principio, pelos parisienses e flamengos que posteriormente gerou a estrutura moderna de classe escolar. O ponto, diga-se de passagem, essencial a esse processo foi a necessidade de aproximação e adaptação do ensino entre o mestre e o aluno, ou seja, uma maior aproximação e um nivelamento dos conhecimentos. Preocupação esta que se opunha tanto aos métodos medievais quanto ao humanista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa preocupação em se colocar ao alcance dos alunos opunha-se tanto aos métodos medievais de simultaneidade ou repetição, como à pedagogia humanista, que não distinguia a criança do homem e confundia a instrução escolar – uma preocupação para a vida- com a cultura- uma aquisição da vida. (ARIÈS, 1981, p. 173)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A distinção de classes indica que há uma conscientização da particularidade da infância. No entanto essa divisão não tornava as classes homogêneas, pois visava mais o grau de aprendizagem do que propriamente a faixa etária, o que não deixa de ser um avanço das instituições escolares e da própria “educação infantil”.&lt;br /&gt;A precocidade da infância ainda presente no século XVI e inicio do XVII, revela a sobrevivência de hábitos escolares medievais. A partir de meados do século XVII essa precocidade é retardada, a criança a partir de então iniciava sua vida escolar entre os nove e dez anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa diferenciação correspondente a primeira infância, não modifica a heterogeneidade das idades nas classes, crianças, jovens e adultos compartilhavam uma mesma sala de aula. Este quadro somente vai ser modificado com a difusão das universidades e das grandes escolas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo esse processo contribuiu para que com o passar do tempo as estruturas escolares e as relações de aprendizagem fossem cada vez mais evoluindo e se adequando para o melhor desenvolvimento das instituições de ensino e do próprio ensino.&lt;br /&gt;Ao passo que a escola se desenvolvia, crescia também o sentimento de repúdio a “falta de controle e disciplina dos mestres sobre seus alunos, no período medieval”. Principalmente a partir do século XV essa realidade foi combatida, construiu-se a idéia de que não poderia haver educação sem imposição de limites disciplinares e hierárquicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma nova disciplina implantaria através da estrutura já moderna dos colégios, uma autoridade superior do mestre que foi facilitada pela divisão das classes (séries). O castigo corporal nos séculos XV e XVI se generalizou e tornou-se o principal mecanismo disciplinar utilizado para ratificar a autoridade e a relação hierarquizada nas escolas, todas as crianças e jovens e até mesmo adultos eram submetidos a esse regime disciplinar escolástico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O prolongamento e a falta de distinção da infância, caracterizado pela preocupação em humilhá-la através dos castigos disciplinares, rígidos implantados nas escolas. No século XVIII a principio na França, a opinião pública é hostil a esses mecanismos coercivos e surge a idéia de que a infância não era uma idade servil e por tanto não merecia ser metodicamente humilhada, iniciou-se então um processo de relaxamento da antiga disciplina escolar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O relaxamento da antigo disciplina escolar correspondeu a uma nova orientação do sentido da infância, que não mais se ligava ao sentimento de sua fraqueza e não mais reconhecia a necessidade de sua humilhação. (ARIÈS, 1981, p. 182)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paralelo a todos esses processo evolutivo das escolas e, por conseguinte, da educação, no século XVIII se desenvolveu uma separação não somente no que diz respeito a idade dos alunos mas também no âmbito social, os ricos foram separados dos pobres. O conceito da criança bem educada, o pequeno burguês na França, em detrimento da rudeza que era característica às camadas populares e aos “moleques” passou a ser disseminado.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao analisar a concepção de criança e de infância e da educação desde a Idade Média à modernidade, nota-se um monopólio de um sexo, o masculino. As mulheres eram excluídas do âmbito escolar, as meninas eram treinadas desde muito cedo a se comportarem como adultas. Além da aprendizagem doméstica elas não recebiam nenhuma educação, elas mal sabiam ler eram semi-analfabetas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somente no século XVII Saint- Cyr de Maintenon criou um modelo de uma instituição educativa de caráter moderno para meninas, que ingressavam entre os sete e doze anos e saíam em torno dos vinte anos de idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;EDYCAÇÃO FEMININA NA IDADE MODERNA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante os séculos XVII e XVIII, a preocupação com a educação feminina cresce e novas exigências surgem, combatendo as práticas medievais “à imitação dos gestos do trabalho e da oração” (DUBY &amp; PERROT, 1991, p. 141). Apesar disso, essa educação não proporciona as mulheres grandes possibilidades de conhecimentos, sendo limitada, além dos saberes religiosos, à trilogia “ler –escrever - contar” e mesmo assim sobre apertada vigilância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soma-se a isso, o fato de não ser admitida a igualdade de inteligência entre os sexos, tese que é combatida por alguns filósofos, como Poullain de La Barre, que acreditam que esse atraso intelectual feminino em relação ao homem consistia na falta de acesso por parte das mulheres aos conhecimentos que eram exclusividade masculina. No entanto, essa equivalência na educação entre homens e mulheres não será obra nesses séculos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A educação feminina, entre os séculos XVI e XVII sofre forte impulso da Reforma e da Contra - Reforma. As igrejas vendo a mulher como futura mãe e assim primeira educadora dos seus filhos, promove a instrução destas no sentido de orientá-las na doutrina correta e, assim, transmitir a fé cristã a seus descendentes. Além disso, a tradução da Bíblia em língua vernácula proporcionou o maior acesso as Sagradas Escrituras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visando, assim, formar boas mães cristãs, o ensino feminino tem seu horizonte alargado, não ficando mais restrito as altas classes, mas expandindo-se, através das escolas de caridade, as meninas menos favorecidas. Essa instrução passa a ser encarada como “um dos maiores bens que os cristãos podem fazer e proporcionar, e uma das maiores missões e das mais necessárias obras de misericórdia que podem realizar para salvação das almas” (DUBY &amp; PERROT, 1991, p. 145). Com esse objetivo são criadas diversas escolas para a educação feminina pela Europa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, não são apenas os religiosos que têm essa preocupação com a instrução das mulheres. Nos salões literários, diversas opiniões e soluções são debatidas, chegando alguns a afirmar que não somente a diferença de ensino entre homens e mulheres prejudicava essas últimas, como também a vida conjugal e familiar.&lt;br /&gt;À parte dessas discussões, desenvolvia-se uma reflexão mais pedagógica sobre a questão das mulheres. Contudo, as propostas de ensino continuavam a excluir conhecimentos abstratos como línguas antigas, retórica e filosofia; até mesmo saberes como história, literatura, latim, música e pintura, dosados e dirigidos, e continuam a ser privilégio das classes favorecidas, em grande parte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começa-se também a pensar como esse conhecimento deveria ser passado, dividindo assim as meninas de acordo com a idade em classes nas quais aprendiam diferentes competências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar dessas reformas, é no século XVIII que a educação passa por maiores transformações. Com a erosão da prática religiosa, a pedagogia assume o poder de “moldar um ser social novo, despojado dos preconceitos antigos e revestido dos novos princípios” (DUBY &amp; PERROT, 1991, p. 148) que são trazidos pelas Luzes.&lt;br /&gt;Essas reflexões são, sobretudo, estimuladas após a publicação de Émile, de Jean-Jacques Rosseau, e da laicização da educação, com a expulsão dos jesuítas, que acaba por desorganizar as redes de colégio e deixar um vazio por preencher. Assim, numerosos planos de estudo, de tratados de educação e outras reflexões pedagógicas são elaboradas, segundo Sonnet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa onda de inovação também influencia a educação feminina. “Mães dos homens novos, elas serão também as suas primeiras educadoras e deterão por isso o segredo da regeneração duradoura” (DUBY &amp; PERROT, 1991                                      p. 148). Assim, questões como o local de ensino, os mestres e os conteúdos a serem ensinados começam a ser repensados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O convento passa a ser criticado e rejeitado como uma instituição eficaz de ensino, estimulando a educação familiar. Contudo, é reconhecido o limite dessa educação familiar, uma vez que “só nos meios privilegiados pode ser assegurada com bons resultados” (DUBY &amp; PERROT, 1991, p. 149), sendo incentivada, também a criação de um sistema de educação pública capaz de atender ao restante da população.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, essa educação não é fruto de uma consciência sobre a necessidade feminina de aprendizado para seu engrandecimento pessoal, “a mulher não tem acesso a educação para si mesma, mas para tornar a sua presença agradável aos que a rodeiam” (DUBY &amp; PERROT, 1991,p. 151).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar das inovações, não se admite uma educação mista. As mulheres são confinadas ao espaço e saberes domésticos, sendo “excluídas dos direitos e das funções políticas, propõe-se-lhes sempre uma instrução de nível primário” (DUBY &amp; PERROT, 1991, p. 152).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A casa é o primeiro local desse acesso ao saber. Esses aprendizados, na maioria das vezes, consistem em lições domésticas, que dependendo da origem, poderiam incluir também atividades agrícolas, comerciais ou artesanais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A educação iniciada na casa paterna poderia ser aprimorada em casa de outros parentes. Tal prática é comum tanto entre as meninas de origem aristocrática quanto nas de origem mais modesta; essas últimas atuando como criadas ou empregadas no comércio. No entanto, a casa poderia ser o local de uma formação mais especializada. Pais esclarecidos e que tinham meios de pagar bons mestres conseguiam proporcionar uma educação mais elaborada as suas filhas. Apesar disso, essa educação vinha, geralmente, em função de um filho varão que, na maioria das vezes, era o privilegiado dessa educação, cabendo as meninas o papel de espectadoras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após receberem a educação doméstica, as meninas eram encaminhadas para instituições de saberes específicos como convento, escola elementar ou internato laico.&lt;br /&gt;O convento, nesse período, assume uma perspectiva diferente da que tinha nos séculos XVI e XVII, no qual era o local de iniciação da vida monástica, muitas vezes forçada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir do século XVIII, algumas instituições religiosas se especializam no ensino, não mais constituindo um sistema fechado e isolado. “A classe já não se integra a vida monástica, mas é objeto de um verdadeiro investimento em espaços e pessoal” (DUBY &amp; PERROT, 1991, p. 160), principalmente aquelas que agiam em regime de internato. No entanto, o convento abriga a minoria da população escolar devido ao alto custo da educação conventual que fica, assim, restrita a aristocracia ou grandes burgueses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra opção na época seria os internatos laicos. Apesar de não se ter muita informação sobre essas instituições devido à instabilidade de sua manutenção sabe-se que se desenvolviam de formas diferentes em diferentes épocas. Na Inglaterra, as boarding schools preocupavam-se em “transformar as filhas da burguesia comerciante em esposas apresentáveis para os gentis-homens da gentry”, valorizando as artes recreativas, o porte, o saber viver e as aparências. Essas instituições sofreram duras críticas no final do século XVII, e algumas se reformaram para atender a demanda educacional, introduzindo em seus programas saberes como história e geografia, ciências naturais, aritmética, entre outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar dessas duas alternativas, era escola elementar que atingia a maior parte dos alunos tanto no meio urbano quanto no meio rural, podendo ainda ser paga ou gratuita.&lt;br /&gt;Suas práticas educativas não possuiam uma radicalização em termos de diferenciação sexual, existindo, inclusive, escolas mistas no campo, embora nas cidades essa prática fosse mais combatida pela igreja, sendo menos comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Administradas pela catedral, que detém seu monopólio desde o período medieval, as escolas elementares pagas são mais acessíveis se comparadas ao internato. Destinadas ao público burguês, não é muito comum encontrar lá outras categorias sociais.&lt;br /&gt;Contudo, também são oferecidas as classes menos favorecidas possibilidades de escolarização. As escolas elementares gratuitas ficavam a cargo de instituições de caridade e se mantinham através das doações recebidas e da venda dos trabalhos de agulha realizados pelas alunas.  Mesmo assim era difícil manter essas alunas na escola, uma vez que muitas delas tinham que trabalhar para sobreviver. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, a dificuldade era ainda maior para as meninas no campo. “Aquelas não se beneficiavam de [...] várias redes escolares, pagas e gratuitas” (DUBY &amp; PERROT, 1991, p. 167). Devido ao alto custo de manutenção de uma escola, nas comunidades aldeãs as escolas mistas eram, praticamente, a única possibilidade de educação para as meninas, além das raras instituições de caridade voltadas para elas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de todas essas alternativas educacionais, sobretudo nas cidades, devido à multiplicação de escolas, a educação oferecida era muito mais quantitativa que qualitativa, “as fileiras da população feminina escolarizada aumentaram, mas as estudantes na prática continuaram a saber muito pouco” (DUBY &amp; PERROT, 1991, pp. 168-169).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das dificuldades imposta a esse saber é o pouco tempo de permanência das meninas na escola, sobretudo nos conventos. Enquanto as alunas ficavam de um a dois anos nas escolas, os meninos permaneciam lá de 3 a 8 anos, o que dificultava um real acompanhamento do curso. Soma-se a isso dificuldade em gerir turmas e a falta de noção de ano e idade escolar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, grande parte desse tempo era dedicada ao ensino religioso, “o saber profano é encarado como ‘tapa-buracos’ entre a instrução e os ofícios religiosos, as sessões de oração, as meditações e as leituras piedosas” (DUBY &amp; PERROT, 1991,p. 170).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nem mesmo os rudimentos de ensino geral escapavam a invasão religiosa e eram, “no melhor dos casos, um prêmio de incitamento da freqüência da escola” (DUBY &amp; PERROT, 1991, p. 173). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, as alunas aprendiam a ler em orações decompostas em sílabas e a exercitar a mão escrita copiando máximas religiosas, segundo Sonnet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maior dificuldade encontrava-se, sobretudo, na escrita. Além de algumas mestras não dominarem a arte de escrever, segundo Sonnet, muitas das alunas não permaneciam tempo suficiente para aprendê-las já que constituía uma fase posterior a leitura.&lt;br /&gt;Além disso, muitos desses conhecimentos tendiam a cair no esquecimento com o tempo, devido às poucas oportunidades e estímulos de um verdadeiro domínio destes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra preocupação educacional, além da religiosa, era a tida com os trabalhos manuais. Assim, trabalhos com agulhas e panos são ensinados as alunas com diferentes objetivos de acordo com a classe a que pertenciam: às ricas, era considerado como um passatempo; às pobres, como um modo de ter garantida a sua subsistência de forma honesta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar das inovações e da preocupação com a educação feminina, sobretudo no século XVIII, esse conhecimento não conseguiu ser autônomo e completo para garantir uma transformação social na vida dessas mulheres, e muitas vezes, atuou como mantenedor da ordem social e a subordinação dessas aos homens. Além disso, esse conhecimento era visto como um predicado às núpcias pela sociedade e devido ao fato das meninas se casarem muito cedo não dispunha de tempo para se dedicar a um regime escolar que abrangesse amplos níveis de conhecimento. Em detrimento das dificuldades, a população feminina, nesse período, alcançou certo grau de alfabetização, o que é verificado com o aumento das assinaturas femininas nos registros de casamento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                   &lt;br /&gt;REFERÊNCIAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ARIÈS, Philippe. História Social da Criança e da Família. Tradução de Dora Flaksman. 2º edição. Editora. Rio de Janeiro. 1981.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DUBY, Georges; PERROT, Michelle. História das Mulheres no Ocidente. 3ª edição. Edições Afrontamento. Porto, 1991.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MANACORDA, Mario Alighiero. História da Educação: da Antiguidade aos nossos dias. Tradução: Gaetano Lo Monaco. 5ª edição. Editora Cortez. São Paulo. 1996.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MONROE, Paul. História da Educação. Tradução: Idel Becker. 12ª edição.  Companhia Editora Nacional. São Paulo. 1977.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5559236354249669679-8123953906944952886?l=profbiuvicente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://profbiuvicente.blogspot.com/feeds/8123953906944952886/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5559236354249669679&amp;postID=8123953906944952886' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5559236354249669679/posts/default/8123953906944952886'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5559236354249669679/posts/default/8123953906944952886'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://profbiuvicente.blogspot.com/2009/06/crianca-e-sua-educacao-no-periodo.html' title='A Criança e sua Educação no Período Moderno'/><author><name>Biu Vicente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16556163874053147345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5559236354249669679.post-7912806818576917049</id><published>2009-06-19T07:21:00.003-03:00</published><updated>2009-06-19T07:25:44.498-03:00</updated><title type='text'>As cidades na Idade Moderna Ocidental</title><content type='html'>Universidade Federal de Pernambuco&lt;br /&gt;Centro de Filosofia e Ciências Humanas&lt;br /&gt;Departamento de História&lt;br /&gt;História Moderna II&lt;br /&gt;Docente: Severino Vicente da Silva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trabalho escrito e apresentado pelos Graduandos do V período em História:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Armando Augusto Siqueira&lt;br /&gt;Luiz Henrique Assis de Barros&lt;br /&gt;Manoel Felipe Batista Da Fonseca&lt;br /&gt;Roberto Luiz de Carvalho Freire&lt;br /&gt;Wanderson Édipo de França&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;________________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AS CIDADES NA IDADE MODERNA OCIDENTAL&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Das Cidades no Cenário da Economia Capitalista Mercantil e da Ineficiência das Interligações entre elas no Século XVII.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por volta do século XVI as relações de produção ainda eram predominantemente feudais, embora tivesse início o processo de transformações. A mudança era produzida pelas atividades mercantis, na esfera da circulação de mercadorias a grandes distâncias. Configurava-se o mercado em nível mundial. As organizações feudais que se caracterizavam por serem voltadas para uma ordem interna, gradualmente passavam a visar uma ordem cada vez mais ampla e externa. Novos valores, padrões, ideais e perspectivas são incutidos na mentalidade da sociedade européia. No tocante à economia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes mesmo da centralização política, em sua forma mais absoluta, ter encontrado expressão no plano barroco, o centro de gravidade começara sutilmente a passar para uma nova constelação de forças econômicas. A política do Estado, chamada mercantilismo, que procurava transferir à direção centralizada da coroa o protecionismo e o controle monopolístico da cidade medieval, revelou ser apenas uma fase de transição. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A instituição que representou essas novas significações leva o nome de capitalismo. O século XVII foi um palco decisivo para as transições do modo de produção feudal para o capitalista. “No século XVII, o capitalismo altera a balança de poder. A partir daquela época, o estímulo à expansão urbana veio principalmente dos mercadores, dos financistas e dos senhores de terras, que serviam às suas necessidades.” Tais estímulos fez com que os horizontes fossem ampliados mais e mais. Não que o comércio estivesse estagnado na Idade Média. Prova disso são as redes de comércio existentes em tal período, destacando-se a Liga Hanseática . Mas é na Idade Moderna que acontecerá a Revolução Comercial, ampliando o perímetro de transações de comércio a níveis cada vez mais globais.&lt;br /&gt;O hermetismo das cidades medievais já não comportava as expansões dentro das muralhas. Dessa forma:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As novas forças favoreciam a expansão e a dispersão em todas as direções, da colonização além dos mares à construção de novas indústrias, cujos melhoramentos tecnológicos simplesmente cancelavam todas as restrições medievais. A demolição de suas muralhas urbanas foi, ao mesmo tempo, prática e simbólica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; As forças que fez com que as muralhas das cidades medievais ruíssem foram grandemente aumentadas pela pressão da invenção de equipamentos mecânicos e da produção industrial em larga escala. A princípio, a circulação predominava perante a produção. O capital comercial só deixa de ocupar seu lugar de destaque quando ele abre caminho para o insipiente capital industrial, a produção em série. &lt;br /&gt;Foi com Frederico, o grande, ao abandonar os costumes germânicos pondo as terras em bases jurídicas romanas, que um dos pilares do feudalismo foi minado. “Quando a terra se tornou um produto, e não um bem permanente, fugiu a qualquer controle comunal.”  Assim, outra brecha se abriu para que o sistema com base no capital despontasse e preparasse o túmulo sistema feudal. &lt;br /&gt; O resultado foi a introdução dos costumes da praça de mercado, de modo universal, nos diversos cantos da cidade. Assim, nenhuma parcela dela ficava isenta de mudança, desde que esta pudesse ser conseguida por meio da troca de um lucro. “A atividade comercial das cidades manifesta-se a princípio, nas feiras e nos mercados, segundo toda uma hierarquia que vai do simples mercado (às vezes chamado de feira) à grande feira internacional, passando por feiras de irradiação local ou regional.”  A cidade é regida por uma complexa ordem social de mercado. Afirma Munford:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O capitalismo, dessa maneira, por sua própria natureza, solapou a autoridade local, tanto quanto a auto-suficiência local, e introduziu um elemento de instabilidade, aliás, de corrosão ativa, nas cidades existentes. Em sua ênfase na especulação, não na segurança, nas inovações lucrativas antes que nas tradições conservadoras do valor e na continuidade, o capitalismo tendeu a desmantelar toda a estrutura da vida urbana e a colocá-la numa nova base impessoal: o dinheiro e o lucro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro do capitalismo a cidade tem como finalidade a acumulação de capital, além de sua própria maior expansão. Segundo afirmativa de Ferdinand Braudel: “A cidade tanto cria a expansão como é criada por ela.” Ainda ele:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...qualquer cidade, seja ela qual for, é antes de tudo um mercado. Faltando este, é impensável a cidade; inversamente ela pode situar-se fora de uma aldeia, até na concha de uma enseada exposta ao mar, numa simples encruzilhada de estradas, sem que por isso cresça aí uma cidade. Com efeito, todas as cidades têm necessidade de estar enraizada, de ser alimentadas pela terra e pelas pessoas que as rodeiam.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A raiz da cidade é, pois, o campo. Mundo rural e mundo urbano são elementos co-dependentes. A organização urbana é impraticável sem a organização rural. Ambos se complementam. “O mercado urbano é, pois, indispensável ao mundo rural.”  Cidades mercantis, industriais, financeiras. Aglomerado demográfico não-agrícola reciprocamente consumidor e fornecedor do mundo rural. “Nunca uma cidade se apresenta sem o acompanhamento de outras cidades. Umas senhoras, outras servas ou mesmo escravas, estão ligadas, formam uma hierarquia, na Europa, na China ou em qualquer lugar.” &lt;br /&gt;Hierarquia essa, válido lembrar, que não se traduz em nível campo/cidade. Não se trata de uma hierarquia dicotômica que põe em pólos opostos o rural e o urbano. “A oposição entre a cidade e o campo começa com a passagem da barbárie à civilização, do regime das tribos ao Estado, da localidade à nação e encontra-se em toda a história da civilização até os nossos dias.”  Como já foi dito, campo e cidade são co-dependentes e não entidades excludentes.&lt;br /&gt;O comércio à longa distância trouxe consigo a necessidade de ligações eficientes e rápidas. Porém, a economia capitalista não se apresentou de maneira concomitante á evolução dos meios de conexão entre as cidades. “As vias romanas, como artérias da terra, constituíam um milagre de construção do passado.”  As expansões marítimas imprimem uma expressiva vitória para as ligações universais. Vitória esta, porém, “sem nada alterar quanto à lentidão, à imperfeição dos transportes propriamente ditos que continuam a constituir um dos limites permanentes à economia do Ancien Régime. Até o século XVIII, as navegações são intermináveis, os transportes terrestres estão como que paralisados.” &lt;br /&gt;As vias eram mal projetadas e conservadas com pouco zelo. As vias que pareciam fugir à quase regra de ausência de planejamento geral eram as que faziam parte de cidades cuja fundação remontava aos tempos romanos. O caos era um corolário do uso da terra pelo proprietário, haja vista que boa parte das parcelas de terreno estava arrendada, e seus direitos de construção podiam ser vendidos. &lt;br /&gt;Assim, as pessoas erigiam imóveis arbitrariamente, desde que pagassem taxas à Coroa ou à Igreja. “A desordem e a triste condição física da rua medieval resultavam do processo de crescimento. Os canais de comunicação entre as comunas, situadas na fronteira dos povoados, raramente se interligavam, e os burgos não eram planejados para se relacionarem entre si.” &lt;br /&gt;A transição da Idade Média para Idade Moderna tem como característica a nova importância dada ao tempo. “A introdução de relógios urbanos no século XIII e XIV foi apenas um sintoma do fato de que os negócios já não eram regulados pelo sol e pelos poderes da estrutura humana.”  As transações comerciais fazia necessário transportes que percorressem grandes extensões em tempos reduzidos. Necessidade essa que o capitalismo não teve atendida a contento no século XVII.&lt;br /&gt;O desenvolvimento inexistente ou insuficiente dos meios de transporte entre as cidades no século XVII representou um obstáculo para o progresso do capitalismo.  O arcaísmo dos meios de transporte e a fixidez dos itinerários foi um entrave para que as cidades comerciais se expandissem. “O crescimento da cidade comercial foi um processo lento, pois teve de enfrentar resistência tanto na estrutura quanto nos costumes da cidade medieval.”  Nos diz Braudel a respeito dos transportes do tempo do Império Romano para o do século XVII:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nada mudou ou o que mudou foi muito pouco. E tudo isso comanda, dificulta as trocas comerciais e até as meras relações humanas. Os correios da época levam semanas, meses a chegar aos seus destinos. Só haverá “derrota do espaço”, como diz Ernst Wagemann, a partir de 1857, com a instalação do primeiro cabo marítimo internacional. A estrada de ferro, o barco a vapor, o telégrafo, o telefone inauguram demasiado tarde as verdadeiras comunicações de massa em escala mundial. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Já dizia Paul Valéry: “Napoleão anda tão devagar como Júlio César.” Tal assertiva parece-nos um exagero, mas carrega consigo uma parcela de verdade. A média de deslocamento é fazer cerca de 100 km por dia. Mais que isso é uma façanha poucas vezes realizadas. “Se as grandes cidades atraem a si as notícias rápidas é porque pagam a pressa e sempre tiveram meios de forçar o espaço. Um destes meios será, evidentemente, a construção de estradas empedradas ou pavimentadas, mas estas, durante muito tempo, são meras exceções.”  Era em estradas ruins e com velocidades ridículas que cavalos, carros, barcos e correios a pé se locomoviam no século XVII.&lt;br /&gt; As distâncias que se podia cobrir a pé era o que algumas vezes estabelecia os limites do crescimento da cidade. O ritmo de ampliação urbana podia ser diretamente proporcional ao desenvolvimento dos transportes. Porém, o aumento do perímetro das cidades era ditado por pressões multifacetadas, não se limitando ao atraso dos transportes, mas, bastante influenciado por ele.&lt;br /&gt; Não se pretende nesse ensaio ser feita uma descrição dos transportes no século XVII. O propósito é mostrar até que ponto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a troca, que é o instrumento de qualquer sociedade econômica em progresso, foi prejudicada pelos limites que lhe eram impostos pelos transportes: a lentidão, o seu magro fluxo, a sua irregularidade e, finalmente, o seu elevado custo. Tudo encalha nestas dificuldades. Para nos familiarizarmos com esta antiga e persistente realidade podemos repetir a frase já citada de Paul Valéry: “Napoleão desloca-se á mesma velocidade de Júlio César.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A cidade moderna é, pois, como um organismo vivo. Assemelha-se a um coração pulsante que recebe e distribui um fluxo intenso e contínuo. Para tanto, faz-se necessário uma rede de artérias que conduzam tal fluxo em direção ao coração. Este necessita mais e mais de um fluxo rápido e regular. Porém, as veias e artérias que o alimenta não atendem satisfatoriamente as necessidades cardíacas. As cidades do século XVII são notoriamente influenciadas pela capacidade de conexões urbanas possíveis. Tais cidades:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;representam enormes despesas, a sua economia só pode ser equilibrada de fora, outros terão que pagar seus luxos. Então, para que servem elas, neste Ocidente onde tão poderosamente surgem e se impõem? Fabricam os Estados modernos, tarefa enorme, encargo enorme. Marcam uma reviravolta na história do mundo. Fabricam os mercados nacionais sem os quais o Estado moderno seria pura ficção. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Diz-nos Lewis Munfor:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, o crescimento do próprio Estado nacional, o desenvolvimento do capitalismo foi, em parte, em esforço necessário para vencer a sérias limitações da economia medieval. No esforço para alcançar uma segurança estática, as corporações medievais tinham resistido a novas invenções e novos métodos de trabalho; apegavam-se a seus segredos de ofício, às fórmulas esotéricas, a seus “mistérios”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Em meados do século XVII, em 1628, com a obra de William Harvey, De motu cordis, uma nova compreensão corporal surge. Harvey apregoa uma nova visão do corpo, cuja sua estrutura, seu estado de saúde e sua relação com a alma dão origem a um novo modelo de imagem do homem. “Essa mais recente compreensão do corpo coincidiu com o advento do capitalismo moderno, contribuindo para o nascimento de grande transformação social: o individualismo. O homem moderno é, acima de tudo um ser humano móvel.”  Um ser que circula dentro de um mercado livre, de trabalho e mercadorias, de modo parecido à circulação sanguínea.&lt;br /&gt;Portanto, para transpor os obstáculos limitativos da economia medieval, foi de capital importância o papel dos novos mercadores aventureiros e empreendedores. Estes que buscavam expandir a sua produção e ampliar seus mercados. Para tanto eles incentivaram inovações tecnológicas como a máquina de tecer e balizaram-se grandemente em áreas de além-mar, à procura de matérias-primas e produtos acabados.&lt;br /&gt; Assim, o embarque e o intercâmbio desses artigos configuraram uma característica determinante das cidades prósperas. Dessa forma, cada vez mais a vida econômica fugiu do controle da municipalidade. A ampliação do mercado em grosso, dedicado a operações à longa distância por meio do dinheiro e do crédito, procurando grandes lucros especulativos, teve início nas cidades medievais, com o desenvolvimento das transações de longa distância, o que não se deu sem obstáculos. Estes que residiam, principalmente, nas ineficiências das interligações entre as cidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Cidade Barroca e o Palácio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As configurações estéticas das cidades barrocas eram personificações do drama e ritual que dominavam a sociedade, e na corte tinham seu maior expoente e vitrine. A corte, por sua vez, era o grande núcleo de prestígio e poder, e as grandes decisões do estado tinham nela o seu ponto de partida.  Neste contexto, o palácio – habitat da corte – representava papel social importante no seio das cidades do século XVII.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O palácio tinha duas frentes: do lado urbano, vinha as rendas, os tributos, os impostos, o comando do exercito e o controle dos órgãos de estado; do lado rural, os homens e mulheres bem constituídos, bem alimentados e bem sexuados, que formavam o corpo da corte e que recebiam as  honrarias, os emolumentos e as propinas que o rei magnanimamente lhes concedia. O poder e o prazer, uma ordem seca e abstrata e uma radiante sensualidade eram os dois pólos daquela vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A corte era um mundo a parte do resto da sociedade, sendo a vida cercada de responsabilidades sob o destino do estado e das vidas dos súditos plebeus, ao mesmo tempo marcada por ociosidades, formalidades sem inúteis e muita ostentação de riqueza e do poder que detinham. Lewis Munford apresenta um pouco sobre a lógica de vida nas cortes: “O ritual da corte era uma tentativa para confirmar o faz-de-conta do poder absoluto por meio de um drama especial”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O prazer era um dever, o ócio, um serviço, e o trabalho honesto, a mais mesquinha forma de degradação. Para torna-se aceito na corte barroca, era necessário que um objeto ou uma função que mostrasse características de exótica inutilidade.  •&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A corte barroca influenciou diretamente vários aspectos importantes das cidades, entre estas influências, pode-se tomar como destaque a necessidade por monumentos e obras ostentadoras. Os palácios foram uma recorrente forma de expressão da necessidade da aristocracia barroca por obras suntuosas.&lt;br /&gt;O palácio era uma construção complexa, com vários detalhes e secções, não era vista apenas como uma construção, mas carregava consigo os ideários da época, tendo cada parte das construções significados bastante marcantes. A palavra Palazzo, vem da língua italiana, e significa uma construção magnificente que possa ser ocupada por um senhor ou um príncipe mercador, e tem origens no período inicial da era Moderna. Era representado por grandes torres e constrições verticais, que marcaram as paisagens de cidades como Bolonha, Bari ou Milão.&lt;br /&gt;Em termos barrocos, o palácio teve seu sentido ampliado, passando a designar amplidão e um poder auto-suficiente. Também ganhou novas formas, passando a ser construído cada vez mais no plano horizontal e apresentando figura mais marcante. Foi uma forma de manifestar a amplitude e o domínio daquele que ali residiam – a nobreza -, sobre aqueles que de longe admiravam – os plebeus-.&lt;br /&gt;Os palácios barrocos eram construções marcadas por uma arquitetura imponente e complexa, e seus cômodos interiores ofereciam o máximo de luxo e sofisticação que a tecnologia da época poderia oferecer. A magnitude destes palácios era de forma tão grande, que muitas vezes o núcleo central da cidade não comportava espaço para abrigá-los, tendo que serem alojados em áreas antes periféricas, incluindo novas áreas no contexto urbano. &lt;br /&gt;O Palácio de Versalhes é um grande exemplo disto, quando Luis XIV, buscou nos arredores de Paris, lugar para a construção de sua residência e da nata da aristocracia francesa, sendo o grande símbolo centro do poder no antigo regime francês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a partir do século XV, deu-se maior ênfase à amplidão horizontal: o poder se propagou. Não tendo espaço na cidade, escapava para os subúrbios, como fez Luis XIV, que lembrando como tinha sido forçado a abandonar Paris por causa de um levanta popular em sua juventude, resolveu refugiar-se em Versalhes: uma capital suburbana. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A complexidade do palácio fez com que dele, uma série de outros ambientes e monumentos surgissem nas cidades. Hotéis, galerias de arte, museus, academias, prédios de escritórios, teatros e ambientes de entretenimento são exemplos o legado deixado pelos palácios e os hábitos palacianos para as cidades. Legado este que carrega a relação orgânica entre o “estilo barroco de vida e suas instituições típica ”   para a posteridade.&lt;br /&gt;Na sociedade barroca, com o patrocínio aristocrático e ambientado no palácio, o teatro assumiu sua forma moderna, e passou a reproduzir os dramas desta sociedade através da arte cênica. A perspectiva espacial da cidade barroca se fez pela primeira oportunidade no cenário pintado que representava a uma rua e construções, e não na cidade real. Os grandes urbanistas do período barroco eram não por coincidência cenógrafos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A própria cidade nova era, na realidade, um ensaio de desenho cênico formal: um telão de fundo para o poder absoluto. Quando as finanças reais eram inadequadas para desempenhar feitos suficientemente grandiosos de construção em mármore, a aparência era falsificada em tinta e gesso, ou uma fachada monumental mascarava portentosamente a insignificante construção que havia por trás.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A influência do palácio se mostra mais poderosa na sociedade barroca, por meio dos aspectos de prazer, recreação, exibição e do aspecto teatral que marcava as vidas das pessoas. O prazer na sociedade barroca era o “ponto de origem e ao mesmo tempo, o próprio caminho da decadência” .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O prazer, para as massas, em todas as grandes cidades ou em suas mais remotas casas de diversão e salões de dança, à margem das estradas, é o prazer barroco: a exibição, o lustre, o gasto, as excitações visuais com conquistas eróticas ou possibilidades suberoticas, tudo isso devidamente pago, acompanhado pelo comer e beber em restaurantes e cafés necessariamente dispendiosos. E quando o jardim de prazer especial desapareceu com a expansão e o congestionamento da cidade, o mesmo ele mento voltou a nela se introduzir, em bairros apropriados.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os jardins tinham muita importância dentro da vida barroca palaciana, proporcionando o tão procurado prazer, sendo uma das áreas que mais preocupava os seus arquitetos e paisagistas. O complexo de palácios de Versalhes, maior símbolo da arquitetura barroca, é marcado por vastos jardins e bosques, com fontes que requeriam a mais avançada tecnologia e técnicas da época.&lt;br /&gt;Maior símbolo da monarquia absoluta francesa, Versalhes é um dos maiores palácios do mundo, tendo sido construído em 1664 durante o governo de Luis XIV. Construído ao lado de um pavilhão de caça do rei, nos arredores da capital Paris, a obra do palácio foi confiada ao arquiteto Louis Le Vau e ao arquiteto paisagista André le Notrê. A opulência de Versalhes se expressa por meio de seus números: 2.000 janelas, 700 quartos, 1.250 lareiras e 700 hectares de parque. Entre os anos de 1664-1710, com algumas pausas, foram feitas em quatro fases a construção e expansão do complexo palaciano.&lt;br /&gt;Os custos de manutenção do Palácio de Versalhes, do complexo de palácios menores e jardins eram bastante altos. É estimado que a conservação e manutenção, incluindo o cuidado e alimentação do staff e da família Real, consumiam entre 10 e 25 por cento dos rendimentos da França. &lt;br /&gt;           O complexo de Versalhes era muito importante para Luis XIV, em seus planos de centralização e implementação de um forte regime absoluto na França. Todo poder da França emanava de Versalhes. Luis XIV esperava controlar a nobreza do país, por meio de mantê-los vigiados, juntos a ele em sua propriedade, e desta forma Luis evitava que os grandes nobres desenvolvessem o seu próprio poder regional à custa do seu Poder Real. Toda nobreza de posições mais destacada, era requerido estadia em um período do ano no complexo de Versalhes.&lt;br /&gt;            O modelo de Versalhes, com sua opulência, luxo arquitetônico e os hábitos de sua corte, logo influenciou e gerou cópias na monarquia de outros países. Nas grandes cidades européias, pode-se notar a influência barroca de Versalhes, na medida em que grandes palácios barrocos e as suas dependências agora alojavam a burocracia em funcionamento. Também se pode ter como influencia do Palácio de Versalhes, a construção de palácios como o Peterhof – de Pedro, o grande, na Rússia-, o Palácio de Herrenchiemsee – na Baviera, que era quase que uma cópia idêntica do principal prédio do complexo de Versalhes -, La Granja - na Espanha, nas cercanias de Madrid -, o Palácio Real de Queluz - em Portugal, próximo de Lisboa -, e a cidade de Potsdam, na Prússia, construída por ordem de Frederico da Prussia. &lt;br /&gt;            Com exceção das cidades coloniais, as principais cidades construídas entre os séculos XVI e XIX, eram cidades residência para o rei e sua nobreza cortesã – como Versalhes, Karlsruhe e Potsdam -, ou cidades de guarnição, residências do poder real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somente em tais cidades podia a teoria barroca do planejamento ser plenamente obedecida em todos os setores: a tentativa de Christopher Wren, que procurou fazer isso em Londres após o grande incêndio de 1670, foi obstada por arraigados hábitos mercantis e ciosos direitos de propriedade. Quer como cidadela para seu exercito, quer como morada permanente para o príncipe e sua corte, a cidade barroca era, na realidade, um “espetáculo de comando. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A arquitetura e urbanismo barrocos foram construídos à base do despotismo, coerção e força. O patrocínio e a vaidade real fizeram com que o urbanismo planejado fosse associado ao poder arbitrário. As obras eram tidas como prioridades para o estado, com uso freqüente da força quando preciso, em ocasiões como a demolições de construções para poder edificar o prédio desejado pelo governante ou na rigidez pela velocidade nas construções. Desta feita, na maioria das vezes, o urbanista tinha conhecimento ou formação militar. Muitas vezes, as construções das grandes obras do período barroco tinham início com a demolição de “obstáculos” a imponência da nova obra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas vezes, tais obstáculos eram habitações humanas, lojas, igrejas, vizinhanças, monumentos preciosos, base de todo um tecido de hábitos e relações sociais. A remoção generalizada dos prédios que incorporavam tais formas apagava as cooperações e lealdades de uma existência, às vezes de muitas. O fato de realizar um “trabalho limpo”, o planejador tinha que destruir preciosos órgãos sociais, que não podiam ser substituídos tão facilmente como se podem pavimentar ruas e construir casas, não parecia importante ao engenheiro militar de então. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tendo sido abordado o seu caráter despótico e militar, o plano de urbano barroco tinha distinção da antiga formalidade medieval, com quarteirões quase que simétricos e uniformes, e abordava formas mais descontraídas e belas. A exemplo disto são feitas praças, belos monumentos, e o traçado das ruas agora toma formato de asterisco – com partida de um ponto central, avenidas irradiavam para outras áreas da cidade, sendo este ponto central um local de importância -, como por exemplo, em Versalhes, que todas grandes avenidas chegavam a Versalhes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O esquema do sítio central, círculos ou praças abertas, dominados por monumentos, flanqueados simetricamente por edifícios públicos, com avenidas a partir de tais centros, alterou profundamente todas as dimensões da construção. Ao contrario da cidade medieval, através da qual se deve caminhar lentamente, para apreciar suas incessantes transformações de massa e silhueta, seus detalhes complicados e surpreendentes, pode-se perceber toda cidade barroca quase de um só olhar. Mesmo que aquilo que não se vê pode-se facilmente introduzir na imaginação, uma vez que se achem estabelecidas as linhas de orientação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A arquitetura barroca teve muita influência, sendo cidades como Paris, Madrid, Viena, Berlin e São Petersburgo bastante marcadas em suas arquiteturas e urbanismos por traços do barroco. Foi adotado em Paris, por exemplo, nos tempos de Napoleão I e Napoleão III um remodelamento e ampliação do centro urbano da cidade que resgatou formas barrocas. O barroco permaneceu influenciando a arquitetura e urbanismo após o século XVII, e sendo os palácios até hoje, as maiores testemunhas desta linha arquitetônica e urbanística.&lt;br /&gt;O culto barroco do poder tem sido ainda mais tenaz que a ideologia medieval: continuou existindo e se estendeu a outros departamentos da vida, criando “napoleões” não simplesmente nas coisas do Estado, mas nos negócios e nas finanças, embora sua arregimentação perdesse progressivamente o vívido sentimento de expressão estética que realmente possuíam os grandes praticantes de suas fases iniciais. Por meio dos próprios efeitos da democracia, o absolutismo barroco apertou suas garras sobre a sociedade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante a fase do Barroco do século XVII, seus governantes e, em geral, os indivíduos das classes dominantes não são senhores que vivem no campo: são ricos que habitam a cidade e burocratas que ali administram e enriquecem. Ao mesmo tempo, embora haja um mal-estar no campo, que por todos os lados explode em revoltas ocasionais, no século XVII são as populações urbanas as que inquietam o poder e às quais se dirige normalmente a política de sujeição, que se traduz, inclusive, em mudanças topográficas da cidade barroca. É também nela onde se levantam os monumentos históricos: Roma, Wien, Praga, Paris, Madrid, Sevilha e Valência concentram, juntamente com muitas outras, as criações de pintores, arquitetos, escultores etc. Nessas urbes barrocas se produz e consome a volumosa carga de literatura que floresce no século XVII. Essa mesma literatura reflete o indiscutível predomínio dos ambientes urbanos. De imediato, revela-nos que seus personagens vivem nas cidades, deslocam-se de umas para outras, nelas acontece a ação, e em seu espaço têm lugar as magníficas festas que animaram o século XVII, com grande contraste de luz e sombra. O drama da cultura barroca é um drama característicamente urbano.&lt;br /&gt;Tapié no seu livro “Le baroque et la societé de l’Europe moderne”, ao estabelecer uma conexão entre Barroco e Sociedade, apresentou-o como uma cultura rural, dominada por uma mentalidade camponesa, sob a ação de uma economia agrária, de maneira que nos países de economia comercial mais desenvolvida não teriam penetrado as novas formas culturais. O auge da monarquia, a hierarquização revigorada da sociedade, o fortalecimento da propriedade da terra, a reconstituição dos grandes domínios senhoriais e o agravamento da situação do camponês são os fatos básicos da época e denotam uma sociedade predominantemente agrária, senhorial e nobre no topo, camponesa na imensa maioria dos seus componentes. Destarte, Tapié defende que o predomínio da sociedade agrária é um fato evidente da conservação, em ampla medida, dos usos da vida camponesa, e, por conseguinte, a cultura barroca seria rural.&lt;br /&gt;Porém, os aspectos sociopolíticos a isso vinculados, desde o predomínio administrativo das monarquias, em boa parte burocratizadas, até a revalorização da propriedade territorial, produzida pelos investimentos citadinos, ou a urbanização dos costumes senhoriais na vida cotidiana, embora os poderosos, em alguns casos, retornem ao campo são manifestações urbanas muito características. Deste modo, Maravall (1997) contrapõe a tese de Tapié com o seguinte exemplo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não podemos deixar de lembrar que as grandes e esplendorosas igrejas do século XVII, em geral, não se encontram no campo, à maneira dos ricos monastérios cluniances, ou dos grandes monumentos de Cister, mas em meio a povoadas e extensas cidades. Nelas estão os suntuosos templos jesuítas, e não sabemos de outros templos mais representativamente barrocos. &lt;br /&gt;Outro estudioso da temática, Francastel, em sua obra “Limites chronologiques, limites géographiques et limites sociales du baroque” vincula o aparecimento e desenvolvimento do Barroco a um meio agrário: o Barroco triunfou em todos os lugares em que se manteve uma sociedade de tipo agrícola e feudal, conduzida por membros da Igreja, em todos os lugares em que reinem sem contestação uma ordem tradicional. É preservador dos costumes e dos modos de apresentação.&lt;br /&gt;As idéias de Francastel acerca do caráter agrário do Barroco exposto acima é passível de algumas críticas: primeiro, o termo “feudal” é um anacronismo que conduz ao equívoco; segundo, o império da ordem tradicional tenha sido imposto sem contestação – quando são conhecidas as fortes tensões sociais nas quais o Barroco se apóia e das quais nasce essa nova cultura; por último, nessa sociedade, mais do que uma sociedade “de tipo agrário”, seria próprio chamá-la de “economia agrária”, já que, os modelos culturais que se impõem, em conformidade com os grupos nelas predominantes, se acham marcadamente transformados por um processo de urbanização.&lt;br /&gt;Assim, após ter sido exposto alguns argumentos que defendiam a natureza do Barroco como rural, agrária, além dos contra-argumentos a tais idéias, podemos afirmar que ocorreram transformações importantes no panorama desse tema, com alterações no papel atribuído aos grupos sociais e a todo tipo de fatores operantes sobre a matéria. Maravall (1997) é claro ao explicar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o Barroco produz-se e desenvolve-se em uma época na qual os movimentos demográficos já obrigam a distinguir entre meio rural e sociedade agrária. Surge, então, essa cultura da cidade, dependente das condições pelas quais se vai expandindo a urbanização e que operam inclusive sobre zonas rurais próximas, relacionadas com a cidade; uma cultura que se mantém vinculada, como a própria sociedade urbana, a uma base de preponderante economia agrária, na qual se alcançou, no entanto, um nível considerável de relações mercantis e monetárias, com a conseqüente mobilidade disto decorrente, e de cujos primeiros resultados devemos partir para entender os fatos sociais e culturais que a nova época nos oferece  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda contra-argumentado a idéia de Francastel do reino sem contestação da ordem tradicional a ponto de continuar a ser feudal, mesmo no século XVII, Anderson (1995) diz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quando os Estados absolutistas se constituíram no Ocidente, a sua estrutura foi fundamentalmente determinada pelo reagrupamento feudal contra o campesinato, após a dissolução da servidão; mas ela foi secundariamente sobredeterminada pela ascensão de uma burguesia urbana que, depois de uma série de avanços técnicos e comerciais, evoluía agora em direção as manufaturas pré-industriais numa escala considerável (grifo do autor). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anderson (1995) continua:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a ameaça da inquietação camponesa, incontestavelmente constitutiva do Estado absolutista, sempre se conjugou, assim, com a pressão do capital mercantil ou manufatureiro no seio das economias ocidentais em seu conjunto, moldando os contornos do poder de classe aristocrático na nova era. A forma peculiar do Estado absolutista no Ocidente deriva desta dupla determinação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato que pode ter sido passível de dúvida do novo regime político frente à sociedade da Europa Ocidental na Idade Moderna – a permanência do status quo do campesinato, embora de forma remodelada, dos privilégios da aristocracia e pelo emergente poder da burguesia – que se refletirão marcadamente nos contrastes da dramática sociedade barroca, Perry Anderson explica:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o paradoxo aparente do absolutismo na Europa Ocidental era que ele representava fundamentalmente um aparelho para a proteção da propriedade e dos privilégios aristocrático, embora ao mesmo tempo, os meios através dos quais tal proteção era promovida pudessem simultaneamente assegurar os interesses básicos das classes mercantis e manufatureiras emergentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Londres e Amsterdã&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Na Idade Média e na Renascença, Londres compõe-se de duas partes: a City e Westminster. A City, localizada na foz do Tamisa, constitui-se no centro comercial de maior relevância da Inglaterra. Já Westminster tem como sede o governo e o parlamento, simbolizando o controle do Estado moderno com sua burocracia permanente e administração financeira, sendo estendida pouco a pouco a outros departamentos de Estado. De acordo com Braudel (1970):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Westminster é completamente diferente de Versailles ( criação tardia e ex nihilo) é absolutamente uma cidade antiga e viva. Ao lado da Abadia, o palácio Westminster, abandonado por Henrique VIII, tornou-se a sede do Parlamento e dos principais tribunais: homens de lei e pleiteantes encontram-se aí. A Realeza instalou-se um pouco mais longe, em Whitehall, no Palacio Branco, na margem do Tamisa.&lt;br /&gt;Westminster, é pois ao mesmo tempo Versailles, Saint Denis, e ainda, para ter maior importância, o Parlamento de Paris. Dito isso para assinalar a extrema atração deste segundo pólo no desenvolvimento de Londres.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Pelo fato de não estar sujeita à ameaça militar como outras cidades daquela época, Londres cresce como uma cidade aberta. Uma “coroa” de subúrbios é formada forma-se ao redor da city, seguindo o traçado das ruas dos campos. O incêndio de devastador de 1666 em boa parte da city e metade da periferia ocidental dá ocasião para reconstrução da capital inglesa de acordo com o plano do arquiteto Wren que foi apresentado ao rei Carlos II. Todavia, falta a monarquia inglesa recursos e autoridade para tal empresa. O máximo que consegue fazer é: o alargamento das ruas principais e regulamentar a altura das novas casas. A Catedral de São Paulo e as varias igrejas por Wren e seus colaboradores. &lt;br /&gt; Após a revolução de 1689, a monarquia inglesa torna-se hegemônica na Europa; Londres ultrapassa Amsterdã como centro comercial e financeiro mundial e tornando-se a maior cidade européia de então.&lt;br /&gt; Interessante observar que Londres torna-se a primeira cidade burguesa na qual a forma urbana independe da intervenção governamental ou de uma classe dominante restrita, mas sim do somatório das pequenas iniciativas particulares.&lt;br /&gt; De acordo com Benevolo (2005):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este prodigioso desenvolvimento não é dirigido por um plano municipal, como Amsterdã, nem pelos arranjos monumentais da Corte, como em Paris. Londres é um mosaico de pequenas iniciativas – loteamentos promovidos pelos proprietários de terrenos, nobres ou burgueses – alternados com freqüentes espaços verdes, públicos ou particulares. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Diferentemente das cidades que são produtos do Absolutismo dominante da época, as cidades holandesas ainda são governadas como cidades-estado com administração coletiva da burguesia mercantil, com suas leis e instituições próprias. Dessa forma, Amsterdã cresce combinando elementos administrativos medievais e a ciência e a tecnologia moderna junto com a regularidade visual renascentista. Na primeira metade do século XVI já é uma cidade portuária com cerca de 40.000 habitantes. Em 1481 faz-se necessária a demolição dos muros da cidade para o crescimento.&lt;br /&gt; Ao Contrario de Londres, em Amsterdã executa-se um plano que foi aprovado em 1607, onde o Governo desapropria o terreno para construção de casas e canais concêntricos na cidade.&lt;br /&gt; A vida nesta cidade é intensa, sendo os canais ambientes de vida e circulação intensa. As habitações e locais de trabalho pertencem aos cidadãos e não a um soberano absoluto. No fim do Século XVII possui uma superfície de 650 hectares e uma população de 200.000 habitantes. Observa Zumthor (1989) que:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa metrópole edificou-se nos lugares aparentemente menos propícios ao seu desenvolvimento: os pântanos formados na embocadura do Amstel, num braço do mar do Tjsel. O aglomerado primitivo edificou-se sobre algumas faixas de terra perpendiculares a este.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Sua fisionomia demonstra a vitalidade das regras urbanísticas medievais, estabelecendo uma relação frutífera entre o poder publico e as iniciativas privadas, permanecendo por longo tempo a cidade mais moderna da Europa e também modelo urbanístico para cultura urbanística européia até o século XX.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;REFERÊNCIAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ANDERSON, Perry. Linhagens do Estado Absolutista. São Paulo. Ed. Brasiliense. 1995&lt;br /&gt;BENEVOLO, Leonardo. História da Cidade. São Paulo. Ed.Perspectiva. 2005&lt;br /&gt;BRAUDEL, Ferdinand. Civilização Material e Capitalismo. Volume I. São Paulo: Martins Fontes, 1995.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LE GOFF, Jacques. O Apogeu da Cidade Medieval. São Paulo: Martins Fontes, 1992.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LITTELL E MIFFLIN. World History: patterns of interactions. 2001&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MARAVALL, Jose Antonio. A Cultura do Barroco. São Paulo. Edusp. 1997&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MUNFORD, Lewis, As Cidades na História: suas origens, transformações e perspectivas. São Paulo: Martins Fontes, 2004.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SENNETT, Richard. Carne e Pedra: o corpo da cidade na civilização ocidental. Tradução de Marcos Aarão Reis. Rio de Janeiro: BestBolso, 2008.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zumthor, Paul. A Holanda no tempo de Rembrandt. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  MUNFORD, Lewis. As Cidades na História: suas origens, transformações e perspectivas. São Paulo: Martins Fontes, 2004. p. 445&lt;br /&gt;  A Liga Hanseática distribuía mercadorias por todo o norte da Europa. Fundada em 1161, operava no setor do comércio marítimo, entre Genova e Veneza, na Itália, depois entre Londres e os Países Baixos, até o porto da Alemanha, de onde os produtos seguiam por terra.&lt;br /&gt;  Ibidem, p. 445.&lt;br /&gt;  MUNFORD, Lewis. Op. cit., p. 452.&lt;br /&gt;  LE GOFF, Jacques. O Apogeu da Cidade Medieval. São Paulo: Martins Fontes, 1992. p. 69.&lt;br /&gt;  MUNFORD, Lewis. Op. cit., p. 451.&lt;br /&gt;  BRAUDEL, Ferdinand. Civilização Material e Capitalismo. Volume I. São Paulo: Martins Fontes, 1995. p. 459.&lt;br /&gt;  LE GOFF, Jacques. Op. cit., p. 56&lt;br /&gt;  BRAUDEL, Ferdinand. Op. cit., p. 441.&lt;br /&gt;  MARX, Karl. Apud BRAUDEL, Ferdinand. Op. cit., p. 439.&lt;br /&gt;  SENNETT, Richard. Carne e Pedra: o corpo da cidade na civilização ocidental. Tradução de Marcos Aarão Reis. Rio de Janeiro: BestBolso, 2008. p. 196.&lt;br /&gt;  BRAUDEL, Ferdinand. Op. cit., p. 379.&lt;br /&gt;  SENNETT, Richard. Op. Cit., p. 196.&lt;br /&gt;  MUNFORD, Lewis. Op. cit., p. 449.&lt;br /&gt;  Ibidem. p. 446.&lt;br /&gt;  BRAUDEL, Ferdinand. Op. cit., p. 379.&lt;br /&gt;  BRAUDEL, Ferdinand. Op. cit., p. 386.&lt;br /&gt;  Ibidem, p. 390.&lt;br /&gt;  BRAUDEL, Ferdinand. Op. cit., p. 483.&lt;br /&gt;  MUNFORD, Lewis. Op. cit., p. 451.&lt;br /&gt;  SENNETT, Richard. Op. Cit., p. 261.&lt;br /&gt;  MUNFORD, Lewis, As Cidades na História. São Paulo: Martins Fontes, 2004. P. 407&lt;br /&gt;  MUNFORD, Lewis, Op. cit., p. 407&lt;br /&gt;  MUNFORD, Lewis, Op. cit., p. 410&lt;br /&gt;  Ibidem, p. 410&lt;br /&gt;  Ibidem, p. 411&lt;br /&gt;  MUNFORD, Lewis, Op. cit., p. 112&lt;br /&gt;  Ibidem, p. 412&lt;br /&gt;  Littell e Mifflin. World History: Patterns of Interactions. 2001&lt;br /&gt;  MUNFORD, Lewis, Op. cit., p. 419&lt;br /&gt;  MUNFORD, Lewis, Op. cit., p. 420&lt;br /&gt;  MUNFORD, Lewis, Op. cit., p. 423&lt;br /&gt;  Ibidem, p. 432&lt;br /&gt;  MARAVALL, 1997 Ibidem, p. 432, p. 190&lt;br /&gt;  MARAVALL, 1997, p. 191&lt;br /&gt;  ANDERSON, 1995, p. 22&lt;br /&gt;  ANDERSON, 1995, p. 23&lt;br /&gt;  BRAUDEL, 1970, p. 469&lt;br /&gt;  BENEVOLO ,2005, p.542&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5559236354249669679-7912806818576917049?l=profbiuvicente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://profbiuvicente.blogspot.com/feeds/7912806818576917049/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5559236354249669679&amp;postID=7912806818576917049' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5559236354249669679/posts/default/7912806818576917049'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5559236354249669679/posts/default/7912806818576917049'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://profbiuvicente.blogspot.com/2009/06/as-cidades-na-idade-moderna-ocidental.html' title='As cidades na Idade Moderna Ocidental'/><author><name>Biu Vicente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16556163874053147345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5559236354249669679.post-902648014008585700</id><published>2009-06-06T21:49:00.003-03:00</published><updated>2009-06-06T21:59:23.004-03:00</updated><title type='text'>Bairro da Várzea</title><content type='html'>UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO&lt;br /&gt;CENTRO DE ARTES E COMUNICAÇÃO&lt;br /&gt;DISCIPLINA: HISTÓRIA DA CULTURA&lt;br /&gt;PROFESSOR: SEVERINO VICENTE DA SILVA&lt;br /&gt;CURSO: TURISMO / 1º PERÍODO/ TARDE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;                  BAIRRO DA VÁRZEA &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;GRUPO: &lt;br /&gt;BRUNA BARBOSA,&lt;br /&gt;EDUARDA MATIAS, &lt;br /&gt;GABRIELA BARROS, &lt;br /&gt;MARÍLIA VIDAL,&lt;br /&gt;MAYRA RIBEIRO &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Sumário: &lt;br /&gt;Do poeta Joaquim Cardozo &lt;br /&gt;Introdução &lt;br /&gt;   1. História da Várzea &lt;br /&gt;1.2- Usina São João da Várzea &lt;br /&gt;2. Igrejas da Várzea&lt;br /&gt;2.1- Igreja de Nossa Senhora do Rosário &lt;br /&gt;2.2- Igreja de Nossa Senhora do Livramento &lt;br /&gt;3. Casarões da Várzea &lt;br /&gt;4. A Várzea atualmente &lt;br /&gt;5. Arquidiocese de Olinda e Recife &lt;br /&gt;6. Universidade Federal de Pernambuco&lt;br /&gt;6.1 História&lt;br /&gt;6.2 UFPE hoje &lt;br /&gt;7. Oficina de cerâmica Francisco Brennand&lt;br /&gt;   7.1- Francisco Brennand &lt;br /&gt;8. Instituto Ricardo Brennand&lt;br /&gt;8.1Castelo&lt;br /&gt;8.2- Pinacoteca&lt;br /&gt;8.3- Biblioteca &lt;br /&gt;Bibliografia &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;                        &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;                                Do Poeta Joaquim Cardozo: &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;                            A Várzea tem cajazeiras...&lt;br /&gt;                            Cada cajazeira um ninho&lt;br /&gt;                            Que entre o verde e o azul oscila; &lt;br /&gt;       &lt;br /&gt;                            Em redes de ramos verdes&lt;br /&gt;                            Me estendo como um caminho,&lt;br /&gt;                            Me espreguiço dessa várzea,&lt;br /&gt;                            E me embalo desse ninho. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;INTRODUÇÃO    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    O nosso grupo ficou responsável por pesquisar detalhes de um bairro tão rico em historia e cultura que é a Várzea. Um bairro de pouco crescimento estrutural, entretanto que “abriga” em seu circulo um grande acervo cultural e estudantil.     &lt;br /&gt;Nossa pesquisa foca os principais pontos turísticos, detalhes do bairro, população, histórico, para que possamos ir desvendando aos poucos cada pedaço desse grande Recife. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; História da Várzea: &lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;Suas terras foram as primeiras a serem repartidas entre os colonos portugueses que iniciaram a povoação de Pernambuco, na 1ª metade do século XVI.&lt;br /&gt;A várzea do Capibaribe foi escolhida para o plantio de cana-de-açúcar. O 1º engenho do lugar foi o Santo Antônio fundado nos primeiros anos da colonização por Diego Gonçalves, e o que ficaria mais conhecido foi o Engenho São João. As terras eram férteis, com água em abundância e logo os engenhos se multiplicaram. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por volta de 1630, a Várzea do Capibaribe tinha 16 engenhos de açúcar em plena atividade. Na parte mais central das terras, à margem direita do rio, foi-se formando uma povoação, o povoado teve crescimento rápido e virou uma Freguesia sob a invocação de Nossa Senhora do Rosário. Em 1746, a Freguesia da Várzea contava com 2.998 habitantes, 18 capelas, 11 engenhos em atividade e 4 de fogo morto.. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final da 1ª metade do século XIX, com o comércio crescendo no Centro do Recife, esses engenhos antigos, incluindo o São João, foram transformados em celeiros da cidade, com plantio de alface, feijão e frutas, além da cana. A povoação da Várzea virou uma disputada colônia de férias. As águas cristalinas do rio atraíam recifenses que vinham de todas as partes da cidade. Esses banhos (que diziam ter poder de cura) movimentaram a localidade até 1880, quando teve início a poluição do Capibaribe e a colônia de férias perdeu força. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;1.2- Usina São João da Várzea: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era São João da Várzea uma usina de médio porte. Em 1914 dispunha a usina de 11 km. de estrada de ferro, sete tanques para álcool e uma produção de 70.000 toneladas de açúcar. Em 1929, com a morte do seu fundador( Francisco do Rego Barros de Lacerda), a usina passa a ser dirigida por sua viúva, D. Maria da Conceição do Rego Barros Lacerda, que, em 1933, apresenta uma produção de 37.853 sacos (60kg.) de açúcar, tendo, no ano seguinte, transferido a sua propriedade para os irmãos Ricardo Lacerda de Almeida Brennand e Antônio Luís de Almeida Brennand, proprietários da usina Santo Inácio. A Usina São João da Várzea continuou em atividade até o ano de 1943, quando veio encerrar sua produção de açúcar e álcool, passando as suas terras destinadas a outras atividades industriais. Naquela extensa área, antes ocupada secularmente pelos canaviais dos primitivos engenhos e mais recentemente da primitiva usina, foram construídas cerâmicas, bem como fábricas de azulejos, de porcelana, de vidros, siderúrgica e outras unidades do Grupo Brennand. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo o historiador Pereira da Costa (Arredores do Recife), “na freguesia da Várzea, no Engenho São João, que em 1645 se discutiram os planos de revolta contra os holandeses”. No período da guerra da restauração (1645-1654), funcionou na freguesia da Várzea “toda a governança e mecanismo oficial da capitania de Pernambuco”. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; 2. Igrejas da Várzea:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na praça matriz da Várzea encontram-se duas igrejas a de Nossa Senhora do Rosário ao centro e a igreja de Nossa Senhora do Livramento.&lt;br /&gt;2.1- Igreja de Nossa Senhora do Rosário:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira capela da Várzea dataria de 1612, hoje Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário. Nela foi sepultado, em 1648, Dom Antônio Felipe Camarão, governador dos índios e que se destacou nas lutas para a expulsão dos holandeses na capitania de Pernambuco. Na sacristia da igreja, escavações recentes desenvolvidas sob orientação do departamento de Arqueologia da UFPE, foi encontrado o cemitério das vítimas das duas Batalhas dos Guararapes (1648 e 1649).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 29 de Novembro de 1859, Dom Pedro II visitou a Várzea para se inteirar desse novo sítio histórico e concedeu à Matriz o título de “Imperial Matriz de Nossa Senhora do Rosário da Várzea”, com direito de levar a coroa imperial na fachada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A igreja matriz da várzea passou por reformas, entre 1868 e 1872, nada restando da primitiva capela de Nossa Senhora do Rosário. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2.2-Igreja de Nossa Senhora do Livramento:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A igreja pertencia a uma irmandade de homens escravos. Apesar do belo frontispício, que conserva suas características primitivas, não está em perfeitas condições e por dentro já foi toda restaurada. Possui ainda um prédio de dois pavimentos no qual funcionou o seminário da Várzea, hoje apenas serve de morada para os padres.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;3. Casarões da Várzea: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vários casarões chamam a atenção para o bucolismo da Várzea dos nossos dias, salientando-se dentre eles o que serve de sede ao Educandário Magalhães Bastos, no final da Rua Francisco Lacerda. Construído em 1897 por Napoleão Duarte, o prédio destinava-se, segundo placa comemorativa, ao "Asilo da Infância Desvalida, de ambos os sexos, fundado e pelo Com. Antônio José de Magalhães Bastos, comerciante que foi nesta cidade". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há também o Instituto Santa Maria Mazzarello, fundado em 29 de março de 1938 e ainda hoje funciona no mesmo endereço. No início era uma escola para crianças filhas dos operários da fábrica ao lado (hoje, TELEMAR) e acolhia essas crianças em gratuitamente em regime de semi-internato. Logo surgiu um ensino noturno para jovens operários, domésticas, um jardim de infância e um ginásio industrial. Porém gradativamente foram extintos esses ensinos com a implantação do 1º grau fundamental e os ensinos médios de 1º e 2º graus. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um outro casarão que hoje encontra-se as ruínas é o antigo hospital Odontológico Magitot, que de acordo com a arquiteta Terezinha Pereira está com uma proposta desde 2008  para ser restaurado e transformado em um centro cultural.  &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;4. A várzea Atualmente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Várzea é o segundo maior bairro em extensão territorial do município, ocupando uma área de aproximadamente 2.260 hectares, com uma população de 64.512 habitantes, que, de acordo com o IBGE tinham uma renda mensal de em torno de R$ 700,00. Em 1746 essa freguesia podia contar com 2.998 habitantes, 18 capelas, 11 engenhos em atividade e quatro de fogo morto (ou seja, desativados), o que nos revela como a população cresceu. O bairro integra a quarta região político-administrativa do recife (RPA-4) se localiza a oeste da cidade do Recife, fica entre os bairros do Curado, Cidade Universitária, Iputinga e Caxangá. A Várzea é bastante arborizada, cortada pelo rio Capibaribe, não apresenta muitos edifícios, a residência em sua maioria são casas e os poucos prédios que tem geralmente são de até seis andares. Essa "arrumação" arquitetural proporciona benefícios aos moradores, pois tem melhor passagem do ar, sendo, portanto um dos bairros com o clima mais agradável. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O comércio é bastante estático, ou melhor, não tem muito crescimento, é um comércio muito artesanal, iniciado pela própria população local em busca de renda para sustentar a família. Apesar de o comercio não esta em crescimento, a Várzea é palco de grandes atividades culturais, é na Várzea que se encontra o Instituto Ricardo Brennand (com um acervo de peças medievais); O ateliê de Francisco Brennand (que retrata esculturas em argila); o Conservatório da Várzea; a Igreja de Nossa Senhora do Rosário (datada de 1612); a Arquidiocese de Olinda e Recife (criada em 15 de julho de 1614), além de outros pontos como a sede da Oi e a Companhia Industrial de Vidros (CIV), uma empresa que é um exemplo de sucesso, pois é responsável pela geração de vários empregos diretos e indiretos, não só em Recife, como em Vitória, Salvador e Fortaleza, locais onde possui fábrica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de possuir grandes centros culturais, bastante conhecidos, a praça pública da Várzea é um grande palco para eventos promovidos pela população local, ou ate mesmo outros trazidos por autores em descobrimento.  Sendo assim, sede de grandes amostras culturais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de possuir toda essa estrutura, a Várzea ainda é privilegiada pela sua localização. O bairro se encontra muito próximo a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), como também o Centro Federal de Educação de Pernambuco (CEFET-PE), e a Universidade Rural de Pernambuco (UFRPE), sendo assim, ela consegue abrigar vários estudantes que vem de outros estados, municípios em busca de uma melhor formação, e estadia. Por isso, o transporte é bastante eclético, para que se possa atender a demanda que existe; pois é a Várzea o local onde se encontra grandes terminais integrados, como o de TI Camaragibe, TI Macaxeira, TI Barro e TI Caxangá nessa área é o mais utilizado. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;5. Arquidiocese de Olinda e Recife.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A delimitação feita para atender a necessidades peculiares em um território (prelazia territorial) ou de um grupo de fiéis (prelazia pessoal), São similares às igrejas particulares e, como estas, têm fiéis, clero e pastor próprio. A de Pernambuco foi criada em 15/07/1614 pela Bula "Fasti noviorbis" do Papa Paulo V. O Papa Urbano VIII com a Bula "Romanus Pontifex" do dia 06/07/1624 a constituiu sufragânea(são dioceses) da então Diocese de São Salvador da Bahia. O Papa Inocêncio XI, no dia 16/11/1676, pela Bula "Ad sacram Beati Petri sedem" a elevou como diocese, denominando-se Diocese de Olinda. Em 05/12/1910 foi elevada à Arquidiocese e Sede Metropolitana pelo Decreto da Sagrada Congregação Consistorial. Pela Bula "Cum urbs Recife" do Papa Bento XV de 26/07/1918, passou a denominar-se Arquidiocese de Olinda e Recife, que encontra-se na Av. Afonso Olindense, 1764 Várzea - Recife – PE.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Arquidiocese (Diocese de um Arcebispo ,onde ele próprio, um bispo, ou um patriarca tem total jurisdição na diocese,ou seja, tem o direito de julgamento limitado ao seu território) de Olinda e Recife (Archidioecesis Olindensis et Recifensis) é uma circusncrição eclesiástica da Igreja Católica no estado de Pernambuco. Pertence ao Conselho Episcopal Regional Nordeste II da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. A sede arquiepiscopal se encontra em Olinda, onde se encontra a Catedral; contudo, no centro histórico do Recife, localiza-se a Concatedral de São Pedro dos Clérigos. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; 6. Universidade Federal de Pernambuco. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6.1- História&lt;br /&gt;    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história da Universidade Federal de Pernambuco tem início em 11 de agosto de 1946, data de fundação da Universidade do Recife (UR), criada por meio do Decreto-Lei da Presidência da República nº 9.388, de 20 de junho de 1946. A UR reunia a Faculdade de Direito do Recife, a Escola de Engenharia de Pernambuco, a Faculdade de Medicina do Recife, com as escolas anexas de Odontologia e Farmácia, a Escola de Belas Artes de Pernambuco e a Faculdade de Filosofia do Recife. &lt;br /&gt;Passados 19 anos, a Universidade do Recife é integrada ao grupo de instituições federais do novo sistema de educação do País, recebendo a denominação de Universidade Federal de Pernambuco, autarquia vinculada ao Ministério da Educação.&lt;br /&gt;Em 1948, começa a construção do campus universitário. A discussão sobre a localização da obra foi iniciada um ano antes. Entre os lugares cogitados, estavam terrenos nos bairros de Joana Bezerra, Santo Amaro e Ibura, a área da Faculdade de Direito, no Centro do Recife; e um loteamento na Várzea, mesmo espaço onde antes funcionou o Engenho do Meio e hoje está a UFPE. Essa escolha ocorreu em razão de existir uma avenida projetada para o local. Também foram consideradas as condições climáticas e a topografia do terreno. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os recursos usados na aquisição e implantação do campus universitário foram provenientes do Governo do Estado, que alocou 0,10% dos impostos de vendas e consignações para a edificação do projeto. Os primeiros prédios construídos no campus foram o Broteiro, espaço destinado à criação de animais, que ficou localizado na área onde atualmente estão o Departamento de Nutrição e o Centro de Ciências da Saúde. A concepção do projeto arquitetônico do campus foi do arquiteto veneziano Mário Russo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro reitor da universidade foi o professor Joaquim Ignácio de Almeida Amazonas, que também ocupou o cargo de diretor da Faculdade de Direito. Amazonas desempenhou a função de reitor por 12 anos. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; 6.2- UFPE Hoje &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo avaliações dos Ministérios da Educação (MEC) e de Ciência e Tecnologia (MCT), a Universidade Federal de Pernambuco é uma das melhores universidades do País, em ensino (graduação e pós-graduação) e pesquisa científica, sendo a melhor do Norte-Nordeste. As avaliações levam em consideração, para a graduação, os índices de desempenho dos alunos no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), a estrutura das instituições e o investimento em professores e nos cursos, reunidos agora no Índice Geral de Cursos (IGC) e da titulação e produção científica dos professores da pós-graduação – pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), estas duas avaliações do MEC. No caso da pesquisa, o resultado do Censo 2006 do Diretório dos Grupos de Pesquisa no Brasil, realizado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do MCT, mantém a UFPE entre as dez melhores universidades do País em ensino e pesquisa, em termos qualitativos e quantitativos dos grupos de pesquisa. A Universidade tem um total de 387 grupos de pesquisa certificados. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;7. Oficina Cerâmica Francisco Brennand: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A oficina surge em 1971, nas ruínas semi-abandonadas da Cerâmica São João da Várzea, empresa fundada pelo pai de Francisco Brennand em 1917 e desativada em 1945. Na empresa do seu pai, eram produzidas telhas e tijolos, depois de desativada, Francisco Brennand resolveu aproveitar os enormes galpões para instalar seu ateliê/oficina. As terras se encontravam no Engenho Santos Cosme e Damião, no bairro histórico da Várzea, e cercada por remanescentes da Mata Atlântica e pelas águas do Rio Capibaribe, distando 16 km do centro da cidade do Recife.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Oficina Cerâmica Francisco Brennand é ao mesmo tempo oficina e museu. Cercados por jardins encontram-se exposições permanentes representadas por murais, esculturas e painéis, cerca de 2.000 peças de grande e médio porte.  Um lugar único no mundo, a oficina constitui-se num conjunto arquitetônico monumental original, onde a obra se associa à arquitetura para dar forma a um universo dionisíaco, subterrâneo, sexual e religioso. A forma como são modeladas as esculturas é excelente, a queima é realizada em forno de alta temperatura (1.400 Cº), combustão a óleo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em dezembro de 2003, Brennand inaugurou o espaço “Accademia”. Trata-se de um pavilhão construído, especialmente, para expor desenhos, pinturas e peças cerâmicas de pequeno porte. Na Academia estão expostos mais de 200 trabalhos feitos ao longo de quase 60 anos e é onde o artista se revela um grande colorista, um cultivador do erotismo requintado e um desenhista e pintor de primeira. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; 7.1- Francisco Brennand : &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Francisco de Paula Coimbra de Almeida Brennand, nasceu no Estado de Pernambuco, na Cidade do Recife em 1927. Após completar os estudos colegiais, Brennand teve o incentivo da família para cursar a Faculdade de Direito e suceder o pai na direção dos negócios da família. Desistiu, no entanto, e dedicou-se à carreira artística &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conquistou o 1º Prêmio no Salão de Pintura no Museu do Estado de Pernambuco em 1947 e em 1948. Começou a trabalhar intensamente realizando exposições de pintura e cerâmica em vários museus e galerias de todo o país. Executou vários murais em edifícios no Recife, deixou sua marca registrada nos espaços do Shopping Center Recife, no Marco Zero, em 1958 inaugura o mural do Aeroporto Internacional dos Guararapes, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Francisco Brennand já expôs sua arte em diversas cidades brasileiras e em muitos países: Recife, Salvador, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Brasília, Olinda, Natal, João Pessoa, Manaus, Curitiba e nos Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, França, Espanha, Bélgica, Itália, Suíça, Uruguai e Venezuela. A obra de Francisco Brennand consta de livros, filmes, artigos, entrevistas etc.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8.  Instituto Ricardo Brennand:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;É um complexo formado pelo castelo, pinacoteca e biblioteca voltado à preservação da arte e da cultura. O instituto foi fundado em 2002 com o objetivo de levar aprendizado a grandes parcelas da população. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8.1- Castelo: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Museu de Armas Castelo São João, reúne a mais importante coleção de armas para caça e armaduras das mais diversas origens e épocas, cobrindo um espaço de tempo entre os séculos XV e XXI, provenientes da Europa, Ásia, América e África. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas obras de arte estão reunidas em coleções de Pintura, brasileira e estrangeira, Armaria, Tapeçaria, Artes Decorativas, Escultura e Mobiliário. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;8.2- Pinacoteca: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pinacoteca do Instituto Ricardo Brennand foi inaugurada em setembro de 2002 com a exposição internacional “Albert Eckhout Volta ao Brasil 1644-2002”. Atualmente o IRB está em cartaz com as mostras: “Frans Post e o Brasil Holandês”, “Paisagem Brasileira do Século XIX” e “O Julgamento de Nicolas Fouquet”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Instituto Ricardo Brennand coloca Pernambuco no roteiro das grandes exposições Nacionais e Internacionais. Com 1200 m², o salão expositivo tem capacidade de receber até duas mostras simultaneamente e conta com equipamentos de alta tecnologia para preservação de umidade, temperatura, luminosidade e segurança. Além do espaço expositivo, a Pinacoteca do Instituto Ricardo Brennand é composta por foyer, auditório com capacidade para 100 pessoas, banheiros, reserva técnica, loja, cafeteria, biblioteca e sala do conselho (reservada para eventos). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8.3- Biblioteca: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Projetada para reunir mais de cem mil volumes, detém atualmente um acervo próximo dos 20.000 itens: entre livros, opúsculos, periódicos, partituras, discos, fotografias, álbuns iconográficos e obras raras, em fase inicial de processamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A coleção de Obras Raras abriga obras do século XVI ao XX, dificilmente encontradas em outras bibliotecas ou arquivos. O tema principal dessa coleção são livros sobre o Brasil, escritos por viajantes do século XVII ao XIX, e livros escritos no período colonial e imperial, obras de grande interesse para a pesquisa histórica, artística, cultural, política, de costumes, de história natural, etc. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Bibliografia:&lt;br /&gt;http://www.brennand.com.br/&lt;br /&gt;http://www.ceramicanorio.com/&lt;br /&gt;http://www.viagemdeferias.com/&lt;br /&gt;http://www.recifediaenoite.hpg.ig.com.br/&lt;br /&gt;http://www.ufpe.com.br/&lt;br /&gt;http://www2.uol.com.br/JC/_2000/1802/cd1802q.htm&lt;br /&gt;http://www.pe-az.com.br/subsecao_ler.php?id=MjQw&lt;br /&gt;http://pt.wikipedia.org/wiki/V%C3%A1rzea_(bairro_do_Recife)&lt;br /&gt;http://www.fundaj.gov.br/notitia/servlet/newstorm.ns.presentation.NavigationServlet?publicationCode=16&amp;pageCode=320&amp;textCode=942&amp;date=currentDate&lt;br /&gt;http://www.inst-mazzarello.com.br/web/imp_hist_varzea.asp&lt;br /&gt;http://andreabrelaz.blogspot.com/2008_04_20_archive.html&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5559236354249669679-902648014008585700?l=profbiuvicente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://profbiuvicente.blogspot.com/feeds/902648014008585700/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5559236354249669679&amp;postID=902648014008585700' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5559236354249669679/posts/default/902648014008585700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5559236354249669679/posts/default/902648014008585700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://profbiuvicente.blogspot.com/2009/06/bairro-da-varzea.html' title='Bairro da Várzea'/><author><name>Biu Vicente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16556163874053147345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5559236354249669679.post-894259349066774120</id><published>2009-06-04T13:32:00.003-03:00</published><updated>2009-06-04T13:59:36.004-03:00</updated><title type='text'>Companhias de Comércio na Idade Moderna</title><content type='html'>UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO&lt;br /&gt; CENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS&lt;br /&gt;DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA&lt;br /&gt;PROFESSOR: SEVERINO VICENTE DA SILVA&lt;br /&gt;DISCIPLINA: HISTÓRIA MODERNA II&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                      COMPANHIAS DE COMÉRCIO NA IDADE MODERNA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrito por:&lt;br /&gt;                                 Anna Maria Litwark&lt;br /&gt;                                 Cláudio Muniz&lt;br /&gt;                                 Karolina Kneip&lt;br /&gt;                   Poliana Priscila&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RECIFE - 2009 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ÍNDICE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Introdução&lt;br /&gt;2. Companhias Holandesas&lt;br /&gt;3. Companhias Ibéricas&lt;br /&gt;3.1 Companhias Portuguesas&lt;br /&gt;3.2 Companhias Espanholas&lt;br /&gt;4. Companhias Inglesas&lt;br /&gt;5. Companhias de Outros Estados&lt;br /&gt;5.1 Companhias Suecas&lt;br /&gt;5.2 Companhias Francesas&lt;br /&gt;5.3 Companhias Dinamarquesas&lt;br /&gt;6. Conclusão&lt;br /&gt;7. Bibliografia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. INTRODUÇÃO&lt;br /&gt;O sistema de Companhias de Comércio foi um reflexo das medidas mercantilistas adotadas pelos Estados nacionais europeus. Desempenharam, portanto, um papel preponderante na montagem e manutenção de seus Impérios coloniais durante a Idade Moderna. Esse viés expansionista desempenhado por essas nações desemborcou na estruturação da burguesia mercantil em detrimento da aristocracia representada pelos setores arcaicos da sociedade.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O Estado centrou em suas mãos as rédeas para promover a riqueza das nações e indivíduos. Para tanto, se utilizou do intervencionismo monopolista no mundo mercantil. “Os pioneiros da expansão européia foram Portugal e Espanha e a primazia garantiu-lhes a montagem de um vasto Império colonial” (JUNIOR, 2004, p.09). No entanto, esse pioneirismo não lhes conferiu a dianteira na formação das Companhias de comércio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A prática de comercializar “em conjunto” desde a Roma antiga rendeu os subsídios necessários para que os mercadores, posteriormente conhecidos como  “homens de negócio”, lançassem os alicerces para a estruturação de grandes grupos e associações de capital para o comércio em grande escala. Foram, portanto, primeiramente, sociedades anônimas e depois Companhias, que promoveram o intercâmbio do capital anônimo com o estatal, que marcaram definitivamente as estratégias de colonização e comércio na Europa Ocidental moderna. Societas Maris/ Vera (do século XI), Compagnia (século XII), Sociedades em Comandita (século XVI), Sociedades por ações (século XVI e XVII) foram concebidas no seio do comércio do Mediterrâneo e desembocaram, finalmente, nas Companhias monopolísticas do século XVII. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mercantilismo de privilégios das Companhias se delineou de diversas formas; diferenciando-se de país a país, de acordo com suas tradições políticas e ideológicas. Enquanto que, por exemplo, na Inglaterra moderna a Coroa permitia certa liberdade de ação por parte dos administradores de tais companhias, na Holanda, a empresa era o sustentáculo da Coroa: ela a representava no ultramar e seus lucros eram basicamente recambiados para pagar as dívidas do Estado. Já na França, elas eram feitas e refeitas ao bel-prazer monárquico.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas companhias participavam de um jogo capitalista “nervosíssimo”. Segundo Braudel. Os privilégios das Companhias eram regidos por uma regra de três;&lt;br /&gt;O monopólio de uma companhia depende da confluência de três realidades: primeiro o Estado, mais ou menos eficaz, nunca ausente; o mundo mercantil, isto é os capitais, o banco, o crédito, os clientes – um mundo hostil ou cúmplice, ou as duas coisas ao mesmo tempo; e por fim uma zona de comércio para ser explorada de longe, a qual, por si só, determina muitas coisas. (BRAUDEL, 2000, pp.392-393).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tais empresas eram regidas por estatutos. Neles constavam as obrigações e os diretos dos participantes, o funcionamento geral da companhia, sua administração e estrutura, levando em conta sempre que se estruturavam em vias de metrópole para colônia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dianteira e o sucesso das grandes Companhias inglesas e holandesas influenciaram uma gama de outras empresas; assim como acirraram as disputas no mundo mercantil, fazendo com que outros países incursionassem nessa empreitada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        2. COMPANHIAS HOLANDESAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As companhias de comércio holandesas tiveram seu inicio de forma bastante evolutiva, partindo das companhias menores dominadas pelo capital familiar para as grandes companhias monopolistas de capital aberto e anônimo.&lt;br /&gt;As pequenas companhias chamadas de Pré-companhias (voor-compagnies) tiveram seu começo nas experiências anteriores das províncias do norte, a “União de Utrech”, com o chamado por Braudel de “Périplo triunfal” em 1595 à direção do Indico, expedição essa chefiada por Houtman. Ocupando Java em 1597 e tomando a Ilha Mauricia em 1598 tornando um sucesso essa primeira experiência. Depois das vantagens, Houtman, obtém apoio dos Estados Gerais para continuar as viagens com fins comercias, surgindo desta forma a companhia de lugares distantes (Compagine van Verre). Na esteira desse sucesso outras companhias foram surgindo para continuar a explorar e dominar no mar Báltico e Norte o comércio marítimo de madeira, equipamento naval e metais, peixes, manteiga e queijo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes mesmo da criação das Companhias das Índias Orientais(1602) e Ocidentais(1621), os holandeses haviam acumulado toda uma experiência com a navegação. Primeiro, ao realizarem comércio no Mar Báltico e do Norte. Segundo, ao se lançarem para as Américas, especialmente para o Brasil. (NASCIMENTO, p.32)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As experiências na América datam de 1587, quando um corsário inglês observa no momento do ataque a Salvador, a presença de uma nau holandesa no ancoradouro da cidade. As províncias mantinham boa relação com Portugal e faziam o transporte de diversas cargas para a colônia como o vinho do Porto, o sal de Setúbal, o açúcar do Brasil e os Escravos da Angola. As experiências na América não se resumiram apenas ao comércio formal. As práticas piratas também foram amplamente exploradas, não sendo exclusividade dos holandeses já que os ingleses, franceses e alemães faziam uso desse artifício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O uso freqüente uso, até em então seguido, de preferirem os comerciantes de Lisboa o fretarem, para o Brasil, urcas flamengas, mais bem construídas e artilhadas do que os barcos portugueses, não só foi prejudicial à marinha de guerra, que da mercante se alimenta, como levou ao Brasil muitos estrangeiros.(VARNAGEM apud NASCIMENTO, p.35)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, a Companhia das Índias Orientais (1602) surge de uma experiência marítimo-comercial bem sucedida, trazendo uma união de outras companhias menores, saindo de um capital de investimento mercantil mais reduzido de clã para uma experiência de capital aberto, formando uma sociedade anônima, cujo corpo diretor compunha-se de dezessete membros (os herren XVII). Ela se forma como uma representação do Estado no estrangeiro, podendo fazer acordos, tratados, erguer fortes, atacar e saquear navios. Tudo isso com a concessão estatal que, teoricamente, duraria 20 anos e perdurou até 1740. A companhia se estrutura no momento de guerra do estado holandês contra a união ibérica e estendo a luta até ao ponto que Boxer (BOXER, 2001) chama de Primeira Guerra Mundial (por levar a luta desde Amazonas até a Angola e as ilhas de Timor). A companhia tem como função, de fato, a atividade da guerra para o controle comercial, seguindo-se do controle territorial e um esforço de colonização. Na luta contra os portugueses, a companhia leva vantagem e toma o controle do comércio de cravo, pimenta, noz-moscada e canela, fazendo trocas comerciais com o Japão, China e Índia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saindo em direção ao Oriente, depois de algumas décadas, conseguiu a Companhia das Índias orientais o controle do comércio do cravo, pimenta, da noz-moscada e da canela de forma que, já por volta de 1663, alerta Boxer “granjearam dos portugueses a posição de proprietários da parte do leão no negocio de transportes em águas asiáticas, entre o Japão e a Arábia” (NASCIMENTO, p.46)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A criação da Companhia deu inicio as atividades de forma organizada e empreendedora, que travava disputas não apenas militarmente, mas também diplomaticamente; obtendo com isso os lucros, que eram o objetivo máximo e irredutível da companhia, não importando “onde”, “quando” ou “como fosse” para que essa meta fosse alcançada.&lt;br /&gt;A experiência holandesa no Oriente, nos moldes de um empreendimento organizado, teve vez com a criação da Companhia das Índias Orientais (VOC) em 1602. Contra os portugueses que aí já haviam instalado desde o inicio do século XVI, travou a Companhia uma disputa que envolveu não só armas, mas a diplomacia. Para conquistar um espaço no comércio asiático, contou a VOC com diversas tentativas.(NASCIMENTO, p.45)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Companhia das Índias Ocidentais surge na esteira de sua irmã mais velha e bem-sucedida oriental, mas ela não surge inconseqüentemente, apenas para atacar as possessões ibéricas no atlântico. Pelo contrario, ela é resultado de uma experiência de sucesso anterior, por mais que um dos seus objetivos seja realmente fazer a guerra para dividir o bolo de comércio de açúcar, pau-brasil, sal e escravos no Atlântico. Tinha a pretensão de ocupar vários pontos, por haver vários objetos de interesse como o açúcar de Pernambuco e da Bahia; da Angola, os escravos e do Rio da Prata, o ouro e a prata, que sempre compuseram a lista de ambição flamenga, não podendo assim apenas se focalizar em uma área portuária.&lt;br /&gt;Tudo indica que as intenções da Companhia das Índias Ocidentais, pelo menos no Brasil, não estivesse, voltadas única e exclusivamente para a conquista de um só ponto do litoral, Na mira dos neerlandeses se encontravam outros portos do Atlântico, Além do Recife e Salvador, o Rio de Janeiro e a região do Prata compuseram a lista de possibilidades. (NASCIMENTO, p.49)&lt;br /&gt;Ela, como a Companhia Oriental, tinha um capital semi-privado, mas se organizava de uma forma um pouco diferente, pois havia dezenove conselheiros e era subdivida em câmaras de comércio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subdivida em câmaras de comércio, a WIC era presidida pelo Conselho de XIX, dos quais oito representavam a Câmara de Amsterdam, quatro a da Zelândia, dois a de Mosa (Roterdam), dois para o Distrito do Norte (Hoorn e Frísia), dois para a cidade e distrito de Groningen e um décimo nono nomeado para representar os Estados Gerais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À Companhia Ocidental ficou o legado de perdedora, pois ela não obteve o mesmo sucesso que a sua predecessora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                   3. AS COMPANHIAS IBÉRICAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A perda do monopólio comercial europeu pelos países ibéricos botou em risco a manutenção de seus impérios ultramarinos. A revitalização da economia colonial, tanto quanto a da Península, nasceu da aplicação de políticas mercantilistas que tomaram corpo com a adoção do sistema de companhias privilegiadas de comércio. &lt;br /&gt;As companhias espanholas e portuguesas podem ser compreendidas como estatais. Baseadas no exclusivismo metropolitano, mecanismo essencial do sistema colonial, essas empresas ligavam as colônias à Metropóle através do monopólio das relações comerciais. Entretanto, é interessante analisar um pouco mais detalhadamente o funcionamento das mesmas para perceber que o controle estatal esbarrava na ação dos personagens principais do mundo mercantil (homens de negócio). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                    3.1 COMPANHIAS PORTUGUESAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram uma tentativa do Estado português de modernizar o sistema de monopólios comerciais, atingindo seu apogeu no período pombalino (iniciado durante o século XVIII). As grandes companhias foram criadas tardiamente e com pouco capital quando comparadas às companhias inglesas e holandesas. E após, a Restauração (1640) tinham o objetivo basilar de savaguardar o vunerável império português das ambições das mais fortes nações européias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O privilégio das companhias iam desde o monopólio do comércio, da navegação e dos direitos ficais até o “direito de senhoria”, ou seja, a organização política dos territórios ocupados, podendo armar exércitos e marinhas de guerra para executar operações terrestres e navais que resultassem na ampliação das possessões marítimas. (VAINFAS, 2000, p. 128).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         1. Primeiras Companhias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Companhia da Índia Portuguesa – Foi fundada em 1549. É a mais antiga das companhias de seu gênero no país. Esta companhia foi instituída com capitais da Coroa. Visava incrementar os negócios com o Estado Português da Índia, diante da crescente concorrência da Espanha e dos Países Baixos nos Oceano Índico e Pacífico. &lt;br /&gt;• Companhia de Comércio das Índias Orientais – Foi fundada em 1628, sob o governo filipino. Foi logo extinta, em 1633, por falta de capitais.&lt;br /&gt;• Companhia Geral do Comércio do Brasil – Fundada em 1649, essa Companhia era, primeiramente, responsável por expulsar definitivamente os holandeses que ainda ententavam contra a costa brasileira. Também fazia o viés de revitalizadora dos processos de produção de açucar. Mas o seu monopólio tinha a função de comercializar e assim fornecer mão-de-obra escrava para a região Nordeste do Brasil; e, em segundo plano, garantir o abastecimento e a qualidade do açucar destinado à metrópole. Atuava nas capitanias brasileiras que iam do Rio Grande à São Vicente. Ímpar pelo seu regimento, que lhes conferiam o dever e direito de armar suas frotas e de construir navios em estaleiros importantes, tanto em terras lusitanas, quanto no ultramar. Detinha, por fim, o monopólio de vinhos, cereais, azeite e bacalhau a ser destinado à colônia na América, podendo fixar os preços dos produtos. Podia também exportar madeiras tropicais, pagando uma parte dos impostos à metrópole.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• Companhia de Cacheu, Rios e Comércio da Guiné -  1676, detinha o monopólio do comércio de escravos (direito ao tráfego na Guiné e no Cabo Verde; exportar escravos para Portugal e Américas), tecidos e marfim. Decai em 1682.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• Companhia do Comércio do Maranhão -  Fundada em 1682, detinha o monopólio de comércio com o Estado do Maranhão por 20 anos; tendo ainda privilégios de isenção de algumas taxas, de um juizo privado e da escravidão de indígenas que pudessem ser conquistados. Detinha também o comércio de escravos para a região, sobre a plantação e comercialização do açucar e do algodão, e o dever do transporte seguro desses gêneros ao seu lugar de destino. A Companhia começa a decair a partir do escandalo do abuso de poder dos seus diretores, que desvalorizavam e cobravam em excesso os gêneros, além de não cumprir acordos relativos ao tráfego de escravos para a colônia. Desse escândalo, resultou a eclosão da Revolta dos Beckman (em 1684) e à posterior extinção da Companhia em 1685.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• Companhia do Cacheu e Cabo Verde – Companhia criada por um Alvará Régio de 1690; visava a substituição da Companhia de Cacheu, extinta em 1682. Apresentava, portanto, objetivos mesmos: comercializar tecidos, marfim e escravos da Guiné e do Cabo Verde para o Brasil. Apresentou um curto período de sucesso, comcomitante ao seu monopólio de comércio de escravos na América espanhola (1696-1703). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;             2. Companhias de Pombal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“As companhias criadas sob inspiração do Marquês de Pombal deveriam ter uma função associada a Coroa, integrando um plano integrado de colonização formulado pelo Estado”. (JÚNIOR, 2004, p.23).  Está associação também tinha o intuito de fortalecer a elite mercantil portuguesa em detrimento do capital estrangeiro e dos anseios da elite colonial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• Companhia de Comércio da Ásia Portuguesa – Fundada em 1753, detinha o monopólio de 10 anos de comércio com a China e Índia. Suas pretenções logo tiveram que ser abandonadas; um maremoto ocorrido em Lisboa em 1755 (que destruiu os navios da Companhia e os produtos contidos neles);  as aspirações políticas do filho de seu principal acionista, Feliciano (que tentara derrubar o marquês de Pombal); e o reembolso de empréstimos concedidos pelos Estado português, trouxe-lhe prejuízos irreversíveis em 1760.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• Companhia Geral de Comércio do Grão-Pará e Maranhão -  Fundada em 1755, propunha o controle e o formento da atividade comercial nessa região. A partir da escravidão, traçou uma política de desenvolvimento agrário e do comércio; tendo para tanto, contado com inúmeros privilégios: monopólio de vinte anos para o tráfico de escravos, do transporte naval e de outras mercadorias para o Grão-Pará e Maranhão; dispunha também de navios da Armada Real para a escolta de seus navios de transporte; tinham o reconhecimento real dos seus funcionários (à serviço da Coroa); prioridade para as suas mercadorias nas Alfândegas; foro especial. Maria I extinguiu a Companhia em 1778, depois de ter paulatinamente retirado o privilégio do monopólio. A sua liquidação porém, só foi concluída em 1914.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• A Companhia Geral de Comércio de Pernambuco e Paraíba - Fundada em 1759, detinha o monopólio do comércio na área de Pernambuco e suas capitanias subalternas; como também do tráfico delas para a Costa da África. Possuia privilégios parecidos com os de sua congênere do Grão-pará e Maranhão. A empresa que em tese iria promover o dinamismo da empresa açucareira, maior circulação de numerário, promover empréstimos aos produtores coloniais, como também fortalecer a elite mercantil da capitania; foi um instrumento de barganha para os que ocuparam os cargos diretivos da respectiva Companhia, em Pernambuco. O empobrecimento da capitania como um todo, foi a principal causa para que a população pernambucana exigisse sua extinção. Foi destutuída de seus privilégios em 1780, mas suas liquidação se arrascou até o início do século XX.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro -  Fundada em 1756, detinha o exclusivo da produção e distribuição dos vinhos da região demarcada do Douro, os conhecidos vinhos do Porto, privilegiados com isenção de impostos no comércio e nas exportações. Estes tinham uma grande procura no mercado britânico e um peso crescente na balança comercial portuguesa, à época. A Companhia estabeleceu a primeira região vinícola demarcada do mundo. A resistência e a hostilidade dos ingleses e de boa parte da burguesia de negócios do Porto quanto à Companhia, antes e depois da sua formação, obrigaram Carvalho e Melo, em 1756–1757, a tomar medidas duras e repressivas, mas determinantes para o sucesso daquela Instituição, que veio a ter um papel determinante no crescimento. Os comerciantes da época aperceberam-se com surpresa de que os comuns vinhos do Dourienses, que pecavam pela sua aspereza e adstringência, ao casarem com a aguardente adicionada perdiam a sua acidez excessiva, amaciavam-se no paladar e os seus aromas eram consideravelmente realçados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• A Companhia Geral das Reais Pescarias do Reino do Algarve - destinava-se a controlar e fomentar a actividade da pesca no litoral sul do reino. 1773, à qual eram concedidos privilégios e garantias tais como o monopólio na exploração das pescarias em todo o Algarve, a redução de todos os direitos do pescado a 20%, e a entrega, à Companhia, de todo o espólio das armações pertencentes à Fazenda Real o que, em si, representava significativo aporte de capital. A Companhia, com sede em Lisboa, era composta por quatro membros (um dos quais residia no Algarve), eleitos pelos accionistas que detivessem, no mínimo, cinco acções. Possuía ainda três administradores, um em Lagos, um em Faro e outro em Tavira. As concessões da Companhia foram sempre anualmente renovadas até 1836, data da extinção da mesma.&lt;br /&gt;Após o vislumbrar das principais características de funcionamento das empresas, pode-se dizer que tanto em Portugal como na Espanha, a elite mercantil dirigente não era um joguete nas mãos do Estado, e sim o elemento poderoso no jogo capitalista. O homem de negócio ibérico tirou proveito da necessidade que realeza tinha de arregimentar capitais em torno das companhias, para que a partir delas, pudessem controlar o mercando ultramarino em seu próprio proveito. Estas artimanhas fizeram com que paulatinamente, os ódios da população das áreas monopolizadas aumentassem, como também promoveu o aumento do comércio ilícito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode-se dizer que até determinado ponto as companhias ibéricas atingiram seu objetivo principal: manter os impérios ibéricos. Mas não fez com que a economia destes países fosse estruturada, o que ocasionou no não aproveitamento da aceleração e acumulação de capitalista que outras nações européias usufruíram na época moderna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                      3.2 COMPANHIAS ESPANHOLAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas empresas dividem-se em dois grupos - aquelas formadas para comércio exterior, e aquelas formadas para fins internos dentro da Espanha (principalmente para promover a indústria têxtil).  A Compania de San Fernando de Sevilla se enquadra entre os dois, sendo formada principalmente, para o reavivamento da indústria têxtil em torno de Sevilha, mas também tinha a autorização de comerciarlizar com as colônias espanholas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      3.2.1. Companhias ultramarinas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• Compania de Honduras - Foi criada em 1714, para importar determinados produtos de madeira na área da América Central.  A empresa rapidamente desmoronou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• Real Compania Guipuzcoana de Caracas – Foi criada em 1728, por um grupo de comerciantes da província Guipuzcoa, na parte basca da Espanha, para o comércio com a província de Caracas, na Venezuela, com os objetivos de : desenvolver a sua agricultura, principalmente de cacau ; vigiar a costa para impedir o comércio ilegal com estrangeiros, principalmente os holandeses de Curaçau.  A empresa tinha o direito de enviar dois navios por ano a partir de San Sebastian ou Pasajes, carregando todos os tipos de mercadorias espanholas.  Para a viagem de regresso dos navios traziam metais preciosos, cacau, açúcar, tabaco e couros. Desde o início, a empresa foi muito rentável, pagando substanciais dividendos aos seus acionistas. A empresa abusou de seu monopólio, cobrando preços exorbitantes para os bens importados, além de baixar constantemente os preços pagos pelos produtos aos coloniais. Os desmandos desemborcaram, no ano de 1749, em uma rebelião por parte dos colonos.  Em desses desmandos da companhia, o governo espanhol reduziu os privilégios da empresa e introduzir preços fixos para a compra de produtos coloniais. Em 1781 a empresa perdeu o monopólio com a Venezuela, e em 1785 foi absorvido pela companhia Filipina.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• Compania de Galícia – formada com o intuito de preencher o espaço deixado pela companhia de Honduras, detinha o monopólio sobre corante advindo da madeira encontrada em Campeche. Durou poucos anos, pois o mercado de corante já estava nas mãos do ingleses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• A Real Compania de Comércio de la Habana – criada em 1740, essa empresa detinha o monopólio de comércio de mercadorias espanholas (essencialmente têxteis, porcelana e farinha)  e cubanas (tabaco, açucar e couro), sendo responsável também pelas transações entre esses dois países. Situada em Havana, tinha acionistas metropolitanos e criollos, mas logo sua relativa prosperidade decaiu, quando se descobriram fraudes da administração cubana (o diretor Arosteg fazia o uso indevido do monopólio para comercializar escravos, para lucro próprio); e a corrupção foi tamanha que, mesmo afastados os infratores, o monopólio foi perdido. Posteriormente, já bastante abalada e quase paralisada, a empresa sofre vários reveses, mas sua dissolução final só ocorre em meados do século XIX.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• Real Compania de Comércio de Barcelona – Empresa espanhola mais comentada, foi fundada em 1755 e detinha o monopólio do comércio com várias partes da América Central (São Domingos, Porto Rico e Ilha Margarita), bem como tarifas e privilégios (como o direito de travessias em Honduras e Guatemala). Pouco rentável no início, só detinha 2 navios, ilhas pobres e muitos prejuízos. Posteriormente, consegue, baseando-se no trabalho escravo, a concessão pela Coroa do comércio com outras ilhas e terras, como a Venezuela e Argentina. Atingiu seu climax em 1771, quando foi capaz de pagar suas primeiras dívidas. Porém decaiu em 1785, devido à falta de recursos, sendo depois incorporada pela Compania Filipina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• Compania de Filipinas – Empresa desenhada aos moldes da Companhia de Caracas, foi enfim posta em prática em 1785 (55 anos depois de ser pensada). Detinha o status de comercializar todos os produtos produzidos na metrópole com as colônias americanas ; assim como também produtos orientais. Incorporou as empresas de Caracas e Barcelona, e recebeu o monopólio de 20 anos para comercializar com as Filipinas, China e Índia. Enfrentou problemas diplomáticos e comerciais com a Holanda. Teve entre seus grandes acionistas, o Banco de San Carlos e os cinco grêmios de Madrid. Conseguiu manter um alto padrão lucrativo, até que a partir de 1789, começa a sofrer duros e sucessivos golpes (emissões de obrigações, baixas na frota, guerra espanhola contra a Inglaterra, Guerra Peninsular), mas consegue sobreviver até 1834, quando é formalmente dissolvida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;           3.2.2. As companhias internas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• Compania de Zarza la Mayor – criada em 1746, detinha amplos privilégios de  comercializar na própria Espanha e em países vizinhos a lã e a seda fabricadas em Extremadura; assim como as frutas e o couro. Abusou de seus privilégios, e acabou sendo unida com a Compania de Granada, fundando a Compania de Extremadura; o que apresentou um completo fracasso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• Real Companhia de Comercio y fábricas de Zaragoza – criada em 1746, a empresa detinha o comércio de todos os produtos industrializados de Aragão, com o intuito de promover essa área espanhola atrasada. Comercializava, sobretudo, o papel, a lã e a seda. Porém logo entrou em declínio; muitas foram as fraudes e a corrupção se alastrou na empresa, levando-a a falência em 1774.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• Real Compania de San Fernando de Sevilla – criada em 1747, tinha o intuito de promover os produtos da província, principalmente os de caráter têxtil. Vendia seus excedentes às províncias vizinhas e também para as colônias espanholas nas Índias; e detinha o comércio com áreas em que comercializavam também as Companias de Caracas e Havana. Corrupta e ineficaz, Foi dissolvida em meados de 1780, culminação de um processo de baixa crescente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• Compania de Granada – criada em 1747, detinha o monopólio do setor têxtil de Granada, podendo exportar para várias áreas circunvizinhas. Apresentou uma vida útil muito pequena, de apenas 3 anos, devido principalmente ao abuso de poderes monopolísticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• Compania de Comercio y fábricas de Toledo – Resultante da antiga companhia da província, foi formada em 1748 e detinha o monopólio têxtil da região. Posteriormente é unida as Companias de Extremadura e Granada, mas logo se separa destas. Apresentou sempre lucros modestos, decretando falência em 1755. Sobreviveu às duras penas até 1778, quando foi formalmente dissolvida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• A Compania General de Comercio y de los cinco grêmios mayores de Madrid (Guildas) – Grupo famoso de guildas (que produziam seda, lã e outros panos), de 1679, adquiriu privilégios, direitos e caracteres monopolísticos em 1731. Em 1732, já aparentava ser uma empresa bastante lucrativa e já fazia pequeno comércio às Índias. Foi um sucesso, sendo uma das principais companhias espanholas e se alargou rapidamente, alcançando o comércio com outras áreas, como Cidade do México, Vera Cruz, Lima e Guatemala. Formou escritórios comerciais em Londres, Paris e Hamburgo. Possuía sua própria frota de navios. Adquiriu posteriormente também o direito de recolher os impostos reais; controlando várias fábricas; construindo canais; fornecendo ao exército e marinha nacional os subsídios. Também ofereceu alimentos para Madri, dentre outras ações. Realizou por esses tempos, monopólio de comércio com o Marrocos, adquirindo também caracteres de Banco e principal financiador. Decaiu a partir de 1790 (devido as guerras espanholas, avanço das tropas napoleônicas, por fim, a Emancipação da América Espanhola); sendo finalmente liquidada na primeira metade do século XIX. Algumas de suas atividades continuaram sob uma nova Companhia, a Fabril de los cinco Gremios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• Compania de Comercio y Fomento de fabricas de San Carlos – Criada em 1767, detinha a função de desenvolver a indústria têxtil de Castela. Pouco lucrativa, foi dissolvida em 1773.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• Compania de Ezcaray – criada em 1773 com o intuito de promover o comércio dos produtos da região da Rioja, apresentou curta vida, sendo extinta logo depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                    4. COMPANHIAS INGLESAS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As Companhias de comércio inglesas surgem, como já foi visto, em meio a um contexto mercantilista no qual outras companhias européias se constiruíram. Entretanto, algumas companhias inglesas duraram muitos anos, sendo consideradas como o esteio do expansionsimo britânico. A Companhia das Índias Ocidentais é o exemplo máximo dessa afirmação. (JÚNIOR, 2004, p. 13)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A partir do século XV, começam a surgir na Inglaterra associações comerciais com características de companhias de comércio. A Company of Merchant Adventurers of London, resonsável pela comercialização interna e exportação de roupas de origem lanífera, é criada em 1407, através de uma Carta Real concedida por Henrique IV. Sua organização ainda é similar a uma grande “irmandade”, na qual todos os sócios são igualmente responsáveis pelos lucros e prejuízos da companhia. Essa forma estrutural é muito comum à outras companhias desse mesmo período, que seguiam uma lógica organizacional muito similar às das primeiras sociedades comericias italianas.&lt;br /&gt;É válido ressaltarmos que as ilhas britânicas ainda eram constituídas por regiões essencialmente agrárias. A Inglaterra dos primeiros anos do século XVI era um país “atrasado”, sem uma marinha forte e com a maior parte de sua população vivendo nas zonas rurais. (BRAUDEL, 1996, p. 395) Não obstante, havia uma nascente expansão de suas atividades manufatureiras, especialmente ligadas a produção têxtil. Paralelamente, Portugal e Espanha colhiam os frutos do comércio com as índias, enquanto o estado inglês “aceitou sem murmurar o duplo monopólio ibérico.” (CHAUNU, 1984, p. 314)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após a primeira metade do século XVI, outras duas importantes companhias foram criadas pela Inglaterra, suficientemente interessada em aproveitar-se das vantagens que cricundavam a expansão comercial moderna: a Muscovy Company e a Levant Company.&lt;br /&gt;A Muscovy Company, criada em 1555, tinha a intenção de manter comércio de peles e roupas em lã com a longíqua região onde atualmente se situa a Rússia. O império russo, além de ser um parceiro potencialmente rico, é relativamente próximo de uma das principais áreas visadas pelos ingleses: a China. (BRAUDEL, 1996, p. 374)  Já a Levant Company colocava-se em um ponto estratégico e se estabelecia em uma importante rota comercial  no Oriente Médio, onde as especiarias e produtos vindos de várias regiões eram comercializados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas companhias criadas não eram suficientes para uma Inglaterra, que já anseava pela quebra do monopólio espanhol e português. Era necessário estabelecer comércio direto com as Índias Orientais e, para tanto, comerciantes ingleses resolvem criar a primeira Companhia das Índias Orientais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1600, integrantes de muitas companhias se reuniram em prol de um projeto que visava ao estabelecimento de entrepostos mercantis na região do Índico. Para tanto, foi enviado um pedido à rainha Elizabeth no mesmo ano, para a concessão de monopólio na região das índias. Aceita a requisição, a Companhia das Índias Orientais envia suas primeiras embarcações ao Índico em 1601.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É válido ressaltar que a Inglaterra do século XVII já começava a contar com uma importante rede de banqueiros, financistas, transportadores e seguradoras; que tinham o papel de facilitar as transações comerciais das companhias e garantir a integridade das mercadorias. (MAURO, 1975, p. 29-31) A companhia das Índias Orientais, obviamente, colherá os benefícios dessa malha de infra-estrutura de transportes e comércio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começando com um capital inicial que girava em torno de 80.000 libras, a Companhia das Índias Orientais gerou lucros exorbitantes não só para os seus acionistas , mas também ao governo inglês, que recebia parte dos lucros em troca da concessão do monopólio. Karl Marx (MARX, 1853) faz duras críticas às relações entre governo e a Companhia, que se utilizavam, muitas vezes, da corrupção para garantir privilégios e lucros mútuos. É importante frisar que o corte temporal feito no artigo de Marx não atinge apenas a época da monarquia absoluta inglesa, mas também o período após a Revolução Gloriosa (1689), onde o Parlamento ganha mais poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A hegemonia dessa companhia, durante os séculos XVII e XVIII foi ameaçada não só por companhias de mesma finalidade criadas por outros países, mas por companhias constituídas no seio da própria Inglaterra. Essas últimas eram, vez ou outra, formadas no seio de setores insatisfeitos com os privilégios concedidos pela Coroa. No entanto, apesar das constantes crises enfrentadas, a Companhia das Índias Orientais teve um papel hegemônico no Índico e na China, absorvendo outras sociedades criadas posteriormente e fincando as bases para uma futura intervenção política nesses territórios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na parte ocidental do globo terrestre, os ingleses estabeleceram importantes relações comerciais no Atlântico. Na África Ocidental, o comércio inglês foi semelhante ao holandês e ao francês (MAURO, 1975, p. 51). A primeira Companhia com carta de privilégios foi fundada em 1618 e em 1672, foi criada a grande Royal African Company of England. Essa última foi uma gigante na comercilização de escravos africanos para as colônias portuguesas, espanholas, norte-americanas e as ilhas do Caribe. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na América Central, a Inglaterra contava com sólidas possessões no Mar das Antilhas (MAURO, 1975, p. 52). A produção agrícola nessas ilhas era voltada para a exportação e para a fabricação de “moedas de troca”  de escravos africanos. Além disso, parte do território hoje pertencente aos Estados Unidos da América, era oficialmente uma possessão inglesa. Ainda na América do Norte, a Inglaterra concede carta a Hudson’s Bay Company em 1670. Essa empresa disputou com os franceses o comércio de peles em territórios pertencentes, atualmente, ao  Canadá e Estados Unidos.&lt;br /&gt;                        5. COMPANHIAS DE OUTROS ESTADOS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          5.1 COMPANHIA SUECA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Suécia no reinado de Gustavo Adolfo, em 1619, criou a Companhia de Comércio da Suécia para controlar o cobre e depois o ferro. Os suecos possuíam grandes vantagens quanto ao cobre sobre o ferro, pois o ferro se encontrava em toda a Europa, enquanto na Suécia havia uma farta quantidade de cobre.Entretanto, a Suécia, para o ferro, levava a vantagem de ter um minério de ferro altamente qualificado e puro. A qualidade do produto colocava a Suécia em posição confortável sobre as outras nações européias. Argumenta Wallerstein que a Suécia “conseguiu concorrer, e muito eficazmente, tirando partido de uma questão de sorte e transformando-a numa vantagem sócio-econômica”. A participação do Estado foi decisiva para a Suécia. &lt;br /&gt;A extração do ferro remontava na Suécia pelo menos ao século XII. Já então a fina qualidade do seu ferro maleável, o osmund, era conhecida em toda a Europa. Foi Gustavo Vasa o primeiro que, na primeira metade do século XVI, se irritou ao ver que o osmund de baixo preço era exportado para a Alemanha, para ser forjada em barras de alto preço. Para acabar com esta fuga de recursos, mandou vir técnicos alemães e criou forjas na Suécia. Apesar disso, continuou a produzir-se mais osmund que ferro em barra. O osmund representou dois terços da produção até ao período de 1600 a 1650, altura em que a proporção de ambos se equilibrou. Lançou-se uma indústria de aço. A passagem da extração de osmund para a forja de ferro em barra exigiu um investimento de capital considerável, em boa parte adiantado pelo rei.(WALLERSTEIN apud KAMINISHI)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Suécia concentrou esforços na expansão político-comercial, no comércio marítimo e na frota mercante. Porém, os recursos foram insuficientes para a manutenção da política sueca. A Suécia tinha uma população muito escassa em termos europeus e, portanto, uma pequena base financeira para o seu aparelho de Estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            5.2 COMPANHIAS FRANCESAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira tentativa francesa de instalar uma Companhia privilegiada de comércio se deu no governo de Luis XI, que decidira implantar uma companhia de comércio no mediterrâneo, bem anterior às grandes navegações. A tentativa se mostrou fracassada; e frustrou algumas que vieram posteriormente, até cerca do século XVII.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais tarde, a idéia de implementação de tais Companhias encontram maturidade principalmente a partir do governo de Luis XIV. Richelieu foi o primeiro estadista que  encorajou a criação de Companhias de Comércio (como a de Morbihan e a dos Cem associados no Canadá). Posteriormente, essa iniciativa encontrou em Colbert um grande defensor. Colbert participou do planejamento e instauração de cerca de 10 Companhias, sendo, portanto, o maior implementador dessa empreitada, que visava à unção de súditos e Estado, para um comércio forte e global.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1603, a “França” viaja formalmente para as Índias; e, numa tentativa de assegurar o monopólio da colonização em terras “conquistadas” , Henrique IV autoriza a primeira Compagnie des Indes Orientales em 1604. Essa Compagnie contou com todo um aparato governamental; que lhe assegurou o monopólio dos produtos extraídos por 15 anos. Mas, é apenas em 1610 que podemos destacar uma certa relevância da empresa, quando ela conta com viagens regulares e com uma pequena frota. Porém, logo a empresa é extinta: a organização da frota, utilizando-se de aparatos e tecnologia holandesa, acaba por irritar a VOC, causando sérios embaraços externos com as Províncias Unidas.  Outras tentativas foram realizadas de restauração ou implantação de uma nova Compagnie, em 1615 e em 1635.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos destacar que, apesar de inúmeras tentativas, apenas em 1664 a implementação de Companhias francesas de Comércio aparentam ser uma bom negócio. Nesse ano, Colbert instala suas duas principais Companhias: As Compagnies des Indes Orientales e Ocidentales; empresas autárquicas, porém voltadas também à receita estatal. &lt;br /&gt;A Compagnie des Indes Orientales, responsável pelas relações no hemisfério oriental, apresentou uma vida útil de 55 anos (1664-1719), e era resultado direto da fusão de três importantes Companhias: a Compagnie D´Oriente, a Compagnie da China e a Compagnie de Madagáscar. Detinha o monopólio por 50 anos do Índico e Pacífico, assim como todas as Ilhas e Terras que podia conquistar. Apresentou durante seus dez primeiros anos, fracasso, apesar da grande venda inicial de ações; e fracassada também se tornou sua tentativa de ocupação e colonização a Madagascar (transformada em principal Ilha de extração). A Companhia apresentou relativo progresso chegando, inclusive, a aumentar sua rota comercial com a implantação, em 1668, de escritórios comerciais espalhados pela Índia. Porém em 1671, seu transporte marítimo decaia, devido aos maus negócios, trazendo ruína e guerras constantes em 1672. Em 1682, a empresa perde o monopólio devido à desconfiança da Coroa; mas luta até 1719, quando é formalmente dissolvida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Compagnie des Indes Ocidentales, responsável pelas relações no hemisfério ocidental, foi bem menos sucedida do que sua gêmea Oriental. Durou cerca de dez anos (1664-1674), apesar de gozar de grandes privilégios cedidos pelo governo; como o monopólio de comércio e colonização dos importantes territórios do Canadá, Antilhas, Cayenne e todos que pudessem vencer na América Central e também do Senegal e costa da Guiné. Contava, para tanto, com 40 anos de monopólio em que só se pagava metade dos direitos à Coroa. Sua ruína se dá em 1764, quando o Rei lhe retira os privilégios e reúne sob sua égide, novamente, os territórios envolvidos. Após sua dissolução; parte advinda das constates guerras com a Inglaterra, parte devido a desconfiança estatal na Companhia; muito se foi feito na tentativa de não- cessação total do comércio com esses territórios. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1717, o banqueiro John Law funda a Compagnie d´Ocidente (ou Du Mississipi), também em resposta às reivindicações desses comerciantes. Essa importante Companhia detinha por 25 anos o monopólio do comércio de pele de castor canadense e da exploração de territórios franceses no além-mar ocidental. Porém só dura até 1719, quando junto com Compagnie des Indes Orientales e outras, funda a maior e mais importante Companhia francesa: A Compagnie des Indes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta Compagnie des Indes durou cerca de 70 anos; e representou, portanto, um rearranjo de importantes empresas nacionais; como a Compagnie d´Ocidente, a des Indes Orientales, a Compagnie da China, a de Santo Domingo, da África, Guiné e Senegal. Ela realizou, a partir de então, a unção também de todos os monopólios dessas empresas; tendo recebido, posteriormente, o monopólio de todos os comércios ultramarinos franceses. Através de sua fusão com o Banco Royale, ganhou o direito nunca concedido anteriormente a uma empresa comercial, o de emitir notas. Porém essa fusão resulta num colapso apenas um ano depois e faz com que a Companhia decrete falência em 1721. Limitou-se ao comércio, e em 1722, conseguiu se reorganizar e resistir, recebendo em 1723, um voto de confiança de Luis XV, que concede a ela livre privilégios, principalmente sobre o monopólio de tabaco e café.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até 1626, a empresa progride; mas esse ano marca, acima de tudo, o começo do período áureo da Companhia, que dura até 1746. Esses 20 anos representam anos de grandes feitos, como o pagamento de dívidas anteriores e trazem riqueza e prosperidade para os principais portos franceses, como o L´Oriente. Nesses tempos também se estabeleceu em vários escritórios na Índia, Cantão, Lêmen, Pérsia, Basra e Norte da África; que eram responsáveis pelo comércio de porcelanas, papéis de parede, lascas e chá da China, pano de algodão e seda da China e Índia, café do Lêmen, pimenta do Mahé, ouro, marfim e escravos da África.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1746, a companhia começa a decair; fato acelerado pelas guerras francesas com a Inglaterra, principalmente a dos Sete Anos, que traz mais ruína à França, que perde navios nos combates, e territórios de bastante valor, como a região canadense. Em 1769, a Coroa francesa, que sempre fora desconfiada quanto a Companhias privilegiadas de Comércio, retira o monopólio de sua principal Companhia monopolística. A situação se agrava e, em 1770, o Rei lança um edital exigindo que a Companhia transfira todos os bens, direitos e propriedades para o Estado francês, cabendo à Coroa, a partir de então, a liquidação das dívidas dos acionistas e as anuidades das ações até a liquidação total. Essa atitude reinol extingue em 1770 a Companhia, e sua junta de liquidação termina os trabalhos em 1790.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luis XVI tenta, em 1785, criar uma nova Companhia, na tentativa de gerir o comércio e manter os comerciantes sob seu domínio. A essa nova Compagnie des Indes, é dado um monopólio de 7 anos de comércio com todos os territórios ao leste do Cabo da Boa Esperança. Possuía uma frota média de 11 navios, que faziam escassas e regulares viagens à Índia e Ásia; e prospera até meados de 1790, quando a Assembléia Nacional revolucionária retira seus privilégios em 1790. Comercializa até fins do século XVIII, mas sua liquidação se dá apenas em 1826.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, escritórios de comércio e portos indianos continuam sob égide francesa até 1949.&lt;br /&gt;                   &lt;br /&gt;                            5.3 COMPANHIA DINAMARQUESA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A principal Companhia privilegiada dinamarquesa de comércio foi a East India Company, empresa baseada nas contemporâneas holandesas e inglesas. Nunca alcançou a potência e a capacidade de monopólio de comércio de uma região, assim como foi tida como bastante frágil e intimamente ligada ao bel-prazer reinol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi instaurada em 1616, pelo monarca Christian IV e contou, logo de início, com a desconfiança dos comerciantes nacionais. Empresa instalada com a parceria da Holanda fez de Tranquebar sua principal possessão além-mar; sua colônia e ponto de referência na Índia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi tida como de pequeno porte; e, viajando a partir de 1618 (com o objetivo de alcançar a costa Coromandel e firmar acordos com o Ceilão) fez cerca de sete viagens de Tranquebar à Companhag, metrópole dinamarquesa. Apresenta, nos primeiros anos, ineficiência comercial; devido, sobretudo aos inúmeros naufrágios e ao pouco dinheiro lançado na empreitada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ocupa efetivamente Tranquebar em 1621 e os dinamarqueses passam a comercializar sobre duas principais rotas: a de pimenta, vinda de Tenasserim, e a de Massacar, de cravo. A partir de então participam do chamado “país de comércio”, adotando em 1625, uma postura essencialmente neutra no comércio global; e criando por outro lado, uma extensa rede de escritórios na Índia, a exemplo de outros países contemporâneos. A partir dessa posição, ocorrem sucessivas transferências de poder, advindas, sobretudo da crise monetária e comercial (que começa a se revelar em 1627 e desemboca com o bloqueio marítimo a Tranquebar em 1639); e uma insistência cada vez mais impertinente do Rei em manter a empresa colonizando uma Tranquebar já bastante combalida. Em 1639, dois navios (os últimos por um período de 29 anos) são mandados pelo Rei na tentativa de findar os impasses em Tranquebar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir de 1640, a situação de Tranquebar piora. Isolada, sem apóio da metrópole (comprometida com seus próprios problemas externos), se vê assolada por uma afinidade de guerras com ilhas e territórios vizinhos; além de motins dinamarqueses na colônia. 1648 assume papel chave nesse processo: ano do motim , enfim, tira Leyel do comando supremo de Tranquebar (comando designado pela Companhia e pelo Rei) e instaura sucessivos governos não-oficiais na colônia. Também foi o ano da morte de Christian IV. Isso faz com que, em 1650, pressionado por acionistas, Frederico III, seu sucessor, enfim dissolvesse a sociedade, pondo Tranquebar na posição, mais uma vez, de “terra de ninguém”; não-colonizada pela Companhia nem pelo Reino, preocupado com guerras religiosas e externas contra, principalmente, a Suécia.&lt;br /&gt;Tranquebar resiste a duras penas, e em 1669, o bloqueio de 29 anos chega ao fim: a fragata Faero parte de Compenhag, com a tentativa de reavivar a colônia (expandindo-a e firmando acordos de paz com as terras em guerra, além de proclamar Andersen comandante supremo);  e instaura, em 1670, uma segunda East India Company. Esta segunda empresa tenciona novas rotas de comércio com Bantam e a Ilha de Sunda. Detinha 40 anos de monopólio, privilégio subscrito numa carta régia. Após relativo progresso, recebe de Christian V mais 40 anos de monopólio. Esse período é reconhecido como o período áureo da Companhia, em que muitas negociações importantes são tratadas, e o comércio apresenta lucros bastante significativos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fim dessa Companhia começa a se dar a partir da primeira década do século XVIII; devido principalmente às Grandes Guerras do Norte, que causam prejuízos incalculáveis ao reino da Dinamarca, e consequentemente, à Companhia. Mesmo depois da paz de 1720, pouco pode ser feito no sentido de recuperar a economia da Companhia. Em 1726, Frederico IV recusa um pedido de ajuda à Companhia, e em 1729, os acionistas dissolvem a lucrativa empresa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                              CONCLUSÃO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse breve trabalho a respeito das companhias modernas de comércio, procurou-se caracterizar essas empresas, suas formas de organização e sua relevância econômica e política para as metrópoles européias; em meio a um contexto de competição entre as potências européias. Essas potências procuravam garantir privilégios e postos de influências em regiões produtoras de produtos valiosos no mercado internacional ou em zonas de intercâmbio comercial.&lt;br /&gt; Assentamos as bases dessa pesquisa nas obras de alguns renomados estudiosos, que tratam desse tema tão importante a respeito das práticas comerciais e suas influências na construção dos estados modernos europeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pudemos acompanhar a criação dessas sociedades em vários países, sendo observados os interesses expansionistas que pululavam no universo do comércio além-mar europeu e a estreita relação que a maior parte delas possuía com os Estados Nacionais modernos. Também foram vistas algumas causas de sucesso ou fracasso desses empreendimentos comerciais, que representavam a mentalidade “colonizadora” presente em diversos países da Europa durante a Idade Moderna. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, esperamos ter contribuído, ao menos de forma modesta, para o entendimento geral da relevância das Companhias de Comércio na construção histórica de interações comerciais e políticas entre as mais variadas regiões, desde o Atlântico ao Pacífico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7. BIBLIOGRAFIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ARRIGHI, Giovanni. O longo Século XX. Dinheiro, poder e origens do nosso tempo. RJ/SP: Contaponto/Edunesp, 1996.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AZEVEDO, J. Lúcio. Épocas de Portugal Econômico, 4ª ed., Lisboa: Clássica Editora, 1988.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BETHELL, Leslie (ORG.). 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Disponível em : http://www.scholiast.org/history/tra-narr.html&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RIBEIRO JÚNIOR, José. Colonização e Monopólio no Nordeste Brasileiro: a Companhia Geral de Pernambuco e Paraíba (1759-1780), 2ª ed., São Paulo: Hucitec, 2004.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SHAKESPEARE, Howard. The Compagnie des Indes. Publicado em versão impressa no Diário da Internacional Bond &amp; Share Society, em fevereiro de 1997. Disponível em: http://www.booneshares.com/Indes.htm&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SHAKESPEARE, Howard. Real Trading Companies. Publicado em versão impressa no Diário da Internacional Bond &amp; Share Society, outono de 1989.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SHIKIDA, Cláudio D. Companhias Privilegiadas de Comércio: Um Esboço Inicial com Ênfase em Problemas de Agência. Artigo, 2004.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VAINFAS, Ronaldo (org.). Dicionário do Brasil Colonial, 1500-1808.  Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2000.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; KAMINISHI, Mirian. 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Disponível em: http://74.125.47.132/search?q=cache:Zb8bApYT5s8J:www.tede.ufsc.br/teses/PCNM0163.pdf+%22companhia+de+comercio%22+suecas&amp;cd=15&amp;hl=ptBR&amp;ct=clnk&amp;gl=br&amp;client=firefox-a&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5559236354249669679-894259349066774120?l=profbiuvicente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://profbiuvicente.blogspot.com/feeds/894259349066774120/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5559236354249669679&amp;postID=894259349066774120' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5559236354249669679/posts/default/894259349066774120'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5559236354249669679/posts/default/894259349066774120'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://profbiuvicente.blogspot.com/2009/06/companhias-de-comercio-na-idade-moderna.html' title='Companhias de Comércio na Idade Moderna'/><author><name>Biu Vicente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16556163874053147345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5559236354249669679.post-1657983038973697370</id><published>2009-06-04T11:47:00.002-03:00</published><updated>2009-06-04T12:13:15.352-03:00</updated><title type='text'>O Bairro de São José</title><content type='html'>UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO &lt;br /&gt;CENTRO DE ARTES E COMUNICAÇÃO - CAC&lt;br /&gt;CURSO DE BACHARELADO EM TURISMO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bairro de São José&lt;br /&gt;História, Características e Aspectos Turísticos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trabalho realizado pelas seguintes alunas do Curso de Turismo 2009.1 da Universidade Federal de Pernambuco:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Camila Brito Lima&lt;br /&gt;Isabela Micheli Farias&lt;br /&gt;Isabella Miranda Marques Soares&lt;br /&gt;Roberta Carla Cunha Lopes&lt;br /&gt;Thairine Araújo de Freitas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;do curso de Turismo como requisito para obter nota na disciplina História da Cultura ministrada pelo Professor Severino Vicente da Silva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recife, 2009&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SUMÁRIO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. História do Bairro de São José&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Pontos Turísticos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.1.      Igrejas&lt;br /&gt;• Pátio de São Pedro dos Clérigos&lt;br /&gt;• Igreja de Nossa Senhora do Terço&lt;br /&gt;• Basílica de Nossa Senhora da Penha&lt;br /&gt;• Igreja de Nossa Senhora do Carmo&lt;br /&gt;• Igreja de Nossa Senhora do Livramento dos Homens Pardos&lt;br /&gt;• Igreja de São José&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.2.      Museus, Memoriais e Centros Culturais&lt;br /&gt;• Museu de Arte Popular&lt;br /&gt;• Museu do Trem&lt;br /&gt;• Forte das cinco Pontas (Museu da Cidade do Recife)&lt;br /&gt;• Monumento Frei Caneca&lt;br /&gt;• Casa da Cultura&lt;br /&gt;• Memorial Luiz Gonzaga&lt;br /&gt;• Memorial Chico Science&lt;br /&gt;• Casa do carnaval&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.3.      Mercado de São José&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; 4.   Em época de carnaval...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; 4.1     Galo da Madrugada&lt;br /&gt; 4.2     Batutas de São José&lt;br /&gt; 4.3  Estudantes de São José&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; 5.   Hoje no Bairro São José (Dados)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; 6.   Conclusão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; 7.   Referências&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. História do Bairro de São José&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bairro de São José, um dos mais antigos e tradicionais bairros do Recife, possui uma área de 178 hectares e uma população de 8.653 habitantes (Censo de 2000, do IBGE- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Nos seus primórdios, o local correspondia junto com o bairro de Santo Antônio, ao que já foi a ilha de André de Albuquerque. O bairro foi desmembrado da freguesia do Santíssimo Sacramento de Santo Antônio, através da Lei Provincial nº 132, de 2 de maio de 1844.  Durante um certo período, foi chamado de Campina do Taborda. No início era habitado por pescadores e na área existiam as famosas “Cacimbas de Ambrósio Machado”, próximo das quais os holandeses construíram, em 1630, o forte Frederico Henrique, hoje denominado Forte das Cinco Pontas. Depois de vários aterros e outros melhoramentos o local começou a receber um número maior de moradores, principalmente a partir de 1875, quando em 7 de setembro daquele ano, foi inaugurado o Mercado de São José, na antiga Ribeira do Peixe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Situado na parte central e mais urbana da cidade tem como referências o Mercado de São José; o estuário do Pina; a antiga Casa de Detenção, hoje transformada em Casa da Cultura; a Estação Central, onde hoje se encontra o Museu do Trem; a Praça Sergio Loreto e, sua espinha dorsal, as ruas da Concórdia e Imperial. Onde atualmente se encontra a praça do mercado de São José, existia, em 1787, um pequeno comércio de verduras e frutas conhecido como a Ribeira de São José. Foi no bairro de São José que, em 1825, Antonio José de Miranda Falcão, montou uma tipografia e fundou o Diário de Pernambuco, o jornal mais antigo em circulação da América Latina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na década de 1930, o bairro era habitado por comerciantes, funcionários públicos, comerciários, portuários e outros representantes da classe média do Recife. Porém, há muito tempo, o bairro deixou de ser uma zona eminentemente residencial. São poucas as famílias que lá residem e não existem mais quintais e hortas como antigamente. A Rua das Calçadas se transformou em uma área movimentada de comércio na cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O carnaval do Recife tem muitas de suas tradições ligadas ao bairro. Além dos blocos Batutas de São José, Donzelos, Traquinas de São José, Prato Misterioso, Pão Duro, entre outros, foi sede de importantes clubes carnavalescos como o Clube das Pás Douradas, dos Vasculhadores e do Clube Vassourinhas, apelidado carinhosamente de “Camelo de São José”, além da escola de samba Estudantes de São José, que como o nome diz, foi criada pelos estudantes da vizinhança. Os ensaios de rua dessas agremiações, antes do carnaval, levavam multidões às ruas do bairro, dançando o frevo e cantando as músicas da época na maior animação. É do bairro também que sai, desde 1977, no sábado de Zé Pereira “o maior bloco carnavalesco do mundo”, O Galo da Madrugada, anunciando a chegada de Momo. Ao longo do bairro se encontram várias igrejas como a Basílica da Penha, construída pelos capuchinhos franceses em 1856; a de São José, edificada em 1864 e cujo padroeiro deu seu nome ao bairro; a de Nossa Senhora do Terço; a de São José de Ribamar, localizada próximo ao cais de Santa Rita e, antigamente também, a dos Martírios, demolida em nome do desenvolvimento urbano. &lt;br /&gt;O bairro possuía quatro cinemas, o Moderno, na Praça Joaquim Nabuco, o São José, na Rua das Calçadas, o Ideal, na Vidal de Negreiros e o Glória, na Praça do Mercado, o único que ainda resiste, mas onde somente se apresentam filmes da linha pornô. No local da atual Avenida Engenheiro José Estelita, em frente ao estuário do Pina, havia apenas um caminho de terra batida ou de areia da praia, onde circulavam – e às vezes atolavam – carros e carroças puxadas a cavalo e transportadoras de feno.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Na área também se jogava futebol, se empinava papagaio e quando a maré baixava, boa parte do local se transformava em mangue, aonde muitas pessoas iam, com seus ganchos e latas, pescar crustáceos. Pelas ruas do bairro era realizada, antigamente, a Corrida da Fogueira. Começava no Largo da Paz, em Afogados, passava por toda a rua Imperial, dobrando à esquerda na praça Sérgio Loreto, seguindo pela rua da Concórdia, rua do Sol e tendo seu ponto final na avenida Rosa e Silva, na sede do Clube Náutico Capibaribe, promotor do evento. Durante todo o trajeto, havia pelas calçadas uma grande quantidade de curiosos e torcedores que aplaudia, brincava e xingava os concorrentes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, o velho bairro de São José encontra-se desfigurado, com alguns imóveis em ruínas, problemas sociais, de higiene urbana e de trânsito. Como um patrimônio da cidade do Recife e dos recifenses merece ser restaurado e preservado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Pontos Turísticos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2.1 Igrejas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Pátio de São Pedro dos Clérigos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Pátio de São Pedro, tal qual sua configuração urbana atual, surgiu da construção da igreja que lhe deu o nome nas primeiras décadas do século XVIII. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes da edificação da igreja, havia no local apenas uma horta e seis casas de morada assentadas junto às trincheiras holandesas. As casas foram destruídas para dar início à construção da igreja em 1728, tendo sido, inclusive, aproveitada parte do material demolido do casario na obra da igreja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em mapas do século XVIII, como em um datado de 1771, pode-se visualizar a ocupação do lugar e a forma do Pátio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por esse plano de Santo Antônio pode-se ver que a Igreja de São Pedro dos Clérigos está isolada, entre dois espaços não-construídos, sendo aquele fronteiriço à fachada principal da igreja o Pátio de São Pedro dos Clérigos. Um espaço mais amplo do que o outro e que, a partir de seu formato – um trapézio que se afunila em direção à igreja, propicia um maior destaque ao monumento religioso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A configuração urbanística do pátio era isolada do resto do conjunto urbanístico da cidade por meio de quadrilátero quase fechado por casas que circundam a igreja. É provável que tal configuração mais ou menos hermética, com perspectivas marcantes, tenha sido propositalmente pensada pela Irmandade de São Pedro dos Clérigos, já que, antes da construção da igreja, se passou bastante tempo entre a tomada de decisão até a idealização definitiva da planta. Tudo indica que o conjunto de casas também foi pensado, já que passavam a pertencer à irmandade as seis moradas e a horta. &lt;br /&gt;Essa forma do Pátio, a inserção da igreja, o desenho das ruas e a forma das quadras são muito próximas da configuração atual, tendo havido apenas pequenas transformações ao longo do tempo, como se pode ver no item Integridade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É provável que nos séculos XVIII e XIX, como apontou o historiador pernambucano José Luiz Mota Menezes em entrevista, o Pátio fosse ocupado por moradias de pessoas não-abastadas. Segundo o historiador, desde os planos para a Ilha de Antônio Vaz, no período da ocupação holandesa, o bairro foi pensado como local de moradias simples. Os vestígios dessa simplicidade estão nas dimensões das casas. Essa suposição é corroborada pelos estudos do arquiteto Nestor Goulart Reis, publicados no livro Quadro da Arquitetura no Brasil, que relaciona as casas térreas a moradores de posses limitadas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pátio deve ter tido sua importância na vida religiosa da paróquia local, mas, como não existem significativos registros da vida cotidiana no Pátio, não é possível balizar o grau dessa dinâmica.  Segundo José Luiz Mota Menezes, citado em monografia do historiador Fernando Guerra, os pátios do Recife nasceram com funções religiosas, porque as cidades coloniais eram organizadas de acordo com princípios religiosos. Eram, então, usados para realização de procissões, missões e outros rituais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Igreja de Nossa Senhora do Terço&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pequena igreja de Nossa Senhora do Terço, situada no tradicional Pátio do Terço, no bairro de São José, encontra-se entre a rua Direita e a rua das Águas Verdes. Parece um "ferro de engomar", afirmam alguns: alta e esguia, como um campanário, e com uma torre, apenas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Durante a presença holandesa no Recife, o conde Maurício de Nassaudesejou atribuir uma cor moderna à cidade. Para tanto, no local onde se encontra o Pátio do Terço, ordena a abertura de canais, a drenagem de terras alagadas, o levantamento de trincheiras com fossos e estacadas, entre outros.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Quando os flamengos são expulsos, aquele lugar fica sendo conhecido como "a estrada da cidade, para quem viesse do lado do continente". Até as primeiras décadas do século XVIII, no começo da Rua dos Copiares (chamada, hoje, de Rua Cristóvão Colombo), existia um nicho, com uma imagem de Nossa Senhora, onde os viajantes se ajoelhavam e rezavam um terço à Virgem Santíssima. Como a localidade havia se tornado um ponto importante, a Igreja de Nossa Senhora do Terço foi ali erguida: na antiga Rua dos Copiares.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A Irmandade de Nossa Senhora do Terço, por outro lado, só é instalada, na capela de Nossa Senhora do Terço, no dia 19 de setembro de 1726. Na metade do século XIX, tal capela já se encontrava quase demolida, quando, por iniciativa da Irmandade, o novo templo é construído.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Antes disso, porém, um acontecimento histórico tem lugar às portas da igreja: a condenação, à forca, do frade revolucionário da Confederação do Equador, Frei Joaquim do Amor Divino Caneca.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Entretanto, como ninguém se prestou a enforcar Frei Caneca, na igreja de Nossa Senhora do Terço, os soldados levaram-no a pé, por toda a extensão do Pátio do Terço, até o Largo das Cinco Pontas, onde o frade termina sendo morto a tiros de espingarda, junto à igreja de São José, a despeito da comoção popular.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A capela-mor e um dos altares da igreja de Nossa Senhora do Terço foram entalhados pelo mestre pernambucano José de Souza. No templo, pode-se apreciar um coruchéu (parte mais elevada de uma torre) de azulejos, com jarros ornamentais e uma balaustrada elegante; um sino; uma pequena cruz com anjos; uma janela com balcão de grade; um relógio e uma data: 1726.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Algumas imagens estão, também, presentes na igreja: Nossa Senhora do Terço, Senhor Bom Jesus, Santo Antônio, São João, São Brás, São Manuel da Paciência, Nossa Senhora das Angústias, São Sebastião, Santa Rita de Cássia e Nossa Senhora da Soledade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Basílica de Nossa Senhora da Penha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A construção da Igreja de Nossa Senhora da Penha, na cidade do Recife, capital do Estado de Pernambuco, teve inicio em 1870. Durou cerca de 12 anos, sendo inaugurada em 1882. Seu arquiteto e construtor foi o frade capuchinho de Vicenza. A Basílica é de estilo coríntio e é o único exemplar do Recife. A igreja é uma replicada Santa Maria Maior (Roma-Itália). Tem a forma de uma cruz latina e mede 65,70cm de comprimento, com 28,40cm de largura; a cúpula nas duas laterais; no cimo das colunas de sustentação da cúpula, encontram-se quatro figuras em afrescos, que representam os quatro evangelistas: Mateus, Marcus, Lucas e João. Rara beleza encontrada no Brasil, datada de 1950, de autoria do pintor pernambucano Murilo La Grecca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1949, o papa XII declarou-a Basílica Menor. Nesta igreja, encontra-se o maior acervo de relíquias no Brasil, entre elas: São Félix, Santo Urbano e São Clemente. Também se encontram guardados, num suntuoso mausoléu, os restos mortais de Dom Vital*, aberto à visitação dos fiéis. A Basílica da Penha, como é conhecida por muitos, destaca-se pela sua atividade religiosa de atendimento aos fiéis pelos Frades Menores Capuchinhos, principalmente, às sextas-feiras com celebrações eucarísticas, atendimento de confissão auricular e a tradicional benção de São Félix de Cantalice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Quem foi Dom Vital?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vital Maria Gonçalves de Oliveira, bispo capuchinho brasileiro, nasceu em 27 de novembro de 1844, no Engenho Aurora, Pedras de Fogo, freguesia de Itambé, Pernambuco, divisa com a Paraíba. Filho do Capitão Antonio Gonçalves de Oliveira e de D. Antônia Albina de Albuquerque, D.Vital iniciou seus estudos sob a direção do Padre Antonio Generoso Bandeira, na Escola Pública de Itambé. Em seguida, mudou-se  para o Recife, onde estudou no Colégio Benfica, que era dirigido por sacerdotes. Foi aluno destaque e logo conquistou a estima dos mestres e colegas. Entrou para o Seminário de Olinda e recebeu a tonsura (cerimônia religiosa em que o bispo dá um corte no cabelo do ordenado ao conferir-lhe o primeiro grau do clericato) das mãos de D. João da Purificação, em 1861, merecendo a distinção de ir estudar Teologia no Seminário de Issy, em Paris, onde ficou até 1863, quando entrou para o Convento dos Capuchinhos, em Versailles.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Em 1868, concluiu seus estudos sacerdotais em Toulouse, na França. Retornado ao Brasil, ensinou Filosofia no Seminário Maior de São Paulo. Em 1871, D. Vital foi escolhido pelo Imperador D. Pedro II para ser o bispo de Olinda. Em maio de 1872, com apenas 27 anos, D. Vital assumiu a sua Diocese, sendo recebido com solenidade e tomando posse de seu cargo na Igreja do Espírito Santo. Logo iniciou campanha contra a Maçonaria, o que originou a chamada Questão Religiosa. Nessa época, a Maçonaria era proibida pelo Papa aos católicos. Todavia, no Brasil, a Maçonaria atuava normalmente e era seguida pela maioria das personalidades do Império e até havia prestado relevantes serviços no processo de independência do Brasil.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Dom Vital encontrou na Diocese muitos padres maçons e confrarias governadas por maçons, em cujas mãos estavam às chaves das igrejas e até as do sacrário. O próprio Primeiro Ministro, da época, o Visconde de Rio Branco (José Maria da Silva Paranhos) era Grão- Mestre da Maçonaria. Por ocasião das comemorações da Lei do Ventre Livre,  a Maçonaria organizou , no dia 2 de março de 1872, uma festa que foi prestigiada por grande número de pessoas. Falaram diversos oradores e entre eles o Padre Almeida Martins, que fez um discurso em perfeito estilo maçônico, publicado nos jornais e divulgado pelo Brasil, causando um grande escândalo. Em decorrência desses acontecimentos o Padre Almeida foi punido pelo Bispo do Rio de Janeiro, D. Pedro Maria de Lacerda, com a suspensão das suas funções eclesiásticas. Por este ato, as Lojas maçônicas declararam-se ofendidas e a 16 de abril do mesmo ano, realizaram uma assembléia geral para tomar resoluções sobre o caso. O próprio chefe do governo dirigiu a assembléia e propôs:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;1. Iniciar pela imprensa uma campanha contra os bispos e a igreja. &lt;br /&gt;2. Convidar todos os maçons dissidentes e se unirem.&lt;br /&gt;3. Recolher fundos para as despesas da luta.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fundaram-se novos jornais, órgãos declarados da maçonaria. Os principais foram: A Família, no Rio de Janeiro; Correio Paulistano, em São Paulo; O Maçom, no Rio Grande do Sul; O Pelicano, no Pará; A Fraternidade, no Ceará; A Labarum, em Alagoas; A Família Universal e a Verdade, no Recife. O governo e depois o Barão de Penedo, acusaram D. Vital de ter perturbado o Brasil. Mesmo antes da chegada de D. Vital ao Recife, a imprensa procurou semear desconfiança contra o novo bispo, chamando-o de homem perigoso e frade de espírito inquisitorial. D. Vital iniciou com apoio do bispo D. Antonio Macedo Costa, campanha contra a maçonaria, impondo restrições às confrarias, cujos membros foram convidados a abandonar a maçonaria, ficando suspensos os que não o fizessem. As Irmandades suspensas por D. Vital apelaram para a Corte. O bispo foi interpelado, mas negou-se a explicar ao Ministro Visconde do Rio Branco a razão de seus atos, que considerava de exclusivo domínio da hierarquia da Igreja. Entre os padres, havia alguns menos cumpridores de seus deveres, sobressaindo-se o popular padre Joaquim Francisco de Faria, de Olinda, que depois de advertido, foi suspenso, o que motivou cenas de vandalismo por parte de seus amigos e de arruaceiros, encabeçadas por figuras notáveis do partido liberal.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;No dia 14 de maio de 1873, a Igreja dos Jesuítas foi invadida e depredada, ferindo dezenas de fiéis que assistiam às cerimônias. Em 12 de abril do mesmo ano, D. Vital foi intimidado para suspender as proibições feitas, mas o bispo não recuou, continuando no cumprimento do seu dever. D. Pedro II se encolerizou com a resistência e convocou o Conselho de Estado. Dos 11 membros do Conselho, só o Visconde de Abaeté protestou contra as violências que estavam sendo praticadas contra os bispos. Em todo o País, os verdadeiros católicos despertavam à voz de protesto de Zacarias de Góis, de Antonio Ferreira Viana, do jurista Cândido Mendes, de Silveira Lobo, de Figueira de Melo, de Tarquínio de Souza e de dezenas de outras figuras marcantes. Pela oposição aos bispos, além dos maçons militares chefiados pelo Visconde, colocavam-se Rui Barbosa, Franklin Távora, Saldanha Marinho, Joaquim Nabuco e outros.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Os bispos D. Vital e D. Macedo foram presos e condenados implacavelmente a quatro anos de prisão e trabalhos forçados, a mando do Imperador, que ainda enviou um emissário a Roma, o Barão de Penedo, com a finalidade de conseguir do Papa Pio IX uma condenação para os bispos. Centenas de milhares de assinaturas de protesto chegaram às mãos do governo. O Imperador teve dificuldades de encontrar um chefe de gabinete capaz de superar a crise e teve de ir bater à porta do Duque de Caxias, que só aceitou o cargo com a condição de que os bispos fossem anistiados.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Finalmente, através do Decreto 5.993, de 17 de setembro de 1875, foi decretada a anistia. Ao ser libertado da prisão, D. Vital viajou para Roma com a finalidade de esclarecer sua posição perante o Papa, uma vez que o Barão de Penedo e o Barão de Araguaia tinham deturpado a verdade. O Papa ouviu o bispo e lamentou pelas informações falhas que havia recebido do governo brasileiro. Na carta papal ao episcopado brasileiro, datada de 29 de abril de 1876, Pio IX define seu verdadeiro pensamento dando plena razão aos bispos perseguidos. D. Vital, doente e exausto, solicitou sua exoneração do cargo, mas não foi atendido, nem por Pio IX e nem por seu sucessor Leão XIII. Dessa forma, em outubro de 1876, voltou à sua Diocese, onde foi recebido com manifestações de boas-vindas. Continuou seu trabalho restaurador, concluindo a obra interrompida em decorrência das questões religiosas. Porém, seu estado de saúde agravou-se e ele teve de voltar à Europa, onde morreu no dia 4 de julho de 1878, com 33 anos de idade. D. Frei Vital é considerado mártir da fé e defensor dos direitos da Igreja Católica. Depois de três anos, os restos mortais de D. Vital foram transferidos para o Brasil e sepultados, solenemente, na Basílica da Penha, no Recife.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Igreja de Nossa Senhora do Carmo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Palácio da Boa Vista surge entre nós em 1643, da construção pelo conde João Maurício de Nassau de sua casa de recreio, chamada inicialmente de casa da Bela Vista, erguida em terreno por ele adquirido à Companhia das Índias Ocidentais. Um “local aprazível, alegrado também por jardins e piscinas”, como denominava Gaspar Barlaeus. Localizado na cabeceira da ponte sobre o Rio Capibaribe que ligava a cidade Maurícia ao continente, funcionando como forte militar devido a sua posição estratégica de uma magnífica visão da grande massa de terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a expulsão dos holandeses, em 1654, a Casa da Boa Vista foi doada à Ordem Carmelita para que nela se instalasse o hospício do Recife. Tendo entre seus primeiros habitantes o frei Francisco Vidal de Negreiros, filho do mestre-de-campo André Vidal de Negreiros, então no governo da capitania de Pernambuco.   Os primeiros frades Carmelitas chegaram ao Brasil em 1580, vindos de Portugal. Em 1584, com a fundação de um convento em Olinda, o primeiro do país, realizou-se a primeira festividade brasileira em honra a Nossa Senhora do Carmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para se fixarem definitivamente na povoação do Arrecife, os carmelitas tiveram de enfrentar uma conturbada história de lutas com a Câmara de Olinda e com os seus próprios irmãos de ordem do Convento de Santo Antônio do Carmo; estes últimos, seguidores da Reforma Turônica, enquanto os do Recife permaneciam na vida religiosa contemplativa, sendo por  isso chamados de “observantes”. Tais desavenças, em muito contribuíram para o retardamento das obras de construção do Convento no Recife, continuamente suspensas tanto pelo governo da capitania quanto pela própria coroa portuguesa. O cerne de desavenças, porém, era outro e prendia-se aos conflitos entre a nobreza rural, que dominava a Câmara de Olinda, com a burguesia do Recife, os quais em 1710 vieram a dar causa ao que depois se convencionou chamar de Guerra dos Mascates.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se queixavam da situação de insalubridade da Casa da Boa Vista, os carmelitas do Recife receberam em cinco de maio de 1679 uma área de 100 braças de terra de salgado (terras alagadas pela maré alta) em torno do primitivo hospício, para nelas construir algumas oficinas e o seu quintal. Nas terras anteriormente doadas, já tinham os frades construído o seu primeiro convento, aproveitando grande parte da Casa da Boa Vista, com uma capela dedicada a Nossa Senhora do Desterro e uma senzala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Padeciam os frades de grande desconforto na primitiva casa da Boa Vista, quando o capitão Diogo Cavalcanti Vasconcelos, senhor do engenho São Francisco da Várzea, casado com D. Catarina Vidal de Negreiros, filha do governador André Vidal de Negreiros, veio em auxílio das obras do seu cunhado, frei Francisco Vidal de Negreiros. Inicialmente comprometeu-se, em escritura pública, de 18 de agosto de 1685, a construir às suas custas a capela-mor de uma nova igreja, a ser erguida nas proximidades da primitiva. Tendo por orago Nossa Senhora do Monte Carmelo, em troca do direito de ter sua sepultura no local, juntamente com sua mulher e seus herdeiros, bem como alguns sufrágios por sua alma. Para os serviços, foi contratado o capitão Antônio Fernandes de Mattos, construtor das mais importantes edificações do Recife no final do século XVII.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O túmulo do doador e de sua mulher, localizado na capela-mor ao lado do Evangelho, era assinalado por uma lápide, datada de 28 de agosto de 1703, que em 1898 veio a ser removida para o Instituto Arqueológico e Geográfico Pernambucano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o desaparecimento do primitivo convento, surgiram no seu local as ruas do Cano ou da Paz, Palma e Concórdia, passando esta área a ser denominada de Carmo velho.&lt;br /&gt;Apesar do falecimento de Antônio Fernandes de Mattos, as obras, porém, arrastaram-se até 1767, data escrita em um medalhão abaixo do nicho da padroeira. O templo possui três capelas e seis altares, cada um com arquitetura particular e distinta, com ornamentação de talha, todos de branco e ouro mostrando claramente a influência do barroco rococó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O interior da Basílica é de Grande riqueza artística, com as colunas salomônicas da balaustrada torneadas em jacarandá, o mesmo acontecendo com as tribunas, as grades de coro, os altares laterais e o arco cruzeiro, que obedecem ao estilo D. João V.&lt;br /&gt;A capela-mor profunda, em estilo rocaille, toda em talha e dourada com desenhos acânticos e nervuras, é obra de cerca de 1780, possuindo, desde o século XIX, uma abóboda ogival geminada, com óculos abertos para o exterior, através dos quais penetram os raios de sol. O seu altar principal, totalmente revestido de talha dourada, é dominado pela imagem, em tamanho natural, da Virgem do Carmo, co-padroeira da cidade do Recife (1909), cercada por anjos e ladeada pelas imagens dos profetas Elias ( com jarro) e Eliseu(com uma espada e uma igreja). Imagem que, segundo tradição, teria vindo de Portugal para Pernambuco, anos antes da invasão holandesa (1630).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O teto possui um painel de autoria presumível a João de Deus e Sepúlveda, no qual aparece “Elias subindo aos céus no seu carro de fogo”, recuperado pelo restaurador José Ferrão Castelo Branco em 1973.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vale também uma visita ao tesouro da igreja, onde se encontram o Relicário do Sagrado Coração, a Grande Custódia em prata dourada, e as jóias da Virgem com sua coroa pesando seis quilos de ouro fino, incrustada com brilhantes pérolas, rubis e outras pedrarias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Entrada do convento destaca-se por sua rica moldura de cantaria, entalhada com brasões seiscentistas em alto-relevo, que antecede a sala da portaria, na qual se encontra a imagem do Cristo na coluna, estando suas paredes revestidas por painéis de azulejos portugueses com cenas da paixão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A solenidade de coroação de Nossa Senhora do Carmo, ocorrida em 16 de julho de 1920, encontra-se documentada em magnífico painel, pintado por Henrique Moser, no qual aparecem as figuras dos Bispos celebrantes, D. Jerônimo Tomé da Silva e D. Sebastião Leme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No convento do Carmo viveu e está sepultado, porém em local não determinado, frei Joaquim do Amor Divino Caneca, militante da Revolução de 1817 e mártir da Confederação do Equador (1824).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As várias obras realizadas no século XIX acabaram por descaracterizar alguns aspectos originais, sobretudo a pintura das talhas. Praticamente toda a Basílica foi repintada de branco e dourado, escondendo toda a beleza do marmoreado colorido próprio do Século XVIII&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Igreja de Nossa Senhora do Livramento dos Homens Pardos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Localizada no bairro São José, a Igreja de Nossa Senhora do Livramento é relativamente recente, tendo sido aberta ao culto religioso no dia 9 de dezembro de 1882. A construção do prédio, porém, começou bem antes disso. As suas talhas, por exemplo, foram elaboradas pelo artista entalhador João da Costa Furtado, de 1715 a 1717.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Existem documentos, também, que registram a consignação de verbas para as obras de frontispício e acabamento dos altares, e para as despesas referentes aos operários e aos materiais, que são dos anos 1711 e 1712. A quantia que se pagava aos pedreiros era de 320 réis por dia e, aos serventes, 100 réis por dia.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Tudo indica que a porta da igreja foi entalhada em 1720. Pagou-se, na época, um preço altíssimo pelo trabalho: 50 mil réis. Está preservado na sacristia, ainda, um lavatório de pedra da Paraíba, uma obra de grande valor artístico.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Há referências históricas que, em 1694, no local já havia uma igrejinha simples, sob a invocação de Nossa Senhora do Livramento dos Homens Pardos, em um terreno que fazia parte das "hortas de São Pedro dos Clérigos". No livro Narração Histórica das Calamidades de Pernambuco, de 1715, constata-se uma referência à Igreja de Nossa Senhora do Livramento dos Homens Pardos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Uma de suas grandes devoções foi dedicada à Nossa Senhora do Bom Parto, tendo sido fundado junto ao altar-mor, em 1702, uma Irmandade, sob a invocação dessa santa. Sabe-se, por outro lado, que, em 1724, a Irmandade de Nossa Senhora do Livramento dos Homens Pardos já existia. Em um documento datado de 12 de novembro do mesmo ano, tal Irmandade escrevia ao rei solicitando uma ajuda com o objetivo de fazer a festa da padroeira de sua igreja.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O prédio do templo vinha sendo alvo de reformas contínuas. Neste sentido, em 1830, a Irmandade decidiu demoli-lo e, em seu lugar, construir um templo suntuoso. Para tanto, a obra foi confiada ao mestre pedreiro Francisco José da Paz, cujo salário era o de 1 mil e 200 réis diários. Os pedreiros ganhavam 800 réis e os serventes, 240 réis.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Em 1832, quando os trabalhos já estavam bem adiantados, colocou-se, no nicho da igreja, uma imagem de Nossa Senhora do Livramento, esculpida em pedra e em tamanho natural, e ela foi reaberta aos cultos religiosos. Um artista bastante famoso - Cândido Ribeiro Pessoa - foi encarregado, no ano de 1840, da douração do altar-mor e dos salientes laterais. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Desde a reforma do século XIX, a igreja possui linhas clássicas coloniais, e a sua fachada apresenta traços de relevo em pedra de cantaria e em granito lavrado. A sua frente possui uma área toda cercada por gradis de ferro, com três portões bonitos sobre uma escadaria de pedras, e a sua torre mede 25 metros. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O teto é uma obra de arte em madeira, cobrindo toda a amplitude do salão, e apresenta traços que simulam os raios do Santíssimo. No salão, pode-se apreciar dois grandes painéis sobre madeira, com um colorido queimado, que representam a Apresentação e o Desposório de Nossa Senhora; e duas telas: a primeira retrata o mestre-de-Campo José de Vaz Salgado e, a segunda, um oficial desconhecido.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;No alto do frontispício, vê-se uma bela cruz em ferro, ricamente trabalhada, que, na época, foi executada pela Fundição Aurora, um estabelecimento comercial de renome. Vê-se, ainda, um grande armário embutido na parede, datado de 1843, todo em jacarandá lavrado, onde são guardados os objetos dos cultos; e a imagem de Nossa Senhora da Conceição, conservada no consistório da igreja.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Pode ser apreciada no templo, inclusive, uma imagem de São Gonçalo Garcia, um santo de cor parda, nascido na Índia, que foi martirizado em 1597 e, em 1627, beatificado pelo Papa Urbano VIII. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O Imperador D. Pedro II foi eleito juiz perpétuo e protetor dessa Irmandade, em 1845. Por essa razão, durante toda a vigência do Governo Imperial, as festas anuais em louvor à padroeira foram acompanhadas por um aparato militar: uma guarda de honra do exército.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A Igreja de Nossa Senhora do Livramento não costuma mais celebrar as festas populares como outrora, já que está situada em uma área completamente comercial. Não obstante, os seus atos normais de serviço de culto são celebrados com regularidade.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Hoje, a cerimônia de maior repercussão é a Missa do Comércio, rezada todos os domingos, às 12 horas, no altar de Nossa Senhora da Soledade, santa que foi consagrada como a padroeira dos Empregados do Comércio do Recife.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Igreja de São José&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2 de maio de 1844, o então Presidente da Província de Pernambuco, Antônio Pinto Chichorro da Gama, promulgava a Lei Provincial nº 133, criando a paróquia de São José do Recife, desmembrando o seu território do de Santo Antônio. Designando noutro despacho a Igreja de São José de Ribamar para servir de matriz enquanto não se construía um templo próprio. Criada a paróquia, tratou o zeloso Bispo diocesano D. João da Purificação Marques Perdigão de fazer a aquisição do terreno necessário à construção do templo dedicado a São José, padroeiro do bairro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar dos poucos recursos se dispunha de uma fé inabalável na Divina Providência, o Bispo lançou a Pedra Fundamental do novo templo em 8 de setembro de 1845 na presença das principais autoridades da província, entre eles, o próprio Presidente da Província. Projeto arrojado pelas suas dimensões, “beleza arquitetônica e custosa decoração”, no dizer de Pereira da Costa exigiu o Bispo diocesano esforços inauditos. Porquanto não hesitou em um só instante de usar de toda sua influência e prestígio quer junto aos fiéis, quer junto às autoridades da província a fim de conseguir os recursos financeiros necessários  para a execução da obra. Mesmo com seus desejos de celebrar a primeira missa do novo templo, não pôde o insigne prelado realizar tal desejo, pois veio falecer em 30 de abril de 1864 deixando a árdua tarefa da construção do templo a seu sucessor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em maio do mesmo ano, é eleito pelo cabido de Olinda, o Sr. Dr. Joaquim Francisco de Farias, Deão da Catedral de Olinda e Vigário Capitular da Diocese de Pernambuco. Já havia ocorrido 20 anos desde o lançamento da Pedra Fundamental e as obras ainda se arrastavam, sem que houvesse a mínima previsão para sua conclusão. A eleição do Deão Farias, no entanto, veio modificar o quadro. A ousadia e a coragem do Deão surpreenderam a todos. Em quatro meses de trabalho, o templo estava parcialmente construído, faltando-lhe apenas alguns retoques para que o mesmo pudesse ficar totalmente pronto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente em meados de dezembro de 1864, tem início os atos de inauguração do novo templo. Para começar a época da fundação do templo, figura na torre do Norte esta inscrição lapidar: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Colocada a primeira Pedra Fundamental pelo Exmº. Sr. Bispo D.&lt;br /&gt;João da Purificação Marques Perdigão aos 8 de setembro de 1845”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a de sua inauguração, esta outra na torre do Sul:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Inaugurada pelo Exmº. Sr. Világio Capitular D. Joaquim Francisco de Farias em 8 de dezembro de 1864”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde a sua fundação até a presente data, 51 vigários passaram pela Matriz de São José, dos quais três merecem menção:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pe. José de Oliveira Lopes, eleito Bispo de Pesqueira;&lt;br /&gt;Pe. Augusto Álvares da Silva, primeiro Bispo de Floresta e posteriormente sagrado Cardeal Arcebispo da Bahia e Primaz do Brasil;&lt;br /&gt;Pe. João Tavares Moura, Bispo de Garanhuns/PE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2.2 Museus, Memoriais e Centros Culturais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Museu de Arte Popular&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Museu de Arte Popular (MAP) vinculado à Fundação Cidade do Recife, da secretaria de Cultura do Recife, foi criado em 1986, por ocasião do desmembramento do acervo da então Galeria Metropolitana do Recife, hoje Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (MAMAM). Seu acervo começou a ser constituído a partir de 1979, com a aquisição de obras de arte da Galeria Nega Fulô, da pesquisadora Sílvia Coimbra. Sendo ampliado em 1983, com um conjunto de obras do Mestre Vitalino por doação do Bandepe Clube.&lt;br /&gt;O novo MAP é formado pelas casas 45 e 49 do Pátio de São Pedro e conta com espaço educativo, biblioteca, exposições temporárias e reserva técnica, destacando as esculturas de barro e cerâmicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua missão é promover ações que permitam a preservação da memória da arte popular nordestina e brasileira, através de pesquisas sobre seu acervo e o universo da arte popular, e estimular um profícuo diálogo com o público visitante, artistas, colecionadores e pesquisadores, a fim de sensibilizá-los para os sentidos da arte, e para a fruição e apropriação de seu a cervo enquanto suas referências identitárias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentre suas ações, destacam-se a realização de exposições itinerantes pelo Recife e outras cidades do estado, através de parcerias institucionais; a execução de oficinas de arte em cerâmica e madeira, que cumprem um papel de difusão e preservação de um saber, além de valorizar os artistas populares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As ações são embasadas por um trabalho educativo. Pela medição cultural, procura-se desenvolver no público a capacidade de ler a obra de arte/objeto museal e desenvolver um olhar crítico, sobre essas expressões, que fazem parte da nossa identidade cultural e permitem aflorar as mais diversas representações sociais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O MAP – Museu de Arte Popular, através de suas ações, permeados pela pesquisa, busca tornar-se um centro de referência nos estudos sobre a arte popular. Para isso, construiu um portal na web (www.recife.pe.gov.br/map), ainda em processo de implementação, a fim de permitir o acesso às informações sobre as coleções do Museu e de outros institutos e colecionadores da arte popular. O portal disponibilizará informações sobre as várias gerações de artistas, sobre os mais variados trabalhos de pesquisadores, indicações de bibliografias de referência, periódicos, documentários, entre outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A iniciativa da Prefeitura do Recife em criar o novo MAP faz parte das ações previstas no plano do Complexo Turístico Cultural Recife/Olinda. Além do Museu de Arte Popular, fazem parte dos equipamentos culturais do Pátio de São Pedro o Centro de Formação em Artes Visuais, o Memorial Luiz Gonzaga, Centro de Formação, Pesquisa e Memória Cultural Casa do Carnaval e o Memorial Chico Sciense.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seu acervo, o Museu de Arte Popular salvaguarda um dos mais significativos patrimônios da arte popular, com mais de 400 obras, em cerâmica, madeira e tecido, que fazem  referência à geografia da produção artística de todos os estados do Nordeste. Suas coleções datam dos anos 1960 e 1980, com destaque para Mestre Vitalino, Zé Caboclo, José Antônio Vieira, Severina Batista, Antônia Leão, Benedito, Bigode, Biu Santeiro, Nhô Caboclo, A família Porfírio, Ana das Carrancas, Zé do Carmo, Nuca, Louco, As Marias do Juazeiro, Nino, José Duarte, entre outros mestres da arte popular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A exposição atual encontra-se desde o dia 21 de novembro de 2008. Uma amostra da arte nordestina, destacando artistas de Caruaru, Tracunhaém, Goiana, Juazeiro do Norte, Paulista e Terezina; como também da Bahia e do Rio Grande do Norte. &lt;br /&gt;A partir do dia 12 de Junho de 2009 o Museu de Arte Popular abrirá uma exposição exclusiva do Mestre Vitalino, a fim de comemorar os 100 Anos do artista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Museu de arte Popular atende ao público de segunda a sexta, das 9h às 17h&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Estação Central do Recife e o Museu do Trem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Estação Central do Recife foi construída em meados do século XIX (1850-1856), recebendo inicialmente o nome de Estação Inicial da Rede Ferroviária do Nordeste. &lt;br /&gt;Logo após haver ganho a concessão para explorar o transporte de cargas e passageiros em todo o estado de Pernambuco, a Great Western of Brazil Railway Company desativou sua estação do Brum e  centralizou todos os terminais de trens no bairro de São José, próximos à Casa de Detenção (hoje Casa da Cultura), determinando esse ponto de Estação Central.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Great Western atuava de Alagoas até o Rio Grande do Norte. Partindo da Estação Central as pessoas podiam chegar a diversos pontos do Nordeste do Brasil, tais como o sertão do Cariri, no Ceará; Campina Grande, na Paraíba; as caatingas do Pajeú, em Pernambuco; ou as margens do rio São Francisco, em Alagoas. &lt;br /&gt;Em 1950, o Governo da União encampou a Great Western, transformando-a na Rede Ferroviária do Nordeste (RFN), que passou a ser um das subsidiárias da RFFSA em 1957. Os trens interestaduais de passageiros seguiram até os anos 1980.&lt;br /&gt;A Estação Central do Recife foi inaugurada em 1888, servindo à Estrada de Ferro Central de Pernambuco, segunda ferrovia a ser aberta no Brasil e pertencente à Great Western. A Estrada de Ferro, inicialmente, seguia para Jaboatão e depois foi sendo prolongada sucessivamente no sentido oeste do Estado, ligando Recife a Una (hoje Palmares, PE). Desde 1972 a Estação Central abriga a sede do Museu do Trem, que teve como patrono o sociólogo Gilberto Freyre. O seu acervo conta com mais de 400 peças.&lt;br /&gt;Com a implantação do metrô de superfície, ou Trem Metropolitano do Recife – o METROREC, pertencente à Superintendência de Trens Urbanos do Recife da Companhia Brasileira de Trens Urbanos – CBTU, cujo primeiro trecho seria inaugurado em 1985, a antiga Estação Central se tornaria, então, a porta de entrada para esse moderno meio de transporte de passageiros da Região Metropolitana do Recife. &lt;br /&gt;A estação foi então transformada definitivamente em museu, mas ainda funcionava como estação - e, depois de reforma, passou a ser uma das portas de entrada para a estação Recife do Metrorec, aberta quando o metrô começou a operar, em março de 1985. Ou seja, para se atingir o metrô, podia-se entrar pela estação Central e seguir por um túnel apelidado de "Túnel do Tempo" até se chegar ao metrô. A Princesa Isabel abolia a escravidão no Brasil e no mesmo ano inaugurava-se a Estação da Estrada de Ferro de Pernambuco. Os trens já não apitam na curva, mas a Estação reúne fotos, locomotivas e peças desses tempos românticos. O museu torna-se único no país, que se destina a perpetuar a história ferroviária regional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A edificação de estilo neoclássico da Estação ferroviária do Recife foi projetada pelo arquiteto mineiro Herculano Ramos e marcou o pioneirismo da região na construção de ferrovias. Na fachada do prédio da Estação Central é possível se observar dois torreões e, sobre eles, quatro águias de bronze de asas abertas. No meio da fachada, há um relógio com uma moldura artística, em mármore. Na entrada, pode-se ver quatro coroas de metal, onde estão gravados alguns símbolos maçônicos e os nomes de Viollet-le-Duc, W. Young, F. Schimidt e Polonceau.&lt;br /&gt;A visita ao museu nos remete de imediato a época das velhas ferrovias com suas potentes máquinas sob trilhos, grandes locomotivas em sua maioria vindas do exterior através de acordos realizados entre o governo imperial e os ingleses de grandes companhias como a própria Western of Brazil Railway Company. Em frente ao museu nos deparamos com a bela Praça Mauá cujo nome remete às velhas máquinas adormecidas, pois, foi o próprio Barão de Mauá (o Barão do café) que implantou a primeira ferrovia brasileira em 1852 entre Petrópolis e Rio de Janeiro. A Praça possui um jardim devidamente cercado, onde antigamente, casais de namorados passeavam ao som dos dobrados que a bandinha tocava no coreto central do lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No presente momento todo este complexo predial histórico está em vias de se tornar o Centro Cultural Banco do Brasil. Recife será a 4ª capital a ganhar uma unidade do centro. Atualmente, apenas Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília tem o espaço. O Centro Cultural Banco do Brasil, além de fiel depositário da memória ferroviária do Nordeste, prevê a instalação de teatro, salões de exposição, biblioteca, auditória e outros atrativos que abrigarão mostras permanentes e itinerantes de arte e cultura, nas suas diversas formas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre o barulho dos trens da época, correndo sobre os trilhos em Palmares - a sua cidade natal - Ascenso Ferreira escreveria o conhecido poema: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...”Mangabas maduras,&lt;br /&gt;mamões amarelos,&lt;br /&gt;mamões amarelos&lt;br /&gt;que amostram, molengos,&lt;br /&gt;as mamas macias&lt;br /&gt;pra gente mamar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou danado pra Catende,&lt;br /&gt;vou danado pra Catende,&lt;br /&gt;vou danado pra Catende&lt;br /&gt;com vontade de chegar...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Forte das Cinco Pontas (Museu da Cidade do Recife)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Forte de São Tiago das Cinco Pontas situa-se no atual bairro de São José, próximo à antiga Estação Rodoviária de Santa Rita. É a última construção holandesa no Recife e um dos monumentos mais representativos da arquitetura colonial. Foi edificado pelos flamengos, no ano de 1630, por determinação do Príncipe de Orange - Frederik Hedrik -, tendo como seu idealizador o comandante Teodoro Weerdemburgh. Chamou-se, primeiramente, de Forte Frederico Henrique. Construída em taipa sobre um solo alto, e dominando, por completo, o porto do Recife, a fortaleza possuía como padroeira Nossa Senhora da Assunção. Ficava em uma área próxima às cacimbas de água potável de Ambrósio Machado, um abastado senhor de engenho na ilha de Antônio Vaz. Em decorrência de sua proximidade com tais cacimbas, também foi denominada de Forte das Cacimbas de Ambrósio Machado e de Forte das Cacimbas das Cinco Pontas. Os objetivos mais relevantes daquela fortaleza eram os de garantir à população o suprimento de água potável, mediante a proteção das cacimbas (ponto vital para o abastecimento d’água do Recife), e impedir que os navios inimigos circulassem pelas águas do Rio Capibaribe, e chegassem até a Barreta dos Afogados (através de uma passagem existente nos arrecifes), podendo se evadir, a partir daí, com os barcos carregados de açúcar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a vinda do Conde João Maurício de Nassau-Siegen para o Recife, os holandeses iniciaram a construção de um canal de trinta metros de largura, partindo do Forte Frederico Henrique e se estendendo até o local onde se encontra, hoje, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos. Em 1637, por sua vez, as muralhas e a profundidade do fosso da fortaleza foram reformadas. No século XVII, ela é destruída por João Fernandes Vieira e ocupada por tropas luso-brasileiras, sob o comando de André Vidal de Negreiros e do general Francisco Barreto de Menezes. A capitulação dos holandeses ocorre na campina do Taborda, perto do atual Cabanga Iate Clube. Quando o Forte foi rendido, em 1654, havia os seguintes elementos em seu inventário oficial: 17 canhões de calibre 2 a 24, dois alfanjes de cortar cabeça e vários outros apetrechos bélicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A esse respeito, existe hoje, na entrada do Forte, uma placa que registra a rendição holandesa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Próximo a este forte das Cinco Pontas, um dos últimos baluartes flamengos, na chamada campina do Taborda, existiu a porta sul de Mauricéia, onde o mestre de campo general Francisco Barreto, chefe militar da campanha de libertação e restauração de Pernambuco, recebeu a 28.1.1654, na qualidade de vencedor, as chaves da cidade, que lhe foram entregues pelo general Segismundo Von Schkoppe, comandante das forças holandesas que, na antevéspera se haviam rendido. Esta memória foi mandada colocar pelo Exército, no ensejo das comemorações do tricentenário da Restauração. 1654 – 1954.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Compreendendo a importância da fortaleza para a segurança e o controle da cidade, do ponto de vista estratégico, Fernandes Vieira ordena que a construção comece a ser restaurada em 1677. Dessa vez os portugueses empregam um material mais resistente do que a taipa, que os flamengos haviam utilizado na construção primitiva, e as obras foram concluídas em 1684.  Durante essa restauração, porém, um dos baluartes (ou pontas) do forte é suspenso, e o local fica reduzido a quatro pontas apenas (adquire a forma quadrangular), ao invés da pentagonal do início. De 1746, encontra-se preservada a seguinte descrição do Forte das Cinco Pontas: "um quadrado com quatro baluartes, com fossos e estrada coberta, e montava 8 peças de bronze de calibre 6 a 14, 8 de ferro de calibre 6 a 30, e 6 pedreiras de bronze de calibre 1 e 2; era comandado por um Capitão que recebia 16$000 de soldo por mês e mais 3 quartas de farinha, tinha um destacamento de fuzileiros e artilheiros, com um sargento e um condestável."&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Mas, continua a ser chamado, por todos, de Forte das Cinco Pontas (ou Vijfhoek, em holandês), por ter a forma de uma estrela. A despeito da perda de um baluarte, o local termina ficando, mediante a nova configuração, com uma área total bem maior que a anterior. Cabe dizer ainda que, durante muitos anos, a fortaleza funcionou como uma prisão. O último nome adquirido pelo forte, finalmente, é o de São Tiago das Cinco Pontas, pelo fato de haver, em seu interior, uma pequena capela dedicada a São Tiago Maior, um dos seus santos padroeiros. Por volta do ano 1817, o local abrigava, também, a sede do Quartel General Militar. Antigamente, o forte possuía uns subterrâneos que serviam de prisão, mas eles foram demolidos no ano de 1822, por ordem de Gervásio Pires Ferreira, que dirigia a Junta do Governo Provisório de Pernambuco. Tais subterrâneos, vale salientar, eram verdadeiros túmulos dos vivos. Um dos presos mais ilustres, em 1935, tratou-se do romancista Graciliano Ramos. Em Memórias do cárcere, seu famoso livro, Graciliano se refere à Estação de Cinco Pontas como sendo um quartel. O Forte de São Tiago das Cinco Pontas possui um pátio interno, várias celas com grades pesadas, feitas em ferro, e um túnel oculto, planejado para os holandeses fugirem, caso sofressem uma invasão. As muralhas da construção, por outro lado, se apresentam recortadas nos pontos em que aparecem os antigos canhões de bronze. Pode-se apreciar um belo portão na entrada da fortaleza, todo feito em madeira de lei. As demais portas e janelas do forte foram confeccionadas com material idêntico.&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Além de servir como prisão, o Forte de São Tiago das Cinco Pontas funcionou, ainda, como quartel do Esquadrão de Cavalaria, e como sede da Secretaria de Planejamento (Seplan) da Presidência da República. A fim de preservar a memória nacional, o então prefeito Gustavo Krauser, no dia 14 de dezembro de 1982, transformou o Forte das Cinco Pontas em um museu: o Museu da Cidade do Recife. Com exceção das segundas-feiras, esse museu está aberto à visitação pública todos os dias, incluindo sábados e domingos. O local possui um vasto e importante acervo iconográfico, recolhido em Pernambuco e em Portugal, onde se encontram expostos projetos originais de construções civis, militares e eclesiásticas, cartografias, pinturas, desenhos, esculturas e gravuras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No museu, dentre as peças importantes podem ser apreciadas as seguintes: maquetes das distintas formas da fortaleza; pinturas de Franz Prost, expondo o Recife e a sua população durante o período holandês; fotografias antigas do Recife; coleção de gravuras antigas; portas entalhadas da Igreja dos Martírios (todas em madeira de lei); peças arqueológicas do próprio forte; pinhas de louça portuguesa de Santo Antônio do Porto; canhões de várias procedências; barra de ouro (de 1645) com um sinete da Companhia das Índias Ocidentais (que foi encontrada em Pernambuco); e uma chave simbólica (em ouro e prata) entregue a Dom Pedro II, por ocasião de sua visita ao Recife em 1859. O Museu da Cidade do Recife abriga, além dessas relíquias, uma parte do acervo da igreja dos Martírios, um conjunto de 150 mil mapas e fotografias, incluindo 1.114 negativos em vidro, telas, assim como uma exposição de 800 peças que registram o desenvolvimento da cidade do Recife.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Monumento Frei Caneca&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao lado do Forte das Cinco Pontas há um histórico paredão onde, no dia 13 de janeiro de 1825, foi morto o frade carmelita Joaquim do Amor Divino Caneca - o conhecido Frei Caneca. Uma das figuras mais importantes da Confederação do Equador - movimento que eclodiu em Pernambuco no ano de 1824 e pregava idéias antiportuguesas e federativas, contrárias à centralização do poder pela coroa lusa. No final da revolução, Frei Caneca foi preso e condenado à morte. Mas ninguém teve coragem de enforcá-lo. Ele morreu então fuzilado no muro que continua de pé, vizinho ao Forte das Cinco Pontas. O local está marcado por um busto do mártir e por uma placa datada de 1917, colocada pelo Instituto Arqueológico e Geográfico de Pernambuco. Na parede onde Frei Caneca foi morto, contém os seguintes dizeres:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;NESTE LARGO FOI ESPINGARDEADO&lt;br /&gt;JUNTO À FORCA, A 13 DE JANEIRO DE 1825&lt;br /&gt;POR NÃO HAVER RÉO QUE SE PRESTASSE&lt;br /&gt;A GARROTEÁ-LO O PATRIOTA&lt;br /&gt;Homenagem do Instituto&lt;br /&gt;Archeologico e Geogrraphico&lt;br /&gt;2-7-1917 Pernambuco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Quem foi Frei Caneca?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          “Com uma pesada corrente de ferro no pescoço o prisioneiro ia andando devagar. Estava descalço, usava uma batina suja e rasgada, vigiado por soldados bem armados. Em direção ao porto, caminhava em silêncio. A Revolução Pernambucana tinha sido esmagada, mas a idéia de libertar a província do poder central estava cada vez mais viva.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O prisioneiro retratado acima foi Frei Joaquim do Amor Divino Rabelo Caneca, mais conhecido como Frei Caneca, um dos mentores da Revolução Pernambucana. Preso em 1817, Frei Caneca foi levado para Salvador, onde cumpriu pena até 1821. De família humilde, desde cedo demonstrando inteligência viva e grande força moral, Frei Caneca teve formação religiosa. Professou votos no convento do Carmo, em Pernambuco e tornou-se secretário do visitador da ordem. Freqüentou centros de estudos políticos de tendência liberal e participou do movimento revolucionário, pelo qual foi preso. Ao ser libertado, de volta a Pernambuco, tornou-se professor de filosofia, geometria e retórica. Em meio a intensa atividade jornalística, fundou o jornal "Tifis Pernambucano", de oposição ao governo central conservador. Os temas políticos dominaram a carreira literária de Frei Caneca. Como escritor, ele assimilou os modelos do jornalismo panfletário e deu um tom pessoal às idéias dos filósofos franceses do Iluminismo, como Montesquieu e Rousseau. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a instauração da monarquia, por Pedro 1º, em 1822, preparava-se uma Constituição para reger o país. Em 1824 o Imperador dissolveu a Assembléia Constituinte, outorgando uma Constituição de perfil conservador, contra a qual se insurgiu o grupo de Caneca. As lutas políticas que opunham o poder local ao Império tomavam vulto cada vez maior em Pernambuco. Dia 2 de julho de 1824, os líderes pernambucanos romperam definitivamente com o poder central. Anunciaram a formação de uma nova república - a Confederação do Equador - e pediram a adesão das outras províncias do Norte e Nordeste.  O movimento, no entanto, não obteve o apoio necessário. A adesão dos países estrangeiros, a princípio esperada, também não foi adiante. O movimento acabou sufocado, depois de muitas lutas sangrentas. Dia 29 de novembro de 1824, a coluna na qual lutava Frei Caneca foi cercada pelas tropas legalistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Frei Caneca, um dos maiores idealizadores e combatentes do movimento, foi condenado à forca. Foi preso e levado para um calabouço. No dia de Natal do mesmo ano, foi transferido de sua cela a uma sala incomunicável, para receber a sentença. Muito foi feito para que Caneca não fosse executado. Houve petições, manifestações de ordens religiosas, pedidos de clemência. Em vão. Dia 13 de janeiro de 1825, o prisioneiro foi conduzido à forca. Na hora de chamar o carrasco, surgiu um problema. Não havia quem aceitasse enforcar Caneca. Castigos, sangue, pancadas. Nada, ninguém queria se prestar ao papel de carrasco. Por fim, resolveram trocar a forca pela execução por fuzilamento. Estava encerrada a carreira revolucionária de Frei Caneca. Seu corpo foi deixado num caixão de pinho em frente ao Convento das Carmelitas, de onde os padres o recolheram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Casa da Cultura&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1848, o governo da Província de Pernambuco resolveu construir uma nova cadeia para a cidade do Recife e encarregou o engenheiro Mamede Alves Ferreira (1820-1862) de elaborar o projeto. Mamede também é o autor dos projetos do Ginásio Pernambucano e do Hospital Pedro II, no Recife. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O projeto da nova Casa de Detenção do Recife ficou pronto em 1850 e foi concebido segundo o modelo de penitenciária mais moderno existente na época, que tinha como princípio básico dispor as celas dos detentos de uma maneira que elas pudessem ser vigiadas a partir de um único compartimento central de controle. O prédio, com 8.400 metros quadrados de área construída e 6.000 metros quadrados de pátio externo, terminou de ser construído, em 1867, e custou 800 mil contos de réis ao governo de Pernambuco. O edifício, em forma de cruz é composto por quatro raios, Norte, Sul, Leste e Oeste, cada um com três pavimentos, que confluem para um saguão central coberto por uma cúpula metálica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 15 de março de 1973, a Casa de Detenção do Recife foi fechada pelo então governador Eraldo Gueiros Leite, sendo os detentos transferidos para outros presídios do Estado, especialmente para a Penitenciária Agrícola de Itamaracá. A idéia de transformar a antiga Casa de Detenção, prédio tombado pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), na Casa da Cultura foi do artista plástico Francisco Brennand, na época em que exerceu o Chefia da Casa Civil, no primeiro governo de Miguel Arraes, entre outubro de 1963 até às vésperas do golpe militar de 1964. Ele queria criar em Pernambuco uma instituição similar aos centros de educação nas áreas de literatura, teatro, música e artes plásticas, que estavam sendo criadas na França pelo escritor André Malraux. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O projeto para restauração do antigo complexo neoclássico foi elaborado pela arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi, juntamente com Jorge Martins Junior. A restauração e o aparelhamento ficaram sob a responsabilidade da Fundarpe. &lt;br /&gt;Em agosto de 1975, enquanto estava sendo feito o trabalho de restauração do prédio foi realizado no local, sob o patrocínio da Rede Globo e Fundarpe, o II Salão de Arte Global de Pernambuco. A inauguração da Casa da Cultura aconteceu no dia 14 de abril de 1976. Hoje, o local é um centro de cultura regional e ponto turístico obrigatório da cidade. Suas antigas celas são ocupadas por lojas de artesanato, livraria e lanchonetes. É um espaço para shows e representações folclóricas regionais e abriga também o Museu do Frevo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conservando as suas característica originais, a Casa da Cultura foi tombada como monumento histórico de Pernambuco, através do Decreto 6.687, de 3 de setembro de 1980. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Memorial Luiz Gonzaga&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Memorial Luiz Gonzaga (MLG) é um equipamento cultural da Prefeitura do Recife, cujo principal objetivo é preservar e divulgar o maior legado de Luiz Gonzaga, sua obra musical, e tudo o que o envolve, conjunto patrimonial imaterial que revolucionou a música no Brasil das décadas de 40 e 50 do século XX, e contribuiu decisivamente para a formação da noção de nordestinidade no cenário cultural brasileiro. O MLG é um centro de memória e pesquisa, que oferece aos seus visitantes casuais, pesquisadores e turistas, não apenas informações provenientes de seu acervo físico e projeto expográfico, mas objetiva também ser um centro receptor e difusor do conhecimento produzido sobre a obra do Rei do Baião, estabelecendo ligações e convênios com instituições afins, utilizando os recursos da tecnologia da informação com perfil dinâmico e propositivo. O acervo atual do MLG foi constituído com a aquisição da coleção de Mávio Holanda, pela Prefeitura da Cidade do Recife, formada por discos raros de 78 rpm, Long Plays, CDs, fotos, impressos, álbuns de recortes, vídeos e arquivos de áudio em formato MP3. Constitui uma coleção singular do MLG, o conjunto de documentos cedidos para replicação pelo Parque Aza Branca, construído pelo Mestre do Araripe em seu torrão natal, na cidade de Exu - fotos, partituras e álbum de recortes. Consciente de que a tarefa educativa é uma responsabilidade de toda instituição que guarda acervo patrimonial de uma comunidade, e que a educação é o melhor caminho para a perpetuação das tradições culturais, o MLG também propõe cursos, palestras e atividades semelhantes no âmbito do universo de sua referência. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Memorial Chico Science&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Memorial Chico Science (MCS) é mais um equipamento cultural da Prefeitura do Recife, administrado pela Fundação de Cultura Cidade do Recife, fazendo parte do Complexo Turístico Cultural Recife e Olinda. Um memorial por definição é um espaço dedicado a memórias, um lugar de reconstrução de histórias vividas. No entanto, pensar em conceituar um Memorial para Chico Science leva a um caminho que, começando no passado, também não poderia deixar de lado o por vir. Portanto, além do resgate do passado de Science, o memorial terá a fundamental função de levar a sua filosofia de reinvenção cultural adiante. Quando se trata de Chico Science, ninguém discorda que o músico saiu de uma carreira meteórica para se tornar um mito. Mas as lembranças são diversas. Sempre há quem pense nas alfaias ou no maracatu eletrônico lembrando de Chico como ícone máximo de um estilo de tocar música regional. Há quem pense também na origem do mangue que, por ser tantas coisas ao mesmo tempo, foi categorizado como movimento cultural – algo muito além da música.  “A gente não quer fazer algo saudosista ou necrófilo em torno da memória de Chico. Queremos pensar no que pode ser feito na cultural local. Vamos fugir dos estereótipos que circundam o manguebeat”, explica Renato L, secretário de Cultura do Recife. “O Memorial tem como função maior a preservação do acervo de Chico, não exatamente seus pertences, mas sua memória imaterial”, explica. São três ambientes que têm como proposta reunir exposição e informação de forma educativa, mas também lúdica.&lt;br /&gt;Maria Eduarda Belém, Duda, ex-namorada do músico e curadora do projeto, explica que o salão de entrada terá caráter informativo com exposição fixa de fotos, textos e referências visuais à história do artista e a sua relação com a cultura mangue. “Vamos apresentar a evolução de Chico até ele chegar a ser uma referência na música e na cultura pernambucana, e até nacional”, explica. Em um outro ambiente, caracterizado por Duda como “imersivo”, a ideia é induzir o público a se defrontar com o universo simbólico do mangue a partir de uma instalação artística. “Tivemos a ideia de criar um espaço em que a atmosfera do Recife fosse trabalhada de maneira mais intuitiva”, explica. No local, os visitantes podem interagir com projeções que alternam e sobrepõem imagens de Chico, dos filmes que assistia (Renato lembra, por exemplo, os de Bruce Lee) e grafismos que remetem às raízes de um manguezal. A instalação, baseada em software desenvolvido pelo designer Jarbas Jacome, deve ser substituída após curadoria futura. No terceiro ambiente, que a equipe batizou como “educativo”, está reunida uma DVDteca com vídeos que faziam parte do repertório do artista, além de outros títulos indicados pelos amigos e músicos contemporâneos. O espaço também abrange uma biblioteca com livros e quadrinhos que, de forma direta ou afetiva, estão relacionadas a Chico. “Pegamos uma média do que a gente consumia na época e agora vamos juntando a uma lista de novidades que vamos consumindo”, revela Duda, que enfatiza o caráter de “progresso” do memorial. “Sempre pensamos neste espaço como um local de permanente transformação”, afirma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Casa do carnaval&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; CENTRO DE FORMAÇÃO, PESQUISA E MEMÓRIA CULTURAL&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Como iniciativa da Prefeitura do Recife, no ano 2001, por meio do Departamento de Documentação e Formação Cultural, cria-se o Centro de Estudo e Pesquisa em Cultura Popular. Em 2005, como iniciativa da Secretaria de Cultura do Recife, o Centro de Formação, Pesquisa e Memória Cultural, como passou a ser denominado, foi vinculado à Diretoria de Preservação do Patrimônio Cultural, estando sob a coordenação da Gerência de Preservação do Patrimônio Cultural Imaterial. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para atender a objetivos socioculturais e econômicos, aprofundar a experiência de fortalecimento das políticas culturais e dar consistência às estratégias de formação, informação e preservação do nosso patrimônio, ocorre a ampliação das atividades desenvolvidas pelo Centro, criando recursos e orientações para geração de renda dos produtores culturais, além de promover e preservar as manifestações artísticas, por intermédio da pesquisa e conseqüente ampliação do acervo documental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; OBJETIVOS&lt;br /&gt; Processar e disseminar as informações documentais;&lt;br /&gt; Desenvolver sistema de cooperação com outros centros de estudo e pesquisa regionais e nacionais;&lt;br /&gt; Manter uma base de dados sobre cultura popular;&lt;br /&gt; Fortalecer as diversas formas de manifestações culturais do Recife;&lt;br /&gt; Promover e assessorar, por meios de oficinas e seminários, os produtores e público interessado, viabilizar estratégias de organização das suas produções, sejam escritas, orais ou apresentadas em outras linguagens, como o artesanato ou a dança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; FUNCIONAMENTO &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Serviço de processamento técnico dos documentos (conservação preventiva de documentos);&lt;br /&gt;Serviço de pesquisa;&lt;br /&gt;Serviço de atendimento ao usuário;&lt;br /&gt;Cessão de acervo (Exposições Itinerantes);&lt;br /&gt;Acompanhamento de projetos;&lt;br /&gt;Realização de exposições temáticas;&lt;br /&gt;Promoção de capacitações, cursos, oficinas e seminários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; ACERVO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O acervo do Centro de Formação, Pesquisa e Memória Cultural - Casa do Carnaval é composto de livros, periódicos, folhetos, cartazes, registros fotográficos, exposições, audiovisual (fitas VHS, CDs, CDs-ROM, disco em vinil, fitas K7, slides) referentes às nossas manifestações culturais.&lt;br /&gt;As exposições resultantes do processo de trabalho têm um caráter itinerante, podendo ser tomadas por empréstimo pelas escolas da rede pública ou privada e instituições congêneres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2.3 Mercado de São José&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o mais antigo edifício pré-fabricado em ferro no Brasil, exportado da Europa para o Recife, no final do século XIX. Foi projetado pelo engenheiro da Câmara Municipal do Recife, J. Louis Lieuthier, em 1871, que se inspirou no Mercado de Grenelle, de Paris, e construído pelo engenheiro francês Louis Léger Vauthier, responsável também pela construção do Teatro de Santa Isabel. O Mercado de São José foi inaugurado no dia 7 de setembro de 1875 e assim chamado por ter sido edificado no bairro de São José. Foi construído no mesmo local do antigo Largo da Ribeira do Peixe, onde eram comercializadas várias mercadorias para o consumo da cidade do Recife. Passou desde a sua criação por algumas reformas, como a de 1906, cujas obras duraram dez meses e a de 1941, quando foram colocados os combogós de cimento, em substituição às venezianas de madeira e vidro. Ambas modificaram a sua feição original mas deixaram intacta sua estrutura de ferro. Em novembro de 1989, uma parte do Mercado foi destruída por um incêndio que danificou sua estrutura. As obras de reconstrução só foram iniciadas quatro anos depois, em 1993, e sua reinauguração ocorreu em 12 de março de 1994. Antigamente, lá se apresentavam mágicos, acrobatas, ventríloquos, ouvia-se sons de pandeiros, zabumbas, cavaquinhos e sanfonas e havia muitos tipos populares, hoje, em grande parte, ausentes do local. O Mercado já foi o maior centro no Recife de cantadores, emboladores e da literatura de cordel.  Do ponto de vista arquitetônico é um monumento nacional que não faz parte apenas do patrimônio cultural do Brasil, mas também da humanidade, pois se constitui num raro exemplar da arquitetura típica do ferro, no século XIX. Atualmente, com seus 46 pavilhões, 561 boxes cobertos e 80 compartimentos na sua área externa, além de 24 outros destinados a peixes, 12 a crustáceos e 80 para carnes e frutas, o Mercado de São José é um local onde se encontra o melhor do artesanato regional, comidas típicas, folhetos de cordel, ervas medicinais, artigos para cultos afro-brasileiros, sendo também um importante centro de abastecimento do bairro de São José e um ponto de atração turística na cidade do Recife. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Tombamento do mercado São José&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Em 1973, o historiador Flávio Guerra solicitou o registro de tombamento do 1º mercado público, construído no Brasil. O São José em Recife, conforme o processo 883-T-73, transcrito  no livro do Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional – IPHAN, vol.1, inscrição nº 445, folha 73 e no livro de Belas Artes vol.1, inscrição nº 509, folha 92, ambos registrados em 17 de dezembro de 1973. O mercado é uma obra prima do século XIX, reconhecido como símbolo da arquitetura moderna e da cultura nacional. O mercado tem um passado de glória, foi o único que conquistou um Diploma Internacional para o Brasil e mantém vivo o livro histórico de fundação. Uma relíquia de 128 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. Em época de Carnaval...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Galo da Madrugada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O Clube de Alegoria Galo da Madrugada foi criado em dezembro de 1977, numa reunião de amigos do bairro de São José no carnaval. O assunto primordial era a diferença entre os carnavais antigos e o atual (daquela época). Segundo Enéas Freire, presidente perpétuo da agremiação a idéia inicial foi de se formar um clube de frevo. O clube foi fundado oficialmente em 24 de janeiro de 1978, na Rua Padre Floriano, 43, no bairro de São José, O seu principal objetivo é reviver as verdadeiras origens e tradições do carnaval de rua. Para isso, O Galo convoca e congrega todos os seus foliões em um grandioso e sensacional desfile, através das manifestações mais espontâneas e populares, unindo clubes de frevo e grupos de mascarados, nessa grandiosa festa que se realiza todos os anos com êxito. O desfile do Galo da Madrugada vem sendo realizado todos os anos na manhã do sábado de Zé Pereira. Por tradição, O Galo começa a concentração deste dia, a partir das 5:30 da madrugada, com toques de clarins anunciando a alvorada do carnaval pernambucano, além de uma batalha de confetes, serpentinas e uma salva de fogos, O Galo desfila pelos bairros de São José e Santo Antônio, reverenciando o frevo, juntamente com milhares de foliões. Vários blocos se aliam a grandiosa festa, na véspera da saída do Galo. O Bloco Azulão, formado por funcionários do Bandepe (Banco do Estado de Pernambuco), realizam um Acorda Povo na noite de sexta-feira para a madrugada de Zé Pereira. Outros blocos e grupos aderem ao cortejo no final do desfile do Galo, como: O Rabo do Galo, a Galinha do Galo, entre outros. O Galo da Madrugada é considerado o Maior Bloco Carnavalesco do Planeta, conforme o GUINESS BOOK, o livro dos recordes, de 1995.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Enéas Freire&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enéas Alves Freire "Neinha", nasceu no Recife, no dia 02 de dezembro de 1921, no Pátio do Terço, bairro de São José. Foi o sétimo e último filho do casal Enéas Garcia Freire e Bernardina de Lima Alves. O Pátio do Terço, naquela época, já era um pólo de animação do carnaval do Recife. Ainda criança, Enéas mudou-se para a Rua Padre Floriano, 41, onde morou até casar-se em 1946. Naquela época, a Padre Floriano também já era um pólo de animação do Carnaval do bairro de São José e do Recife. Assim, podemos dizer que Enéas cresceu "brincando Carnaval". Foi nesta rua, no número 43, que, em 1978, juntamente com vários amigos, que "Neinha" fundou o maior bloco da terra: "O Galo da Madrugada", que entrou, em 1995, para o Livro dos Recordes - "GUINESS BOOK", como o maior Bloco de Carnaval do Mundo. Mas o carnavalesco começou em 1938, quando fundou sua primeira agremiação: a troça "Papagaio Louro". Era o início de uma grande jornada dedicada ao Carnaval e à cultura popular do Recife. Enéas era casado com Maria do Carmo Travassos Freire, D. Carminha. O casal teve quatro filhos: José Mauro, Antônio Carlos, Ana Nery e Gustavo Henrique Travassos Freire, todos grandes foliões, como seus pais. &lt;br /&gt;No ano de 1949, Enéas participou, junto com vários amigos, da fundação da "Escola de Samba Estudantes de São José". Nos carnavais das décadas de 40 e 50, formou vários grupos mascarados e fantasiados de palhaços, que se destacavam pela beleza das fantasias, especialmente as máscaras e coletes. Já nas décadas de 50 e 60, comandou o Carnaval da Rua Padre Floriano, com o irmão Cláudio Freire, tornando aquela rua um dos melhores e mais animados pólos do carnaval de rua do bairro de São José e do Recife. Profissionalmente, Enéas sempre atuou de maneira autônoma, como corretor de seguros e imóveis e representante de madeiras do sul do País. Em novembro de 1977, surgiu a idéia de criar um bloco carnavalesco, do bairro de São José, que tocasse exclusivamente frevos e outros ritmos originais e tradicionais de nosso carnaval. Foi assim que, no dia 24 de janeiro de 1978, junto com seus filhos, genro e amigos, fundou o CLUBE DAS MASCARAS O GALO DA MADRUGADA, que realizou o primeiro desfile já no carnaval de 1978, então com 75 participantes. "Clubes das Máscaras" porque todos os participantes deveriam sair fantasiados de almas, morcegos, palhaços etc., usando máscaras, como os antigos grupos de foliões das décadas de 40, 50 e 60. "Galo da Madrugada" porque o bloco saia às 05h da manhã do sábado de Zé Pereira, ouvindo o cantar do galo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O objetivo do bloco era que às 08h da manhã os participantes já estivessem nas ruas do Centro do Recife ( Concórdia, Nova, Camboa do Carmo, Dantas Barreto, Guararapes, Duque de Caxias, etc), "brincando o carnaval" junto aos comerciários e comerciantes que estavam abrindo suas lojas para iniciar o "trabalho" no sábado de Carnaval. &lt;br /&gt;No ano de 1981, Enéas criou o Baile dos Estandartes, que foi realizado no Clube Português do Recife por 13 anos consecutivos. Nos anos 80 e 90 realizou o desfile de "Banho à Fantasia de Papel", na Avenida Boa Viagem. Em 1983 realizou um Carnaval especial no bairro de São José, transformando o local em um imenso Palco Carnavalesco. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1984 teve a coragem de inovar e colocar as Orquestras de Frevo em Trios Elétricos, para melhor atender aos milhares de foliões que já acompanhavam o "Galo da Madrugada". Em 1984 fundou o Bloco das Ilusões, em conjunto com sua esposa, diretores do "Galo da Madrugada" e outros amigos, entre eles: Fernando Azevedo, Fernando Bezerra, Dirceu Paiva, Marcos Macena, Nilzardo Carneiro Leão e Arnaldo Rocha. Ainda em 1984, em pleno mês de maio, realizou um grande desfile em Boa Viagem recepcionando os participantes do Congresso Internacional das Agências de Viagem, realizado no Recife, pela ABAV – Associação Brasileira das Agências de Viagens.  Em 2007, ano do Centenário do Frevo, Enéas Freire foi homenageado no desfile da "Escola de Samba Mangueira", do Rio de Janeiro, que levou o Recife para a Marquês de Sapucaí. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Batutas de São José&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Bloco Carnavalesco Misto Batutas de São José foi fundado no dia 5 de junho de 1932, no Pátio de São Pedro, n.33, (Recife), com uma festa animada pela banda do 21º Batalhão de Caçadores. Surgiu como uma dissidência do Batutas da Boa Vista e é o mais antigo bloco carnavalesco misto em atividade ininterrupta  do Recife. &lt;br /&gt;         &lt;br /&gt;A história do bloco foi contada através das músicas do compositor e carnavalesco João Santiago dos Reis, que se inspirou no dia-a-dia da agremiação. Personagens importantes da agremiação foram homenageados por ele como o fundador Augusto Bandeira, na música A vitória é nossa; Edite, figura obrigatória da ala feminina do bloco, em Edite e o cordão; Osmundo, um barbeiro que sempre foi o reco-reco de ouro do bloco, lembrado na música Reminiscência; Levino Ferreira, um dos mais importantes compositores de frevos-de-rua do carnaval de Pernambuco, em Escuta Levino. O maior sucesso comercial do Batutas, no entanto, foi a música Você sabe lá o que é isso, também de autoria de João Santiago, feita para o carnaval de 1952 e que ficou conhecida como o hino do bloco:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu quero entrar na folia, meu bem&lt;br /&gt;Você sabe lá o que é isso&lt;br /&gt;Batutas de São José, isso é&lt;br /&gt;Parece que tem feitiço&lt;br /&gt;Batutas tem atrações que,&lt;br /&gt;Ninguém pode resistir&lt;br /&gt;Um frevo desses bem faz,&lt;br /&gt;demais a gente se distinguir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixe o frevo rolar&lt;br /&gt;Eu só quero saber, se você vai brincar&lt;br /&gt;Ah! Meu bem sem você não há carnaval&lt;br /&gt;Vamos cair no passo e a vida gozar&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Passaram pelo bloco, além de João Santiago e Levino Ferreira, outros grandes compositores como Edgard Moraes, Nelson Ferreira e Álvaro Alvim. João Santiago dirigiu a orquestra Jazz do Batutas de São José, em 1958. A partir de 1959, passou a comandá-la o maestro Mário Guedes da Silva. Hoje, o bloco é freqüentado e administrado apenas por antigos sócios. A juventude o esqueceu, não colabora mais. A sede atual fica localizada no bairro de Afogados e suas únicas fontes de renda são os bailes realizados aos domingos e uma verba de ajuda de custo recebida da Prefeitura da Cidade do Recife. A falta de maior incentivo do poder público, dívidas trabalhistas, além do abandono da maioria dos sócios beneméritos colocam em risco a sobrevivência da agremiação, de tantas tradições e contribuições ao carnaval recifense e à cultura pernambucana. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Estudantes de São José&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A escola foi criada por um grupo de estudantes que resolveu desfilar pelas ruas do bairro São José durante o carnaval, vestidos com o saiote usado à época pelas colegiais. Um desses estudantes era o hoje conhecido maestro José Menezes. Até 1958, a escola só desfilava pelo bairro. No ano seguinte, passou a disputar oficialmente o carnaval recifense. Após o carnaval de 1992, participou do racha na FESAPE, ficando alguns anos disputando o carnaval da Federação Carnavalesca de Pernambuco, até a instituição do desfile da AESPE em 2000. Várias personalidades da rádio e da TV pernambucanas já desfilaram no Estudantes a exemplo de Mozart, Jorge Danel e Belo Xis. Também personalidades de fora do estado já participaram dos desfiles da agremiação, a exemplo dos Originais do Samba. Em sua quadra já cantaram os artistas Martinho da Vila, Beth Carvalho, Lecy Brandão, Noca da Portela, entre outros. Conquistou, ainda, vários títulos de Rainha do Carnaval com as candidatas que apresentou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. Hoje no Bairro de São José&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Localização: Situa-se na RPA: 1, Microrregião: 1.2 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Área Territorial (hectare): 178,0 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;População Residente (2000): 8.653 hab &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Taxa Geométrica de Crescimento Anual (1991/2000): -2,39 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;População Residente por Sexo:&lt;br /&gt;Masculina: 4.164&lt;br /&gt;Feminina: 4.489 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;População por Faixa Etária:&lt;br /&gt;0 - 4 anos: 912 &lt;br /&gt;5 - 14 anos: 1.834&lt;br /&gt;15 - 39 anos: 3.743&lt;br /&gt;40 - 59 anos: 1.444&lt;br /&gt;60 anos e mais: 720 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Taxa de Alfabetização da População de 15 anos e mais: 78,33 &lt;br /&gt;Número Total de Domicílios: 2.415 &lt;br /&gt;Domicílios Particulares: 2.323 &lt;br /&gt;Domicílios Particulares Permanentes: 2.285 &lt;br /&gt;Domicílios Particulares Improvisados: 38 &lt;br /&gt;Unidades em Domicílio Coletivo: 92 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Densidade:&lt;br /&gt;Demográfica (Habitante/Hectare): 48,61&lt;br /&gt;Domiciliar (Habitante/Domicílio): 3,58 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Proporção de Mulheres Responsáveis Pelo Domicílio: 48,10 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantitativo de Imóveis por Uso (IPTU/Sec. de Finanças):&lt;br /&gt;Imóveis Residenciais: 1.597 &lt;br /&gt;Imóveis não Residenciais: 2.458&lt;br /&gt;Terrenos: 2.491 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rendimento Nominal Médio Mensal dos Responsáveis por Domicílios com Rendimento Mensal: Total: R$ 314,07 &lt;br /&gt;Rendimento Nominal Mediano Mensal dos Responsáveis por Domicílios &lt;br /&gt;Rendimento Mensal: Total: R$ 190,00 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. Conclusão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No início da pesquisa, pensamos que não encontraríamos muito valor histórico e cultural nas antigas edificações do Bairro de São José. Porém, no decorrer desta atividade descobrimos a importante para a história de Pernambuco com diversos pontos turísticos, não só como o mercado São José ou eventos festivos durante o ano,mas lindas e antigas igrejas, centros culturais e museus. Todos esses, são patrimônios arquitetônicos que permanecem vivos até hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante nossas visitas notamos a falta de conhecimento e de interesse dos habitantes da localidade para com a história do Bairro. Percebemos também o desinteresse público em preservá-lo. Enfim, o trabalho foi muito proveitoso pelo conhecimento adquirido em um curto espaço de tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6. Referências&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bairro São José: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CAVALCANTI, Carlos Bezerra. O Recife e seus bairros. Recife: Câmara Municipal, 1998. 166p.&lt;br /&gt;IBGE. Censo demográfico 2000. Brasília, DF, 2000.      &lt;br /&gt;MATOS, Almícar Dória. Bairro de São José: um itinerário de saudade. Recife: Comunigraf; Prefeitura da Cidade do Recife, 1997.&lt;br /&gt;RECIFE. Prefeitura. Perfil municipal: histórico e evolução urbana. Recife, 1989. &lt;br /&gt;SILVA, Leonardo Dantas. Carnaval Do Recife. Recife: Fundação de Cultura da Cidade do Recife, 2000. 321p. Disponível em: www.fundaj.gov.br/notitia/servlet/newstorm.ns.presentation.NavigationServlet?publicationCode=16&amp;pageCode=317&amp;textCode=2687&amp;date=currentDate&gt;. Acesso em: 20 maio 2009.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Igreja de São Pedro dos Clérigos: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fundação Joaquim Nabuco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Igreja Nossa Senhora do Terço: &lt;br /&gt;FRANCA, Rubem. Monumentos do Recife. Recife: Secretaria de Educação e Cultura, 1977.&lt;br /&gt;GUERRA, Flávio. Velhas igrejas e subúrbios históricos. Recife: Fundação Guararapes, 1970.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Igreja Nossa Senhora da Penha:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Material foi fornecido pela própria Igreja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Igreja de Nossa Senhora do Carmo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disponível em:&lt;br /&gt;http://www.recifeminhacidade.hpg.ig.com.br/menu_indice/bairros/basilica_do_carmo.html&lt;br /&gt;http://pt.wikipedia.org/wiki/Bas%C3%ADlica_de_Nossa_Senhora_do_Carmo_(Recife)&lt;br /&gt;http://74.125.113.132/search?q=cache:E8qoNicYiUwJ:www.cerescaico.ufrn.br/mneme/anais/st_trab_pdf/pdf_6/graca_st6.pdf+Reforma+Tur%C3%B4nica&amp;cd=1&amp;hl=pt-BR&amp;ct=clnk&amp;gl=br&lt;br /&gt;http://pt.wikipedia.org/wiki/Bas%C3%ADlica_de_Nossa_Senhora_do_Carmo_(Recife)&lt;br /&gt;Material informativo da Prefeitura do Recife: Secretaria de Planejamento, Obras e Desenvolvimento Urbano e Ambiental – 8º Andar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                Igreja São José: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Folheto distribuído pela própria Igreja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                Museu de Arte Popular:&lt;br /&gt;Disponível em:&lt;br /&gt;http://www.recife.pe.gov.br/2008/11/21/recife_ganha_nova_sede_do_museu_de_arte_popular_164772.php&lt;br /&gt;http://www.miramarmaragogiresort.com/recife/index.html&lt;br /&gt;Material fornecido pelo próprio Museu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;               Estação Central do Recife:&lt;br /&gt; Disponível em:&lt;br /&gt;http://www.flickr.com/photos/raul_lisboa/1010332015/&lt;br /&gt;http://www.estacoesferroviarias.com.br/efcp_pe/central.htm&lt;br /&gt;http://peredescoberto.blogspot.com/2007/11/museu-do-trem.html&lt;br /&gt;http://www.recife.pe.gov.br/2005/04/28/mat_132449.php   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;               Sobre o Centro Cultural Banco do Brasil&lt;br /&gt;Disponível em:&lt;br /&gt;&lt;http://www.destinopernambuco.com.br/museus.php&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;              Forte das Cinco Pontas:  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BARBOSA, Antônio. Relíquias de Pernambuco: guia aos monumentos históricos de Olinda e Recife. São Paulo: Fundo Educativo Brasileiro, 1983 . &lt;br /&gt;BARBOSA, Fernanda de Paula. O Forte das Cinco Pontas. Recife: Secretaria de Educação e Cultura, 1972. Separata da Revista do Departameto de Cultura, n. 5.&lt;br /&gt;MOTA, Mauro. Fortalezas do Recife: Cinco Pontas e Brum. Arquivo Público Estadual, Recife, n. 1, p. 79-86, jan./jun. 1946. &lt;br /&gt;RIBEMBOIM, José Alexandre. As comunidades esquecidas: estudo sobre os cristãos-novos e judeus da vila de Igarassu, capitania de Itamaracá e cidade Maurícia. Recife: Officina das Letras, 2002. &lt;br /&gt;SILVA, Leonardo Dantas. Pernambuco preservado: histórico dos bens tombados no Estado de Pernambuco. Recife: Ed. do Autor, 2002. &lt;br /&gt;Disponível em: http://www.fundaj.gov.br/notitia/servlet/newstorm.ns.presentation.NavigationServlet?publicationCode=16&amp;pageCode=303&amp;textCode=1736&amp;date=currentDate&gt;. Acesso em: 23 maio 2009.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                Monumento Frei Caneca:  &lt;br /&gt;FRANCA, Rubem. Monumentos do Recife. Recife: Secretaria de Educação e Cultura, 1977. Disponível em: http://www.fundaj.gov.br/notitia/servlet/newstorm.ns.presentation.NavigationServlet?publicationCode=16&amp;pageCode=303&amp;textCode=1736&amp;date=currentDate&gt;. Acesso em: 26 maio 2009.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;               Casa da Cultura:&lt;br /&gt;CARRAZONE, Erica. Brennand e a Casa da Cultura. Suplemento Cultural D.O PE, Recife, ano 10, p. 9, jan. 1997.&lt;br /&gt;FRANCA, Rubem. Monumentos do Recife. Recife: Secretaria de Educação e Cultura de Pernambuco, 1977. p. 112.&lt;br /&gt;SOUSA, Alberto. O classicismo arquitetônico no Recife imperial. João Pessoa: UFPB, Editora Universitária; Salvador: Fundação João Fernandes da Cunha, 2000. p. 86-98. Disponível em: http://www.fundaj.gov.br/notitia/servlet/newstorm.ns.presentation.NavigationServlet?publicationCode=16&amp;pageCode=300&amp;textCode=901&amp;date=currentDate&gt;. Acesso em: 20 maio 2009.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;             Memorial Luiz Gonzaga:&lt;br /&gt;Disponível em: &lt;http://www.recife.pe.gov.br/mlg/gui/Memorial.php&gt;. Acesso em: 23 maio 2009.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;             Memorial Chico Science: &lt;br /&gt;BELÉM, M. Eduarda. Recife. Disponível em: &lt;http://www.recife.pe.gov.br/chicoscience/&gt;. Acesso em: 26 maio 2009.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;             Casa do Carnaval:&lt;br /&gt; Disponível em:&lt;br /&gt;http://www.recife.pe.gov.br/2007/07/12/mat_145038.php&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;             Mercado de São José: &lt;br /&gt;HÉLIO, Mário. Pesquisador quer vida nova para o Mercado de São José. Jornal do Commercio, Recife, 7 set. 1995. Caderno C, p.1. &lt;br /&gt;SANTOS, José Batista dos. Pernambuco histórico, turístico, folclórico. [Recife: s. n.], 1989. p.283-284. &lt;br /&gt;SILVA, Geraldo Gomes da. O Mercado de São José e sua arquitetura. Arquivos, Recife, n.2, p. 137-188, dez. 1977. Disponível em: http://www.fundaj.gov.br/notitia/servlet/newstorm.ns.presentation.NavigationServlet?publicationCode=16&amp;pageCode=309&amp;textCode=875&amp;date=currentDate&gt;. Acesso em 22 maio 2009.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;              Galo da Madrugada: &lt;br /&gt;LIMA, Claudia M. Assis Rocha. O GALO da Madrugada. Recife. Disponível em: &lt;http://www.fundaj.gov.br/docs/text/carnav7.html&gt;. Acesso em: 26 maio 2009.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;               Enéas Freire:&lt;br /&gt;Disponível em: http://www.carnavaldorecife.com.br/carnaval.php?pag=homenageados&gt;. Acesso em: 22 maio 2009.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;               Batutas de São José:&lt;br /&gt; Disponível em: http://www.fundaj.gov.br/notitia/servlet/newstorm.ns.presentation.NavigationServlet?publicationCode=16&amp;pageCode=299&amp;textCode=2678&amp;date=currentDate&gt;. Acesso em: 22 maio 2009.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                Estudantes de São José: &lt;br /&gt; Disponível em:&lt;br /&gt;WIKIPÉDIA. ESTUDANTES de São José. Recife. Disponível em: &lt;http://pt.wikipedia.org/wiki/GRES_Estudantes_de_S%C3%A3o_Jos%C3%A9&gt;. Acesso em 22 maio 2009.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;               Hoje no Bairro de São José:&lt;br /&gt; Disponível em:&lt;br /&gt;http://www.recife.pe.gov.br/pr/secplanejamento/inforec/saojose.php&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5559236354249669679-1657983038973697370?l=profbiuvicente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://profbiuvicente.blogspot.com/feeds/1657983038973697370/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5559236354249669679&amp;postID=1657983038973697370' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5559236354249669679/posts/default/1657983038973697370'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5559236354249669679/posts/default/1657983038973697370'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://profbiuvicente.blogspot.com/2009/06/o-bairro-de-sao-jose.html' title='O Bairro de São José'/><author><name>Biu Vicente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16556163874053147345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5559236354249669679.post-2384656169624648986</id><published>2009-06-01T07:59:00.002-03:00</published><updated>2009-06-01T08:08:08.968-03:00</updated><title type='text'>O Bairro da Boa Vista</title><content type='html'>UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO&lt;br /&gt;CENTRO DE ARTES E COMUNICAÇÃO&lt;br /&gt;DISCIPLINA: HISTORIA DA CULTURA&lt;br /&gt;PROFESSOR: SEVERINO VICENTE DA SILVA&lt;br /&gt;CURSO: TURISMO / 1º PERÍODO/ TARDE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BAIRRO DA BOA VISTA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrito por&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RAQUEL FERNANDES&lt;br /&gt;RENNAN CARVALHO                                         &lt;br /&gt;ROBERTA WANESSA&lt;br /&gt;TAYUA WEBSTER&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RECIFE, MAIO DE 2009.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trabalho apresentado à disciplina &lt;br /&gt;História da Cultura, do curso de Turismo, &lt;br /&gt;da Universidade Federal de Pernambuco, &lt;br /&gt;ministrada pelo professor Severino Vicente da Silva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A Rua Nova é relativamente velha. A Rua Velha é relativamente nova./ fiquei triste na Rua da Alegria (...) Assisti a uma briga na Rua da União que começou num bar agitado da Rua do Sossego (...) Na Rua do Hospício não encontrei nenhum maluco/ Mas na Rua 7 de setembro tem gente dependente/ E na Rua do Príncipe mora um excêntrico plebeu/ fiquei cego de paixão na Conde da Boa Vista (...) Mas o pôr-do-sol na Rua da Aurora é lindo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ruas paradoxais, de Ednaldo Pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Apresentação         &lt;br /&gt;2.     Contexto Histórico       &lt;br /&gt;2.1   História do bairro       &lt;br /&gt;2.2   Origem do Nome       &lt;br /&gt;2.3    Dados Geográficos       &lt;br /&gt;2.4    Ruas e Avenidas       &lt;br /&gt;2.5    Ponte 6 de Março       &lt;br /&gt;2.6    Ponte da Boa Vista       &lt;br /&gt;2.7    Ponte Duarte Coelho       &lt;br /&gt;2.8    Ponte Princesa Isabel       &lt;br /&gt;2.9    Praça Maciel Pinheiro      &lt;br /&gt;2.10  Praça Chora Menino       &lt;br /&gt;2.11  Praça Adolfo Cirne       &lt;br /&gt;2.12  Faculdade de Direito       &lt;br /&gt;2.13  Universidade Católica de Pernambuco    &lt;br /&gt;2.14  Faculdade Frassineti do Recife – FAFIRE    &lt;br /&gt;2.15  Câmara Municipal       &lt;br /&gt;2.16   Assembléia legislativa      &lt;br /&gt;2.17   Mercado da Boa vista      &lt;br /&gt;2.18   Igreja Matriz da Boa Vista      &lt;br /&gt;2.19   Colégio Salesiano       &lt;br /&gt;2.20   Colégio São José       &lt;br /&gt;2.21   Colégio Marista       &lt;br /&gt;2.22   Teatro do Parque       &lt;br /&gt;2.23   Teatro Valdemar de Oliveira     &lt;br /&gt;2.24   Cinema São Luis       &lt;br /&gt;2.25   Parque 13 de Maio       &lt;br /&gt;2.26   Biblioteca Pública Estadual      &lt;br /&gt;2.27   Instituto Arqueológico, Histórico e geográfico Pernambucano &lt;br /&gt;2.28   Museu de Artes Moderna Aloísio Magalhães   &lt;br /&gt;2.29   Hospital geral do Recife      &lt;br /&gt;3. Conclusão         &lt;br /&gt;4. Referências        &lt;br /&gt;5. Anexos          &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;APRESENTAÇÃO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O presente trabalho tem como tema central a história do bairro da Boa vista e seus monumentos históricos, juntamente com lugares que caracterizam o bairro.&lt;br /&gt;Tem enorme relevância não só para estudiosos, mas por todas as pessoas que freqüentam o bairro quase que diariamente. Aborda-se nele a história de pontes, ruas e avenidas, praças, lugares com enfoque a educação, como a faculdade de direito, faculdade FAFIRE, Universidade Católica de Pernambuco e colégios considerados antigos, como Salesiano, São José e Marista, além do grande acervo de livros da Biblioteca pública Estadual; sabendo da preocupação da população com o lazer Boa Vista dota-se de teatros, como Teatro do Parque e Teatro Valdemar de Oliveira, Cinema a ser reaberto no próximo semestre, o antigo São Luiz, comporta-se também um Shopping Center e um Parque, o chamado 13 de Maio; dando ênfase a religiosidade cristã/católica, é na Boa Vista que está localizada a Igreja Matriz da Boa Vista; merece-se destaque a ramificação da política, por nesse bairro está localizado a Câmara Municipal e Assembléia Legislativa; além de como todo bairro populoso em Boa Vista é encontrado o Hospital Geral do Recife; nele também irá encontrar a história de um importante mercado para o Recife, o Mercado da Boa Vista; e para preservar toda essa história temos o Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico de Pernambuco e o Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães.&lt;br /&gt;Sabendo de sua riqueza histórica, iremos sempre, em todos os pontos abordados a seguir, remeter às origens, fundamentando a importância de tal memorização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CONTEXTO HISTÓRICO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;História do Bairro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Durante o período da ocupação em Pernambuco (1630-1654), os holandeses construíram também algumas pontes. Uma delas favoreceu o surgimento de uma povoação e das tradicionais ruas Velha, da Matriz e da Glória. Vale registrar que, nesta última, recentemente, foi descoberto o primeiro Cemitério Judeu das Américas, criado durante o período de ocupação batava, e o funcionamento da Sinagoga Kahal Zur Israel, também a primeira das Américas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;No século XIX, quando a Ponte da Boa Vista foi construída, aterraram a área em suas proximidades, fazendo surgir a Rua do Aterro, hoje chamada de Imperatriz Tereza Cristina, bem como as ruas da Aurora e Formosa, atualmente, chamada de avenida Conde da Boa Vista. Posteriormente, outros mangues foram aterrados, dando margem ao surgimento do Ginásio Pernambucano, da Assembléia Legislativa e da Fundição d´Aurora.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;No bairro da Boa Vista, encontra-se o tradicional Parque 13 Maio. Até a segunda metade do século XIX, época em que a camboa do Riachuelo foi aterrada, as terras que atualmente, fazem parte do parque pertenciam à Ilha do Rato, um acidente geográfico flúvio-marinho de contornos incertos. No lado sul da ilha, manguezais e alagados jaziam inaproveitados. Esse terreno era chamado de Passeio Público 13 de Maio. Naquela época, foi elaborado o primeiro projeto para a construção de um parque propriamente dito e, nele, estavam incluídos o espaço do jardim da Faculdade de Direito do Recife, e as terras que vão desta Faculdade até a Ponte Princesa Isabel. Inaugurado em 1939, e medindo 6,9 hectares, o Parque 13 de Maio foi o primeiro parque urbano histórico do Recife e teve Burle Marx como paisagista. Na década de 1950, uma quarta parte da área do parque foi utilizada pelo Governo para a construção da Biblioteca Pública de Pernambuco, além de quatro escolas públicas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Origem do nome&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A denominação “Boa vista” teve sua origem no Palácio da Boa vista (ou Schoozit, em holandês), que foi construído no Recife por Maurício de Nassau, em 1643, para o seu repouso e lazer. O palácio ficava ás margens do rio Capibaribe, na ilha de Antônio Vaz, atual bairro de Santo Antônio e, como apreciava muito a bela paisagem, Nassau assim a designou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dados Geográficos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Localização: situa-se na RPA: 1, Microrregião: 1.2 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Área Territorial (hectare): 181,4 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;População Residente (2000): 14.033 hab &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Taxa Geométrica de Crescimento Anual (1991/2000): -2,15 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;População Residente por Sexo: Masculina: 5.864&lt;br /&gt;Feminina: 8.169 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;População por Faixa Etária: 0 - 4 anos: 564 &lt;br /&gt;5 - 14 anos: 1.477&lt;br /&gt;15 - 39 anos: 5.968&lt;br /&gt;40 - 59 anos: 3.550&lt;br /&gt;60 anos e mais: 2.474 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Taxa de Alfabetização da População de 15 anos e mais: 97,35 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Número Total de Domicílios 5.322 &lt;br /&gt;Domicílios Particulares: 4.920&lt;br /&gt;Domicílios Particulares Permanentes: 4.894&lt;br /&gt;Domicílios Particulares Improvisados: 26&lt;br /&gt;Unidades em Domicílio Coletivo: 402 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Densidade: Demográfica (Habitante/Hectare): 77,36&lt;br /&gt;Domiciliar (Habitante/Domicílio): 2,64 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Proporção de Mulheres Responsáveis Pelo Domicílio: 51,31 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantitativo de Imóveis por Uso (IPTU/Sec. de Finanças): &lt;br /&gt;Imóveis Residenciais: 7.695&lt;br /&gt;Imóveis não Residenciais: 5.206&lt;br /&gt;Terrenos: 2.277 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rendimento Nominal Médio Mensal dos Responsáveis por Domicílios com Rendimento Mensal: Total: R$ 1.737,96 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rendimento Nominal Mediano Mensal dos Responsáveis por Domicílios com Rendimento Mensal: Total: R$ 1.097,50&lt;br /&gt;Mapa anexado, pág. 47&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ruas e Avenidas&lt;br /&gt;A primeira rua que sai da Praça Maciel Pinheiro, o coração do Recife, é a Rua Imperatriz Tereza Cristina, onde se concentram lojas comerciais e a Igreja-Matriz da Boa Vista. Outra é a Rua do Aragão, local que abriga o comércio de móveis. A Rua Manoel Borba é a terceira que sai da Praça. Nela estão muitas óticas e o Hotel Central, o primeiro prédio alto da cidade. No fim daquela rua, chega-se à Praça Chora Menino.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; A quarta rua que sai da Praça Maciel Pinheiro é a do Hospício. Em seu número 81, vê-se o Teatro do Parque e, no imóvel de número 130, o Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano, o primeiro instituto histórico regional do Brasil, fundado em 1862. A alguns metros do Teatro do Parque, na Rua Martins Júnior número 29, encontra-se a Sinagoga Israelita do Recife, inaugurada em 1926.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A quinta rua que sai da Praça Maciel Pinheiro é a da Conceição, onde se encontram as casas de leilões e a Igreja Rosário da Boa Vista, templo no qual estão os restos mortais de Gervásio Pires e Pereira da Costa. Finalmente, as ruas da Matriz e da Alegria representam a sexta e sétima vias que partem daquele logradouro público. Em uma transversal dessas vias, situa-se a Rosário da Boa Vista, uma rua estreita que desemboca no Pátio de Santa Cruz.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Nesse Pátio, está situada a Igreja de Santa Cruz, concluída entre os anos de 1725 e 1732. No Pátio da Santa Cruz também encontram-se muitas ruas importantes. Uma delas é a Barão de São Borja, em cuja esquina se localiza o Centro de Saúde Gouveia de Barros, e onde existia o Cinema Politeama, o Colégio Pedro Augusto e a Escola Oliveira Lima. Do Pátio da Santa Cruz, passa também a Gervásio Pires, uma longa rua onde está o Mercado da Boa Vista. Seguindo-se essa rua, é possível se chegar, por um lado, no bairro dos Coelhos e, por outro, na Avenida Mário Melo, via próxima ao Cemitério de Santo Amaro, já no bairro de Santo Amaro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Na Rua Dom Bosco, que começa na Praça Chora Menino e no final da rua Manoel Borba, foi construído o Cinema Boa Vista, hoje transformado em loja comercial. Pouco mais adiante, encontra-se a Rua das Fronteiras, onde está situada a Igreja das Fronteiras, que serviu de residência a Dom Hélder Câmara (1909-1999), arcebispo do Recife e de Olinda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; No bairro da Boa Vista, estão ainda, entre outras, as ruas do Riachuelo, do Progresso, Giriquiti, Barão de São Borja e José de Alencar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ponte 6 de Março (Antiga Ponte Velha) - Construída em 1921 no mesmo lugar onde existia uma outra de origem holandesa, a Ponte 6 de Março está localizada em frente à popular Rua Velha. Talvez, por esse motivo, ela ficou conhecida entre os recifenses como a Antiga Ponte Velha. O apelido reina até hoje, mesmo depois de instalada uma placa de ferro com a inscrição Ponte Nova. Do local, os visitantes podem ter uma visão primorosa da Casa da Cultura, reduto do artesanato nordestino - um ótimo convite para as compras.Fica entre a Rua Cunha, no bairro de Santo Antônio, e a Rua Velha, na Boa Vista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ponte da Boa Vista - Apesar de construída em 1737, a atual estrutura da Ponte da Boa Vista foi erguida na Inglaterra apenas em 1876. Feita em ferro batido, a ponte apresenta pequenos ladrilhos que se encaixam em forma de losangos. Com o passar do tempo, a ponte passou por várias reformas, mas conseguiu conservar nas suas extremidades as pilastras de metal e o Brasão Imperial, assim como as inscrições em relevo sobre a história de Pernambuco. O local possui um tráfego intenso de pedestres, ambulantes e carros. Fica entre a Rua Nova, no bairro de Santo Antônio, e a Imperatriz, no bairro da Boa Vista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ponte Duarte Coelho - Construída em 1941, no mesmo lugar onde existia uma outra metálica chamada de Ponte da Maxabomba, a Ponte Duarte Coelho só foi inaugurada dois anos mais tarde, com cerca de 140 metros de extensão. Pilastras grossas de concreto e pequenos pilares de granito rosa dão forma a sua estrutura. O espaço reservado aos pedestres é todo revestido em mosaico vermelho. Fica Entre as Avenidas Guararapes, no bairro de Santo Antônio, e a Conde da Boa Vista, na Boa Vista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ponte Princesa Isabel - O Bairro do Recife e a cidade de Olinda podem ser contemplados desta ponte, a primeira feita em ferro no Recife. Sua estrutura foi projetada pelo engenheiro francês Louis Vauthier, o mesmo que fez o Teatro Santa Isabel e a Academia Pernambucana de Letras. A princípio, a ponte recebeu o nome de D.Pedro II, mas não demorou a se render ao nome da rua e do teatro que a cercam. Fica entre a Praça da República, no bairro de Santo Antônio, e a Santa Isabel, na Boa Vista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Praça Maciel Pinheiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inaugurada a 7 de setembro de 1876 em comemoração da vitória brasileira na Guerra do Paraguai (1864/187), só em 1889, com a Proclamação da República, passou a ser chamada de Praça Maciel Pinheiro, em homenagem ao advogado paraibano, promotor e juiz, Luís Ferreira Maciel Pinheiro, voluntário da Guerra do Paraguai. Recebeu vários nomes antes do atual, como Largo do Aterro, com a construção da Igreja, que passou a ser chamado de Praça de Boa Vista, e em 1870, que foi denominada de Conde D’Eu (Luís Filipe Gastão de Órleans, esposo da Princesa Isabel, francês naturalizado brasileiro e que substituiu Caxias no comando de tropas brasileiras na Guerra do Paraguai).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1846, para abastecimento de água no bairro, foi instalado um chafariz da Companhia do Beberibe, substituído em 1875 por uma fonte monumental de cantaria de Lisboa, que dá base até a coroa mede 7,85 metros, trabalho do artista português Antônio Moreira Ratto. Na fonte estão esculpidos quatro leões, sustentando uma grande bacia de 3,18 metros de diâmetro, onde há quatro figuras femininas com 1,60 metros cada uma, que recebem água de uma segunda bacia de 2,11 metros de diâmetro. Segue-se uma coluna e mais uma terceira bacia onde estão três máscaras de onde jorra água. Coroando a fonte está a figura de uma índia, adornada com penas na cintura, cocar, arco e flecha e colar de búzios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Situada no coração de Bairro da Boa Vista, a Praça Maciel Pinheiro era o reduto preferencial de convivência da comunidade judaica do recife, pois decorrente do anti-semitismo e das graves perseguições racistas, antes da II Guerra Mundial, muitas famílias judias vieram morar no bairro da Boa Vista. A praça virou então o principal fórum de encontros e debates por parte dos imigrantes, o que mais se ouvia era o lídiche, língua falada pelos askenazim, os judeus da Europa Oriental.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Em frente à praça, no nº 387, viveu a sua infância a escritora Clarice Lispector, por isso a estátua em sua homenagem, imagem da escritora sentada com uma máquina de datilografia no colo do lado da fonte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Praça Chora Menino&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fica próxima ao Colégio Salesiano, à Praça do Derby e às ruas do Progresso e das Ninfas, é hoje uma simples confluência de vias. Mas sua fama e nome datam do século XIX. No ano de 1831, Recife enfrentou a revolta Setembrizada, rebelião, sem qualquer apoio político, de soldados rasos, encerrada com o assassinato de cerca de 300 pessoas nas imediações daquela praça.&lt;br /&gt;O nome vem de relatos que começaram a circular tempos depois da Setembrizada, os quais dizia-se que quem passasse altas horas da noite perto da praça ouvia sempre choro de menino, devido a lenda abordar que muitas crianças foram enterradas no local onde hoje fica a praça.&lt;br /&gt;Ao lado da praça está uma livraria, onde foi o Cinema Boa Vista: em frente dela, um conjunto de apartamentos, construído onde foi a casa do usineiro Francisco Pessoa de Queiroz, incendiada e metralhada nas manifestações da Revolução de 30.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Praça Adolfo Cirne&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao final da rua do hospício encontra-se a Praça Adolfo Cirne, na frente da Faculdade de Direito. Na praça que homenageia o ilustre paraibano e Diretor da Faculdade de Direito, Adolfo Cirne, estão dispostos bustos e estátuas que fizeram parte da glória da faculdade, ou das histórias que ajudaram a escrever: do poeta Carlos Pena Filho; de Tobias Barreto, fundador da escola de Recife; de Paula Batista, grande jurista e referência obrigatória em direito processual; de Demócrito de Souza Filho, morto pela intolerância na redemocratização de 1945; Visconde de São João Leopoldo, paulista que como ministro referendou nosso curso jurídico; de Martins Júnior, escritor e professor de Direito; e de Aprígio Guimarães, professor e ex-diretor da Faculdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faculdade de Direito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Faculdade de Direito do Recife pertence à Universidade Federal de Pernambuco e teve seu prédio tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O curso jurídico foi criado, simultaneamente, na cidade de São Paulo e em Olinda, em 11 de agosto de 1827, pela carta de Lei do imperador Pedro I, foram os dois primeiros cursos superiores do Brasil. Instalado no dia 15 de maio de 1828, no mosteiro de São Bento, passando a funcionar em dependências cedidas pelos monges beneditinos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1852, o Curso foi transferido do mosteiro de São Bento para o palácio dos antigos governadores, prédio reformado situado no alto da Ladeira do Varadouro, em Olinda, que ficou conhecido pelo nome de Academia. Em 1854, a Academia transferiu-se para a Rua do Hospício, no Recife, onde hoje se encontra o Hospital Geral do Exército. Depois, em 1862, no colégio dos Jesuítas, ao lado da Igreja do Espírito Santo, na Praça 17. Em 1912, mudou-se para o prédio onde funciona até hoje, na Praça Dr. Adolfo Cirne, no Recife, depois de concluídas as obras no Governo da República.                                                                            &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O prédio construído por José de Almeida Pernambuco, ocupa uma área de 3.600 metros quadrados, no centro de uma área ajardinada e seu projeto arquitetônico, eclético, com predominância do estilo neo-clássico, com portões de entrada em arcos romanos, um zimbório e três estátuas de mulheres, é de autoria do arquiteto francês Gustave Varin. No pátio interno um busto de Castro Alves e no andar superior uma galeria de quadros com nossos governantes.                                                                                                                 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde os seus primeiros anos de existência atuava não apenas como um centro de formação de bacharéis, mas, principalmente, como escola de Filosofia, Ciências e Letras, tornando-se célebre pelas discussões e polêmicas que empolgavam a sociedade da época. Foi nela, onde nasceu e floresceu o movimento intelectual poético, crítico, filosófico, sociológico, folclórico e jurídico conhecido como a Escola do Recife, nos anos de 1860 e 1880 e cujo líder era o sergipano Tobias Barreto de Meneses, virando assim patrono da Faculdade de Direito do Recife.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Possui uma grande biblioteca com mais de 100.000 volumes, muitos deles raros e preciosos, nas áreas de direito, filosofia, história e literatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Universidade Católica de Pernambuco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Situada na Rua do Príncipe, foi criada em 27 de setembro de 1951 e reconhecida pelo Governo Federal através do Decreto 30.417 de 18 de janeiro de 1952. A idéia surgiu quando Dom Sebastião Leme assumiu a Arquidiocese. No entanto, já em 1943, o Padre Antônio dos Santos Abranches fundava a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Padre Manuel da Nóbrega, atualmente Faculdade de Filosofia da UNICAP.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seu desenvolvimento, a Universidade conheceu incorporação, agregação ou criação de faculdades, institutos ou escola superior, até aplicar, em 1974, a reforma universitária, preconizada em lei, adotando o modelo ternário homogêneo de reitoria, centros e departamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, a Unicap faz parte de um grupo de mais de 200 universidades espalhadas pelo mundo, uma rede de instituições católicas de ensino superior com instituições predominantemente na Europa e na América Latina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Católica é composta por dez prédios no seu campus da Boa Vista, teve dez de seus cursos listados entre os melhores do país, segundo o Guia do Estudante, da Editora Abril em 2007 e em 2008 a universidade foi apontada pelo Ministério da Educação como a melhor universidade particular de Pernambuco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faculdade Frassinetti do Recife -FAFIRE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Faculdade Frassinetti do Recife - FAFIRE - antes denominada Faculdade de Filosofia do Recife, é uma das primeiras escolas de nível superior de Pernambuco e do Nordeste brasileiro em funcionamento nos dias atuais.                                                         &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mudança do nome da Instituição surgiu diante da possibilidade de ampliação das&lt;br /&gt;áreas de conhecimento, através da implantação de novos cursos, cujas propostas&lt;br /&gt;passam a abranger outros campos de estudos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A FAFIRE foi fundada em 1940, sendo reconhecida através do Decreto-lei nº 13.583, de 5 de outubro de 1943, oferecendo os cursos de Filosofia, Matemática, Geografia e História, Ciências Sociais, Letras Clássicas, Letras Neolatinas, Letras Anglogermânicas e Pedagogia. Em 1964, foi agregada à Universidade Federal de Pernambuco. Hoje em dia, a FAFIRE é uma faculdade particular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Câmara Municipal do Recife:&lt;br /&gt;É o órgão legislativo do município do Recife.Composta por 37 vereadores é a maior casa legislativa municipal de Pernambuco.                                                                                                         &lt;br /&gt;Instalada dentro do quarteirão do Parque Treze de Maio, funciona desde 1962, abrigou antes, a Escola Normal do Recife, criada em 1864, a qual foi tranferiada, sob o nome de Instituto de Educação de Pernambuco (IPE).&lt;br /&gt;Em 31 de agosto de 1951 denonominou-se Casa de José Mariano, referência ao ilustre líder abolicionista. Fechada na Revolução de 30, somente foi reaberta em 1936. novamente fechada em 37, com o novo golpe de estado promovido por Getúlio Vargas, reaberta em 47, com a redemocratização do país e a promulgação da Constituição de 1946, mais uma vez a autonomia municipal foi reconquistada, quando funcionou na Rua da Guia, no Bairro do Recife. A Câmara funcionou no prédio da antiga Cadeia ( hoje Arquivo Público) na Rua do Imperador, depois na praça 17 e na Praça da República.&lt;br /&gt; Um painel de autoria de Adão Pinheiro, no saguão de entrada, ressaltando a figura do abolicionista José Mariano e sua mulher Olegarinha, mostra um cenário onde escravos cantam alegremente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assembléia Legislativa:&lt;br /&gt;É o órgão de representação do Poder Legislativo através dos deputados estaduais do estado de Pernambuco. Está localizada na Rua da Aurora&lt;br /&gt;Atualmente conta com 49 deputados estaduais eleitos pelo voto direto, sendo organizada em Plenário (órgão supremo), Mesa Diretora e Comissões.&lt;br /&gt;Denominada de Palácio Joaquim Nabuco,  a Assembléia Legislativa foi criada em 1834, substituindo o Conselho Geral e funcionou inicialmente no Forte dos Matos, Bairro do Recife, a partir de 1835. &lt;br /&gt;Sua atual sede foi projetada pelo arquiteto pernambucano José Tibúrcio Pereira Magalhães e teve sua construção iniciada no começo da década de 1870. A inauguração ocorreu em 1º de março de 1875, com o prédio ainda inacabado. A obra só foi entregue definitivamente no dia 20 de janeiro de 1876.&lt;br /&gt;O edifício possui um busto do patrono Joaquim Nabuco, parlamentar, orador e abolucionista, e quatro estátuas de mulheres em tamanho natural, que simbolizam a sabedoria, a jurisprudência, a justiça e a eloquência, estão localizadas na sala redonda onde se reunem os deputados.&lt;br /&gt;Ao lado da Assembéia, o prédio do Ginásio Pernambucano, fundado como Liceu Provincial, com sua sede no Convento do Carmo. Educandário de muito prestígio no passado, por ele passaram grandes personalidaes de nossa história política e cultural.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Mercado da Boa Vista&lt;br /&gt;Localizado na Rua de Santa Cruz, é um dos mais antigos mercados públicos em funcionamento no Recife, não se sabe ao certo a data de sua inauguração. Suas instalações, ou parte delas, serviu como estribaria e depois como cemitério da Igreja de Santa Cruz, tendo funcionado também, pelo menos para alguns pesquisadores, como Mercado de Escravos. Ficou desativado por vários anos, ocasião em que chegou a ser usado como depósito de ferro velho.&lt;br /&gt;O mercado foi totalmente reformado e reinaugurado em 02 de dezembro de 1946. Antônio Pereira era o prefeito da cidade e Otávio Correia o governador de Pernambuco. Passaria por outras reformas em 1991 e 1994. possui 63 boxes, que comercializa cereais, verduras, frutas e legumes, carnes, aves e frios, além de ervas e armarinhos. Há nove bares, que servem comida regional no café da manhã, almoço e jantar. A clientela é formada, principalemtne, por sindicalistas e políticos, que se deliciam com o famoso patinho cozido no feijão preto.&lt;br /&gt;O Mercado Boa Vista atravessou os tempos e as mudanças sociais e continua como um ponto de encontro importante, não só dos moradores daquela como outras localidades, tanto é que acolhe um grupo de pessoas, há vários anos e que ainda hoje se encontra, semanalmente, no seu pátio interno, costume iniciado na década de setenta, como nos informa um dos integrantes da turma:&lt;br /&gt;“em pleno ano de chumbo os livreiros e ditribuidores de livros, entre outras pessoas com idéias e objetivos comuns, passaram a se encontrar todos os sábados no Bar de Dona Maria (Madalena Alves), no Mercado da Boa Vista, onde não faltavam bebidas e comidas típicas, afim de fazrem uma avaliação da semana e baterem papo, tomando uns aperitivos onde se destaca uma bebida criadapelo distribuidor de livros Ludovíco Sontoro, com os seguintes ingredientes: pitú, anis estrelados e erva doce, é a bebida oficial do “Escitório” e apelidada de M.L (Mistura Ludovíco). Com o decorrer dos encontros, o grupo fo se consolidando, se organizando melhor, até que adotou um ponto rotineiro para as suas reuniões, em frente ao Bar de Dona Maria, hoje pertecente a “Amaro. Plantaram jambeiro que atualemente dá sombras às reuniões do grupo.”&lt;br /&gt;Graças ao incentivo do Prefeito mais popular do Brasil, Sr. João Paulo Lima e Silva, o Mercado da Boa Vista foi incluso na Programação Oficial do Carnaval através da Fundação de Cultura com duas Manhãs de Sol, no domingo e na terça-feira de carnaval do ano de 2004. No final da tarde da terça-feira de carnaval foliões, permissionários, clientes em geral comentavam que o mercado não deveria ter apenas dois dias de folia já que o espaço era atrativo e o ambiente familiar sendo ótimas referêcias. &lt;br /&gt;Logo o administrador do Mercado Sr. Ivan Severino foi procurado por um grupo de amigos, clientes frenquetadores, permissionários e repesentantes da Fundação de Cultura para juntos encontrarem uma maneira da brincadeira de carnaval não ficar apenas no domingo e na terça-feira. Sentados debaixo da Jambeiro começaram então a sugerir idéias, foi quando o administrador Sr Ivan com a permissionária Tereza Cristina do Buchadas  Bar, box nº10 sugeriram realizar na quarta-feira de cinzas o Bacalhau do Mercado da Boa vista, em meio a propostas, a inevitável pergunta: se a Fundação de Cultura conseguiria trazer ao mercado uma orquestra de frevo para o dia sequinte, diante tantas festividades já programadas? A resposta veio do representante da Fundação de Cultura Sr manoel Constantino que com seus influentes conhecimentos e sua simpatia de folião dentro de meia hora conseguiu a resposta via celular de que a orquestra de frevo para o Mercado estava garantida para o tão esperado evento. Foi dai que o administrador realizou uma cota com alguns permissionários e comprou: bacalhau,tomate,pimentão e coentro, colocando-os na vara e ao som de muito frevo e gente bonita foi realizado assim o primeiro bacalhau do Mercado da Boa Vista. Daí em diante o mercado passou a ser divulgado por suas festividas culturais com enfase no mercado como Antologia das Águas dos organizadores Lourdes Nicácio e Silvia,Ricardo Japiassu Simões,Raphaela nicácio e também por outros meios de divulgação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Igreja Matriz da Boa Vista&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1783 começou a ser construída, no início era capela e em 1805 foi elevada a matriz  (principal igreja do bairro). Ficou pronta em 1884, demorando quase 105 anos para ficar totalmente pronta, pois suas torres foram construídas depois.&lt;br /&gt;Foi fundada por uma irmandade, que é uma sociedade religiosa sem fins lucrativos.&lt;br /&gt;As confrarias de Santa Cruz e a do Santíssimo Sacramento faziam parte da igreja de Santa Cruz, porém pelo grande desentendimento entre elas, a confraria do Santíssimo Sacramento comprou o terreno na Boa Vista e fundaram a capela.&lt;br /&gt;A igreja possuía um cemitério que servia para ajudar no financeiro para a construção da igreja.&lt;br /&gt;Ao lardo esquerdo da capela foi sepultado o bispo D. Thomaz de Noronha e Brito, falecido em 9 de junho de 1847, e Felippe Nery Ferreiro,um dos patriotas revolucionários de 1817.&lt;br /&gt;Lá também funcionou um posto médico.&lt;br /&gt;Em 1959 chegaram aqui os padres holandeses e trouxeram o movimento da adoração perpétua.&lt;br /&gt;Com formosa fachada de cantaria de Lisboa, encontramos nas torres da igreja o galo, que representava o símbolo de poder dos portugueses.&lt;br /&gt;O patrimônio declarou tombamento da igreja em 1938, e só teve uma reforma em 1971.&lt;br /&gt;Hoje o presidente da igreja é uma mulher, que foi a primeira diretora mulher da igreja. Sua posse acontecerá no dia 31de maio de 2009.&lt;br /&gt;Todo ano acontece a festa do corpo de Deus,que não tem data fixa pois depende da páscoa,que reúne centenas de fiéis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Colégio Salesiano&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Construído num sobrado na antiga Rua do Mondego,hoje Dom Bosco, o colégio Salesiano foi estabelecido no Recife em 1894,com o nome Liceu de artes e ofícios do santíssimo coração de Jesus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passaram por esta instituição de ensino passaram importantes figuras da história pernambucana, como o sociólogo Paulo Viana, criador da Noite dos Tambores Silenciosos e Barbosa Lima Sobrinho. Jornalista e ex-governador pernambucano&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Colégio São José&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro colégio de moças no nordeste.O colégio São José pertence à congregação das irmãs Dorotéia, fundada em Gênova,na Itália, por Paula Franssinetti em 1834.Em Recife foi fundado em 1866,quando aqui chegaram as primeiras Dorotéias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Colégio Marista&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fundado em 1911 pelo irmão Paulo Bechmans com o nome de colégio da Imaculada Conceição,foi transferido para a Rua do Hospício em 1921 e para Avenida Conde da Boa Vista em 1924,com o nome de Colégio Marista do Recife. Atualmente desativado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teatro do Parque&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Construído pelo comerciante português Bento de Aguiar, que investiu 200 contos de réis e entregou a decoração da casa aos pintores Henrique Elliot e Mário Nunes, o prédio do Teatro do Parque é todo em art-nouveau e foi cuidadosamente projetado para oferecer mais conforto ao público de uma cidade tropical. Em 24 de agosto de 1915, foi inaugurado com a apresentação da Companhia Portuguesa de Operetas e Revistas. Grandes companhias brasileiras passaram pelo palco do teatro, como as de Vicente Celestino e Alda Garrido, e as primeiras peças da parceria Samuel Campelo - Valdemar de Oliveira. Na época do cinema mudo, os filmes eram acompanhados por músicos que, depois, fizeram nome, como o maestro e compositor Nelson Ferreira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Parque fez parte, também, da consagração do cinema falado. De 1929 a 1959, o espaço foi arrendado ao grupo Luiz Severiano Ribeiro e lançava filmes da Disney e chanchadas brasileiras. Mas, graças à pressão da classe teatral, o prefeito Pelópidas da Silveira o desapropriou e promoveu uma reforma completa. A reinauguração aconteceu em 13 de setembro de 1959, com a peça Onde Canta o Sabiá, com direção de Hermilo Borba Filho. Em 1973, um convênio entre a gestão municipal e o Instituto Nacional de Cinema, o Parque foi transformado no primeiro cinema educativo permanente no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2002, já na gestão do prefeito João Paulo, o Parque teve o seu equipamento de cinema todo modernizado. Em 2006, a Fundação de Cultura Cidade do Recife (FCCR) comprou um novo equipamento de iluminação e o teatro também recebeu doação da Funarte. Ainda em 2006, foram trocadas as alcatifas das escadarias e em 2007, executado boa parte do Projeto do Sistema Contra Incêndio. Na Manutenção de 2008, foi trocado 40 % do madeiramento do palco, recuperada a Caixa D'água Superior e as Vitrines do Hall, entre outros melhoramentos. Segundo a gerente de Serviços do Teatro do Parque, Niziani Miotto, o local é um espaço de toda a sociedade recifence. Com seu charme e estilo, o Parque é um teatro almejado por todos devido a sua estrutura; totalmente climatizado, com novecentos lugares e uma ótima localização, tem uma programação eclética e cinema de qualidade a preço popular, afirma Niziani.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No verão, o Parque oferece em seu jardim o Projeto Intervalos, que proporciona uma interação do artista regional com o publico que transita em seus arredores. E apóia, também, os projetos Janeiro de Grandes Espetáculos, Todos Verão Teatro, Mostra Brasileira de Dança, Projeto Seis e Meia, entre outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Teatro do Parque, hoje, abriga a Banda Sinfônica da Cidade do Recife e continua promovendo sessões de cinema a preços populares, iniciativa elogiada nacionalmente. Seu palco continua aberto às apresentações de artes cênicas e música, e o jardim e o hall abrigam exposições das mais diversas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teatro Valdemar de Oliveira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Nosso Teatro, que seria construído pelo Teatro de Amadores de Pernambuco, teve obras iniciadas em dois locais diferentes, antes de sua localização final. Inicialmente, foi doado ao grupo o Teatro Almare, cujo terreno foi desapropriado pelo governo de Pernambuco para ali construir a Biblioteca Pública. Depois um prédio abandonado no bairro da Encruzilhada teria essa destinação, mas o intento não se realizou. Por fim, foi adquirida a casa 412 da Praça Oswaldo Cruz, onde foi erguido o teatro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o nome de Nosso Teatro, foi inaugurado em 23 de maio de 1971 por Valdemar de Oliveira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a morte do seu idealizador e criador, em 18 de abril de 1977, o grupo teatral, em sua homenagem, mudou seu nome para Teatro Valdemar de Oliveira no dia em que completava 6 anos, em 23 de maio de 1977.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 19 de outubro de 1980 um incêndio destruiu as instalações do teatro, que passou muito tempo para ser restaurado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele foi totalmente reconstruído, sendo reinaugurado em 20 de dezembro de 1987.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Teatro Valdemar de Oliveira, por sua vez, está localizado na Praça Osvaldo Cruz número 412, no bairro da Boa Vista, defronte da Sociedade Pernambucana de Medicina. Foi construído pela família Oliveira, possui quatrocentos (400) lugares e foi chamado, inicialmente, de Nosso Teatro. No salão do teatro nobre podem ser apreciadas duas telas de Murillo La Greca: um retrato do Conde da Boa Vista e um outro do engenheiro Louis Vauthier.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 23 de maio de 1971, o Teatro de Amadores passou a chamar o Nosso Teatro de Teatro Valdemar de Oliveira, como uma justa homenagem ao seu fundador. Além de médico e professor, Valdemar de Oliveira foi ainda advogado, higienista, musicólogo, escritor, diretor e crítico de arte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até hoje, o Teatro Valdemar de Oliveira mantém uma estrutura do tipo familiar. Nele, o ator não é tratado como um artifício em cena, mas como uma parte relevante do grupo. O trabalho do elenco, por sua vez, continua sendo filantrópico: todo o capital financeiro, depois de tiradas as despesas de custeio da montagem e o pagamento do pessoal fixo - secretárias, contra-regras, arquivo - é revertida para várias entidades sem fins lucrativos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cinema São Luíz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 06/09/1952 foi inaugurado o cinema São Luiz, na Rua da Aurora, completando o projeto de uma das mais complexas obras de arquitetura e engenharia da Cidade, que é o edifício Duarte Coelho, construído em local onde foi, até o final da guerra, uma grande igreja anglicana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ir ao cinema São Luiz, na década de 50, até meados dos anos 60, era quase que uma realização cerimonial, e requintada até, pois os homens eram 'obrigados' a trajar paletó e gravata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O São Luiz fechou as portas em outubro de 2006. A boa notícia é que o cinema será reaberto no início de 2009 e será o principal espaço do projeto Estação Audiovisual de Pernambuco, que visa à criação de um complexo de divulgação da produção audiovisual, por meio da recuperação estrutural e modernização de equipamentos do Cine São Luiz, Cine-Teatro Arraial e Museu da Imagem e do Som de Pernambuco (Mispe), todos localizados na Rua da Aurora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após a conclusão dos trabalhos, o lugar passará a comportar tanto a exibição audiovisual quanto a realização de atividades de capacitação e treinamento. Pretende-se, por exemplo, oferecer aos alunos das escolas públicas, durante o dia, oportunidades de acesso às projeções e, à noite, será a vez dos cinéfilos aproveitarem uma programação de qualidade a preços populares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, o Governo acertou parceria com o Instituto Lula Cardoso Ayres para instalar a Cinemateca Pernambucana, a qual com contará, inicialmente, com os 3 mil títulos do acervo da entidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parque Treze de Maio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante o governo do General Barbosa Lima (1892-1896), teve início a construção do Jardim 13 de Maio. Porém, somente por ocasião do III Congresso Eucarístico Nacional, que foi realizado no Recife, é que a Prefeitura decidiu melhorar o aspecto daquela campina abandonada, construindo no local, então, o Parque 13 de Maio. Vale ressaltar que isso ocorreu em decorrência da pressão de jornalistas, escritores e negociantes, sob o argumento de que os espaços verdes públicos contribuíam, não somente para a beleza das cidades, mas para a saúde e elevação espiritual dos indivíduos.&lt;br /&gt;Cabe salientar que, apesar de não representar o mais antigo, o Parque 13 de Maio é o primeiro parque urbano histórico do Recife. Foi inaugurado como tal no dia 30 de agosto de 1939, medindo 6,9 hectares, situando-se em uma área bastante central da cidade. Nessa época, na produção artística do meio ambiente, já atuava Burle Marx, um dos mais célebres paisagistas do País, e que também elaborou o projeto dos primeiros jardins públicos do parque.&lt;br /&gt; Ali, observa-se uma variada vegetação contendo árvores, ervas tropicais e arbustos. No parque foram plantados dendezeiros, palmeiras imperiais, palmeiras-leque, paus-brasil, flamboyants, acácias, fícus-benjamim, paus-d’arco, além de árvores frutíferas tais como jaqueiras, mangueiras, sapotizeiros, jambeiros, abacateiros e tantas outras.&lt;br /&gt;Em seus postes de iluminação, vêem-se quimeras mitológicas: figuras com cabeça e busto de mulher, asas de águia e corpo de leão. Existem, ainda, equipamentos recreativos para crianças e adolescentes, tais como balanços e escorregos.&lt;br /&gt;Na década de 1940, lá foi construído um restaurante tradicional - o Torre de Londres - que tinha o formato de uma torre e cuja cozinha era considerada como de boa qualidade. Esse restaurante foi posteriormente desativado. E, na década de 1950, uma quarta parte da área do parque foi utilizada para a edificação da Biblioteca Pública de Pernambuco, como ainda de quatro escolas públicas. &lt;br /&gt;Na entrada do Parque, pode-se ler uma placa com os seguintes dizeres:&lt;br /&gt;Este parque, cujo primeiro projeto data de 1865, foi construído em 1939, no governo de Agamenon Magalhães, pelo prefeito Novais Filho, para as solenidades do III Congresso Eucarístico Nacional.&lt;br /&gt;Criados em bronze pelo artista Bibiano Silva, encontram-se também os bustos de Dantas Barreto (com um pedestal de pedra e uma espada colocada na vertical), e do historiador Francisco Augusto Pereira da Costa.&lt;br /&gt;Em 1973 e 1976, ali foram empreendidas algumas reformas. Além de um mini zoológico, o Parque 13 de Maio recebeu duas esculturas em concreto, feitas por Abelardo da Hora: o vendedor de caldo-de-cana, e dois sertanejos nordestinos, sentados, tocando violão. E, nos anos 1980, por questão de segurança dos usuários e como medida de proteção contra o vandalismo que o Parque 13 de Maio vinha sofrendo, o local foi todo cercado por grades de ferro. &lt;br /&gt;Cabe registrar por fim que, segundo a legislação municipal de 1979, o Parque 13 de Maio e a Faculdade de Direito foram declarados sítios de preservação histórica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Biblioteca Pública do Estado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi criada durante a administração do Conde da Boa Vista, em 1841, mas só teve a sua inauguração, na sala de desenho do Liceu Pernambucano, no dia 5 de maio de 1852.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A biblioteca passou por várias mudanças, desde então. Ela foi instalada no Colégio das Artes (na Rua do Hospício), depois mudou-se para o convento do Carmo, em Olinda, e veio depois para um prédio situado na praça da República.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1930, a biblioteca foi transferida para o prédio de número 371 da Rua do Imperador, onde, desde 1731, funcionava a Cadeia Nova, a segunda cadeia do Recife, e que, posteriormente, abrigou a sede do Senado da Câmara - o Fórum de Pernambuco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cabe registrar, a título de informação, que, na segunda cadeia do Recife, esteveram presos grandes patriotas brasileiros de 1817 e 1824, como o frade carmelita Joaquim do Amor Divino Caneca, conhecido como Frei Caneca. De lá, o frade foi levado pelas ruas do Recife, a pé, com destino ao Forte das Cinco Pontas, onde foi executado a tiros de arcabuz.&lt;br /&gt;Em março de 1975, por não conseguir mais comportar os seus 70.000 volumes, a Biblioteca Pública mudaria novamente. Da Rua do Imperador, dessa vez, ela veio para um novo prédio situado no parque 13 de Maio, no bairro de Santo Amaro, local onde se encontra até o presente. No lugar da antiga biblioteca, instalou-se o Arquivo Público Estadual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde 1975, a Biblioteca Pública passou a se chamar Biblioteca Estadual Presidente Castelo Branco. Hoje, o seu acervo conta com cerca de 100.000 livros, 15.000 folhetos, 430 mapas e 1.450 volumes de jornais, mas tem capacidade para abrigar 250.000 volumes.&lt;br /&gt;Em se tratando de jornais, é possível se encontrar o Diario de Pernambuco desde o dia 15 de janeiro de 1828; o Jornal do Commercio, com exemplares anteriores à Revolução de 1930; e os primeiros exemplares dos jornais do Estado mais antigos surgidos em 1821, como Aurora Pernambucana, Segarrega, e Relator Verdadeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No que se refere à seção de manuscritos, o acervo contém cartas e ordens régias, sesmarias, ofícios do Governo, patentes e atos de Câmaras Municipais desde a segunda metade do século XVII (época da Capitania ou Província). E, presentes na seção de raridades, existem livros raros, em suas edições originais, concernentes à História do Brasil colonial e à Geografia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Biblioteca possui seções de Coleções Especiais (periódicos, manuscritos, iconografia, obras raras), Referência, Atividades em Grupos, Extensão, Audiovisuais e Música, Biblioteca Circulante e Biblioteca Infantil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela Biblioteca Estadual Presidente Castelo Branco passaram renomados pesquisadores e estudiosos, a exemplo de Gilberto Freyre, Pereira da Costa, José Antônio Gonsalves de Mello, Alfredo de Carvalho, Paulo Cavalcanti, entre outros expoentes da cultura brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Instituro Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano&lt;br /&gt;Situado no edifício nº 130 da Rua do Hospício, depois de se instalar em vários pontos, o Instituto Arqueológico fundado em 1862, abriga o mais antigo Museu do Recife, com finalidade de divulgar e cultuar nossos heróis das revoluções de 1817 e 1824. seu acervo tem peças notáveis que traduzem a história de Pernambuco como o marco divisório originalda Capitania de Pernambuco com a de Itamaracá, canhões de bronze, mapas e plantas originais da época dos holandeses, painéis datados do século XVIII retratando a Batalha dos Guararapes, pinturas de vários personagens da história pernambucana, louças , porcelanas e mobiliário pernambucano dos séculos coloniais e do império, cerâmicas indíginas e mais um precioso arquivo de documentação histórica, além de uma rica biblioteca. É uma intituição aberta ao público para visitação e e pesquisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães - Mamam &lt;br /&gt;É criado pela prefeitura do Recife em 1997, com base na Galeria Metropolitana de Arte Aloísio Magalhães, ativa na cidade desde o início dos anos 1980. Ancorado no reconhecimento da galeria e de seu criador - o artista e designer Aloísio Magalhães (1927 - 1982) -, o Mamam abre as portas em edifício localizado na rua Aurora, 267, as margens do Rio Capibaribe. Seu objetivo primeiro é tornar-se um centro de referência das artes visuais brasileiras, sensível às possibilidades de diálogo entre as tradições da cidade e a visualidade contemporânea, fomentando também a produção local. Trata-se de tentar inserir a cidade do Recife no circuito artístico nacional e internacional, divulgando a produção pernambucana: pintores, gravadores, ceramistas, ateliês e movimentos coletivos.&lt;br /&gt;O acervo do museu conta com cerca de 900 obras, entre elas, óleos de Vicente do Rego Monteiro (1899 - 1970); a série Cenas da Vida Brasileira, de João Câmara (1944); As Pastoras e Rainhas do Maracatu, ambas de 1930, de Lula Cardoso Ayres (1910 - 1987); Recordações, 1985, de Cicero Dias (1907 - 2003); série Meninos do Recife, de 1962, de Abelardo da Hora (1924); obras do próprio Aloísio Magalhães e de artistas não pernambucanos, como Carlos Fajardo (1941), Nelson Leirner (1932), Alex Flemming (1954). A partir de 2001, o acervo do museu é ampliado com doações de obras de artistas contemporâneos de todo o Brasil: Adriana Varejão (1964), Daniel Senise (1955), Ernesto Neto (1964), Sandra Cinto (1968), Vik Muniz (1961), entre outros.&lt;br /&gt;O Mamam, com salas de exposições para mostras de longa e de curta duração, uma livraria e um auditório para 50 pessoas, mantêm um setor de arte-educação - responsável pelo treinamento de monitores, realização de debates e atividades para alunos da rede pública - e o Centro de Documentação e Biblioteca Pintora Lígia Celeste - formado por livros, catálogos, revistas e dossiês de artistas brasileiros em geral e pernambucanos, em particular. Entre as mostras realizadas nos últimos anos podem ser lembradas: em 2001, as de Cildo Meireles (1948), Geografia do Brasil; Vik Muniz, Ver é Crer, e Miguel Rio Branco (1946), Pele do Tempo; em 2002, as de Antonio Dias (1944), O País Inventado e Nelson Leirner, Adoração; em 2003, as de Ernesto Neto, Sandra Cinto e Carlos Fajardo; em 2004, a de Iberê Camargo (1914 - 1994); em 2005, a de Gilvan Samico (1928) e, em 2006, de Dora Longo Bahia (1961).&lt;br /&gt;Em março de 2006, o museu abre nova unidade, no Pátio Histórico do Recife, no centro histórico, voltada preferencialmente para experimentações no campo das artes visuais. Trata-se de área de 200 metros quadrados, divididos entre o piso térreo da casa e um mezanino de estrutura metálica. Entre as atividades previstas para o Mamam do Pátio estão exposições diversas (incluindo performances), debates, publicações e práticas de pesquisa, estimuladas por residências artísticas de curta duração, e dessas práticas devem resultar oficinas, debates, mostras, performances. O projeto educador residente, por sua vez, convida especialistas em educação em museus para interagir com o setor educativo das exposições programadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hospital Geral do Recife&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história do Hospital Geral do Recife inicia-se a 19 de julho de 1817, quando o então nomeado Governador da Província de Pernambuco – Capitão General LUIZ DO RÊGO BARRETO, criava o Hospital Militar, o qual funcionava modestamente ocupando dois pavimentos do Convento de Nossa Senhora do Carmo, junto à Igreja do mesmo nome, tendo sido nomeado o seu primeiro Diretor, o Físico-Mor Dr. JOAQUIM DE CARVALHO. Naquela ocasião foram transferidos para o novo nosocômio todos os doentes e enfermos militares que se encontravam nos hospitais civis São João e Olinda.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Em 07 de agosto de 1820, por Decreto Imperial , foram instituídos os Hospitais Militares do Brasil, entre eles, o Hospital Militar de Pernambuco, ligando-se permanentemente a História do Brasil pela sua atuação no atendimento aos feridos e enfermos dos diversos movimentos revolucionários, destacando-se a Convenção de Beberibe e a Revolução Praieira.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Transformado em Hospital Regimental pelo Decreto de 17 de fevereiro de 1832, ocupou no ano de 1833, suas novas instalações no Prédio vizinho à Igreja da Soledade, recebendo depois a honrosa denominação de Hospital de Guarnição da Corte, de acordo com o Decreto 397, de 25 de novembro de 1844.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Num terreno situado aos fundos do Quartel do Hospício foi construído o Edifício-Sede do Hospital com a frente para a Rua Gervásio Pires, aspiração que se tornou realidade graça ao empenho pessoal do então Ministro da Guerra PEDRO DE ALCANTARA BELLGARDE, o Marquês do Paraná. As obras foram iniciadas em 19 de dezembro de 1854 e concluídas em 1858, pelo Maj Eng J.J. RODRIGUES LOPES. A ocupação das instalações foi realizada no ano de 1859. Em 1872 voltou a denominar-se novamente Hospital Militar de Pernambuco, de acordo com a Portaria de 13 de dezembro de 1871.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Com a Proclamação da República passou a chamar-se de Hospital Militar do Recife-2ª classe, de acordo com o Decreto 307, de 07 de abril de 1890. Foi elevado a Hospital Militar do Recife-1ª classe, pelo Decreto-Lei nº 4032, de 19 de janeiro de 1942.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Finalmente, pela Portaria Ministerial nº 284, de 08 de julho de 1953 (BE nº 28, de 11 de julho de 1953), passou a ter a denominação atual de HOSPITAL   GERAL DO RECIFE (HGe R).&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Um marco histórico na História do H Ge R deu-se no dia 21 de agosto de 1989, quando o mesmo foi ampliado. Atendendo estudo e proposta do então Diretor, Cel Med QEMA SEVERINO RAMOS DE OLIVEIRA, o Exmo Sr. Gen-Div AMAURY SÁ FREIRE DE LIMA, Cmt 7ª RM-7ª DE, autorizou a ocupação das instalações do Quartel-General do Comando da 7ª Região Militar e 7ª Divisão de Exército, que fora transferido para os pavilhões do antigo Colégio Militar do Recife, conforme Boletim Regional nº 139, de 26 de julho de 1989 e Boletim Especial nº 03, de 21 de agosto de 1989, do H Ge R. Desde então,o Plano Diretor de Modernização e redimensionamento de suas instalações vem recebendo apoio de todas as direções, chefias, comandos e dos altos escalões do Exército Brasileiro.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CONCLUSÃO&lt;br /&gt;Boa Vista por ser um bairro no centro do Recife, hoje, muitas pessoas transitam por ele em busca de serviços, do comércio abundante, do movimento intenso que caracteriza as ruas e avenidas do bairro. E é decorrente a esses critérios que milhares de pessoas passam diariamente por ele sem atribuir tamanha importância em sua riqueza histórica e cultural.&lt;br /&gt;Depois de analisarmos todos os pontos abordados é percpitivel que o bairro da Boa Vista tem muita história para mostrar, algumas vivas outras não, por isso há importância à preservação do bairro, restauraando de maneira que não aniquile seu caráter original.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;REFERÊNCIAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• http://www.recife.pe.gov.br&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• http://www.fundaj.gov.br/&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• http://www.itaucultural.org.br&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• http://www.hger.com.br/&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• O Recife e seus bairros, Carlos Bezerra Cavalcanti&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• Trilhas do Recife:Guia turístico,histórico e cultural. João Braga&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• Arruando pelo Recife, Leonardo Dantas Silva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• O Recife, um 'presente' do 'passado'. Carlos Bezerra Cavalcanti&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrevistados:&lt;br /&gt;• Ivan Severino, responsável pela administração do Mercado da Boa Vista, desde 15 de março de 2001&lt;br /&gt;• Graciliano, sacristão da Igreja Matriz da Boa Vista&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5559236354249669679-2384656169624648986?l=profbiuvicente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://profbiuvicente.blogspot.com/feeds/2384656169624648986/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5559236354249669679&amp;postID=2384656169624648986' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5559236354249669679/posts/default/2384656169624648986'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5559236354249669679/posts/default/2384656169624648986'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://profbiuvicente.blogspot.com/2009/06/o-bairro-da-boa-vista.html' title='O Bairro da Boa Vista'/><author><name>Biu Vicente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16556163874053147345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5559236354249669679.post-8768633720504074744</id><published>2009-06-01T05:53:00.003-03:00</published><updated>2009-06-01T06:03:44.662-03:00</updated><title type='text'>Mendicância na Idade Moderna</title><content type='html'>Universidade Federal de Pernambuco&lt;br /&gt;Centro de Filosofia e Ciências Humanas&lt;br /&gt;Departamento de História&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mendicância na Idade Moderna&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrito por:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daíla Rodrigues &lt;br /&gt;Juliana Alves &lt;br /&gt;Nathalia B. Lima&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recife&lt;br /&gt;Junho/2009&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atividade apresentada à disciplina de Disciplina de História Moderna II, ministrada pelo Prof. Severino Vicente da Silva contendo um estudo sobre a mendicância na Idade Moderna, tecendo comentários desde a Idade Média chegando até Idade Moderna pondo à vista comportamentos tanto dos próprios mendigos como das autoridades dos Estados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Mendigos na Idade Média&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O processo que levou à formação de grupos ou pessoas isoladas que viviam em completa miséria, ao contrário do que possa parecer, não diz respeito somente às questões econômicas que envolveram os camponeses que, a partir do século XIV, principalmente na Inglaterra, começaram a ser expulsos de suas terras em decorrência do processo de arrendamento que estava sendo feito nas mesmas (esse fato vai ser melhor detalhado nos próximos tópicos deste trabalho), mas também a questões culturais que permearam a mentalidade da sociedade medieval. &lt;br /&gt;Para a sociedade medieval a miséria não existia. As pessoas, mesmo vivendo nas condições mais adversas possíveis, sempre recebiam auxílio dentro das vilas e nos mosteiros e, por mais pobres que fossem, nunca passavam fome, já que sempre havia alguém para dar-lhes de comer. Segundo Laura de Mello e Souza, esses “miseráveis” eram chamados de “pobres de Cristo” e conviviam pacificamente com os outros indivíduos. Ainda segundo a autora, existiam pessoas que reclamavam da presença dessas pessoas, mas a mentalidade cristã do período medieval impediu que se desenvolvessem leis contra esses miseráveis, pelo menos até o século XIV. &lt;br /&gt;Porém, a mendicância da Idade Média não se desenvolve sem subdivisões, sendo três destas tratadas mais detalhadamente nos tópicos que se seguem.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1.1 Os Eremitas&lt;br /&gt; O ato de dar esmolas no período medieval estava muito associando com a questão da salvação, uma intermediação entre aquele que tem recursos e o próprio Deus. Entre estes dois estariam, portanto aqueles que resolveram viver dessas esmolas, considerando que a sua pobreza material enobreceria sua alma, trazendo-lhe riqueza espiritual e garantindo assim a sua vida eterna no paraíso. &lt;br /&gt; Antes do século XI, esse grupo intermediário era chamando de Eremita, justamente pelo fato de não viver em uma região ou domicílio fixo. Esse grupo vivia em peregrinação e fazia das floretas a sua morada. Segundo Jean-Claude Schmitt, o período da conquista da terra santa, além de incentivar bastante a atividade dos eremitas, que viviam peregrinando em direção ao deserto, contribuiu ainda mais para o incremento das doações a estes.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. O ressurgimento das cidades e as ordens mendicantes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A partir do século XII, a sociedade medieval presenciou o desenvolvimento de centros urbanos. Estes por si só já eram uma área marginalizada durante esse período, pois eram dentro de suas fronteiras onde se desenvolviam as atividades mais condenáveis durante a idade média, como a prostituição e a usura. &lt;br /&gt; Assim, com o surgimento de um centro exclusivo para os grupos marginalizados da época, os mendigos também passaram a se estabelecer nessas localidades. Aqueles que antes viviam em peregrinação e desmembrados de qualquer tipo de organização formal, passam agora a fazer partes de “ordens mendicantes”, as quais têm como principio básico o voto de pobreza. Mesmo estabelecidos nas cidades, esses miseráveis ainda encontram muito apoio dentro da sociedade com seu pensamento cristão, de forma que eles ainda sobreviviam da caridade dos outros.&lt;br /&gt; Essas ordens serviriam, portanto, de intermediários diretos entre os mendigos e os distribuidores de doações.  Segundo Schmitt, os monastérios da época tinham organizações especializadas em cuidar dessas doações, autorizando inclusive que esses miseráveis fossem pedir esmolas em datas festivas, as quais os próprios monges determinaram quais seriam. Laura de Mello e Souza ainda complementa, dizendo que foi a partir do surgimento dessas ordens mendicantes que “as municipalidades e o poder público passam a se encarregar das esmolas” . Com isso, têm-se o início de um processo de alargamento da pobreza que, com as modificações ocorridas durante a Idade Moderna, vão culminar com Elizabeth I, a qual declara durante uma viagem em que percorreu toda a Inglaterra, vendo a pobreza que a ali se instalava, que o pauperismo é uma instituição nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2.1 Os leprosos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O período medieval também presenciou grandes epidemias, as quais levaram parte de sua população ou a morte ou a pobreza extrema, já que esses doentes eram obrigados a abandonar seus postos de trabalho depois de infectados, para assim evitar que a doença se alastrasse ainda mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre os séculos XII e XIII, a Europa foi assolada por um grande surto de Lepra, tendo parte desses infectados se transformado em mendicantes. Sem poder conviver em sociedade, esses leprosos passam a ser enclausurados e abandonados e própria sorte em leprosários a beira das estradas, dependendo apenas da bondade de alguns. São Francisco de Assis, por exemplo, coloca-se na posição de defensor desses doentes, tendo dado inicio a uma das principais ordens surgidas nesse período. &lt;br /&gt; Entretanto, no pensamento cristão da sociedade medieval, o auxilio a esses doentes era muito importante. Mesmo sabendo das possibilidades de contágio, muitos chegavam perto deles apenas para demonstrar sua fé perante as outras pessoas. O leproso era então considerado como “pobre de Cristo” e quem os ajudasse era visto por todos como um ser de extrema bondade. Cuidar de suas feridas ou dar-lhe um beijo (como fizera o rei Luis IX) era tarefa a ser realizada apenas por um verdadeiro santo de alma pura. Portanto, ajudar um desses doentes era encarado por muitos como uma “profissão de fé”, sendo assim uma tarefa a ser executada não por bondade em si, mas sim como um caminho para se chegar ao céu. &lt;br /&gt; Porém, dentro da própria sociedade medieval já existiam indivíduos que pensavam de forma diferente. Segundo Schmitt, esses leprosos eram vistos com desconfiança, pois: &lt;br /&gt;A lepra também é a prova corporal do pecado: a corrupção da carne manifesta a da alma. Por isso, o encerramento dos leprosos também é uma maneira de condená-los por seus supostos erros, ou pelos pecados que todos cometeram e que só eles vão expiar.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Assim, vemos aos poucos uma modificação no pensamento cristão do período medieval para um pensamento humanístico característico da idade moderna, que começava a modificar de forma substancial o pensamento dos homens da época, e atingindo direta ou indiretamente a atividade mendicante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. Mendigos na Idade Moderna&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt; As transformações e os acontecimentos ocorridos entre o fim o período medieval &lt;br /&gt;e o começo da idade média modificaram bastante a vida desses mendicantes. Sobre isso, Schmitt diz:&lt;br /&gt;Nos século XIV e XV, a exclusão torna-se maciça. A “crise” do século XIV e, em primeiro lugar, a tragédia da Peste Negra suscitam e revelam novas formas de marginalidade que, até o fim da época moderna, têm um peso considerável sobre a evolução social; mendigos, vagabundos, criminosos atormentam os espíritos e provocam atitudes de defesa e rejeição.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Com o aumento do número de mendigos, as principais instituições que ficavam a cargo dessas doações (os monastérios), passaram a não dar conta de dar assistência a todos eles, tendo então, pela primeira vez, feito uma distinção entre aqueles de devem receber donativos e aqueles que não o merecem. Surgem então duas classes de mendigos: os “pobres de verdade” e os “mendigos válidos”. Os primeiros estariam aptos a serem ajudados, já que não possuíam nenhum meio de subsistência. Os que ocupam essa “classe” são muitas vezes os inválidos, doentes e cegos. Já o segundo grupo, como o próprio nome já diz, são aqueles mendigos que estão em condições de trabalhar, mas não o fazem porque são “vagabundos”, estando estes, portanto no grupo dos não merecedores de esmola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A pobreza voluntária não era mais vista com bons olhos. No início do século XVI, as ordens mendicantes, antes tão auxiliadas, começam a ser acusadas de heresia pela própria igreja, acusações essas que na maioria das vezes não apresentam nenhum fundamento. Sofriam represálias pelo fato de se recusarem a trabalhar, já que queriam continuar vivendo em seu ideal de pobreza divina. Porém, esse pensamento medieval passou a ser renegado durante o período moderno, tendo essas ordens sido chamadas de inúteis a Deus e ao mundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Essas modificações trazidas pelo pensamento humanístico estavam diretamente relacionadas com as determinações dos estados nacionais nascentes e também pela intervenção da burguesia nesse processo. As modificações econômicas, as quais contribuíram ainda mais para o crescimento da pobreza no Ocidente, serão tratadas nos tópicos a seguir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.1 Os arrendamentos e o trabalho assalariado no campo e na cidade&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; A Inglaterra foi palco, já no início da idade moderna, de um grande processo de arrendamento de terras. Estas foram se transformando em um importante fator de produção da sociedade capitalista nascente, que utilizou a terra como pastagem para as ovelhas, as quais produziam a matéria-prima para os tecidos ingleses. Assim, essa nova fase de produção ficou marcada como um período de forte desapropriação de terra dos pequenos camponeses, os quais perderam o único bem de onde poderiam tirar o seu sustento. Segundo Karl Marx, em seu livro “A Origem do Capital”, era justamente isso que impulsionava essa nova fase de acumulação primitiva, pois, para ele:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sistema de produção capitalista precisava, ao contrário, da condição servil das massas, sua transformação em mercadoria e a conversão de seus meios de trabalho em capital.  &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ou seja, o camponês perdeu o seu meio de subsistência, ficando obrigado a vender a sua força de trabalho por um preço irrisório, primeiro no campo, depois nas cidades. As terras comunais, antes usadas para a agricultura, também passaram a ser arrendadas e transformadas em grandes fazendas usadas para a pastagem de ovelhas. Thomas Wright faz um resumo sobre esse aspecto na Inglaterra:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em um grande número de paróquias de Hertfordshire, escreve uma pena indignada, vinte e quatro fazendas, abrangendo cada uma, em média, 50 a 150 acres, foram reunidas em três. No Northamptonshire e no Lincolnshire o fechamento das terras comunais foi realizado em grande escala; a maior parte dos domínios restantes dessa operação foi transformada em pastagens, a ponto de onde antes de cultivavam 1500 acres de terras não se cultivou, então, mais do que 50.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Escócia, a situação também era bastante grave. O processo de arrendamento já causava uma miserabilidade muito grande, chegando o local a ter, no fim do século XVII, o número de duzentos mil miseráveis vivendo em suas terras. Entretanto, mesmo já grave, o contexto desses mendigos escoceses ainda vai piorar ainda mais, pois, no inicio do século XIX, a Duquesa de Sutherland autoriza que os soldados ingleses expropriassem um antigo clã céltico que habitava as  highlands de uma área de 794000 acres, sendo essa 15 mil pessoas relocadas para terras incultas no litoral, as quais contava cerca de seis mil acres. Esses camponeses também não receberam nenhum resgate por essas terras e nenhuma garantia de que não seriam expropriados novamente. Estariam, portanto, a mercê da vontade dos latifundiários. O mais emblemático nesse aspecto é que as antigas terras desse numeroso clã foram divididas para apenas 29 proprietários. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Na Inglaterra, essa mão-de-obra assalariada do campo, por não encontrar mais espaço para seu trabalho no interior, foi se transferindo para a cidade, sendo transformada aos poucos em trabalhadores baratos para a indústria nascente. Portanto, os arrendamentos do campo contribuíram tanto para os capitalistas num primeiro momento, os quais puderam dar inicio a sua acumulação primitiva do capital, tanto para aqueles responsáveis pelo empreendimento da Revolução Industrial do século XVIII, pois esses já encontraram uma mão-de-obra barata para lhes servir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Entretanto, as cidades da idade moderna já não eram mais as mesmas do período medieval. Com o crescimento de seu prestigio, as classes consideradas marginalizadas anteriormente – os burgueses – agora faziam parte da estrutura do governo capitalista. Por isso, a cidade não podia mais aceitar de forma passiva a presença de grupos que não condiziam mais com a sua nova face. Com isso, a presença dos miseráveis não era mais tolerada e a chegada dos camponeses expropriados e sem recursos agravou ainda mais essa situação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; No final do século XVII e começo do XVIII, para coibir a presença deles nos centros urbanos, foram sendo feitas várias leis proibitivas a eles, tendo o próprio Oliver Cromwell instituído que só que poderia construir casa ao redor de Londres se elas possuíssem um terreno mínimo de quatro acres. Porém, leis contra esse grupo foram comuns na Inglaterra antes mesmo deste período, sendo feitas desde o século XVI. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.2 A Inglaterra e as leis contra a vagabundagem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Os camponeses, após serem expulsos de suas terras, tiveram que se adaptar rapidamente a uma nova realidade, que era viver e receber um pagamento sobre a sua força de trabalho. Entretanto, segundo Marx, essa adaptação não foi bem assimilada por uma parte dos indivíduos, os quais passaram a viver como mendigos, criminosos ou vagabundos. A coroa inglesa, vendo o número desses indivíduos crescer, tratou logo de promulgar leis contra eles, de forma a tentar coibir essas atividades. Os quatro monarcas e suas leis que trataram desse assunto serão listados a seguir:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a) Henrique VIII (1530): Mendigos velhos podem implorar por caridade. Os que estivessem em condições de trabalho seriam obrigados a voltar para o seu lugar de nascimento e trabalhar lá. Sofreriam grande punição corporal sendo “atados à parte traseira de um carro, deviam ser fustigados até que o sangue jorrasse de seu corpo”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;b) Eduardo VI (1547): Todo aquele que for acusado de vadiagem será condenado à escravidão. Aquele que o tiver denunciado terá direito a usufruir de sua força de trabalho, sendo este escravo marcado com a letra S (escravo, do inglês slave). Qualquer escravo que tramar contra o seu dono será condenado à morte e os que fugirem deverão retornar a seu local de origem e trabalhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;c) Elizabeth (1572): Mendigos maiores de 18 anos reincidentes na vadiagem serão executados. Os maiores de 14 anos que não estivessem empregados teriam a sua orelha esquerda marcada com ferro. Foi um período muito difícil e rígido para a atividade dos mendicantes, já que a punição severa foi realmente aplicada, tendo a Inglaterra presenciado de 300 a 400 execuções todos os anos após a promulgação desta lei. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;d) Jaime I: Todos os mendigos serão considerados vagabundos, sendo punidos com a execução se reincidentes. Os açoites são comuns e os vagabundos que por acaso se rebelassem, deveriam ser marcados com  a letra R  no ombro esquerdo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A aplicação de leis contra a mendicância esta associada também com a vontade de regulamentar a vida dos cidadãos, impedindo de que eles vivam de forma autônoma e sem a jurisdição do estado. Desde 1349, com o estabelecimento do “Estatuto dos Cidadãos” (do inglês, Statute of Labourers), A Inglaterra vem controlando os salários e as ações dos trabalhadores, o que, segundo Marx, contribuiu bastante para dar suporte à burguesia no seu empreendimento de acumulação primitiva. Dessa forma, o estado inglês precisava formular leis que impedissem que os indivíduos que não trabalhassem se desenvolvessem fora das rédeas da legislação, mantendo assim o controle severo sobre esse grupo e impedindo qualquer tipo de rebelião organizada destes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.3 Paris: a cidade dos mendigos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A França sempre teve um número muito grande de mendigos. Ainda no período medieval seu território era percorrido por peregrinos religiosos formados pelos “valets” (lacaios) e “campagnons” (operários). Desde cedo, esses mendigos começaram a se estabelecer em Paris e, segundo Marx, em meados do século XVII, “os vagabundos tinham estabelecido o seu reino e feito de Paris sua capital” (1979, p. 63). Essa situação acabou incomodando bastante a corte francesa, que no mesmo período, estava  se transferindo para Versailles.&lt;br /&gt; Entretanto, ao contrário da Inglaterra, a França não se preocupou em estabelecer leis contra esses mendigos, deixando assim que eles continuassem a viver na cidade em liberdade. Esse fato, claro, vai fazer com que os miseráveis se organizem de forma que conseguir força para poder reivindicar os seus direitos mais tarde. &lt;br /&gt; Somente às vésperas da Revolução Francesa é que o monarca Luís XVI formulou uma lei contra a atividade dos mendigos, ordenando que fossem mandados às galés todos os homens saudáveis de 16 a 70 anos que não estivessem trabalhando por qualquer motivo.  Entretanto, essa medida de nada barrou o envolvimento desses miseráveis com a Revolução. Juntos com todos os outros grupos envolvidos, os mendigos ajudaram a dar sustentação e andamento a revolução que terminaria por derrubar do trono a monarquia francesa, fazendo desta uma das principais rebeliões populares da época contemporânea. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.4 O fenômeno picaresco na Espanha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pícaro é o ser astuto, ardiloso, vigarista, vagabundo, solto de palavras e costumes. O picaresco é o cômico, ridículo, burlesco; o gênero literário que enfoca a vida e os costumes dos pícaros.&lt;br /&gt;Na Europa o destino desses pícaros e mendigos é assunto da literatura menor, aquela ligada a cultura popular. Entretanto a Espanha não segue essa linha. Lá, as produções também da grande literatura tem esses personagens, seja como principal ou coadjuvante, tendo destaque no plano nacional estimulando a criação das estruturas da moderna prosa espanhola e de um novo gênero literário europeu. &lt;br /&gt;A literatura picaresca espanhola traça um quadro da vida social. Uma visão de baixo do mundo. Seu objetivo principal é abordar o conjunto de ordem social, relações entre governados e governantes, papéis sociais de cada grupo, as normas morais e comportamentos coletivos vigentes, os destinos individuais.&lt;br /&gt;O vagabundo nas narrativas era uma forma de críticas às estruturas sociais e valores morais, pois ele não estava dentro das normas vigentes e a sua existência é a prova da falha do sistema existente. Mesmo assim, aparece como uma figura de segunda ordem, tanto no interesse dos escritores quanto na sociedade. Poucas vezes, ou nenhuma, aparece como protagonista.&lt;br /&gt;Essa literatura é plebéia. Apresenta-se autobiograficamente. Ganha efeito cômico com a grosseria e a vulgaridade. Deriva das camadas fabulares da cultura popular, mas é fruto de uma cultura de elite que responde à sua “demanda social” e visão da sua época. Mas também as massas plebéias recebem bem essa literatura participando dela mesmo que mais como ouvinte que como leitora, encontrando nela uma espécie de vingança contra a ordem social, assim como o sonho de mudança e sucesso. E isso é visto na astúcia do vagabundo e na vitória do malfeitor. Entretanto a imagem da miséria não podia ser retratada de forma explicita, pois as massas conheciam bem essa imagem. Dessa forma as narrativas sobre crime têm importância, por mostrar o pícaro de forma mais mascarada e assim conquistava todas as classes sociais.&lt;br /&gt;Essa literatura foi associada ao crescimento da criminalidade na Espanha. Nela procurou se exprimir o ódio dos oprimidos em relação às classes privilegiadas, ou até preconceito dos cristãos novos perante a sociedade espanhola. Era, portanto, considerada um reflexo do crime espanhol. Então, por trás da trama literária, segundo pesquisadores, se esconde uma séria reflexão sobre a criminalidade como fenômeno social.&lt;br /&gt;O jargão é amplamente utilizado e caracteriza os personagens da literatura picaresca. Segundo Geremek, os autores em contato com ela ou pelo contato direto, como Cervantes, ou pelo conhecimento baseado em literaturas anteriores.&lt;br /&gt; Entretanto o que caracteriza, para os estudiosos, essa literatura picaresca é a figura sempre corrente do pícaro, pois todas as outras características são bem diversas quanto ao estilo e convenção.&lt;br /&gt; O importante é notar como essas obras refletiam a sociedade espanhola daquele tempo, a qual estava passando por profunda crise econômica, nas relações entre classes, no Estado e nos comportamentos coletivos. Assim, de certa forma, essas obras parecem refletir que os valores tradicionais já não têm importância e não estão em vigor.&lt;br /&gt;Entre 1598 e 1620 encerra-se a expansão espanhola pelos territórios ultramarinos e pela luta pelos metais mais preciosos gerando um aprofunda crise do império espanhol. Na verdade, a presença da Espanha demonstra o caráter da vida econômica do ocidente como superficial “sua colonização de caráter feudal, desfruta de modo consumista do afluxo de riquezas do Novo Mundo, sem promover investimentos no sentido moderno da palavra.”  A Espanha não aplicava as atitudes de poupança e investimento na nova ordem burguesa. Assim, os romances picarescos mostram cavalheiros de distribuem os bens, mas pedem esmolas; que tem criadagem não o que comer.&lt;br /&gt;O clima social daquela época favorecia o parasitismo. Os mendigos podiam contar com a generosidade e com a possibilidade de usufruir as migalhas da fartura dos bens de consumo. Os estímulos ao trabalho produtivo eram insuficientes, pois a miragem dos altos salários se espatifa diante da inflação contínua, dos preços que sempre aumentavam e, ao mesmo tempo, diante da possibilidade diante da possibilidade de levar uma bela vida graças à aventura, a fraude e ao furto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pierre Vilar, historiado e hispanista francês, descreve e caracteriza a Espanha no final do sáculo XVI e início do XVII:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma sociedade consumida pela história, um país no auge das contradições internas, no momento em que uma crise mostra em cheio toda sua indigência, país onde o vadio improdutivo, o indivíduo que vivia de rendas e agora está arruinado, o bandido fascinante e o mendigo desempregado andam pelas ruas e estradas.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isso fornece, às histórias picarescas, material suficiente para sucessos notáveis e façanhas incomparáveis.&lt;br /&gt;Do ponto de vista sociológico, diz Geremek, o romance picaresco apresenta muito mais do que uma decomposição da Espanha naquele tempo; expressa a crise da sociedade aristocrática e da moralidade social, mostrando uma sociedade que não conserva seu código tradicional de comportamento e funções sociais. O pícaro é uma espécie de herói ou anti-herói introduzida pela Espanha na literatura mundial, é o modelo representante do meio plebeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O romance picaresco é considerado um gênero auto-biográfico, por mostrar a trajetória de um homem para chegar a ser um vagabundo, e cada uma das representações, muitas vezes parece ter relação com a própria vivencia dos autores com aquele meio.&lt;br /&gt;Contudo, em geral, o romance picaresco é um retrato coletivo de um determinado grupo e o pícaro não é um ser de perfil social bem definido, ele incorpora indefinidas formas de acordo com a imagem que se deseja passar.&lt;br /&gt;É importante ressaltar que muitas vezes esses vagabundos tinham, sim, empregos. Houve, inclusive, uma época que aumentou os empregos para criados, pajens e laicos e muito vagabundos conseguiram trabalho. Isso, no entanto, não quer dizer que  deixaram de ser pícaros, pelo contrário, segundo Geremek, é aí que muitos conseguem colocar em prática as ações de vagabundo, como roubar, por exemplo. Além do mais, esses serviços não exigiam instrução mantendo-os como homens sem profissão, ou seja: vagabundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. A arte da mendicância e suas leis&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A mendicância é uma ocupação constante do pícaro. Às vezes via de passagem de uma condição para outra, outras é uma ocupação fundamental. A sua função é ser testemunha externa da extrema miséria ou (e) a expressão da vergonha/imprudência que pesa sobre a condição do pícaro. Ela oferece pretextos para produzir esboços das técnicas e figuras dos mendigos e para retratar a organização geral desse meio.&lt;br /&gt;  A astúcia e a fraude são o pão de cada dia do mendigo. Eles fingiam estar doentes e impossibilitados de trabalhar. A arte da mendicância exigia uma atenção contínua e grande experiência.&lt;br /&gt;Mateo Alemán explica as “leis que regiam os mendigos”. Ele chamou Ordenanzas Mendicativas. Elas podem ser tratadas como exercícios estilísticos, “mas também é possível considerá-las um documento que reflete certo modelo de comportamento coletivo, ainda que tal modelo não derive de um código escrito”  o lugar de observação para chegar a tais conclusões é Madri e Sevilha.&lt;br /&gt;O estatuto dos mendigos refere-se a questões diversas da vida dos pedintes. Definem seus limites, aspecto externo das pessoas, ensino da arte, métodos para exercê-la, organização interna e costumes. &lt;br /&gt;Ele proíbe os mendigos de se relacionar com os músicos itinerantes, cegos contadores de histórias, malabaristas, poetas, soldados e marinheiros desertores, pois a mendicância não tem nada a ver com essas categorias. Eles não podem conduzir cães dançarinos, exibir animais amestrados nas portas das igrejas ou durante a mendicância pelas ruas. &lt;br /&gt;Com relação ao aspecto externo, eles devem carregar um cajado (com ponta de ferro, se possível; mas não carregar arma); não devem usar roupa nova ou de bom aspecto - e se receber alguma só pode ser usada no dia em que recebeu-; não usar grandes bolsas, as esmolas devem ser recolhidas em chapeis.&lt;br /&gt;As crianças mendigam com os pais até os seis anos, depois disso é proibido. Após os 12 anos ingressa na profissão de mendigo, mas os três primeiros anos são para provar que aprendeu os ensinos de como se portar como mendigo. Além do mais, filho e pai mendigo será mendigo. As crianças estão proibidas de serem mandadas parar aprender alguma profissão, pois significa trabalhar muito e ganhar pouco.&lt;br /&gt; A recusa à concorrência era outro aspecto abordado. Nos lugares de prática da mendicância vigora o tempo de permanecia e não a idade. É proibido tomar o lugar do outro e enganar uns aos outros.&lt;br /&gt; Os as horas de trabalho eram: no inverno: início às 7h, verão: 5h, ambos com o fim meia hora antes do pôr-do-sol.&lt;br /&gt;Quanto à organização interna, a comunidade era dividida em nationes cada uma dispondo do seu território em estalagens e albergues que funcionam como local de encontro. Lá, os mendigos discutem as questões correntes e se encontram para se divertir. Mendigos de nações diferentes não podem ficar juntos e nem comentar questões relativas à arte. &lt;br /&gt;Também era proibida, pelo estatuto dos mendigos, a compra de carne ou peixe, para manter a coerência entre o modo de vida a aparência dos mendigos, os quais tinham uma condição social caracterizada pela miséria e fome.&lt;br /&gt;Todas essas características da sociedade mendicante permanecem em uma ficção literária, mas demonstra como se pensava a organização dos mendicantes e alguns pontos refletindo uma observação dos costumes dos mendigos.&lt;br /&gt;Na literatura espanhola os elementos um “anti-Estado” não aparecem com tanta força como aparece na inglesa e francesa. “A alienação do mendigo é um aspecto da sua condição social e não traz consigo uma marca de ameaça social” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. Os ladrões e sua corporação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Tinha regras e lideres assim como a dos mendigos. A diferença é que eles apenas roubam e, não pedem e os que faziam parte da corporação eram de idade variada e, pela descrição literária, condições sociais variadas também (participam desde estudantes a prostitutas).&lt;br /&gt; Na Espanha do século XVI e XVII os ladrões são referidos em diversas ocasiões. Felipe II decide transferir a corte parar Valladolid em 1601 e um poeta contemporâneo cita entre as causas da praga dos vagabundos e ladrões. Sevilha parecia ser a capital dos ladrões, era uma comunidade urbana que oferecia possibilidade de ganhos fáceis e de esconder-se entre a multidão anônima e etnicamente heterogênea. Lá o pícaro conseguia exercer todas as suas ocupações, do serviço ao furto, passando pela &lt;br /&gt;mendicância . A riqueza daquela metrópole implicava em uma multidão de vadios e &lt;br /&gt;criminosos comuns.&lt;br /&gt;A arte do furto está estreitamente ligada a vida mendicante. Assim como o decorrer do destino individual o furto se segue à mendicância e às vezes as duas praticas são concomitantes.  &lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Entre as categorias da arte do furto, estão:&lt;br /&gt;• Salteadores: bandidos que operam nas grandes estradas e nos lugares desertos. As vezes recorrem ao assassinato para melhor esconder o crime.&lt;br /&gt;• Estafadores: semelhante aos salteadores, mas não recorrem ao assassinato e agem de forma menos brutal.&lt;br /&gt;• Capeadores: ladrões noturnos de sobretudo. Agem em grupo.&lt;br /&gt;• Grumete: ladrões noturnos que sobem em apartamentos. Operam tanto na cidade quanto no campo.&lt;br /&gt;• Apostoles: arrombadores que usam uma chave universal. O nome deriva do fato que, porque, como São Pedro, andam sempre com uma chave.&lt;br /&gt;• Cigarreiros: operam em lugares em que tem uma multidão cortando o que podem.&lt;br /&gt;• Devotos: ladrões que operam nas igrejas.&lt;br /&gt;• Satyros: bandidos do campo, primitivos e selvagens. Roubam animais.&lt;br /&gt;• Dacianos: se distinguem pela crueldade e falta de compaixão seqüestram crianças e as mutilam para depois vendê-las aos cegos, e outros vagabundos.&lt;br /&gt;• Mordomos: providenciam provisões para o bando.&lt;br /&gt;• Cortabolsas: batedores de carteira.&lt;br /&gt;• Duendes: entram nas casas ao entardecer e esperam anoitecer para roubar&lt;br /&gt;• Maletas: entram na casa escondidos em barris, frados ou cestas e durante a noite rompem o esconderijo e começam a pilhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mesmo autor que descreve as categorias de ladrões, Andrés, denomina a sociedade de ladrões de republica, por ter em seu meio firmes leis que regem o comportamento geral, essas leis vão desde como roubar ao casamento da filha de um ladrão membro do grupo.&lt;br /&gt;Além de presente nas obras picarescas, essa corporação de ladrões parece existir na realidade, não sendo, portanto, obra da imaginação de autores picarescos, mas sim de uma profunda observação dos pícaros-ladrões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6. A recusa da socialização&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Cervantes ilustra sua obra “a ilustre criada”, os heróis que escolheram a vida de vagabundagem, que vinham de famílias ricas, e que teriam condições de os sustentar, mas consideravam que a vagabundagem dá liberdade e alegria. Carriazo, personagem de Cervantes, se recusava a participar da organização social, era um trapaceiro e se alegrava em viver desse modo tendo, portanto, escolhido tal vida. Diferente do que parece acontecer em outros casos falados até agora, em que a miséria e a vida picaresca é condição herdada, sucessão profissional.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O gosto pela vida fácil, a aversão pelo trabalho e as más inclinações aparecem nas oras dos escritores espanhóis como fatores que explicam porque os pícaros escolhem o mau caminho; eles constituem a motivação e o elemento determinante da degradação social.  &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Em casos como o de Carriazo a vagabundagem parece ser uma forma passageira de aproveitar a juventude, é aí que a que a inclinação para a vagabundagem aparece de forma mais pueril e, ao que parece, livre de motivações sociais. &lt;br /&gt;A liberdade mendicante é mais livre, pois não está sujeita ao controle social, as leias estatais. É uma liberdade que só os mendigos dispõem. Para eles, ao que parece, não estar sujeito as regras de um estado, por não serem considerados cidadãos, é uma liberdade pela qual vale a pela fazer e passar tudo o que fazem e passam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pícaro é um homem privado de qualquer propriedade, que dispõe apenas das próprias mãos, de uma experiência de vida e de sua engenhosidade para obtenção dos meios de sustento. É pessoalmente livre, não depende de ninguém, é dono &lt;br /&gt;de suas próprias decisões, e se preta um serviço a alguém é por &lt;br /&gt;sua escolha à procura de uma vida cômoda, mas essa dependência do serviço não tem caráter permanente. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O fato de procurar trabalhos não duráveis era exatamente para não estar na dependência fixa de um patrão. A escolha de ofícios que não exigiam qualificação profissional mostrava isso.&lt;br /&gt;A vida vagabunda não é um modo de não se socializar, mas sem entrar numa vida anti-social. Ele é vitima das relações sociais e por isso “escolheu” (no sentindo lato da palavra) não seguir as regras sociais.&lt;br /&gt;Cristobal Perez de Herrera fala em memórias sobre o problema da assistência aos pobres, à reforma das instituições de caridade. A casa dos pobres deveria fornecer assistência a esses mendigos e a medida que viam quem eram os que realmente precisavam de ajuda e não estavam nas ruas para vagabundear conseguiria diminuir essa “doença social” repreendendo, e aplicando o trabalho forçado para os vagabundos e falsos mendigos, pois o numero de vagabundos crescia continuamente, enquanto os “cidadãos de bem” diminuíam  em conseqüência das guerras e esses  que não contribuíam para a sociedade se proliferavam em larga escala.&lt;br /&gt;Com essa análise de Herrera é visto, mais uma vez, que as narrativas picarescas mostram a realidade social. Ele fala sobre as confrarias dos mendigos, e o que lá faziam e como se utilizavam de fingimentos para conseguirem esmolas. Entretanto, Herrera é tendencioso por falar apenas das más inclinações, sendo um escritor político.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7. O caso português de punição à vadiagem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Os portugueses apenas começaram a se preocupar com a vadiagem, por volta dos séculos XIII e XIV, nos quais se cristalizaram leis repressivas visando aos mendigos e aos vadios ou vagabundos. Nesse sentido vale-se ressaltar a diferença entre vadiagem e vagabundagem. A pessoa dita vadia era considerada como aquela que “trabalha às vezes, mendiga com freqüência, rouba se aparece ocasião, e pode ser incidentalmente arrastado para a criminalidade e delinqüência”. Já o vagabundo era o que fazia uso de práticas delinqüentes. Acentuar-mo-emos, portanto, que o enfoque principal era dado às práticas de vadiagem, visto que era através dessa que surgia a vagabundagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8.  Agora vamos mostrar algumas medidas que foram tomadas a esse respeito nos séculos referidos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a) Em inícios do século XIII, um diploma régio autorizava a perseguição aos vadios, proibindo-os de habitarem o reino;&lt;br /&gt;b) Em 1349, o rei Afonso IV expediu um documento visando limitar o número de ociosos, impedindo a mendicância, a vadiagem, negando o acesso deles a hospitais, e punindo quem os acolhesse;&lt;br /&gt;c) Em 1375, houve a criação da Lei das Sesmarias, na qual o então rei, D. Fernando, buscava incrementar a agricultura e aumentar o número de trabalhadores rurais, compelindo a este trabalho: ociosos, vadios e mendigos. Com relação aos mendigos a legislação era enérgica e obrigava-os a trabalhar: “os ociosos que se negarem a exercer qualquer atividade seriam, na primeira vez, açoitados e, quando reincidentes, seriam açoitados com pregão, e ultimamente lançados fora do reino”. D. Fernando intencionava a cura destes males, porém não obteve grandes resultados, mormente, porque faltou-lhe uma elite que fizesse cumprir as leis. E “ao invés de serem absorvidos pelos trabalhos agrícolas, os desclassificados o foram pela aventura marítima”, afirma Laura de Mello e Souza em seu livro “Desclassificados do Ouro”.&lt;br /&gt;As conquistas marítimas foram de grande importância na absorção dos mendigos e vagabundos de Portugal. Havia por parte da metrópole toda uma política de envio de seus desclassificados para as terras de além-mar a fim de povoá-las. O que levou muitos historiadores a darem por certo que as possessões ultramarinas foram sempre para a metrópole portuguesa o destino de seus delinqüentes. Por exemplo:&lt;br /&gt;a) Em meados do século XVI, o rei D. Sebastião havia determinado que: &lt;br /&gt;Dos vadios. Mandamos que qualquer homem que não viver como senhor, ou com amo, não tiver ofício, nem outro mester, em que trabalhe, ou ganhe sua vida, ou não andar negociando algum negócio seu, ou alheio, passados 20 dias do dia que chegar a qualquer cidade, vila ou lugar, não tomando dentro dos ditos 20 dias amo, ou senhor, com quem viva, ou mester em que trabalhe ou ganhe sua vida, ou se o tomar, e depois o deixar, e não continuar, seja ele preso e açoitado publicamente. E se for pessoa, em que não caibam açoites, seja degredado para África por um ano.  &lt;br /&gt;a) Em 1667, a coroa promulgou editos que ordenavam o sentencimento sumário de pessoas que esperavam julgamento: “os vagabundos foram degredados ao Marrocos e os responsáveis por ofensas mais graves seriam enviados ao Brasil”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim sendo, podemos afirmar que os portugueses viam nas suas colônias de além-mar uma possibilidade de propulsionar seu povoamento com elementos socialmente desclassificados, ao mesmo tempo, em que a metrópole se via livre deles. A grande dificuldade da coroa era saber o que fazer com os vadios e as conquistas marítimas, bem como as possessões obtidas foram a solução para tal questão. Agora nós veremos como aconteceu o processo de desclassificação social em uma colônia em especial: O Brasil e depois mais especificamente na região das Minas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9. O processo de desclassificação social no Brasil Colônia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Para Laura de Mello e Souza o processo de desclassificação social brasileiro está ligado à estrutura econômica aqui implantada pelos portugueses, tendo por base a indústria agroexportadora e o escravismo. As flutuações e incertezas no mercado externo propiciaram o surgimento, no Brasil Colônia, de uma classe que permaneceu à margem da ordem social, enquanto que o escravismo bloqueou as possibilidades de utilização dessa mão-de-obra livre. &lt;br /&gt;  Sendo assim, as funções econômicas eram apenas definidas entre dois setores extremos da sociedade: senhores e escravos, e a camada que surgia entre eles era aos poucos considerada desclassificada, no sentido de que havia poucas chances de ser absorvida pelo sistema.&lt;br /&gt;  De acordo com Caio Prado Júnior, em seu livro “Formação do Brasil Contemporâneo”, a camada dos desclassificados ocupou o vácuo existente entre as classes extremas da sociedade. Ao mesmo tempo em que não possuía “estrutura social configurada”, sendo incluída no trabalho colonial de forma esporádica e incerta e mesmo assim ocupando funções que o escravo não podia desempenhar e que não estavam diretamente ligadas à produção, como: feitores, capitães-do-mato, milícias, ordenanças, desmatamentos e preparos do solo para o plantio etc. Há inclusive um fragmento de Sérgio Buarque de Hollanda, em seu livro “Monções” que deixa bem clara a formação desta camada intermediária no período colonial brasileiro: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os próprios vícios do sistema econômico de produção tinham criado, em todo o Brasil colonial, uma imensa população flutuante, sem posição social nítida, vivendo parasitariamente à margem das atividades regulares e remuneradoras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Dada essa pequena generalização em relação ao processo de desclassificação social no Brasil Colônia, vamos nos deter mais intensamente no processo ocorrido na região Mineira, bem como na utilização dessa classe intermediária em atividades secundárias, o que acabou por diminuir o peso que eles representavam para a sociedade à época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9.1 Desclassificação nas Minas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  O ciclo do ouro provocou um afluxo de gente para a região mineira, não apenas das províncias vizinhas como também metrópole. Entretanto as atividades mineradoras estavam vinculadas a pessoas mais abastadas, ficando a classe intermediária sujeita às intempéries da região como a fome. Essa fome foi mais significativa nos anos de 1697, 1698, 1700 e 1701, provocando inclusive o abandono de certas localidades já povoadas como Ribeirão do Carmo e da Serra do Ouro Preto.&lt;br /&gt;  A riqueza das Minas era distribuída entre um número pequeno de pessoas que se encontrava nas vilas e suas imediações, além das grandes propriedades. A população de um modo geral era pobre, à massa cabiam os trabalhos e vários tipos de extorsões. A pobreza foi, por diversas vezes na história brasileira e mais ainda no período da mineração, encoberta pelo luxo e pela ostentação de quem de fato obteve lucros com os produtos da mineração.&lt;br /&gt;A alta sociedade e mesmo as autoridades classificaram a região das Minas como aquela de maior riqueza e opulência. Contudo o que representaram de fato foram o atraso econômico e a miséria, afirma o historiador mineiro Eduardo Frieiro, em trecho citado por Laura de Mello e Souza. Além da falta de oportunidade aos setores intermediários havia por parte da coroa a taxação crescente, sobretudo a partir de meados do século XVIII, dos produtos da mineração. Enriquecendo a metrópole e tornando mais pobres os mineiros. E, mais uma vez, a pobreza assumia o papel de ser proveniente da estrutura econômica implantada, no Brasil Colônia, marcada pela instabilidade social e pelo imediatismo do lucro a ser obtido.&lt;br /&gt;Durante todo o período aurífero a situação foi difícil para o pequeno minerador que sequer podia se manter, não raro, caía em estado de miséria, muitos foram os que morreram de fome e outros tantos de doenças. Havia também aqueles que ficavam à vagar por entre os matos e roças, voltados para atividades agrícolas de subsistência esporádica e que não impediam que morressem de fome.&lt;br /&gt;Somando-se os aventureiros do ouro aos vadios enviados por Portugal à colônia, no caso este, da região mineradora, formou-se uma camada de desclassificados que vagavam pelos arraiais, em estado de mendicância e vagabundagem – entenda-se vagabundagem como a prática de atos de delinqüência –. O que muito incomodava as autoridades coloniais. A diferença básica desses desocupados das Minas para aqueles do mundo em geral é que eles, geralmente,  eram necessários e podiam ser aproveitados em outras atividades, como: nas entradas, na manutenção de presídios, nas obras públicas, dentre outras, como afirma Laura de Mello e Souza.&lt;br /&gt;Acerca dessa problemática escreveu o desembargador Teixeira Coelho:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Os vadios são o ódio de todas as nações civilizadas, e contra eles se tem muitas vezes legislado; porém as regras comuns relativas a este ponto não podem ser aplicáveis ao território de Minas; porque esses vadios, que em outra parte seriam prejudiciais, são ali úteis.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse fato leva Laura de Mello a dizer que “por detrás da afirmação de Teixeira Coelho está a idéia de uma mão-de-obra alternativa à escrava, de uma espécie de exército de reserva da escravidão”. &lt;br /&gt;O conde de Valladares, governador de Minas, em 1770, previa a eliminação dos vadios tanto pela expulsão da capitania como pela utilização dos desclassificados em tarefas secundárias. Havia por parte de Valladares a necessidade da repressão associada à utilidade. E foram várias as alternativas para a utilização desses marginalizados, como:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a) Entradas: os desclassificados foram utilizados nas entradas em substituição aos escravos, porque era oneroso ao Estado afastar o negro minerador de sua faixa diária de produção;&lt;br /&gt;b) Presídios: o desenvolvimento e a manutenção dos presídios, criados em terras remotas e coma finalidade de combater o extravio de ouro e impedir o avanço dos índios arredios, foram de responsabilidade dos desclassificados. O envio destes homens ocorreu principalmente nas décadas de 60, 70 e 80 do século XVIII. As condições de vida nos presídios não era boa. Os vadios estavam sujeitos à fome e a calamidades variadas. Além do mais os prisioneiros, em sua maioria, eram responsáveis por crimes insignificantes como o de embriaguez, ficando o sistema prisional aquém da funcionalidade proposta inicialmente;&lt;br /&gt;c)  Obras públicas e Lavoura: trabalhavam abrindo estradas, também a ocupação nas lavouras dos presídios era encarado como obra pública. O trabalho agrícola em si estava ligado ao fato da terra significar a base sólida da economia colonial;&lt;br /&gt;d) Polícia Privada: a formação de milícias privadas no interior do país que atendiam aos senhores locais. Como por exemplo: nos levantes ocorridos no  sertão do São Francisco, em 1736, nos quais torna-se evidente a “participação dos vadios como corpo pessoal dos potentados do lugar”, descreve a autora de “Desclassificados do Ouro”.  Essas milícias surgiram para manter o domínio dos senhores sobre seus escravos, suas propriedades, ou seja, aquilo que lhes fosse aprazível e indispensável à sua riqueza e ostentação;&lt;br /&gt;e) Milícias e Corpos Militares: os desclassificados atuavam nos conflitos como corpos de tropa. Protegiam as fronteiras do Brasil Colônia ainda muito móveis e provisórias e, por isso mesmo, locais de disputas com grupos espanhóis, como: Sacramento e Sete Povos das Missões. Também eram convocados para combater movimentos populares como os quilombos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;10. Conclusão &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Embora houvesse uma repulsa, por parte das autoridades, aos vadios eles eram comumente necessários aos momentos de dificuldades da coroa e serviam à manutenção do sistema, a consolidação das fronteiras, à continuidade do mando. Minas foi, de acordo com Laura de Mello e Souza, o lugar que mais ofereceu condições à proliferação desta camada intermediária, como também lhes tirou a razão de ser. Sua estrutura fez “com que o ônus dos vadios se metamorfoseasse em utilidade”. Não de forma irreversível, visto que eles eram úteis às atividades secundárias, não às de base e vez ou outra a sociedade sentia seu peso, mas de qualquer modo colaboravam para o bom caminhar do sistema.&lt;br /&gt;  E foi essa predominância da utilidade sobre o ônus que diferenciou o processo de desclassificação social do Brasil Colônia daquele realizado na Europa Moderna, onde a classe dos vadios, oriunda do capitalismo não foi reaproveitada, e sim repreendida, excluída, tratada como, na formulação do jurista de Lyon, “o peso inútil da terra”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Referencias Bibliográficas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GEREMEK, Bronislaw. Os Filhos de Caim: Vagabundos e Miseráveis na Literatura Européia 1400- 1700. São Paulo:  Companhia das letras, 1955.&lt;br /&gt;HOLLANDA, Sérgio Buarque de.  Monções. 3. ed. São Paulo: Brasiliense, 2000.&lt;br /&gt;MARX, Karl. A Origem do Capital: a acumulação primitiva. 3º edição. São Paulo: Global Editora, 1979.&lt;br /&gt;PRADO JR., Caio. Formação do Brasil Contemporâneo. São Paulo: Brasiliense, 1971.           &lt;br /&gt;SCHMITT, Jean-Claude. A História dos Marginais. In: LE GOFF, Jacques (Org). A História Nova. São Paulo: Martins Fontes, 1998.&lt;br /&gt;SOUZA, Laura de Mello. Desclassificados do Ouro: a pobreza mineira do século XVIII. Rio de Janeiro: Graal, 1982.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5559236354249669679-8768633720504074744?l=profbiuvicente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://profbiuvicente.blogspot.com/feeds/8768633720504074744/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5559236354249669679&amp;postID=8768633720504074744' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5559236354249669679/posts/default/8768633720504074744'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5559236354249669679/posts/default/8768633720504074744'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://profbiuvicente.blogspot.com/2009/06/mendicancia-na-idade-moderna.html' title='Mendicância na Idade Moderna'/><author><name>Biu Vicente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16556163874053147345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5559236354249669679.post-4796924915166072555</id><published>2009-05-01T18:24:00.011-03:00</published><updated>2009-05-01T19:52:06.009-03:00</updated><title type='text'>O Bairro do Cordeiro</title><content type='html'>Este ano estamos acompanhando a formação dos estudantes do primeiro período do curso de Bacharelado em Turismo. Este é um dos trabalhos apresentados em sala. Um convite para conhecer o Recife, em algo além das visões mais comuns.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO&lt;br /&gt;CENTRO DE ARTES E COMUNCAÇÃO&lt;br /&gt;NÚCLEO DE TURISMO E HOTELARIA&lt;br /&gt;ÁREA IV&lt;br /&gt;CURSO DE BACHARELADO EM TURISMO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O BAIRRO DO CORDEIRO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrito por&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elizabete Regina de Santana&lt;br /&gt;Fernanda Abreu dos Santos&lt;br /&gt;Leillyane Antonia de Moura&lt;br /&gt;Luana Alexandre Silva&lt;br /&gt;Monik Rodd Oliveira Teixeira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trabalho apresentado como requisito complementar para obtenção de nota escolar na disciplina de História da Cultura do curso de Turismo da Universidade Federal de Pernambuco, ministrada pelo Prof.Severino Vicente da Silva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recife&lt;br /&gt;Abril/ 2009&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SUMÁRIO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1Introduçao&lt;br /&gt;2. História do Bairro&lt;br /&gt;2.1 Forte do Arraial Novo do Bom Jesus&lt;br /&gt;2.2 Igreja de São Sebastião&lt;br /&gt;2.3 Mercado Do Cordeiro&lt;br /&gt;2.4 Sala de Reboco&lt;br /&gt;2.5 Charque do Alemão&lt;br /&gt;2.6 Parque Professor Antônio Coelho&lt;br /&gt;2.7 Hospital Getúlio Vargas&lt;br /&gt;3. Bloco da Saudade&lt;br /&gt;4. Conclusão &lt;br /&gt;5. Bibliografia&lt;br /&gt;6. ANEXO - Poema em Alusão ao Bairro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 Introdução&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em nosso cotidiano passamos por locais cuja origem não conhecemos. Despertar o interesse para o que está ao nosso redor é fundamental para valorizarmos a história do lugar onde vivemos. Com essa proposta realizamos pesquisas históricas, culturais, turísticas e econômicas sobre o bairro do Cordeiro. A visita a pontos já conhecidos e a outros ainda não reconhecidos pela sociedade nos abriu os olhos para as necessidades locais e nos fez entender um pouco mais sobre a nossa história.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2 História do Bairro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bairro do Cordeiro surgiu em terras que a princípio pertenceram ao senhor de engenho Ambrósio Machado. Nessas terras, que eram cortadas pelo Rio Capibaribe, havia uma passagem que levava ao atual bairro de Casa Forte. Existiam também poços que forneciam água à vizinhança. Esses dois fatores favoreceram o surgimento de um povoado.&lt;br /&gt;   O Engenho de Ambrósio Machado foi confiscado pelos holandeses e mais tarde, com a restauração de Pernambuco em 1654, parte dessas terras passou para o herói da guerra contra os holandeses: João Fernandes Vieira, que se tornou um dos senhores de engenho mais ricos do Nordeste e deixou aquela propriedade sob a administração de João Cordeiro de Mendanha, seu ajudante de ordem.&lt;br /&gt; Posteriormente, a propriedade foi arrematada em leilão público pelo capitão José Camelo Pessoa e no final do século XVII, foi comprada por Sotero de Castro, que lhe coloca o nome oficial de Cordeiro, pois já era assim conhecido, em homenagem ao seu antigo lavrador, João Cordeiro de Mendanha.&lt;br /&gt; O atual bairro do Cordeiro situa-se entre os bairros de Zumbi e Iputinga a cerca de 6 quilômetros do centro da cidade do Recife e integra várias sub-regiões tais como: Caxangá, Roda de fogo, Rua da Lama, San Martín, Torrões. Pertencente a 4ª Região Político-Administrativa do Recife (RPA-4), a oeste da cidade e, segundo o Censo do IBGE em 2000, o bairro do Cordeiro tinha os seguintes números: População de 37.538 habitantes e área de 332,8 hectares.&lt;br /&gt; O Cordeiro abriga pontos históricos, restaurantes de comidas regionais, mercados e feiras livres, uma das maiores emergências públicas da capital, um parque de exposições que cedia inúmeros eventos ligados ao agro negócio e uma das melhores casas de forró do Brasil.&lt;br /&gt; Dentre esses vamos destacar aqueles que mais caracterizam o bairro:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2.1 Forte do Arraial Novo do Bom Jesus&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Após a saída de Nassau do governo holandês em Pernambuco, recomeçou a campanha para a libertação do domínio batavo. A resistência já não podia se instalar nos engenhos, que já eram conhecidos pelos holandeses e não tinham grandes estruturas de defesa, então por isso elegeu-se um sítio afastado do litoral de onde podiam sair os campanistas em ataque.&lt;br /&gt;Assim foi feito e estabelecido o Forte do Arraial Novo do Bom Jesus, em 1648 e 1649, as tropas luso-brasileiras saíram dali para a primeira e segunda Batalha dos Guararapes. As duas batalhas foram vitoriosas e decisivas para a expulsão dos holandeses. Dessa forma o forte passou a ser o símbolo da resistência e da bravura contra as tropas holandesas.&lt;br /&gt;Mas, depois da expulsão dos holandeses, o Forte foi desativado e abandonado. Esta foi uma das poucas fortificações construídas em terra do Brasil naquele período cujos vestígios ainda se encontram aparentes, e em área urbana. &lt;br /&gt;Em 1872 o Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico Pernambucano ergueu no local uma coluna de três metros de altura onde, em seu topo, colocou-se uma cruz protegida por uma grade de ferro em homenagem ao reduto e seus heróis. Esse monumento ficou conhecido como Cruzeiro do Forte. &lt;br /&gt;Hoje, os vestígios do Forte estão situados na Estrada do Forte do Arraial Novo do Bom Jesus numa praça que é utilizada para lazer da comunidade local. Não há mais a cruz nem tão pouco a grade de ferro. Há apenas uma coluna solitária e algumas ruínas do Forte. Na coluna, praticamente não se enxerga mais os registros gravados pelo Instituto, devido à degradação ambiental, ao vandalismo e a falta de manutenção do monumento.&lt;br /&gt;As pessoas que circulam ali diariamente pouco sabem da história do Forte. O local deveria ser protegido, a cruz recolocada, e um novo registro deveria ser feito. Além disso, que a praça tem uma área enorme ainda não aproveitada, que podia ser ainda mais útil para o lazer da comunidade e visitação de turistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2.2 Igreja de São Sebastião&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A Paróquia de São Sebastião do Cordeiro foi criada em 19 de março de 1935 pelo arcebispo Dom Miguel de Lima Valverde para substituir a antiga Capelinha que invocava a São Sebastião, datada do ano de 1900. Seu primeiro pároco foi o Padre Antônio de Lima Cavalcante. A Matriz está localizada próximo ao inicio da Avenida General San Martín, às margens da Avenida Caxangá.&lt;br /&gt; O atual vigário, Padre Oscar Martins da Fonseca, está lá há 25 anos celebrando as missas de terça a sábado às 19 horas e no domingo às 6, 8 e 19 horas.&lt;br /&gt; A construção tem traços simples, com pintura bem conservada nas cores branca e amarela. Mesmo estando situada em uma das avenidas movimentadas da cidade,  o clima dentro da Igreja é de puro silêncio e bastante propício às orações dos visitantes. Atividades regulares funcionam lá, como batismo, casamento e eucaristia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2.3 Mercado do Cordeiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O Mercado do Cordeiro foi inaugurado no dia 23 de Março de 1937. Até o ano de 2001, o Mercado era privado e em 28 de Setembro de 2002 foi municipalizado pela Prefeitura da Cidade do Recife através do decreto 19-498.&lt;br /&gt;Em 2008 o Mercado foi reformado e todos os locatários do Mercado passaram por cursos de capacitação com o SEBRAE, o Banco do Brasil, a Vigilância Sanitária e a Companhia de Serviços Urbanos do Recife. &lt;br /&gt;Com essa re-inauguração o Mercado ganhou uma área gastronômica revitalizada, sinalização turística, Internet sem fio, sistema de combates a incêndios, sanitários acessíveis. &lt;br /&gt;O Mercado do Cordeiro está dividido em 170 boxes padronizados e funciona das 06h00 às 18h00 de segunda a sábado e aos domingos das 06h00 às 12h00. Seu espaço gastronômico funciona das 06h00 às 22h00 de segunda a quarta, e, de quinta a sábado, só fecha quando seu último cliente sai.&lt;br /&gt;Uma variedade de produtos e de comidas regionais pode ser encontrada por lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2.4 Sala de Reboco&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A Sala de Reboco Bar e Comedoria foi inaugurada em 1999 e situa-se na Rua Gregório Júnior, número 264. É um lugar voltado para o autentico forró pé-de-serra.&lt;br /&gt;Todas as quintas, sextas, sábados e vésperas de feriado a partir das 22:00 h um público fiel, de qualidade e de muita gente bonita é atraído pela boa música tocada ao vivo pelos maiores forrozeiros do Brasil.&lt;br /&gt; Dominguinhos, Jorge de Altino, Flávio José, Santana, Amelinha, Nando Cordel e Alcymar Monteiro são alguns dos nomes consagrados no local, havendo espaço também para novos talentos e outras bandas locais.&lt;br /&gt; A decoração do ambiente é rústica, remetendo a paisagens sertanejas com tecidos de chita no palco e paredes pintadas por artistas plásticos pernambucanos.&lt;br /&gt;Sua média de preço é até R$. : 15,00 e tem capacidade para 1.300 pessoas. &lt;br /&gt;Outro destaque é sua cozinha tipicamente sertaneja com pratos regionais e bebidas das mais diversas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2.5 Restaurante Charque do Alemão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Situa-se na Avenida do Forte, número 233, e seu nome é auto-explicativo: ou seja, a especialidade do lugar continua sendo o charque e seu primeiro proprietário era de origem alemã, um senhor que todos chamavam Alemão.&lt;br /&gt;          Inaugurado em 1997 foi passado pouco tempo depois para uma família da cidade de Tabira – Pernambuco, que são os atuais donos do estabelecimento. Mas seguiram com o mesmo nome até hoje, e no respectivo ano de 2009 o Restaurante Charque do Alemão completa 12 anos de existência e de grande sucesso em sua localidade e arredores.&lt;br /&gt; Além dessa carne o restaurante serve outros cortes, como a picanha e o galeto assado. Os pratos chegam acompanhados de feijão verde, arroz, macaxeira frita, farofa, vinagrete e maionese de batata. Para a sobremesa as sugestões são o pudim e a torta serenata de amor. &lt;br /&gt; O restaurante programa música ao vivo no fim de semana, geralmente MPB, forró e chorinho. Para quem só pretende curtir o som e bebericar alguma coisa, a casa vende bons petiscos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2.6 Parque Professor Antônio Coelho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O Parque Professor Antônio Coelho, popularmente conhecido como Parque de Exposição do Cordeiro, fica situado na Avenida Caxangá e possui uma área de 12 hectares. A quase 70 anos cedia a tradicional festa de exposição de animais e produtos derivados. Essa festa, que dura quase 10 dias e acontece no mês de novembro, dispõe de shows artísticos, vaquejadas, comidas típicas, leilões, mostra de implementos artísticos e regionais além de seleção e premiação das melhores raças de animais. É o mais importante acontecimento do gênero no Nordeste e um dos principais eventos agropecuários do Brasil.&lt;br /&gt; Hoje no espaço funciona a Secretaria de agricultura e o Expresso Cidadão, popularmente conhecido como “Rapidinho” por colocar à disposição serviços com facilidade. Encontram-se lá: Agência do Trabalho, Banco Real, Biblioteca Virtual, CELPE, COMPESA, Defensoria Pública, Detran, Grande Recife, LAFEPE, Oi, Prefeitura do Recife, PROCON, Secretaria de Defesa Social IITB e caixas eletrônicos do Banco do Brasil, da Caixa Econômica entre outros.  No Parque é possível observar ainda dois monumentos: o primeiro, um belo Zebu, doação da Associação dos Criadores de Pernambuco e, o outro, um célebre cavalo Mossoró, o primeiro campeão do Grande Prêmio Brasil, oriundo do Haras Maranguape, em Paulista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2.7 Hospital Getúlio Vargas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Está localizado no início da Avenida General San Martín e funciona como um dos hospitais de emergência do Recife. Sua construção foi iniciada no governo do presidente Eurico Gaspar Dutra e concluída na segunda gestão de Getúlio Vargas de quem herdou o nome.&lt;br /&gt; Era o antigo IAPTEC (Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Empregados em Transportes e Cargas). Hoje sofre com a superlotação, a falta de médicos e de leitos para um bom atendimento.&lt;br /&gt; O Hospital é de fácil acesso tanto para quem vem pela Avenida Engenheiro Abdias de Carvalho quanto para aqueles que vem pela Avenida Caxangá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3 O Bloco da Saudade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O bloco surgiu a partir de uma canção de Edgard Morais chamada Valores do passado, composta em 1962, em que ele saudava 24 agremiações já extintas e idealizava um bloco da saudade. Em 1963, um grupo de foliões apostou com Edgar Morais que criariam o bloco da Saudade, o que realmente aconteceu em 1974 pelas ruas do bairro do Cordeiro. O objetivo era trazer de volta a tradição dos blocos de pau e corda ao carnaval do Recife e Olinda, ressuscitando o gênero musical de marcha de bloco.&lt;br /&gt; Várias outras agremiações foram incentivadas pelo saudosismo do bloco da Saudade, trazendo de volta, inclusive, os nomes dos antigos blocos de rua. As cores oficiais são o vermelho, o azul e o branco. Segundo a agremiação, mais de quinze mil pessoas freqüentam anualmente os quatro acervos de marcha e o famoso baile do bloco da Saudade. Os desfiles acontecem nas cidades de Recife e Olinda, dois deles na semana pré-carnavalesca e três durante os festejas de momo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4 Conclusão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os conhecimentos que adquirimos à medida que realizamos o trabalho nos fizeram enxergar aquilo que sempre esteve a nossa volta e que acabamos por não dar o valor necessário. Nós como cidadãos e futuros turismólogos precisamos desse conhecimento para junto à sociedade preservar esses patrimônios que por muitas vezes são esquecidos pelo poder público e divulgar a sua importância histórica e social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5 Bibliografia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CAVALCANTE, Carlos Bezerra. O Recife e seus Bairros. Recife: Camarim Minicipam Recife, 1998.&lt;br /&gt;www.fundaj.gov.br&lt;br /&gt;www.wikimapia.org&lt;br /&gt;www.magmarqueologia.pro.br&lt;br /&gt;www.jc.uol.com.br&lt;br /&gt;www.recife.pe.gov.br&lt;br /&gt;www.saladereboco.com.br&lt;br /&gt;www.obaoba.com.br&lt;br /&gt;www.ipernambuco.com.br&lt;br /&gt;www.cporr.ensino.eb.br&lt;br /&gt;www.carnavaldepernambuco.com/2009&lt;br /&gt;www.jusbrasil.com.br&lt;br /&gt;www.especiais.com.br&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ANEXO - Poema em alusão ao Bairro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cordeiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas terras do Engenho Cordeiro&lt;br /&gt;Surgiu um “novo arraial&lt;br /&gt;P’ra fazer pelo Brasil,&lt;br /&gt;O que não fez Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Epicentro das Batalhas&lt;br /&gt;De nossa Insurreição,&lt;br /&gt;Despertando neste povo,&lt;br /&gt;Sentimento de Nação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Taborda o resultado&lt;br /&gt;Em janeiro a rendição&lt;br /&gt;Os Batavos nos deixaram&lt;br /&gt;Apenas recordação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Bezerra Cavalcanti.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5559236354249669679-4796924915166072555?l=profbiuvicente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://profbiuvicente.blogspot.com/feeds/4796924915166072555/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5559236354249669679&amp;postID=4796924915166072555' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5559236354249669679/posts/default/4796924915166072555'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5559236354249669679/posts/default/4796924915166072555'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://profbiuvicente.blogspot.com/2009/05/o-bairro-do-cordeiro.html' title='O Bairro do Cordeiro'/><author><name>Biu Vicente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16556163874053147345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5559236354249669679.post-3995878679049359579</id><published>2009-04-23T08:48:00.002-03:00</published><updated>2009-04-23T09:05:57.944-03:00</updated><title type='text'>CIÊNCIA E MODERNIDADE NO SÉCULO XVIII: O ALVORECER DE UMA NOVA METODOLOGIA</title><content type='html'>Este texto foi apresentado em sala de aula pelos alunos que o escreveram, após terem realizado pesquisa bibliográfica, como parte de sua formação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO&lt;br /&gt;CENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS&lt;br /&gt;DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA&lt;br /&gt;HISTÓRIA MODERNA II - V PERÍODO&lt;br /&gt;PROFESSOR SEVERINO VICENTE DA SILVA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CIÊNCIA E MODERNIDADE NO SÉCULO XVIII:&lt;br /&gt;O ALVORECER DE UMA NOVA METODOLOGIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrito por: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Allan Cavalcante Luna&lt;br /&gt;Aurélio de Moura Britto&lt;br /&gt;Bruno R. Véras de M. e Silva&lt;br /&gt;Diego Rodrigo Barbosa&lt;br /&gt;Ednaldo F. do Carmo Júnior&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recife, abril de 2009 &lt;br /&gt;ÍNDICE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;INTRODUÇÃO 4&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Impasses epistemológicos 4&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A CIÊNCIA DO RENASCIMENTO 6&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A CIÊNCIA NO SÉCULO XVIII 10&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A DIFUSÃO DA CIÊNCIA NA EUROPA E AS ACADEMIAS CIENTÍFICAS 13&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UMA INTERPRETAÇÃO EXTERNALISTA DA HISTÓRIA DA CIÊNCIA 17&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CONSIDERAÇÕES FINAIS 20&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;REFERÊNCIAS 21&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;INTRODUÇÃO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ciência durante a Idade Moderna converteu-se em força propulsora e basilar das relações sociais. Com a Revolução Científica houve uma intensa discussão sobre a verdade e as metodologias mais eficientes para sua apreensão. Ao falarmos da Ciência Moderna, terminamos por negligenciar as particularidades dessas formações discursivas em categorias demasiadamente genéricas. Claro que a história da ciência, bem como qualquer história, é elaborada a partir de enfoques nas continuidades ou nas rupturas. Tendo isto em vista, o trabalho se propõe a enfatizar as dimensões que particularizam o conhecimento cientifico do século XVIII. Óbvio que dar uma dimensão de fosso epistemológico entre as tradições científicas modernas seria drástico, e historicamente infundado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ciência do século XVIII desenvolve, em virtudes das mudanças culturais, alguns aspectos de cientificidade que se distinguem da ciência no Renascimento. A este aspecto, merece relevo a colocação de John Bernal (1976):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No puede sorprender, vistos los cambios sociais e culturais, que las tendências a lo largo de mayor parte del siglo XVIII fueram distintas de las do siglo XVII. Em todo caso, la ciência habia conquistado su lugar. Se habia conquistado su lugar. Se habia convertido em uma institucion, y adquirido su propia tradicion interna (BERNAL, 1976, p. 395).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quais eram estas particularidades? Que forças, internas e externas a ciência, as motivaram? Estas são algumas das indagações que nortearão o presente estudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IMPASSES EPISTEMOLÓGICOS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz-se necessário pontuar os principais impasses epistemológicos que regem a produção historiográfica da ciência. Qual a influência do contexto histórico na produção científica? Grosso modo, poderíamos dizer que a esta indagação às abordagens tradicionais da historiografia da ciência tentam responder. Para uns — os internalistas — a prática científica não carrega em seus postulados as impressões da cultura. Ou melhor, fatores culturais não influenciam a ciência nas mais variadas demandas sociais. A ciência, nesta acepção, se auto-determinaria e possuiria uma fundamentação lógica e inerente a própria ciência. Para outros — os externalistas — a prática cientifica é historicamente determinada, e as sentenças científicas são respostas às demandas sociais. Atualmente, a historiografia da ciência tem procurado uma posição menos extremista que as anteriormente referidas. Procurando no hibridismo, uma resposta mais completa para a compreensão da produção do conhecimento científico e seu contexto social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Metodologicamente, o trabalho procurará conferir historicidade à ciência, no caso, a do século XVIII. Contudo, sem aderir ao utilitarismo do tipo vulgar, vendo a ciência, e a produção cientifica, como resposta imediata e unilateral à ascensão da burguesia na Europa. “Nada de utilitarismo vulgar! A ciência não era verdadeira por que útil, mas a verdadeira ciência era, ao mesmo tempo, útil” (JAPIASSU, 1997, p. 246).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em suma, optaremos por uma abordagem dialética da ciência, privilegiando a interação entre as realidades internas e externas que, juntas e em graus diferentes ao longo da história, condicionaram a construção e institucionalização do conhecimento científico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A CIÊNCIA DO RENASCIMENTO:&lt;br /&gt;RACIONALIDADE E SECULARIZAÇÃO NOS SÉCULOS XV E XVI&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de iniciar a análise essencialmente objetivada neste artigo — as transformações epistêmico-metodológicas da ciência do século XVIII —, faz-se mister, uma reflexão sobre as características peculiares à “Revolução Científica” (MOCELLIN, 2000), fruto do renascimento e humanismo no século XV. Em caráter comparativo e processual este exame vem a ser essencial para se perceber as continuidades neste processo intelectual e ao mesmo tempo técnico que se engendrou na Europa moderna em tempos de humanismo (ROSSI, 1992).&lt;br /&gt;Em toda a história da humanidade ocorreram algumas “Revoluções” de cunho técnico, epistemológico e científico. Aponta-se a presença destas revoluções em determinadas sociedades nos mais diversos tempos históricos, tal qual defende Price (1976), assinalando tal característica para a Babilônia, Grécia, Al Andaluz, Europa moderna, entre outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a revolução que mudou a forma de encarar a natureza e que gerou a moderna concepção científica, foi a que começou no século XV e se prolongou até o fim do século XVI. De fato suas conseqüências foram tão grandes que, com toda a razão, muitas vezes a chamam “A Revolução Científica” (RONAN, 1997, p. 07).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim define Colin Ronan (1997), ilustrando explicitamente a importância desta revolução não somente científica e técnica, mas também na forma de conceber, enxergar e representar o mundo (CHARTIER, 1990). Teria ela uma relevância intensa no que viria a se tornar a Europa moderna e mesmo o mundo colonial por ela conquistado através das técnicas desenvolvidas a partir desta revolução. Contudo, não só ao campo empírico, esta revolução proporcionou frutos. “A revolução científica de 1500-1600 não apenas afetou todos os campos da ciência como mudou as técnicas de investigação científicas, os objetos que o cientista estabelecia para si mesmo” (RONAN, 1997, p. 08) e o papel que a ciência poderia desempenhar na filosofia e até na própria sociedade. Uma mudança tão profunda não poderia acontecer simplesmente por si mesma, mas foi uma modificação geral no modo pelo qual o homem via a sim mesmo e ao mundo em que vivia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Europa Ocidental e, principalmente mediterrânica, desde segunda metade do século XV passava por transformações intensas no que consta aos seus contatos extra-europeus, mudanças em sua organização política e territorial bem como na maneira de pensar de suas populações. Esta nova conjuntura sócio-política e cultural é que possibilitaria o nascer da ciência crítica moderna quantitativa e racionalista. Durante o início da idade moderna européia podem-se apontar alguns elementos de destaque que inovaram consideravelmente a vida intelectual da elite artística e filosófica .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O “Renascimento” foi um dos principais deles. Movimento iniciado nos principados italianos e patrocinado pela burguesia mercantil e urbana local, teve grande importância na inovação artística e mesmo intelectual em boa parte da Europa ocidental e central. A superação de uma perspectiva uniforme e teológica medieval — tanto de cunho artístico quanto mental — pôde ser percebida nas mais diversas manifestações humanas neste contexto geográfico, como o caso das próprias representações religiosas e políticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Começou, de modo crescente, a secularizar as atitudes dos homens, encorajando-os a reconhecer a beleza do mundo natural e não apenas em um mundo limitado pelas imagens sacras” (RONAN, 1997, p. 08). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo antes conceituado e vivido a partir de uma metafísica cristã, agora se abria em possibilidades físicas observáveis concretamente a partir da sensibilidade humana. O centro do mundo deixara de ser o theos e tornava a virar-se a capacidade do homem em si. A chave desta perspectiva denominou-se Humanismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Humanismo era a corrente filosófica do renascimento. Dedicava-se ao estudo dos conhecimentos antigos. Escritos gregos, romanos e hebraicos foram traduzidos e valorizados. O retorno à filosofia grega, através das traduções dos árabes, possibilitou um novo patamar de compreensão apagado no mundo medieval. O “homem” era o centro e as possibilidades estavam no observar concreto e sensível (HENRY, 1998).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O humanismo e a independência de pensamento, que a renascença encorajou, teriam como efeito a fragmentação da cristandade” (RONAN, 1997, p. 11). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta foi outra das características que compunham a conjuntura do nascimento da Revolução Científica dos séculos XV e XVI. O pensamento crítico alentado pelas propostas humanistas proporcionou mesmo o questionamento de validade social sobre a maior e mais poderosa instituição do período medieval: a Igreja Católica Romana. Várias correntes religiosas cristãs surgiram na Europa, tendo vários Estados nascentes abraçados tais propostas. Nesses locais a ciência teve destacado papel, principalmente nas áreas de matemática e astronomia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro importante evento gerou profundas repercussões tanto econômicas quanto mentais em toda a Europa: a descoberta do “Novo Mundo”. A Europa deixou de recolher-se em si mesma, como fizera durante boa parte da Idade Média para explorar o mundo dos “outros” (HARTOG, 1999). E mais, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“o fato de que os povos antigos, apesar do brilho de sua civilização, não haviam chegado a conhecer tudo o que se deveria conhecer sobre o mundo; isso significava que o homem tinha apenas observar para que fosse possível fazer descobertas” (RONAN, 1997, p. 13-14).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse contexto surgem homens que revolucionaram tanto o método de observação quanto de reflexão dos fenômenos científicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desenvolvimento da física durante a renascença é, de certa forma, frustrante. Certamente houve um progresso no estudo do magnetismo terrestre, realizaram-se alguns trabalhos em óptica e teve lugar um pequeno incremento na compreensão de almas questões referentes à mecânica, mas mesmo assim o progresso foi pequeno (RONAN, 1997, p. 36).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesses cientistas renascentistas, podem-se apontar alguns axiomas essenciais em seus métodos de pesquisas. Pressupostos epistemológicos que guiaram a observação e a metodologia analítica destes filósofos que compuseram o panteão intelectual dos séculos XV e XVI. O axioma trata-se do Racionalismo. Para aqueles cientistas modernos, as coisas exteriores (a Natureza, a vida social e política) podem ser conhecidas desde que sejam consideradas representações, ou seja, idéias ou conceitos formulados pelo sujeito do conhecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso significa, por um lado, que tudo o que pode ser conhecido deve poder ser transformado num conceito ou numa idéia clara e distinta, demonstrável e necessária, formulada pelo intelecto; e, por outro lado, que a Natureza e a sociedade ou política podem ser inteiramente conhecidas pelo sujeito, porque elas são inteligíveis em si mesmas, isto é, são racionais em si mesmas e propensas a serem representadas pelas idéias do sujeito do conhecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Axioma essencial neste contexto científico, o Mecanicismo teve destacada importância. O Mecanicismo é uma teoria filosófica segundo a qual todos os fenômenos que se manifestam nos seres vivos são mecanicamente determinados e, em última análise, essencialmente de natureza físico-química. Esta postura opõe-se às explicações vitalistas que postulam a existência de uma força ou impulso vital sem a qual a vida não poderia ser explicada (BURKE, 2003).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta conjuntura revolucionária no campo intelectual surge René Descartes (1595-1650). Este francês dedicou sua vida à geometria analítica, contudo, sua maior contribuição foi metodológica. Em sua obra O Discurso do Método, Descartes propõe um método essencial para a construção do conhecimento científico. Baseava-se na racionalidade e na dedução, agrupando todas as observações para então inferir resultados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta ciência fruto do Renascimento sofrerá imensas tranformações no decorrer do século XVIII, onde serão propostos novos métodos, novos objetos terão destaque na análise científica e a técnica e a ciência sofreram um processo de almagamamento nunca antes visto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A CIÊNCIA NO SÉCULO XVIII&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fomento que a ciência conheceu no Renascimento contrasta com o início do século, onde, nas primeiras décadas, aconteceu certa estagnação. Alguns historiadores, dentre eles Whitehead (1951), pensam a produção científica do século XVIII como simples continuidade do período “glorioso” anterior. Assim, este período seria caracterizado por uma tendência menor, não haveria produzido um desenvolvimento do conhecimento proporcional ao século anterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre este respeito, nos declara Bernal (1976): &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“El impulso originário que habia creado la ciência em el Renascimiento y la habia guiado a traves de la gran expasion de mediados del siglo XVII, parecio disminuir, y aun extinguirse, a finales del mismo  siglo” (BERNAL, 1976, p. 391).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Bernal (1976), explica-se este decréscimo da prática científica de duas maneiras. Do ponto de vista interno, o newtonianismo conferiu a ciência um caráter acabado, devido, aos grandes êxitos propiciados por estes procedimentos. No contexto social, vemos a substituição de uma classe que impulsionava o “avanço”. Ela havia sido sucedida por um segmento menos propenso a investimentos. Ainda nos diz o autor:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta, la primera aristocracia Whig, considero mas segura la inversion em la tierray satisfazo su intereses especulador em aventuras tan gloriosas como la estafa del mar do Sur.  La clase que la sucederia em el poder, los nacientes pero muy debiles manufactureros que más tarde originarían la Revolucion Industrial, no eram todavia conscientes  das posibilidades o siquiera la existência de la ciencia (BERNAL, 1976, p. 391).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, pensar o século XVIII como um período de infrutífero para a ciência é negligenciar o processo global, uma vez que, em meados deste século, a ciência alcançaria um enorme respeito na produção da verdade social. Para Bernal (1976) se processa uma segunda revolução científica durante o século das luzes, ligada química, o que ele chama de “revolução neumatica”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Revolução Científica moderna operou com premissas e postulados que viriam a sofrer a perda de sua preponderância frente a novos paradigmas e metodologias. O racionalismo e o dedutivismo foram à base metodológica que corroborou todo o pensamento mecanicista deste período inicial. Assim, temos na ciência da modernidade duas metodologias bem evidentes. No primeiro momento da ciência, na sua gênese e luta pela sobrevivência, o racionalismo e o dedutivismo firmaram-se como métodos “oficiais”, era a matemática a principal linguagem do mundo; tendo o pensamento cartesiano influenciado profundamente toda prática científica. Posteriormente, no século XVIII, o racionalismo cartesiano cedera lugar ao experimentalismo newtoniano. A indução ganha o lugar da dedução. Claro está, que a ascensão de uma metodologia não coincide, necessariamente, com extinção de outra. Trata-se de uma generalização, e de observar qual método detinha, neste momento, a hegemonia.  O pensamento de Newton contribui decisivamente para a preeminência do experimentalismo, além de fatores sociais que serão adiante explicitados. Este é o período de institucionalização da ciência. Exatamente quando ocorre uma cientifização das idéias, sobretudo, as políticas. A este respeito coloca Japiassu (1997):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Graças a influencia de Newton, a ciência se estabiliza. A ciência torna-se uma instituição respeitável [...]. Os filósofos do século XVIII puderam tomar como verdade a visão cientifica do mundo legada por Newton: estenderam e reconciliaram suas conclusões com o padrão sócio-econômico em desenvolvimento" (JAPIASSU, 1997, p. 245).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os “avanços” oriundos do campo científico, sob a tradição do newtonianismo, somados com outras variantes ligadas a ascensão da burguesia, vão imbuir todo o século XVIII da noção de “progresso”. Vai estabelecendo uma relação, sem precedentes, na forma com que interagem a ciência e o poder político. Ocorre uma cientifizacão nos modelos de explicação social, bem como uma absorção da idéia de ciência enquanto instrumento indispensável para a organização da sociedade. Poder-se-ia argumentar que isto remonta uma tradição baconiana, mas o status e a força que ganha o discurso científico, marcam o otimismo e a esperança na capacidade da ciência explicar e, agora, atuar praticamente sob o mundo. Assim, teoria e pratica; ciência e política; começam a imbricassem, de tal modo, que durante o século XIX, será quase que impossível traçar uma linha rígida sobre onde começa uma e acaba a outra. Bernal (1976) evidencia este caráter de intervenção no mundo que começa a surgir neste século:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Muy pocas cosas de uso práctico se seguiron de los esfuersos de los científicos del siglo XVII, organizados em sus sociedades y academias, para mejorar los manufacturados o la agricultura. Por en contrario, a finales del siglo XVIII comenzóa advertirse La conjugacionde las innovaciones cientificas y capitalistas, y su conjugacion puso en movimiento fuerzas que transformarían el capitalismo, la ciência y la vida de todos los pueblos del mundo." (BERNAL, 1997, p. 398)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O século XVIII fornece ao “mundo” um modelo científico-social: a utopia técnica. Exatamente esta visão que o conhecimento verdadeiro — o científico — libertará o homem das suas angustias e debilidades. O próprio iluminismo forjará o acúmulo de conhecimento com “estágios” progressivos de felicidade e racionalidade. Como nos indica Japiassu (1997):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nele vai apoiar-se o “espírito do iluminismo”, fundado tanto na crença de que a razão e a ciência permitem ao homem alcançar graus cada vez maiores de liberdade e um nível crescente de perfeição quanto na idéia de que o progresso intelectual deve servir constantemente para o progresso geral do homem. Com efeito, diferentemente dos pensadores do século XVII, os filósofos do iluminismo construíram um ideal de explicação e de compreensão segundo o modelo da física de Newton (JAPIASSU, 1997, p. 223).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta inflexão no pensamento científico, durante o século XVIII, é visível em outras instâncias da produção do conhecimento, inclusive na organização e institucionalização da ciência, mediados pelas sociedades científicas e pela própria universidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A DIFUSÃO DA CIÊNCIA NA EUROPA E AS ACADEMIAS CIENTÍFICAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante o século XVIII, a Europa começou a intensificar os meios de transmissão de saber. A impressão de livros exerceu papel fundamental para que a ciência fosse propagada por todo o continente. Will Durant (1964) postula que “os primeiros heróis da divulgação do saber foram os impressores-editores, que alimentaram a corrente de tinta na qual ele fluiu de espírito a espírito e de geração a geração” (DURANT, 1964, p. 199).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Partindo do que afirma Durant (1964), poderemos, também, dar um estimado valor ao papel das bibliotecas. Ora, se a intensificação na publicação das obras garantiu que o livro pudesse fluir “de espírito a espírito e de geração a geração”, as bibliotecas eram o ambiente mais propício para se discutir e acumular as obras antigas. Não podemos deixar de considerar que o aumento na publicação dos livros e no número de bibliotecas, se deu muitas vezes pelo patrocínio do Estado; como exemplo, temos Catarina de Médicis, que acrescentou à Bibliotetèque Nationale vários volumes e manuscritos (DURANT, 1964).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É justamente o apoio do Estado que garantirá que a ciência seja difundida com mais facilidade. Os filósofos naturais foram “recrutados” das universidades para as cortes para atender aos interesses dos governantes. Entretanto, essa submissão dos filósofos naturais aos absolutistas não representava que o poder do monarca estivesse acima da ciência; as universidades não possuíam um arcabouço suficiente para as inovações científicas do século XVIII.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando nos referimos à falta de arcabouço das universidades, não estamos nos referindo a uma estrutura precária da instituição, estamos falando em um plano ideológico. As universidades assumiam uma postura conservadora em relação ao incentivo para novas descobertas científicas. Peter Burke (2003) afirma que as universidades estavam mais voltadas para a manutenção e simples transmissão do saber, do que para, realmente, incentivar as inovadoras práticas científicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa maneira, os filósofos naturais não puderam desenvolver dentro do conservadorismo universitário as suas experimentações científicas nem propor novas metodologias de trabalhos. Galileu Galilei, por exemplo, desenvolveu as suas pesquisas fora das universidades. Embora tenha sido professor universitário, foi com o patrocínio do Estado que pôde desenvolver as suas práticas científicas e as suas propostas metodológicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se as universidades européias não permitiram grandes avanços para a ciência empírica do século XVIII, era a corte quem exerceu papel fundamental na propagação do conhecimento científico. Conforme Henry (1998):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Mudanças na natureza e na estrutura das cortes reais numa Europa de Estados cada vez mais absolutistas também deram ao mathematicus oportunidades mais amplas de fazer sentir a sua presença. O matemático que conseguia impressionar o príncipe com a sua produção de mirabilia, máquinas ou cenários para espetáculos teatrais e outros aperfeiçoamentos da imagem do príncipe podia elevar-se acima daqueles envolvidos apenas na administração do Estado" (HENRY, 1998, p. 27).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;John Henry (1998), ao afirmar que os mathematicus que impressionavam os príncipes elevavam seu status, mostra-nos que, inicialmente, os interesses dos absolutistas com os filósofos naturais estavam ligados ao seu divertimento. Entretanto, não é de se admirar que a ciência se transforme em um instrumento de poder do Estado. A finalidade prática do conhecimento científico teria mais utilidades que o lúdico para as cortes; a matemática — continuando com o exemplo — seria fundamental na organização militar dos exércitos e em finalidades puramente comerciais.&lt;br /&gt;O crescente interesse do Estado pela ciência gerou transformações pela Europa. Ao raiar do século XVIII, já existiam mais de 600 academias científicas no leste europeu (RONAN, 1997). A institucionalização da ciência nas academias científicas marca a Revolução Científica do século XVIII; dando ao conhecimento científico o suporte para que o saber fosse propagado de maneira empírica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre as academias, destacaremos a Royal Society de Londres, aquela que melhor representou as finalidades das academias científicas. Antes do emergir da Royal Society, alguns Estados absolutistas já investiam na ciência fora dos muros da universidade. Destaque-se o Observatório de Greenwich e de Paris; as academias de eruditos de Nápoles; e, em Florença, a Academia do Lincei. Todos esses centros estavam voltados para a ciência experimental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Londres, com o aval de Elizabeth I, foi fundado por um de seus conselheiros financeiros, Sir Thomas Gresham, uma academia que não se limitasse a simples obtenção de conhecimento puro e pretendia algo mais que a proposta das universidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A idéia de Gresham era que sua faculdade abrigasse sete professores residentes, que fariam conferências públicas tanto em inglês quanto em latim, devendo algumas delas tratar de matérias científicas práticas, não constantes, então de nenhum currículo de qualquer universidade (RONAN, 1997, p. 109).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Gresham Collegue foi fundamental para a fundação da Royal Society of London for Improving Natural Knowledge, porém, foi o pensamento de Francis Bacon que permitiu que essa academia britânica tivesse a importância que teve para a ciência do século XVIII. Bacon tinha o seu pensamento voltado para uma ciência experimental voltada à assistência do homem ao invés da aquisição do conhecimento puro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O empirismo se propaga em vários ramos do conhecimento científico. A física, por exemplo, tem os estudos de óptica aprimorados e voltados para finalidades práticas (telescopia e microscopia). A química apresenta como novidade o vácuo no estudo dos gases, que vai de encontro à concepção aristotélica sobre a impossibilidade de existir algo como o vácuo. A geologia é elevada ao status de ciência; o crescente interesse pela paleontologia dá às ciências da terra um maior interesse de pesquisa pelos intelectuais. A biologia sofre um processo de maior sistematização do conhecimento, com destaque para a cirurgia que passa a usar métodos científicos, e desprezar o antigo “método de sorte”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Royal Society começou a divulgar e publicar a obra dos seus integrantes em bilíngüe (latim e inglês). Eis um ponto crucial para a difusão da ciência: a língua. Enquanto o latim privava o público do acesso às obras científicas; o inglês permitia uma maior aquisição e absorção dos livros. Quando a Royal Society passa a publicar obras em vernáculo, a academia estende ainda mais a propagação científica no século XVIII, e conseqüentemente, aumenta o interesse pelo conhecimento científico, agora não só por parte do Estado, mas dos comerciantes e de uma população mais esclarecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UMA INTERPRETAÇÃO EXTERNALISTA DA HISTÓRIA DA CIÊNCIA:&lt;br /&gt;A RELAÇÃO CAPITALISMO/BURGUESIA E TECNOLOGIA/CIÊNCIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como tínhamos dito, a linha de pensamento externalista de análise da História da Ciência é uma tendência de enxergar o desenvolvimento das idéias científicas enquanto reflexo de uma determinada sociedade.&lt;br /&gt;Nessa maneira de pensar, a ciência se desenvolveria em respostas às necessidades mais diversas da sociedade, ainda que fossem elas econômicas, políticas, militares, enfim, as mais variadas questões imprescindíveis, principalmente a um determinado grupo social específico, patrocinador do desenvolvimento da ciência, que no caso da Ciência Moderna, seria a burguesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No cerne oposto à corrente externalista, o paradigma internalista da História da Ciência, que admite que a ciência se incrementa de novos paradigmas e conceitos per si e para si, vê o desenvolvimento científico totalmente desvinculado da realidade concreta vivenciada pelos cientistas, ou seja, de uma maneira pura em si mesmo.&lt;br /&gt; Hilton Japiassu (1991) evidencia ambas as correntes de pensamento no seguinte fragmento: “A ciência moderna nasceu com o advento do sistema mercantilista. Não surgiu como uma atividade pura e desinteressada, como uma aventura espiritual ou intelectual” (JAPIASSU, 1991, p. 157).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, quando analisamos o brotar da ciência na Idade Moderna, não podemos desvincular, segundo a ótica externalista, todo o quadro sócio-econômico de então. O capitalismo comercial, ou capitalismo mercantil, ou mercantilismo, ou mesmo pré-capitalismo, assiste e ao mesmo tempo fomenta ao desabrochar dos mais variados campos científicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse período, uma classe social que irá se consolidar definitivamente no século XIX, começa a dar seus primeiros sinais de proeminência econômica: a burguesia. Obviamente não a burguesia clássica dos romances do XIX, mas uma burguesia ainda hesitante, uma “burguesia anobrezada”, que ainda investia na aquisição de terras, e na compra de títulos de nobreza. No entanto, uma classe social já de considerável destaque financeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Objetivamente, para a corrente externalista de interpretação da História da Ciência, essa necessidade comercial, alavancada principalmente pela expansão ultramarina, fez com que a ciência começasse a se desenvolver. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ciência era extremamente ligada às práticas comerciais, e com isso, vemos a aparição e o crescimento, por exemplo: da Astronomia, da Cartografia, da Geologia, da Geografia — ciências estas essenciais à eficiência navegação; da matemática, que atende às necessidades da contabilidade financeira (empréstimos, juros, etc.) do período; e assistimos, outrossim, ao desenvolvimento da Engenharia Bélica, incitada pela concorrência entre estados rivais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta inventividade técnica desenvolvia um jogo dialético com a economia de então: ao mesmo tempo em que ela desenvolvia e estimulava o comércio, era estimulada por ele. Na prática, acontecia um reforço mútuo entre o saber e o comércio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo esse processo atingia diretamente a própria burguesia, a grande beneficiária de todo este desenvolvimento econômico-científico. Tais acontecimentos ocorreram pioneiramente nos países da Península Ibéria (Portugal e Espanha). No entanto, por razões diversas, a burguesia se viu perseguida nessas sociedades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É neste momento — nos séculos XVII e XVIII — que o eixo das grandes mudanças, dos grandes acontecimentos, transfere-se para os países do norte, notadamente Inglaterra e França. É nesses dois países que a burguesia se consolida politicamente, primeiro na Inglaterra no século XVII, e posteriormente na França, em fins do século XVIII.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir daí a ciência sofre um impulso jamais visto durante a História. É o momento em que a economia gira em torno de uma esfera que passará a ser central e essencial na vida das sociedades de então: da produção. O capital agora não advém apenas do comércio, da circulação de bens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, a ciência institucionalizada politicamente, passa agora a ter um papel muito mais relevante socialmente durante, principalmente o século XVIII. Karl Marx &amp; Friedrich Engels (2006), no Manifesto do Partido Comunista, que data de 1848, escrevem sobre estas transformações ocasionadas pela ascensão e consolidação política da burguesia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Em seu domínio de classe de apenas cem anos, a burguesia criou forças produtivas mais poderosas e colossais do que todas as gerações passadas em conjunto. Subjugação das forças da natureza, maquinaria, a aplicação da química na indústria e na agricultura, navegação à vapor, ferrovias, telégrafos elétrico, exploração de continentes inteiros, navegabilidade dos rios, populações inteiras brotadas do solo como que por encanto — qual século anterior poderia suspeitar que semelhantes forças produtivas estivessem adormecidas no seio do trabalho social?" (MARX; ENGELS, 2006, p. 50).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, logo podemos perceber o quanto se transformou a ciência originária do período da Renascença. Nos séculos XV e XVI, a ciência, sem dúvida, tem uma empregabilidade técnica, no entanto, não na mesma proporção que irá atingir nos séculos XVII, e principalmente no XVII.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No período inicial, a ciência estava bastante ligada ao comércio, já no século XVIII, a produtividade se tornou questão primordial. Nesse período, aparecem os investimentos em novas tecnologias de produção, de indústria, ainda que embrionária.&lt;br /&gt; John Bernal (1976) nos elucida muito bem acerca desta temática das diferenças existentes entre a ciência renascentista e a do período das luzes: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"El Mayor estímulo y empleo práctico de la ciência se había dado en el ámbito de la navegación, apéndice indispensável del comércio pero sólo indirectamente relacionado com la produción. [...] Por el contrário, a finales del seglo XVIII comenzó a advertirse la conjugación de las innovaciones científicas y capitalistas, y su interacción puso en movimiento fuerzas que transformarían el capitalismo, la ciência y la vida de todos los pueblos del mundo" (BERNAL, 1976, p. 398).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CONSIDERAÇÕES FINAIS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; As mudanças do conhecimento do século XVIII foram explanadas de tal maneira que se pudessem perceber as suas divergências em relação à ciência renascentista, do século XV e XVI. Ao longo deste trabalho, portanto, procurou-se evidenciar, analisar, e exemplificar as transformações e as continuidades que ocorreram durante o processo de formação da ciência das luzes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O newtonianismo, internamente, conferiu à ciência um status quase que acabado, proporcionado graças ao grande êxito dos seus novos procedimentos, notadamente os empíricos. E, externamente, observamos o alvorecer da burguesia, como classe social patrocinadora desse desenvolvimento científico, e o reflexo no crescimento econômico, de maneira especial na França e na Inglaterra, especificamente ao longo do século XVIII.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ciência no século XVIII conseguiu, portanto, uma reverência global na produção de verdades sociais. Vemos este reflexo no aparecimento das Academias Científicas e nas próprias universidades. É este, portanto, o processo de institucionalização da ciência moderna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;REFERÊNCIAS:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BERNAL, John D. Historia social de la Ciência: La ciência em la historia. Volume I. Barcelona: Edições Península, 1976.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BURKE, Peter. Uma História Social do Conhecimento: de Gutemberg a Diderot. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2003.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CHARTIER, Roger. A História Cultural: Entre práticas e representações. Lisboa: DIFEL, 1990.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HARTOG, François. O Espelho de Heródoto: Ensaios sobre a representação do outro. Belo Horizonte: Editora UFMG, 1999.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HEGENBERG, Leônidas. Explicações Científicas: Introdução à Filosofia da Ciência. São Paulo: EDUSP, 1973.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HENRY, John. A Revolução Científica e as origens da Ciência Moderna. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1998.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JAPIASSU, Hilton. As Paixões da Ciência: estudos de História da Ciência. São Paulo: Letras e Letras, 1991.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JAPIASSU, Hilton. A Revolução Científica Moderna. De Galileu a Newton. São Paulo: Letras e Letras, 1997.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KEARNEY, Hugh. Orígenes de la Ciência Moderna 1500-1700. Madrid: Guadarama, 1970. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MARVIN, Perry. Civilização Ocidental: uma história concisa. São Paulo: Martins Fontes, 1985.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifesto do Partido Comunista. São Paulo: Mantin Claret, 2006.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MOCELLIN, Ronei C. Uma Breve História da Ciência. Curitiba: Nova Didática, 2000.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PRICE, Derek de Solla. A Ciência desde a Babilônia. São Paulo: EDUSP, 1976.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RONAN, Colin. História Ilustrada da Ciência: da Renascença à Revolução Científica. Volume III. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1997.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ROSSI, Paulo. A Ciência e a Filosofia dos Modernos. São Paulo: UNESP, 1992.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ROSSI, Paulo. O Nascimento da Ciência Moderna na Europa. São Paulo: EDUSP, 2001.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TATON, René (org.). História Geral das Ciências: o século XVIII. Tomo II. São Paulo: Difusão Européia do Livro, 1960.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WHITEHEAD, A. N. A Ciência e o Mundo Moderno. São Paulo: Brasiliense, 1951.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5559236354249669679-3995878679049359579?l=profbiuvicente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://profbiuvicente.blogspot.com/feeds/3995878679049359579/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5559236354249669679&amp;postID=3995878679049359579' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5559236354249669679/posts/default/3995878679049359579'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5559236354249669679/posts/default/3995878679049359579'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://profbiuvicente.blogspot.com/2009/04/ciencia-e-modernidade-no-seculo-xviii.html' title='CIÊNCIA E MODERNIDADE NO SÉCULO XVIII: O ALVORECER DE UMA NOVA METODOLOGIA'/><author><name>Biu Vicente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16556163874053147345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5559236354249669679.post-6805710012487339246</id><published>2009-04-15T13:26:00.000-03:00</published><updated>2009-04-15T13:27:35.233-03:00</updated><title type='text'>Feliz Páscoa</title><content type='html'>Ontem ocorreu o lançamento de seis volumes de belas cartas escritas por Com Hélder Câmara. Na leitura da primeira carta já podemos intuir da importância de ler o que escreveu esse Dom, ali, quando está relatando os primeiros momentos do Concílio, ela já nos apresenta o que virá em seguida. Uma inteligência, uma pessoa que entende o que se passa ao redor, alguém que nos aponta o que será feito enquanto organiza o seu tempo, não apenas o seu tempo pessoal, mas o de toda uma comunidade com a qual está conectada. Uma dádiva divina ter convivido com o DOM, especialmente no tempo em que ele realizou, com maior clareza possível a um homem, os desígnios de seu Deus. Todos os que puderem devem comprar e ler, os que não puderem comprar devem ler, e os mais abastados devem doar essa coleção a alguma biblioteca pública. As cartas do Dom são documentos históricos, são documentos de nossa história.&lt;br /&gt;Assim, pensando no Dom da Vida, escrevo hoje para desejar aos cristãos e aos não cristãos, uma boa Páscoa, uma boa passagem para dias melhores, mais alegres, mais justos, mais felizes, e que isso aconteça diariamente. Que este seja um momento de fertilidade de nossa imaginação,  de nossas vidas, em nossas ocupações. Que sejamos portadores dessa esperança que a idéia de Páscoa carrega: vida nova, vida nascente, vida permanente. &lt;br /&gt;Que sejamos portadores do Dom da Vida. Assim seremos pascoais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5559236354249669679-6805710012487339246?l=profbiuvicente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://profbiuvicente.blogspot.com/feeds/6805710012487339246/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5559236354249669679&amp;postID=6805710012487339246' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5559236354249669679/posts/default/6805710012487339246'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5559236354249669679/posts/default/6805710012487339246'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://profbiuvicente.blogspot.com/2009/04/feliz-pascoa.html' title='Feliz Páscoa'/><author><name>Biu Vicente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16556163874053147345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5559236354249669679.post-7863822498548233981</id><published>2009-04-05T20:33:00.000-03:00</published><updated>2009-04-05T20:34:43.687-03:00</updated><title type='text'>Obras Completas de Dom Hélder</title><content type='html'>OBRAS COMPLETAS DE DOM HELDER&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Lançamento de 6 volumes das Obras Completas de Dom Helder, editados pela CEPE, sendo 3 vol. das Circulares Conciliares (o Vol. I é reedição) e 3 vol. das Circulares Inter-conciliares.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;DIA: 14 de Abril de 2009&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Hora: 19h&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Local: Arcádia/Paço Alfândega (último andar)&lt;br /&gt;Recife Antigo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5559236354249669679-7863822498548233981?l=profbiuvicente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://profbiuvicente.blogspot.com/feeds/7863822498548233981/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5559236354249669679&amp;postID=7863822498548233981' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5559236354249669679/posts/default/7863822498548233981'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5559236354249669679/posts/default/7863822498548233981'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://profbiuvicente.blogspot.com/2009/04/obras-completas-de-dom-helder.html' title='Obras Completas de Dom Hélder'/><author><name>Biu Vicente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16556163874053147345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5559236354249669679.post-8614400739250181654</id><published>2009-03-27T13:32:00.000-03:00</published><updated>2009-03-27T13:33:18.780-03:00</updated><title type='text'>Que História é essa - programaçao de abril</title><content type='html'>PROGRAMA&lt;br /&gt;QUE HISTÓRIA É ESSA&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A Rádio Universitária AM 820 apresenta o programa Que História é essa, todas as quartas feiras, das nove às dez da manhã, com produção do professor Severino Vicente da Silva, do Departamento de História da UFPE.&lt;br /&gt;O programa é apresentado pelo professor Biu Vicente e conta com a presença de convidados que atuam nas áreas de pesquisa e ensino de História para a realização de entrevistas e conversas sobre suas experiências.&lt;br /&gt;A programação para o mês de Março conta com a participação dos seguintes convidados:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; 01 de abril – Profº Antonio Carlos Motta Lima - UFPE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; 08 de abril – Profº Drance Elias – UNICAP&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; 15 de abril – Profº Ricardo José Barbosa - UFPE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; 22 de abril – Profº Artur Peregrino – UNICAP&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;29 de abril - Profº Degislando Lima – UNICAP&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A produção do programa está recebendo textos de opinião sobre as histórias das ruas da cidade e região metropolitana, contendo a história dos nomes das ruas ou comentários sobre seu desenvolvimento ao longo dos anos. Também recebemos comentários sobre livros que você leu. Os textos podem ser enviados para o nosso e-mail historia820am@yahoo.com.br, assim como sua opinião ou comentário. &lt;br /&gt;Contamos com a sua colaboração para a promoção e divulgação desse veículo de comunicação que o acesso aos meios radiofônicos possibilita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouça a Rádio Universitária  Am 820 KLH na internet – Acesse www.tvu.ufpe.br e em seguida clique em AM ao Vivo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5559236354249669679-8614400739250181654?l=profbiuvicente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://profbiuvicente.blogspot.com/feeds/8614400739250181654/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5559236354249669679&amp;postID=8614400739250181654' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5559236354249669679/posts/default/8614400739250181654'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5559236354249669679/posts/default/8614400739250181654'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://profbiuvicente.blogspot.com/2009/03/que-historia-e-essa-programacao-de.html' title='Que História é essa - programaçao de abril'/><author><name>Biu Vicente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16556163874053147345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5559236354249669679.post-642957639416725065</id><published>2009-01-24T20:49:00.003-03:00</published><updated>2009-01-24T20:58:07.691-03:00</updated><title type='text'>A Igreja Católica e o Fenômeno dos padres cantores</title><content type='html'>UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO&lt;br /&gt;CENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS&lt;br /&gt;DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA&lt;br /&gt;Curso de Especialização em História do Século XX&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disciplina Panorama da Igreja Católica no Século XX&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;       A IGREJA CATÓLICA E O FENÔMENO DOS PADRES CANTORES &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                        Luciana Paula Carvalho de Souza Leão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trabalho destinado à conclusão da disciplina “Panorama da Igreja Católica no Século XX”, ministrada pelo Prof. Dr. Severino Vicente da Silva, no Curso de Especialização em História do Século XX&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recife 2008&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SUMÁRIO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 INTRODUÇÃO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2 CRISE NA IGREJA CATÓLICA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3 FENÔMENO DOS PADRES CANTORES&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4 MODERNO OU TRADICIONAL?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5 A IGREJA CATÓLICA E O SÉCULO XXI&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          1 INTRODUÇÃO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes hegemônica entre os brasileiros, a Igreja Católica passou a vivenciar, a partir dos anos 80, a disputa dos fiéis por outras religiões, em especial pelas igrejas evangélicas de cunho pentecostal. Naquele momento, dividida entre os teólogos da Teologi a da Libertação e os conservadores, a Igreja identificou a necessidade de reagir e passou a incentivar o uso dos meios de comunicação como forma de divulgar a mensagem de Jesus Cristo e atrair fiéis para os templos. &lt;br /&gt;Entre as formas de responder a este desafio está o crescimento do número de emissoras de rádio e de televisão católicas e o fortalecimento da Renovação Carismática Católica no Brasil (RCC). No seio da RCC, surgiram vários padres que utilizam a música como meio de atrair fiéis para as igrejas, chamados popularmente de padres cantores. O mais famoso deles é o padre Marcelo Rossi, paulistano de 41 anos, que, em 1997, massificou um novo formato de missas e cerimônias religiosas caracterizadas por muitas canções, por orações pela cura individual e em agradecimento por graças alcançadas. &lt;br /&gt;Neste trabalho, vamos analisar a trajetória de padre Marcelo Rossi e de outros padres cantores nestes últimos 11 anos, as críticas que sofreram dentro e fora da Igreja Católica, as contradições entre o moderno e o tradicional no discurso e na prática destes sacerdotes e as conseqüências deste fenômeno para a Igreja. Ao final, abordaremos as perspectivas dos padres cantores – que foram incentivados pelo papa João Paulo II – no novo contexto da Igreja, sob o papado de Bento XVI.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          2 CRISE NA IGREJA CATÓLICA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O papa Bento XVI, que assumiu o papado em 19 de abril de 2005, após a morte de João Paulo II, quer os católicos mais firmes e mais bem formados em sua fé.  A Igreja não quer apenas os abastados e que abandonaram a religião, mas pretende evangelizar as camadas mais pobres da população e que estariam sedentas de Deus, sem, contudo, se aproximar da Teologia da Libertação. Na sua primeira visita ao Brasil, em maio de 2007, Bento XVI deu demonstração do modelo de igreja que pretende adotar: canonizou Frei Galvão fora do Vaticano, numa atitude considerada inédita, promoveu encontro com a juventude militante católica e visitou uma fazenda de recuperação de drogados. Aproveitou também para mostrar a sua preocupação com a evasão de fiéis católicos no Brasil – fato confirmado pelos censos do IBGE desde 1991. Para ele e para o clero mais conservador, no qual se insere o cardeal-arcebispo de São Paulo, Dom Odilon Scherer, a Igreja precisa chegar aos lugares mais afastados, por meio dos padres e dos cristãos leigos, nas escolas, nos centros comunitários, no trabalho.&lt;br /&gt; Ser católico no Brasil, até os anos 60, era seguir a orientação de bispos e padres, sem muita contestação. Com o advento do Concílio Vaticano II, na década de 60, que, na verdade, espelhou em suas diretrizes as mudanças ocorridas no mundo naquele momento, muitos católicos passaram ser sujeitos engajados politicamente, no caso dos adeptos progressistas da Teologia da Libertação. Foi a luta contra as ditaduras, a defesa dos direitos humanos, o que mais congregou parte da hierarquia católica do Brasil, nessa época, para uma postura progressista . Outros continuaram freqüentando as missas tradicionais, nas quais os “novos ventos” pouco foram sentidos. Alguns ainda se diziam católicos, por formação, mas deixaram de ir à missa. Entre os que se distanciaram da Igreja, alguns o fizeram por buscar um entendimento direto com Deus, sem a intermediação de outros na sua religiosidade. Já as questões ligadas à sexualidade e reprodução (proibição ao sexo fora do casamento e ao uso da camisinha e de anticoncepcionais), embora não praticadas nos moldes do catolicismo tradicional, não teriam sido motivo para o afastamento ocorrido. Há os casos ainda dos que deixaram de se denominar católicos ou passaram a freqüentar outras religiões, principalmente as novas religiões de cunho pentecostal, num formato de protestantismo popular.&lt;br /&gt;Para a antropóloga Regina Novaes, do Instituto Superior dos Estudos da Religião (ISER) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O catolicismo se confunde com a cultura e se mistura com a história, com a ocupação do território, com o calendário de festas e de dias cívicos, sempre foi possível ser católico e não seguir a doutrina. O batizado, o casamento religioso e o enterro católico fazem parte dos rituais de apresentação social no país, expressam diferenças de poder aquisitivo e prestígio. Há quem freqüenta a Igreja e segue a doutrina, há quem esconde vivências religiosas e há quem se defina como católico e umbandista. Há uma convivência de muitas formas de ser católico”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Em 1970, os católicos eram 91,8% da população brasileira. O que os censos demonstraram em 1991 e em 2000 – neste último, os católicos são 73,9% dos brasileiros, mas os evangélicos já somam 15,6% da população –, é que houve maior penetração do pentecostalismo em regiões como o Centro-Oeste, o interior da Bahia e nas periferias das capitais do Nordeste e do eixo Centro-Sul . Em sua maioria, os novos evangélicos eram migrantes, com baixo nível de escolaridade e de qualificação profissional, segundo o sociólogo César Romero, um dos autores de trabalho publicado no Atlas da Filiação Religiosa e Indicadores Sociais no Brasil. Para Romero, nas áreas onde o pentecostalismo cresceu, o Estado estaria ausente. Os migrantes, que haviam perdido suas raízes e não mantinham vínculos com a sociedade local, terminavam sendo acolhidos pelas igrejas evangélicas , que fazem uso da comunicação televisiva e pelo rádio como um dos principais meios para se chegar ao fiel. A compra da Rede Record pela Igreja Universal do Reino de Deus foi o ápice desta “corrida” pelos fiéis, numa demonstração de força inequívoca desta nova religião.&lt;br /&gt;Ainda na década de 80, o clero no Brasil despertou para estas mudanças, ligadas ao processo de urbanização das cidades, que favoreceram o surgimento de novas religiões e a difusão de religiões vindas do exterior . A partir de uma autocrítica, em que mudou sua postura de confronto com o que chamada anteriormente de seitas e de fanáticos, a Igreja passou a implementar mudanças de postura, buscando a modernidade, inclusive com o uso de ferramentas de marketing religioso e de comunicação. Ampliar o uso dos meios de comunicação para divulgação da mensagem católica foi um dos caminhos percorridos pelos católicos nesta busca, mesmo que com a desconfiança dos progressistas, ligados às Comunidades Eclesiais de Base (CEBS) e à Teologia da Libertação. &lt;br /&gt;Dentro da Igreja, em especial nos setores de classe média, se avolumam os movimentos e grupos reavivamento espiritual, como a Renovação Carismática, o Treinamento de Lideranças Cristãs (TLC) e os Cursilhos de Cristandade . A Renovação Carismática Católica (RCC), movimento de leigos católicos nascido entre os pentecostais americanos em 1967 e trazido para o Brasil pelo padre Eduardo Dougherty em 1972, com características pentecostais e moral conservadora, se identificava, também, como os progressistas, como sendo fruto do Concílio Vaticano II, que ditou os novos rumos da Igreja a partir dos anos 60. &lt;br /&gt;Dispostos a ir à luta contra “o inimigo”, em especial a Igreja Universal do Reino de Deus, os carismáticos passaram a usar as mesmas armas: a comunicação, contando, inclusive, com a benção do papa João Paulo II, conservador que privilegiou a ação pastoral e perseguiu os seguidores da Teologia da Libertação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          3 FENÔMENO DOS PADRES CANTORES &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A Renovação Carismática Católica (RCC) precisou de apenas 16 anos para ser reconhecida pela Santa Sé como um movimento católico . A base de sua estrutura são os grupos de oração, organizados nas paróquias ou centros comunitários, liderados por leigos, que hoje deram origem a diversas comunidades carismáticas no País, onde os laços de vida dos seus integrantes se estreitam mais. Seus encontros são festivos, com música e gestos parecidos com os pentecostais, podendo ser organizados em âmbito paroquial ou mesmo diocesano, com grande autonomia. Caracteriza-se por promover grandes eventos de louvor a Deus e a Maria em áreas como estádios de futebol ou ginásios esportivos. &lt;br /&gt; As sementes da RCC foram plantadas no Brasil ainda na década de 60, com o padre jesuíta norte-americano Harold Joseph Rahm, ou padre Haroldo, que fundou o Treinamento de Lideranças Cristãs (TLC) em que juntou elementos da espiritualidade jesuíta, da Juventude Estudantil Católica (JEC), da Juventude Operária Católica (JOC), da Legião de Maria entre outros movimentos, tendo a pretensão de formar lideranças cristãs . Neste trabalho, o objetivo era levar os jovens a ter experiência de iniciação na vivência espiritual, preparando-os para o futuro da Igreja.&lt;br /&gt; Os padres Haroldo Rahm e Eduardo Dougherty, ao lado de outros sacerdotes estrangeiros e brasileiros, como o padre Jonas Abib, espalharam as experiências de oração por São Paulo e outros Estados, por meio de retiros e encontros de oração, dando início à RCC. Hoje, padre Haroldo atua na coordenação de fazendas de recuperação de dependentes e se afastou do comando da RCC. Os outros dois continuam na Renovação, comandando movimentos distintos.&lt;br /&gt;Em 1980, padre Eduardo fundou a Associação do Senhor Jesus (ASJ), para divulgar material religioso como livros de formação e de cânticos, o que auxiliou a expansão dos ideais da RCC em todo o Brasil. As canções passaram a fazer parte das missas dominicais e embalavam os encontros de oração também pelo país afora. Aos poucos, foram sendo criados programas católicos em diversas emissoras, como o “Anunciamos Jesus”. Hoje, a ASJ produz conteúdo para sites na internet, para a revista Brasil Cristão e para a TV Século 21, que conta com retransmissoras em 14 Estados do País .&lt;br /&gt;Também se destaca a Comunidade Canção Nova, capitaneada pelo padre Jonas Abib, que hoje já conta com uma rede de TV (TV Canção Nova) e é o canal católico que mais cresce no País. A emissora opera em VHF e em UHF e por satélite, contando com 500 retransmissoras de TV e 200 operadoras de TV por assinatura, cobrindo 52% do território brasileiro. &lt;br /&gt;Uma outra rede católica, a maior delas, é a Rede Vida , que cobre em UHF-VHF mais de 1.500 municípios do Brasil, entre eles todas as capitais brasileiras e as 500 maiores cidades, sendo retransmitida também por TVs por assinatura. A programação ocupa as 24 horas do dia, incluindo noticiários e programas de entrevista não-religiosos. Nasceu a partir de um jornalista católico que obteve uma concessão de TV em São José do Rio Preto. Hoje, abriga de carismáticos a progressistas, sob o comando de João Monteiro Neto, o fundador.&lt;br /&gt;Os três movimentos contam com sites interativos, em que estão disponíveis a programação veiculada nas emissoras de rádio e de TV, orações online e orientações religiosas.&lt;br /&gt;Este ambiente estimulado pela corrente carismática, que já atinge mais de 12 milhões de católicos no País, foi propício para o surgimento do fenômeno dos padres cantores, do qual o padre Marcelo Rossi é o seu principal expoente. Lá trás, na década de 60, o pioneiro José Fernandes de Oliveira, conhecido nacionalmente como padre Zezinho, estimulou os fiéis a entoar cânticos evangelizadores. Desde 1969, já são mais de 1.500 canções, a maioria de sua autoria, que estimularam Marcelo Rossi e os demais sacerdotes cantores, como os padres Antônio Maria e Zeca e, mais recentemente, Joãozinho e Fábio de Melo, estes dois ligados à Canção Nova e da mesma congregação de padre Zezinho, dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus.&lt;br /&gt;Fábio de Melo já tem dez anos de estrada e já gravou mais de dez discos. Apresenta-se em casas de shows, vende livros e CDs, ministra palestras, mas somente agora a mídia comercial o descobriu. Seu CD mais recente é divulgado quase diariamente na Rede Globo. Padre Joãozinho é catarinense de Brusque e também viaja o País inteiro realizando shows. Sua agenda para 2009 , divulgada no seu blog na Internet, prevê retiros em São Paulo e Betim, no Carnaval; um período de um mês em Roma, entre maio e junho, no Capítulo Geral da Congregação, cursos sobre o seu livro “As virtudes do Líder Amoroso”, para empresários, e muitos shows de evangelização, principalmente no Nordeste.&lt;br /&gt;O padre Antônio Maria, sacerdote há 29 anos, já gravou 16 CDs, inclusive com a participação de cantores como Daniel, Ângela Maria, Agnaldo Rayol, José Augusto, Moacyr Franco, Roberto Leal, Hebe Camargo, Chitãozinho e Xororó, Sérgio Reis, Zezé Di Camargo e Luciano, Leonardo, Simone, Rio Negro e Solimões, César e Paulinho, Jorge Aragão, KLB e Alexandre Pires. Participa freqüentemente de programas de televisão comercial e também é responsável pelo programa "Pra lá de bom", na TV Século 21. Virou uma celebridade nacional e circula entre os artistas, celebrando missas, batizados e casamentos de famosos. Mantém atividades sociais no bairro de Jaraguá, em São Paulo, atendendo 350 crianças de diversas idades, e é devoto de Nossa Senhora de Schoenstatt, a quem homenageia levando sua imagem para onde vai .&lt;br /&gt;Ídolo da juventude carismática, o padre Zeca, 37 anos, reassumiu seu nome de batismo – José Luiz Jansen de Mello Neto – há um ano, quando pediu licença à Arquidiocese do Rio de Janeiro e se afastou de suas funções sacerdotais. Criador do movimento “Deus é Dez”, arrastou milhares de jovens para eventos na Praia de Ipanema nos anos 90, mas hoje circula entre amigos em bares e boates, e não comenta o motivo de seu afastamento da Igreja . &lt;br /&gt;Já o mais famoso de todos os sacerdotes cantores – o padre paulistano Marcelo Rossi, de 41 anos, continua em “plena forma”. Foi alçado ao estrelato com a realização de megaeventos, como o realizado no dia 2 de novembro de 1997, o encontro religioso "Sou feliz por ser católico", quando ele reuniu numa missa 70 mil pessoas no estádio do Morumbi, em São Paulo. No ano seguinte, no dia 12 de outubro de 1999 , no Maracanã, com a presença dos outros padres cantores – Zeca, Zezinho, Jonas Abib e Antônio Maria –, Marcelo Rossi foi o maior responsável por atrair mais de 170 mil pessoas ao estádio. Ele já lançou oito CDs, ultrapassando mais de 9,5 milhões de discos vendidos. O primeiro CD “Canções para Louvar ao Senhor” teve 3,5 milhões de cópias vendidas. Para reforçar a imagem de evangelizador, lançou dois filmes, , em 2003 “Maria, Mãe do Filho de Deus”, com a participação da atriz global Giovanna Antonelli, em que interpreta ele mesmo e o anjo Gabriel e, em 2004, “Irmãos de Fé”, que conta a vida do apóstolo Paulo, com a participação do também global Thiago Lacerda. &lt;br /&gt;Superexposto no período de 1997 a 2002, quando não rejeitava convites para participar de programas de televisão, e recebeu inúmeras críticas por isso, hoje, o padre Marcelo Rossi está mais reservado, mas não se afastou do seu trabalho evangelizador pelos meios de comunicação. Mantém programas de rádio veiculado na Rádio Globo – seus primeiros programas em 1996 foram na Rádio Canção Nova – e em outras 118 emissoras pelo país afora e também celebra, ao lado do seu bispo, Dom Fernando Figueiredo, da Diocese de Santo Amaro (SP), a missa dominical na Rede Globo, veiculada também na Globo Internacional para 12 países. &lt;br /&gt;No dia 21 de abril de 2008, no Autódromo de Interlagos, realizou o evento "Paz Sim, Violência Não" para comemorar os seus dez anos de evangelização, tendo gravado um DVD que leva o mesmo nome deste evento. A estimativa é que mais de três milhões de pessoas tenham acompanhado o evento, que contou com a participação de centenas de caravanas de todas as partes do País. Logo após os shows, com a presença de Xuxa, Ivete Sangalo, Bruno &amp; Marrone, Zezé Di Camargo &amp; Luciano, César Menotti &amp; Fabiano, Alcione, Daniel, Sérgio Reis, Hebe Camargo e Paulo Ricardo, o padre Marcelo e o bispo Dom Fernando celebraram missa, com a participação do cantor Agnaldo Rayol e do maestro e pianista João Carlos Martins . &lt;br /&gt; O “recolhimento”, explica padre Marcelo, tem a ver com os exageros cometidos no passado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Depois de alguns anos aparecendo com muita freqüência, eu aprendi que a superexposição é perigosa. Há momentos em que se deve aparecer, mas existem outros em que o melhor é se recolher. E é quando bate aquela saudade. Em 1999, eu me expus tanto que fui eleito o “Mala do ano”. Não dava para continuar daquele jeito e eu reconheço que exagerei. Por isso minha saída dos meios de massa foi proposital” .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O sacerdote se afastou da mídia comercial, mas suas vendas continuam em alta. Ele justifica que não é um artista, mas um padre:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O artista aparece e desaparece. E eu saí dos meios de comunicação populares, mas continuo nos veículos de viés católico. Tenho um programa diário em uma rádio que só no Rio de Janeiro é ouvido por mais de um milhão de pessoas por minuto. Em São Paulo, são 800 mil ouvintes. Em Belo Horizonte, outros 300 mil. E esse programa é retransmitido por 118 emissoras de rádio espalhadas pelo Brasil. Aí está a resposta para o meu sucesso .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, ele está mais envolvido com a arrecadação de recursos para a conclusão do Santuário Mãe de Deus, conhecido como do Terço Bizantino, um dos maiores templos já construídos no Brasil e que rivaliza em dimensão com os templos da Igreja Universal do Reino de Deus em construção no Rio de Janeiro e em São Paulo. O santuário, no distante bairro de Interlagos, terá capacidade para receber cem mil pessoas, duas vezes mais do que a Basílica de Nossa Senhora Aparecida, no interior de São Paulo, e 30 vezes mais do que a Catedral da Sé . Para ele, o catolicismo precisa atualmente de religiosos que entendam a importância de reunir pessoas em um mesmo lugar para celebrar.&lt;br /&gt;Ordenado padre em 1994, rapidamente ele ganhou fama na Diocese de Santo Amaro, na Paróquia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e Santa Rosália, por suas missas de libertação. Rapidamente, os fiéis se aglomeravam em busca de curas e de graças. Ele já passou por diversos locais de celebração, cada um maior que o outro, enquanto aguarda a conclusão do novo espaço, prevista para o próximo ano. Atualmente, celebra missas num antigo galpão de fábrica, com capacidade autorizada de dez mil lugares. Dentro e fora destes ambientes, formou-se um comércio de artigos religiosos, incluindo livros, CDs e exemplares do Terço Bizantino, uma espécie de terço mais simples e mais acessível aos fiéis .  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          4 MODERNO OU TRADICIONAL?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Muitos integrantes do clero católico acreditam que o aparecimento do fenômeno dos padres cantores, em especial o de padre Marcelo, auxiliaram a Igreja a atrair de volta antigos fiéis e também incentivaram a identificação de vocações sacerdotais. Em outras como a do Rio de Janeiro, segundo pesquisa realizada por Sílvia Regina Alves Fernandes, do Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais (CERIS) , a influência dos padres cantores é mais sentida entre os vocacionados que se dizem carismáticos. Muitos demonstraram admiração pelo padre Marcelo Rossi, mas criticaram o relacionamento com a mídia e a exposição exagerada que o sacerdote alcançou. Para a pesquisadora, contudo, deve ser considerada a hipótese de que “a presença dos padres na mídia faz despertar na juventude a sensibilização para a presença de um novo ator social, anteriormente relegado às sacristias. Nesse sentido, na medida em que a figura do padre torna-se mais pública, passa a entrar no rol de opções profissionais ou vocacionais de uma juventude proveniente de camadas populares e com baixa capacidade de inserção na vida social”.&lt;br /&gt; De uma forma geral, entretanto, números do CERIS  indicam que, nos últimos anos, tem aumentado o número de jovens que ingressam na vida religiosa. Em 1970, havia 4.181 seminaristas diocesanos; em 1980, eram 5.329 seminaristas; em 1990, eram 5.870 jovens nos seminários; enquanto, em 1998, já eram 7.893 jovens freqüentando os seminários. Na Diocese de Santo Amaro, a de padre Marcelo Rossi, o número de seminaristas passou de cinco para 115 em dez anos. &lt;br /&gt;O discurso do padre Marcelo Rossi é simples e se caracteriza pela repetição . Segundo ele, são “coisas rápidas para a sociedade de hoje, que tocam as necessidades da pessoa”. Suas homilias são curtas e se baseiam em exemplos compreensíveis para o católico, especialmente para aqueles que veneram Maria: “Jesus é o caminho, eu sou apenas a seta que aponta para esse caminho”. Ele incentiva a prática das novenas, da reza do terço e a realização das procissões, retomando símbolos do catolicismo tradicional , ao mesmo tempo em que se diz moderno, implementando mudanças na liturgia e ocupando espaço constante na mídia comercial. &lt;br /&gt;Para os progressistas, sua fala, que se baseia na RCC, prega uma nova romanização na Igreja Católica no Brasil, levando a uma ortodoxia cada vez mais espiritualizada deixando de lado a questão política e social. As críticas mais ferozes vieram de teólogos como Frei Betto, Dom Mauro Morelli, Dom Pedro Casaldáliga, Leonardo Boff e padre José Comblin . Frei Betto, por exemplo, até considera positivo o reavivamento espiritual, o consolo aos aflitos, a cura dos enfermos e o reencontro da fé. Mas, critica o que chama de “fórmula do sucesso”, os momentos de louvor em que há muita emoção, pouca razão e o privilégio do espiritual em detrimento do social. &lt;br /&gt;Já o teólogo Clodovis Boff, embora seja um dos nomes mais ligados à Teologia da Libertação, usa um discurso mais conciliador em relação à RCC . Segundo ele, a RCC “oferece um reforço da espiritualidade católica e conversão pessoal; propicia um reforço institucional através de sua ênfase na pertença comunitária” e “adequa-se à pós-modernidade porque responde às demandas de sentido e sabe falar ao coração do homem pós-moderno”. &lt;br /&gt;O frade Alberto Beckhauser , ligado à CNBB, diz que “a organização litúrgica feita pela RCC é inadequada havendo superficialidade na adaptação da linguagem simbólica da liturgia à linguagem televisiva”. Ele se refere diretamente aos padres Marcelo Rossi, Jonas Abib e Eduardo Dougherty, criticando a exposição midiática, considerado um grave problema, caracterizado pela busca de resultados imediatos como o aumento do número de fiéis e paróquias com mais recursos financeiros. &lt;br /&gt;Fenômenos autônomos um em relação ao outro, a Renovação Carismática e a Teologia da Libertação, na verdade, lutam por ideais que se complementam, na visão de Clodovis Boff .  Para ele, enquanto a RCC vive a fé como experiência, enfatiza a oração, busca a transformação pessoal, dá importância à emoção, faz a opção pelos “perdidos”, está centrada na Igreja, liga-se à Igreja universal e visa à afirmação social da Igreja, os adeptos da Teologia da Libertação vivem a fé como prática, enfatizam o serviço, buscam a transformação social, dão importância à reflexão, fazem a opção pelos pobres, estão centrados no mundo, ligam-se à Igreja local e visam à renovação institucional da Igreja, não devendo as duas correntes ser tratadas, portanto, como setores antagônicos dentro da Igreja Católica, mas integrantes de uma só Igreja, voltada para a comunhão do homem com Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          5 A IGREJA CATÓLICA E O SÉCULO XXI&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O anterior e o atual papa tiveram a mesma intransigência em relação a posições doutrinárias da Igreja. Mas, enquanto João Paulo II, ele próprio um comunicador que gostava de eventos de massa, incentivava a RCC e seus líderes, por entender que este poderia ser um caminho de estancar a fuga dos fiéis seduzidos pelos cultos evangélicos, o papa alemão pensa bem diferente. Por enquanto, não houve qualquer censura pública aos movimentos carismáticos, mas até mesmo a pouca participação de padre Marcelo Rossi na visita do papa a São Paulo no ano passado demonstra que a RCC perdeu força neste momento.&lt;br /&gt;Marcelo Rossi concorda com o papa em temas como aborto, homossexualidade, experiências com células-tronco e ordenação de mulheres, mas os ritos que utiliza em suas missas não “combinam” com o estilo ortodoxo do pontífice, que já incentivou o retorno das missas em latim. Bento XVI já disse que” a liturgia não é um show. É completamente contraditório introduzir nela pantomimas em forma de dança, que freqüentemente terminam em aplausos” .&lt;br /&gt; No passado, quando era prefeito da Congregação da Doutrina da Fé, o então cardeal Joseph Ratzinger foi responsável por impor o silêncio a 140 teólogos de todo o mundo, principalmente progressistas. A expectativa agora é que ele, se não incentive como fazia João Paulo II, pelo menos não reprima ou os cale.&lt;br /&gt;Como a RCC se mostrou até agora a resposta mais eficiente da Igreja para combater o avanço dos evangélicos e de outras religiões no País, com suas missas marcadas por uma liturgia coreografada , atraindo de volta para o catolicismo parte do rebanho que se havia desgarrado em busca de uma visão mais mística e menos politizada da religião, acreditamos que seja mantida a tendência de crescimento e o movimento, que congrega cerca de 12 milhões de pessoas no Brasil, seja abençoado pelo novo papa.&lt;br /&gt;A RCC e seus seguidores, entre os quais estão os padres cantores, estão entre os movimentos que buscam reencantar o cristianismo, recuperando elementos antigos de religiosidade, ao mesmo tempo em que interpreta o momento atual da sociedade com base em padrões religiosos. Sua força está na organização do movimento, na sua ligação com os setores conservadores da Igreja (nacional e internacional) e de sua afinidade da sua mensagem religiosa voltada para a recuperação do catolicismo romanizado, mas, principalmente, por ter conseguido falar a língua de muitos que buscam Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          BIBLIOGRAFIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ANDRADE, Péricles. Um artista da fé: Padre Marcelo Rossi e o catolicismo brasileiro contemporâneo. Recife. Universidade Federal de Pernambuco. 2006. Tese de Doutorado.&lt;br /&gt;FERNANDES, Silvia. Diferentes olhares, diferentes pertenças: Teologia da Libertação e MRCC.Revista de Estudos da Religião. N.3.2001 – www.pucsp.br/rever/rv3_2001/p_fernan.pdf&lt;br /&gt;FERNANDES, Silvia. Padres Cantores e a mídia: representações da identidade sacerdotal. 2005.Ciências Sociais e Religião. Porto Alegre. N.7. 2005&lt;br /&gt;SALES, Igor Marlon. A Autocompreensão da Igreja e a Renovação Carismática Católica (1966-2000). Dissertação de Mestrado&lt;br /&gt;SILVA, Severino Vicente da. Entre o Tibre e o Capibaribe: Os limites do progressismo católico na Arquidiocese de Olinda e Recife. Recife: Universidade Federal de Pernambuco, 2003. Tese de Doutorado.&lt;br /&gt;SOUZA, André Ricardo de. A Renovação Popularizadora Católica. Revista de Estudos da Religião. N. 4. 2001 – www.pucsp.br/rever/rv4_2001/t_souza.htm&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;REVISTAS:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;EPOCA, ed. 362, 22 de abril de 2005 – Nasce uma nova Igreja&lt;br /&gt;ÉPOCA, ed. 468 – 09 de maio de 2007 – O que significa ser católico no Brasil &lt;br /&gt;ÉPOCA, ed. 271 – 24 de julho de 2003 – Os católicos contra-atacam&lt;br /&gt;ÉPOCA, Ed. 469 – 12 de maio de 2007 – Mais perto dos católicos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WEB&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://veja.abril.com.br/especiais/papa/p_052.html#&lt;br /&gt;ÉPOCA – ed. 468 – 10 de maio de 2008 – exclusivo online – &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/1,,EDG77301-5856,00.html&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.estadao.com.br/cidades/not_cid274747,0.htm&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.padremarcelorossi.com.br/index.php&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.santuariodojaragua.com.br/Internas/PadreAntonioMaria.htm&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://vejabrasil.abril.com.br/rio-de-janeiro/editorial/m319/os-embalos-do-padre-zeca&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://veja.abril.com.br/201099/p_150.html&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;www.redevida.com.br&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://blog.cancaonova.com/padrejoaozinho/page/2/&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5559236354249669679-642957639416725065?l=profbiuvicente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://profbiuvicente.blogspot.com/feeds/642957639416725065/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5559236354249669679&amp;postID=642957639416725065' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5559236354249669679/posts/default/642957639416725065'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5559236354249669679/posts/default/642957639416725065'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://profbiuvicente.blogspot.com/2009/01/igreja-catlica-e-o-fenmenodos-padres.html' title='A Igreja Católica e o Fenômeno dos padres cantores'/><author><name>Biu Vicente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16556163874053147345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5559236354249669679.post-8516985807794831655</id><published>2009-01-19T11:45:00.004-03:00</published><updated>2009-01-19T11:50:46.309-03:00</updated><title type='text'>Cuidado do Patrimônio Público ou do patrimônio católico</title><content type='html'>UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO&lt;br /&gt;CENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS&lt;br /&gt;DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA&lt;br /&gt;CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM HISTÓRIA DO SÉCULO XX&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RENATA REYNALDO ALVES MAIA &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATÉ QUE A MORTE OS SEPARE &lt;br /&gt;Análise de editoriais e reportagens do Jornal do Commercio sobre o investimento do Estado na conservação de imóveis da Igreja Católica com vistas a preservar o patrimônio histórico e cultural brasileiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trabalho para conclusão da disciplina: &lt;br /&gt;Panorama da Igreja Católica no Século XX&lt;br /&gt;Professor: Severino Vicente da Silva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recife, dezembro de 2008&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos construir obras excelentes enriquecer nossa humanidade de aspectos novos e imprevistos, elevar à perfeição o tipo de civilização que representamos: o certo é que todo fruto de nosso trabalho ou de nossa preguiça parece participar de um sistema de evolução próprio de outro clima e de outra paisagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sérgio Buarque de Holanda,&lt;br /&gt;em Raízes do Brasil&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;INTRODUÇÃO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veículos de grande penetração na chamada classe formadora de opinião, os jornais impressos são ao mesmo tempo refletores, geradores e propagadores de idéias e valores. Uma análise criteriosa e pormenorizada de uma série de informações acerca de um só tema publicadas em um desses meios de comunicação pode revelar ou encobrir posturas de uma fatia da sociedade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir da observação dos editoriais e reportagens coletadas no período de um ano (de 10 de novembro de 2007 a 10 de novembro de 2008) no Jornal do Commercio, veículo de perfil conservador, de grande inserção em Pernambuco e de maior circulação no Norte e Nordeste do país, por meio de uma busca dirigida aos temas “Igreja Católica” e “Preservação do Patrimônio”, buscamos obter o retrato da posição do jornal e de seu público com relação aos investimentos que o Poder Público faz, a título da preservação do patrimônio histórico e cultural nacional, nas edificações, leia-se, igrejas conventos, basílicas, mosteiros, capelas, entres outros bens da Igreja Católica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GÊNESIS DA SIMBIÓSE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para dar efetividade à sua política de preservação do Patrimônio Histórico e Cultural, o Estado brasileiro, cuja gênesis de sua formação está impregnada predominantemente por influências doutrinárias, sociais e culturais da Religião Católica, se vê ainda hoje, mesmo que desde a Constituição republicana de 1891 tenha suprimido o artigo que o declara, “em nome da santíssima trindade”, um país de religião “Catholica Apostolica Romana”, impelido a investir grandes montantes de recursos em obras de restauração, reforma e manutenção de edificações e objetos pertencentes à Igreja Católica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa relação simbiótica entre os bens católicos e o Poder Público brasileiro, que tem inúmeros exemplos históricos, entre eles o caso da matriz de Nossa Senhora da Paz (no bairro de Afogados, em Recife) a qual “foi reconstruída em 1857 com o auxílio dos cofres públicos” , perdura até os dias de hoje, gozando da mesma condescendência da sociedade e da imprensa. Para sustentar essa prática inercial há razões históricas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando ainda o país era um embrião promissor de uma próspera colônia, como ilustra Gilberto Freyre em seu primordial Casa Grande &amp; Senzala, “o Brasil formou-se, despreocupados os seus colonizadores da unidade ou pureza da raça. Durante quase todo o século XVI a colônia esteve escancarada a estrangeiros, só importando às autoridades coloniais que fossem de fé ou religião Católica”. Para os colonizadores, o perigo estava no indivíduo herege. “Soubesse rezar o padre-nosso e a ave-maria, dizer Creio-em-Deus-Padre, fazer o pelo-sinal-da-santa-cruz e o estranho era bem vindo ao Brasil colonial”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E prossegue o sociólogo pernambucano, ajuizando que a proximidade com o adventício católico também surtia o efeito de fortalecer a solidariedade que em Portugal se desenvolvera junto com a religião católica e, assim, livrar a nação de inimigos políticos. Como que vaticinando, à época do lançamento do CG&amp;S, o futuro muito remoto dos tempos atuais, Freyre deduz “ser tão difícil, na verdade, separar o brasileiro do católico. O catolicismo foi mesmo o cimento da nossa unidade”.&lt;br /&gt;Assim como uma amálgama da nossa identidade, essa estreita relação vai se revelar em outros momentos emblemáticos da história brasileira. Segundo registros quando da chegada da família real para o Brasil, após descer a rampa do cais, em frente à Praça 15 de novembro, o primeiro ato em terras brasileiras ao qual compareceu o imperador e seus descendentes foi de cunho religioso, católico. A família real foi aspergida com água benta, em meio à queima de incensos e rezas. &lt;br /&gt;“(...)D. João beijou a cruz e recebeu as benções do bispo. Depois colocou-se debaixo do pálio de seda vermelha e frisos dourados, que o protegia do sol. (...) À frente do cortejo iam as autoridades do Rio de Janeiro, os oficiais militares, os juízes e os padres, monges e seminaristas dos numerosos conventos. (...)” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda com base na mesma publicação histórico-literária do jornalista Laurentino Gomes, que credita a informação ao historiador Luiz Felipe Alencastro para ilustrar o “ataque ao cofre” da colônia, a família real mantinha no Brasil, além de 276 fidalgos e dignatários régios que recebiam verbas anuais de custeio e representação, ao custo das moedas de ouro e prata retiradas do tesouro real do Rio de Janeiro, setecentos padres, um deles recebendo um salário fixo anual de 250 mil réis – equivalente hoje a 14 mil reais , – apenas para confessar a rainha. Embora não seja uma grande quantia, denota certo mercantilismo na relação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outros hábitos, dentre inúmeros que poderíamos citar, indicam a consciência de igreja que tinha a sociedade no Brasil. Ao contextualizar o papel da Igreja Católica na colônia entre 1808 e 1840, período que compreendeu movimentos de descolonização e insurreições, além da própria independência do Brasil, João Fagundes Hauck revela que era normal a vigilância policial com que o Governo controlava a prática religiosa. “A ereção de um cruzeiro em lugar público, de uma capela, não dispensava a licença que tinha que fazer longa caminhada burocrática”, destaca, no livro História da Igreja no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CONDESCENDÊNCIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A prática de o Estado destinar recursos para Igreja Católica, agora com o argumento de preservação do seu patrimônio, embora fundamentada também em sucessivas cartas magnas do país, quando estas atribuem ao Poder Público, cada uma com termos próprios, a função de proteger e oferecer cuidados especiais aos monumentos históricos, artísticos e naturais da Nação, se concretiza repetidamente com atenção muitíssimo especial ao patrimônio da Igreja Católica, sobretudo no que diz respeito aos bens edificados, como igrejas, capelas, conventos, matrizes, basílicas, seminários. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A análise nas publicações oficiais dos órgãos de execução ou de fomento à preservação desses bens e nos registros da imprensa revela que esta relação de primazia é bem absorvida tanto pela burocracia estatal quanto pela sociedade. &lt;br /&gt;Há indicativos da neutralidade com que a sociedade encara esse “privilégio” dos bens culturais católicos, algumas vezes em detrimentos de equipamentos históricos, sejam laicos ou ligados a outras religiões e às manifestações mais espontâneas como as oriundas dos quilombolas e indígenas, estas também partícipes da formação da cultura brasileira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um desses sintomas é a condescendência e repetição com que, no exemplo escolhido para esta observação, o Jornal do Commercio (veículo pernambucano, de maior circulação do Norte e Nordeste do país), não apenas noticia como conclama e cobra, a partir do espaço de opinião institucional do próprio jornal (o editorial), entidades públicas e privadas a arcar com os custos da preservação desta ou daquela igreja no Recife.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em um período de um ano, de 10 de novembro de 2007 a 10 de novembro de 2008, dos 20 editoriais que o JC destinou a abordar os temas da Preservação do Patrimônio histórico e cultural ou de Igrejas, seis deles foram explícitos no tom de denúncia de “abandono”, na cobrança de providências urgentes para evitar o desmoronamento de templos católicos, ou no enaltecimento das iniciativas com o propósito de salvaguardar igrejas, basílicas, azulejos de capelas, telhados de matrizes. Em alguns dos artigos, o editorialista, cuja função em uma redação de jornal é expressar a opinião do dono da empresa ou grupo econômico que banca o veículo, afirma que “é triste, por exemplo, saber que a paróquia (da Matriz da São José, com seus 144 anos) não possui recursos e pede ajudar para consertar as rachaduras do estuque e nas esquadrias empenadas” . &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em outro editorial, intitulado “Um exemplo da Igreja de Roma”, e publicado em 1º de agosto de 2008, o Jornal do Commercio enaltece uma ação de caridade que a priori afirma ser mantida pela Arquidiocese de Olinda e Recife, o Movimento Pró-Criança, mas cuja manutenção “se dá através de doações da sociedade, provenientes de pessoas físicas e jurídicas engajadas na responsabilidade social”. Entenda-se que parte é de empresas que contam com o incentivo fiscal (público) para ajudar a ação social da Igreja Católica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao expressar sua opinião no editorial “O Convento e seus azulejos”, do dia 30 de junho de 2008, o jornal trata como uma remissão de dívida histórica dos pernambucanos o fato de o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), instituição financeira que, como diz seu enunciado, tem como missão promover o desenvolvimento econômico e social do país, ter investido por meio de convênio com a Fundação de Apoio ao Desenvolvido da UFPE (Fade), a quantia de R$ 2 milhões na restauração dos azulejos do Convento de Santo Antônio (de 1616), na Rua do Imperador, em Recife. E explica o artigo:&lt;br /&gt;“Como nossa igreja do Recife é dedicada ao glorioso Santo – diz Frei Bonifácio Mueller, em seu livro o Convento de Santo Antônio, editado em 1956 – é de se esperar que seus azulejos façam lembrar a vida ou os milagres do santo, tanto mais que este amigo de Deus é milagroso por excelência” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O veículo também conclama, em seu editorial de 18 de abril de 2008, intitulado “A salvação da Basílica”, àquelas “mãos dos que têm meios e podem ser estimulados pela fé ou pelo prazer do mecenato”, a contribuir com recursos para ajudar “esse majestoso” templo da Igreja de Nossa Senhora da Penha. E “aquelas mãos”, como de costume, vêm do Poder Público, como atesta o mesmo artigo, onde consta que o a Fundação de Cultura do Estado de Pernambuco (Fundarpe) liberou R$ 850 mil para a reforma emergencial, cuja obra de restauração completa está orçada em R$ 4,2 milhões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A IMPOSIÇÃO DOS FATOS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mesmo período de tempo delimitado para análise desses editoriais (nov./07 a nov./08), observamos o comportamento das reportagens publicadas no Caderno de Cidades do mesmo Jornal do Commercio. Aqui é importante que se esclareça que, embora o espaço destinado a reportagens paute sua seleção de notícias pela imposição dos fatos do cotidiano, cabe ao editor e em última instância aos seus superiores na estrutura da redação, com base em critérios subjetivos, eleger o que de fato vai ser editado para a publicação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta análise dos textos publicados a partir da apuração de fatos externos à redação, identificamos que 13 deles trazem no título a expressão “igreja pede ajuda”, “busca apoio”, “campanha para financiar restauração” ou tratam da reabertura de templos católicos após as obras restauração, sempre com o apoio de recursos do Poder Público. A considerar esta lente de observação, a matéria mais notável delas, publicada em 4 de agosto de 2008, tem como argumento a Igreja de São José do Ribamar (Século XVIII), no centro do Recife, cujas instalações apresentam desgastes no piso, paredes e trechos de madeira infestados de cupins.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Instado a se pronunciar sobre a situação de abandono da igreja, o representante do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico e Nacional (Iphan), cujo nome não é informado na reportagem, que atribui à entidade o poder de expressar informação, informa que em 1997 (portanto, há 11 anos) havia realizado obra de restauração do prédio. E completa: “a precariedade do imóvel se deve à falta de conservação, pois a igreja passou alguns anos fechada e isso contribui com a deterioração do piso, parede, teto e adorno, nos último anos”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso da Matriz de São José, que foi tema da reportagem “Matriz de São José pede ajuda”, em 19 de outubro de 2008, outra curiosidade. O templo, erguido em 1844, no centro do Recife, com a nave central interditada devido às infiltrações e risco de desabamento do telhado está realizando suas missas no corredor. Ante a situação, o pároco que conduz a igreja há 37 anos, José Augusto Esteves, afirma categoricamente: “não temos a menos condição de executar o trabalho. A paróquia não possui recursos”. E completa: “a responsabilidade pela manutenção da igreja é da comunidade, a arquidiocese não dispõe de verbas para isso”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CONSIDERAÇÕES FINAIS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora seja de suscitar maiores e mais profundas análises o fato de um jornal atual e de grande influência reproduzir um pensamento oriundo nas arcaicas raízes da formação do Estado Brasileiro, a mera observância quantitativa e qualitativa dos conteúdos pinçados para esta observação revela uma absoluta falta de isenção ou de elaboração de juízo de valor contraditório sobre tema tão presente na nossa sociedade, haja vista a reincidência dos registros sobre Igreja Católica e Preservação do Patrimônio nas páginas do matutino eleito para objeto deste trabalho.&lt;br /&gt;Ressalve-se que o conceito de juízo de valor contraditório aqui introduzido não seria, necessariamente, uma postura de condenação às práticas do Estado de investir na preservação do patrimônio da Igreja Católica, como fruto dessa incessante confusão entre o privado e o público na relação Estado x Igreja Católica. O que aqui observamos, sentimos falta, a rigor, é a não-abordagem isenta e crítica quanto a esta questão. Enfim, em nenhum dos registros que seguem em anexo encontra-se uma opinião dissonante da que se reproduz desde os idos do povoamento do Brasil. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ANEXOS &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. EDITORIAIS&lt;br /&gt;Este material foi colhido dentre todos os editoriais publicados pelo Jornal do Commercio no período de 10 de novembro de 2007 a 10 de novembro de 2008, tendo como temas os verbetes “Igreja Católica” ou “Preservação do Patrimônio”.&lt;br /&gt;Dos 20 selecionados, seis se enquadravam nos critérios pré-estabelecidos por este trabalho, que pretendia analisar apenas a relação entre a Igreja Católica e a política pública de preservação do patrimônio histórico e cultural nacional. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. MATÉRIAS&lt;br /&gt;A mesma abordagem foi dada na seleção das matérias a seguir anexadas. Todas as que atenderam à busca pelos verbetes “Igreja Católica” ou “Preservação do Patrimônio”, isto é 13 reportagens foram alvo da análise.&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BIBLIOGRAFIA&lt;br /&gt;• BOJADSEN, Angel (coord. editorial) – Cartas de uma Imperatriz. São Paulo. Editora Estação Liberdade, 2006&lt;br /&gt;• FREYRE, Gilberto. Casa-Grande &amp; Senzala. – 36ª ed. – Rio de Janeiro, Editora Record, 1999.&lt;br /&gt;• GALVÃO, Sebastião de Vasconcelos. Dicionário Corográfico, Histórico e Estatístico de Pernambuco. – 2ª ed. – Recife, CEPE, 2006.&lt;br /&gt;• GOMES, Laurentino. 1808 – Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta conseguiram enganar Napoleão e mudaram a história de Portugal e do Brasil. São Paulo, Editora Planeta do Brasil, 2007;&lt;br /&gt;• HAUCK, João Fagundes; FRAGOSO, Hugo; BEOZZO, José Oscar; GRIJP, Klaus van der; BROD, Benno. História da Igreja no Brasil – Ensaio de interpretação a partir do provo – Segunda Época – Séc. XIX. Petrópolis – RJ. Editora Vozes, 2008&lt;br /&gt;• HOLANDA, Sergio Buarque de. Raízes do Brasil. – 16ª ed. – Rio de Janeiro, J. Olympio, 1983.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CONSULTAS&lt;br /&gt;• Constituições Federais do Brasil (1824 a 1988)&lt;br /&gt;• Versão eletrônica das edições do Jornal do Commercio (Nov./07 a Nov./08)&lt;br /&gt;www.jc.com.br, a partir das rubricas “Igreja”, “Preservação” e “Católica”&lt;br /&gt;• Entrevista ao superintendente do Iphan/Regional NE, Frederico Almeida&lt;br /&gt;• Entrevista à advogada Auxiliadora Beltrão – Programa Monumenta–BID&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5559236354249669679-8516985807794831655?l=profbiuvicente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://profbiuvicente.blogspot.com/feeds/8516985807794831655/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5559236354249669679&amp;postID=8516985807794831655' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5559236354249669679/posts/default/8516985807794831655'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5559236354249669679/posts/default/8516985807794831655'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://profbiuvicente.blogspot.com/2009/01/cuidado-do-patrimnio-pblico-ou-do.html' title='Cuidado do Patrimônio Público ou do patrimônio católico'/><author><name>Biu Vicente</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16556163874053147345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5559236354249669679.post-1721695203264850106</id><published>2009-01-14T09:43:00.003-03:00</published><updated>2009-01-14T09:52:50.117-03:00</updated><title type='text'>O Livro de Tombo da Parochia de S.S. Coração Eucharistico de Jeus no Bairro do Espinheiro</title><content type='html'>O trabalho que lerão é um interessante depoimento sobre as dificuldades que os pesquisadores da história da Igreja estão encontrando atualmente: os vigários e parócos não estão atentos a uma de sua tarefas: a manutenção do Livro de Tombo. Essa exigencia disciplinar canônica vem sendo deixada de lado pelos responsáveis das paróquias. Estejamos atentos a essa questão, como também a guarda das informações nas muitas insitiuições que atendem a população.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO&lt;br /&gt;CENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS&lt;br /&gt;DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA&lt;br /&gt;CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM HISTÓRIA DO SÉCULO XX&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disciplina: A Igreja Católica no Século XX&lt;br /&gt;Professor: Severino Vicente da Silva&lt;br /&gt;Aluno: Paulo Henrique Cadena&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O LIVRO DE TOMBO DA PAOCHIA DO S.S. CORAÇÃO EUCHARISTICO DE JESUS NO BAIRRO DO ESPINHEIRO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paulo Henrique Cadena&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falas e silêncios da documentação paroquial &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1.Introdução&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Observando o verbete tombar do Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa, temos a seguinte definição: Fazer o tombo de; inventariar; arrolar; registrar.  Assim, podemos tomar por “Livro de Tombo”, a semelhança de Livro de Registros. Pensando em uma paróquia, deveriam estar inscritos nestas páginas os atos da instituição local, pelas mãos de seus administradores. Decreto de Ereção, construção do templo, Exortações, balanço econômico, festividades, falecimento de eclesiásticos, chegada do novo pároco, atas, visitas do Arcebispo, notas
